Revista Leia Escola
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    MODOS DE CONTAR: A POÉTICA VERBO-VISUAL DE CAROL FERNANDES

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    Na literatura infantil contemporânea, a autoria feminina vem ocupando cada vez mais espaço. Essa produção é caracterizada pelos criativos projetos gráficos, nos quais chamam a atenção as ilustrações e a representação de diversidades de corpos, de mundos, de culturas. Neste artigo apresentamos uma análise de dois livros ilustrados da autora mineira Carol Fernandes: Se eu fosse uma casa (2020) e Fevereiro (2023). Buscamos identificar a presença de um estilo próprio nas ilustrações e analisar a relação entre texto escrito e imagem por meio do projeto gráfico. Como fundamentação teórica, utilizamos os estudos sobre ilustração de livros infantis de Nikolajeva e Scott (2011), Oliveira (2008), Moraes (2008), Linden (2011) e Ramos (2013). Nossa análise utiliza a metodologia de Pinheiro (2018), que considera os elementos do projeto gráfico-editorial do livro para analisar a narrativa. Nas obras selecionadas, alguns elementos em comum foram observados: nas ilustrações, a presença de corpos roliços e negros, assim como a presença de peixes; no texto escrito, a narrativa em versos, em construções poéticas abertas a interpretações, com suas construções metafóricas e metonímicas que convidam o leitor a uma participação ativa

    ENTREVISTA MEMORIALÍSTICA DE PELÉ: ANÁLISE DO GÊNERO DE TEXTO PARA UMA MODELIZAÇÃO DIDÁTICA

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    No paradigma vigostikiano, os gêneros de texto constituem um megainstrumento didático que podem vir a ser utilizados no ensino e aprendizagem das línguas. Na verdade, é a partir de modelos de texto já interiorizados pelos indivíduos que estes podem reproduzi-los e modificá-los em função de contextos socio-histórico e interacionais diversos. Face a esse pressuposto, este artigo objetiva analisar aspectos textuais (organizacionais, temáticos e de textualização - enfatizando aqueles relacionados com valores argumentativos), relevantes do gênero de texto entrevista memorialística, em sua modalidade oral, para o desenvolvimento de algumas pistas necessárias para a sua modelização didática. Em termos metodológicos, parte-se do princípio de que, embora se considere a análise de um texto singular, este apresenta as características gerais do gênero de texto no qual está inserido. Em função da reflexão teórica e da análise, serão propostas algumas pistas para a descrição do gênero e para a produção deste, em contexto escolar, no ensino fundamental e médio

    POR UMA FORMAÇÃO COLETIVA E COLABORATIVA DE PROFESSORES: SABERES E FAZERES EM DIÁLOGO COM AS CONTRIBUIÇÕES DO PIBID

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    Neste artigo, apresento um recorte da pesquisa de iniciação científica e de mestrado sobre as contribuições do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), financiado pela Coordenação De Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), na formação de licenciandas e professores que atuaram no Subprojeto PIBID Letras-Espanhol. O objetivo deste estudo consiste em mapear e analisar como foram (re) construídos os saberes e fazeres docentes na formação coletiva e colaborativa desses sujeitos. Para tanto, esta pesquisa qualitativa e interpretativa (Moita Lopes, 1994) contou com 2 (dois) questionários direcionados às 24 (vinte e quatro) licenciandas e aos 3 (três) professores supervisores e, além disso, baseou-se nas discussões de Freire (2000 [1996]), Imbernón (2009), Nóvoa (2001, 2007, 2009), Tardif (2000, 2010), dentre outros. Como resultado, constatei as contribuições do Programa nos saberes pessoais, nos saberes formativos anteriores ao PIBID, nos saberes profissionais, nos saberes curriculares e nos saberes experienciais dos sujeitos. Por fim, estabeleci conexões das narrativas analisadas com a literatura complementar da área das ciências da educação, tecendo contribuições para os estudos e as reflexões relativas à formação coletiva e colaborativa, saberes e fazeres de professores

