607 research outputs found
Sort by
Arquitetura, paisagem e memória – a poética de Peter Zumthor
O artigo apresenta o tema da construção de memória a partir da arquitetura site specific, reconhecendo os novos conjuntos como lugares poéticos da memória. Partindo de questões sobre a experiência, a complexificação dos significados e a condição do monumento na contemporaneidade, investiga o trabalho de Peter Zumthor. Apresenta seus escritos e as noções de atmosfera, imagem e feeling of history, descrevendo e analisando as obras: Steilneset Memorial (2011) e Mining Museum (2002-2016) na Noruega, além do Museu Kolumba (2008) na Alemanha. A poética de Zumthor é valorizada a partir da proposição de experiências, mobilizando o corpo fenomenologicamente e em relação à situação, e da produção de atmosferas e imagens poéticas, via memória e imaginação
Afetos e Liberdade Muscular
Este artigo discorre sobre processos de formação de ator fazendo um diálogo entre a encarnação do afeto-paixão spinozista, com o que Matthias Alexander denominava hábito e com o bloqueio psicofísico de que fala Grotowski. Traz a Técnica de Alexander como uma ferramenta para o autoconhecimento e para a liberdade muscular que é um dos elementos do Método de Stanislavski. Concluímos com um relato pessoal de mudança perceptiva na influência do olhar sobre a emissão vocal e atuação
O que pode ser uma curadoria descolonial?
Neste ensaio, a pergunta “O que pode ser uma curadoria descolonial?” é respondida por meio de uma operação cirúrgica que reflete sobre o significado de cada termo. O exercício coreográfico busca menos revelar os significados intrínsecos a cada palavra do que os vazios existentes entre elas
Ecos das pinturas de paisagem de Nicolas Poussin na produção da série Meu nosso (entrevista)
A entrevista imaginária com o candidato Carlos é um diálogo desenvolvido com base no livro Sublime Poussin, de Louis Marin. Apresenta desdobramentos de questões levantadas a partir de seus textos, julgados pertinentes ao desenvolvimento da série de pinturas Meu nosso. A entrevista é uma tentativa de adequar esse texto às temporalidades propostas para as pinturas, ou de aproveitar informações e discutir questões consideradas concernentes, sem os limites específicos de local e do tempo de atuação dos personagens. Assim, essa entrevista imaginária, conduzida por Louis Marin, conta com participações de Erwin Panofsky, Ernest Gombrich, Meyer Schapiro, Nicolas Poussin e Paul Klee
Desde donde no se vio la bomba, 2019.
Nos anos de 1970, os governos de Cuba e da União Soviética uniram esforços para construir a Planta Nuclear de Juraguá, localizada nas imediações da cidade de Cienfuegos, Cuba. Um projeto ambicioso e utópico devido à necessidade orçamentária para sustentá-lo. Para além dos riscos inerentes à geração de energia atômica, a proximidade geográfica com o Estado da Flórida alarmara os Estados Unidos sobre o prenúncio de desenvolvimento de arma nuclear. Anos antes do estabelecimento do projeto, Cuba havia instalado mísseis balísticos de origem russa.O ideal atômico cubano nunca se completou, consequentemente, nenhuma das aventadas ameaças. O que resta nessa paisagem industrial e na vida em meio aos edifícios inacabados da cidade nuclear (originalmente destinada a receber trabalhadores de Juraguá) ativam continuamente certo aturdimento e a memória, por vezes não fiel, daquele tempo
Ficção portátil: um passeio pelo catálogo Le Grand Ensemble de Mathieu Pernot
Entre 2000 e 2007, o artista Mathieu Pernot registrou a destruição, realizada pelo Estado, de várias unidades de habitação social nos subúrbios franceses. Seus registros dão início a uma investigação arqueológica sobre a memória imagética desse símbolo da política habitacional do pós-guerra. Todo esse material recolhido compõe o trabalho intitulado Le Grand Ensemble que o artista publica em um catálogo em 2007. Interagir com seu catálogo não é um retorno saudosista a um momento utópico da história urbanística do pós-guerra ou uma condenação às forças impositivas de uma arquitetura monumental e universalizante; ao contrário, é um confronto com a experiência do mundo contemporâneo que deteriora as instituições, que decompõe a organização social. Sem a necessidade de uma conclusão ou respostas, seu catálogo elaborado apenas com imagens nos abre para um mundo de questões em forma de ficção portátil
Arte, arquitetura, paisagem
Os organizadores não tiveram dificuldade em concordar que o melhor espaço para abrigar, em 28 de outubro de 2019, o seminário Arte contemporânea, arquitetura, paisagem, seria o Museu de Arte Contemporânea de Niterói. O museu, ao mesmo tempo, insere-se na paisagem urbana da cidade e instaura uma relação com a Baía de Guanabara. O seminário foi a ocasião para as apresentações que serviram de base para este dossiê, assim como para discussões muito profícuas.