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“Barroquinha te chama”: Caminhada sonora e reterritorialização de povos afro-diaspóricos na Bahia Oitocentista
Este artigo apresenta um trabalho de pesquisa artística realizado no centro histórico de Salvador e integra o projeto de extensão “Mapeando Fantasmas na Cidade de São Salvador”, que promove ações artísticas em territórios físicos e simbólicos em luta contra processos de invisibilização ou de apagamento. Nos focaremos aqui especificamente na caminhada sonora “Barroquinha te chama”, que relaciona tradições orais, modos de produção de subjetividades dissidentes e resistências na diáspora africana na Bahia. As questões trazidas por esse trabalho se inserem na perspectiva de uma arqueologia de mídias, na medida em que entendem corpo e oralidade como mídias que reterritorializam a memória no exílio
Galpão Bela Maré: sentidos e práticas curatoriais urgentes
O presente artigo apresenta o Galpão Bela Maré, um projeto da organização da sociedade civil de interesse público Observatório de Favelas do Rio de Janeiro em parceria com a Automatica Produtora que, desde 2011, vem construindo na Nova Holanda, uma das favelas do Conjunto de Favelas da Maré, localizada na zona norte do Rio de Janeiro, um conjunto de práticas curatoriais e de produção cultural que assinalam a favela como lugar possível para a arte contemporânea habitar e, ainda, através das linguagens artísticas, criar metodologias de visibilização de sujeitos/as, territórios e questões periféricas. Esta aposta política está centrada em pressupostos que respondem às formas dominantes a partir das quais territórios, corpos/as e questões periféricas são narrados/as e, ainda, indicam para um alargamento de protagonismos no que concerne às práticas artísticas em sua amplitude
Alex Flemming: corpo, conflito e utopia em Bodybuilders
Entre os temas mais presentes no repertório de Alex Flemming, surge o corpo e as questões que o envolvem. A série Bodybuilders, produzida a partir de 1997, situa a temática apresentada em um contexto muito próprio do final do século XX: globalização, novas tecnologias e pós-colonialismo. Como esses temas são articulados nesta série de obras? Qual o corpo que nela se apresenta e de que maneira a série se envolve na própria trajetória pessoal do artista? Por meio da análise de um determinado conjunto desses trabalhos, o artigo perquire os diversos corpos que se estendem plasticamente nas telas, situando-os junto às questões sociopolíticas do final do século XX e início do século XXI. Para isso, além de textos de críticos de arte que versam sobre o artista, as reflexões serão pautadas por Michel Foucault e Homi K. Bhabha
“O homem adora o que é doce e óbvio”, de Colette Omogbai
Publicado originalmente em 1965 na extinta Revista Nigeria1, o manifesto O homem adora o que é doce e óbvio foi uma resposta de Colette Oluwabamise Omogbai a uma acusação, por parte do circuito artístico nigeriano, de que suas pinturas – com traços estilísticos surrealistas e expressionistas, rejeitando o realismo acadêmico – não seriam femininas
Reflexões sobre a ecologia e as poéticas de um desvio
Este escrito pretende pensar as aproximações entre os desvios de uma poética e uma proposição ecológica. Para tanto, se utiliza do conceito de escuta, elaborando sobre as reverberações desta em um corpo, a partir da experiência de um poema e de suas ressonâncias afins ao funcionamento de um eco
Do fogo às origens: um museu para pensar a arte brasileira
Este artigo trata de uma pesquisa inicial cujo objetivo é revisitar uma demanda crítica inerente às raízes da arte brasileira a partir do pensamento de Mário Pedrosa, com foco no projeto do Museu das Origens. Sob muitos aspectos, Pedrosa é de grande importância na história da crítica nacional, pois, através dele, as questões da arte brasileira ganharam uma dimensão universal e uma consistência cultural nova. Embora não tenha sido contemplado em seu todo, este museu tem aberto a possibilidade de reconstrução de narrativas, até, então, silenciadas e reprimidas; de linguagens e conhecimentos subalternizados pela ideia de totalidade definida pela racionalidade moderna europeia
O que escapa das frestas
Resenha da exposição individual lindalocaviejabruja, de Sara Ramo, realizada de 24 de julho de 2019 a 2 de março de 2020, sob curadoria de Rafael García, no Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, em Madri, na Espanha
Notas para uma curadoria transviada
O presente texto aporta algumas reflexões críticas a partir da experiência de curadoria da mostra sexo e gênero dissidente Os Corpos são as Obras no Rio de Janeiro, no espaço independente Despina, em 2017. Em um percurso que passa pela localização do próprio corpo bixa e homem-cis-branco para pensar práticas curatoriais como agenciamento, e artes e ativismos transviados como ferramentas de insurgência do corpo à cisheteronorma, relatarei sobre algumas das questões e inquietações suscitadas no processo de ativação da mostra que, espero, possam contribuir para que o fazer curadoria siga sendo tensionado e revisitado