    GÊNERO REPORTAGEM DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA: CONTRIBUIÇÕES PARA A ANÁLISE

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    O presente artigo resulta de uma pesquisa de iniciação científica, na área de linguagem, desenvolvida no âmbito da UFCG (PIBIC/2022). Tem como objetivo apresentar os resultados da análise de um texto de divulgação científica, reportagem, com foco nos níveis contextual (contexto de produção) e textual (conteúdo temático, plano de texto e mecanismos linguísticos). A pesquisa se insere no campo de estudos da Linguística Aplicada, podendo ser caracterizada como uma pesquisa qualitativa. Fundamentou-se, teoricamente, nos estudos do campo do Interacionismo Sociodiscursivo (ISD), em pesquisas de Bronckart (1999, 2006, 2008), Vézina (2011), Miranda (2015), Luzonzo (2018), Helena Jorge (2018), e especialmente na proposta analítica das marcas do texto de divulgação científica apresentada por  Coutinho, Gonçalves et al. (2018). Os resultados do estudo revelam a importância do conhecimento das características dos textos de divulgação científica (título, articulação entre imagem e texto, intenção comunicativa, conteúdo, vocabulário, tipos de discurso) como pistas pertinentes para o  trabalho com a leitura de gêneros textuais e para o desenvolvimento da capacidade crítica do aluno-leitor, no contexto do Ensino Fundamenta

    MADALENA, O OLHAR DA VÓ PELO MUNDO, O APRENDER DA NETA NESTE OLHAR: AUTORIAS FEMININAS DE LIVROS ILUSTRADOS PARA A FORMAÇÃO LEITORA COM O USO DE ESTRATÉGIAS DE LEITURA, CONEXÕES E INFERÊNCIAS

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    Entendendo que os livros são objetos que trazem a cultura de uma época em que estão inseridos, o artigo a seguir aborda acerca de obras de autoria feminina, trazendo imbricadas as tantas vozes que as constituem. Evidenciaremos a potencialidade dos livros de literatura infantil como importante objeto para a formação e compreensão leitora, na intenção de explicitar como o leitor pode atribuir os múltiplos sentidos ao estar diante de uma obra, mobilizando estratégias de leitura. Para tanto, elegemos o livro ilustrado Madalena (2019) da escritora e ilustradora Natália Gregorini, cujo enredo apresenta duas mulheres fortes – a vó Madalena e sua neta, de onde emerge as vozes das protagonistas que tecem os fios de suas memórias ao longo de toda narrativa. Para entendimento deste percurso, dialogaremos com as estratégias de leitura defendidas por Girotto e Souza (2010), com destaque para duas delas: Conexões e Inferências, durante os diálogos e trocas outras das análises dos enunciados verbais e visuais presentes na obra.&nbsp

    REFLEXÕES À LUZ DAS TRADIÇÕES DISCURSIVAS E DO INTERACIONISMO SOCIODISCURSIVO: ESTUDOS A PARTIR DE UMA ENTREVISTA COM PELÉ

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    Este volume é resultado de pesquisas que vêm sendo desenvolvidas pelo Grupo de Estudos sobre a Historicidade dos Textos e Ensino de Língua (HISTEL), certificado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico  - CNPq, e liderado pelos professores pesquisadores Joaquim Dolz (Universidade de Genebra), Valéria Severina Gomes (Universidade Federal Rural de Pernambuco) e Aurea Suely Zavam (Universidade Federal do Ceará). O grupo é formado por integrantes pertencentes a diferentes países, como Argentina, Brasil, Espanha, Portugal e Suíça, e agrega pesquisadores de diferentes universidades. O foco de estudos está na historicidade dos textos e na sua relação com o ensino e a aprendizagem da língua a partir de uma abordagem teórico-metodológica construída pela interface entre as Tradições Discursivas e o Interacionismo Sociodiscursivo, desenvolvida pelo HISTEL.

    SABERES DE PROFESSORES PARA ATUAÇÃO EM CONTEXTOS BI/MULTILÍNGUES: A PERCEPÇÃO DE PROFESSORES EM SERVIÇO

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    A formação de professores para a educação bi/multilíngue no Brasil ainda é realidade distante dos cursos de Letras, Pedagogia e demais Licenciaturas (Castanharo, 2020). Desta forma, em sua grande maioria, professores têm construído seus saberes na prática docente, nas trocas com pares e em formações continuadas propostas nas próprias escolas (Fávaro, 2009; El Kadri; Saviolli; Moura, 2022), ou seja, mobilizando em parte os saberes experienciais (Tardif,2012). Neste contexto, este trabalho tem como objetivo investigar quais os saberes e conhecimentos necessários para professores atuarem na educação bi/multilíngue, de acordo com a literatura na área e com a percepção de professores de uma formação complementar em educação bi/multilíngue. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, com enfoque sócio-histórico, de caráter interpretativista cujos dados foram analisados pelo referencial de análise de conteúdo (Bardin, 2004). Os resultados apontam que muitos dos conhecimentos da área, percebidos pelos participantes, se encaixam nas categorias de saberes docentes propostas por Tardif (2012), com elementos característicos da educação bi/multilíngue. Os resultados apontam que, pela percepção dos professores, os saberes para atuar neste contexto envolvem, além dos saberes da formação profissional, saberes curriculares, saberes disciplinares e saberes experienciais, saberes específicos da educação bilíngue

    LETRAMENTO CIENTÍFICO, MULTILETRAMENTOS E DEFICIÊNCIA VISUAL: REFLEXÕES SOBRE A ADAPTAÇÃO DO GÊNERO MEME

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    As novas tecnologias digitais têm trazido mudanças no paradigma comunicativo, pois permitem reunir, em um só texto, várias formas de expressão, tais como o texto verbal, o som e a imagem. Consequentemente o conceito de multiletramento assume espaço nas discussões voltadas às práticas pedagógicas, já que os gêneros textuais, concebidos como fenômenos sociais e históricos, não ficam imunes aos avanços tecnológicos e à presença da tecnologia digital. Nesse sentido, propõe-se, como suporte ao trabalho pedagógico focado no letramento científico de alunos com deficiência visual, o gênero textual meme. O trabalho com gêneros textuais faz-se campo fértil, uma vez que se relacionam diretamente às práticas sociais desenvolvidas pelos alunos. A reflexão consiste em como fazer com que textos multissemióticos como o meme tornem-se acessíveis a alunos cegos, que não têm percepção visual dos elementos imagéticos que o compõem. Realizou-se uma análise do Manual de Adaptação de Textos para o Sistema Braille (GEPA, 2019), produzido e disponibilizado pelo Instituto Benjamin Constant, considerando os critérios específicos para adaptação do gênero tirinha como ponto de partida para possíveis critérios de adaptação do meme, com foco no letramento científico dos alunos com deficiência visual. São apresentadas quatro propostas de adaptação do gênero meme

    LETRAMENTO CIENTÍFICO E ENSINO NA EDUCAÇÃO BÁSICA

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    Este número da Revista Leia Escola resulta das ações empreendidas no I Encontro - Letramento Científico na Educação Básica, evento acadêmico online, realizado em 27 de maio de 2022. Em relação ao alcance do objetivo proposto o evento foi profícuo, na medida em que propiciou a socialização da discussão sobre (1) ciência e divulgação científica e o papel desta de possibilitar a prática democrática de evidenciar conhecimento científico para o público não especializado, de forma ativa e participativa; (2) o trabalho com a divulgação científica em sala de aula de Língua Portuguesa, a partir da discussão sobre o papel da linguagem, em especial dos gêneros textuais, nessa tarefa. Entretanto, a pouca participação de professores da Educação Básica neste evento evidenciou o distanciamento, e por consequência, o desconhecimento do tema por parte desse público-alvo, tornando-se necessárias iniciativas com vista ao estreitamento da interlocução entre a instância formadora e a de ensino.&nbsp

    ERRO, IMPERFEIÇÃO E ARTE: PROCESSOS CRIATIVOS EM ILUSTRAÇÃO DE MARILDA CASTANHA E ANNA CUNHA

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    O presente artigo resulta de uma pesquisa acadêmica cujo principal objetivo foi conhecer e apresentar o processo criativo em ilustração de duas ilustradoras mineiras reconhecidas e premiadas no meio literário: Marilda Castanha e Anna Cunha. A pesquisa, já concluída, adotou uma abordagem qualitativa de caráter exploratório. Para além da pesquisa bibliográfica que embasou a reflexão sobre a ilustração e o livro ilustrado, visitamos os ateliês e ambientes de trabalho de Marilda Castanha e Anna Cunha e gravamos entrevistas semiestruturadas com as ilustradoras a fim de conhecer suas concepções e processos de criação, em especial quando elas trabalham a partir de textos de outros escritores. Neste artigo, apresentamos brevemente as etapas do processo ilustrativo de ambas e confirmamos a extrema importância do papel desempenhado pelas ilustradoras nas obras de que participam, já que elas complementam e transformam os textos originais, indo além da interpretação ou mera tradução do texto verbal

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