Revista Leia Escola
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    SILVA, Wagner Rodrigues (org.). Contribuições sociais da Linguística Aplicada: uma homenagem a Inês Signorini. 1. ed. Campinas, SP: Pontes Editores, 2021. 378 p.

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    Larrosa (2020 [2014], p. 18, grifo nosso) nos ensina que a experiência é “o que nos passa, o que nos acontece, o que nos toca” e que, para tê-la, é necessário um gesto de interrupção, de delicadeza e de escuta (leitura) atenta para que possamos construir sentidos ou sem-sentidos. Cremos que tenha sido nessa perspectiva que cada um dos autores do livro Contribuições sociais da Linguística Aplicada: uma homenagem a Inês Signorini, organizado por Wagner Rodrigues Silva e publicado pela Pontes Editora, escrevem os seus respectivos textos. E é assim que convidamos você, tal como nós fizemos, a adentrar à leitura dessa obra: em prol da experiência

    TRANSLINGUISMO LITERÁRIO: UMA REFLEXÃO SOBRE A (AUTO)TRADUÇÃO NA ESCRITA CHICANA DE HINOJOSA

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    A proposta deste artigo é refletir sobre o translinguismo literário observado nas escritas chicanas, em especial a autotradutória de Rolando Hinojosa-Smith, com a finalidade de contribuir para o debate contemporâneo em torno à ideia de comunidade literária, que se fragiliza ao colidir com escritas que se produzem fora do paradigma de unidade linguística. As escritas chicanas, marcadas pelo atravessamento ou a alternância entre dois ou mais códigos linguísticos, como o inglês e espanhol, e por vezes o spanglish, assim como suas (auto)traduções, expressam a pluralidade que as caracteriza, evidenciadas em seus atravessamentos culturais e linguísticos que estão em constante movimento e negociação. A (auto)tradução desses escritos permite entender tal processo como uma forma de mediação cultural entre os sujeitos, uma vez que reconhece o uso da linguagem híbrida como forma de resistência e (re)afirmação identitária, cultural, social e política. As reflexões encontram alicerce teórico nos estudos de Steven Kellman (2019); Helena Tanqueiro (1999); Benedict Anderson (1995); Glória Anzaldúa (1987); Ottmar Ette (2019); Maria Alice Antunes (2019); Cristiano Barros (2022); entre outros

    O QUE INDICAM AS PRÁTICAS DE TRANSLINGUAGEM EM TEXTOS ESCOLARES DE ALUNOS MIGRANTES: (OU QUANDO OS ESTRANHOS BATEM À PORTA DAS NOSSAS ESCOLAS)

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    Este artigo busca compreender como operam e o que potencialmente indicam as práticas de translinguagem em produções escritas de alunos migrantes de países da América do Sul durante aulas de língua portuguesa de duas escolas públicas do Estado de Mato Grosso. Por translinguagem entende-se como uma abordagem que procura superar a noção convencional de língua (como algo fixo e estático) para enfatizar a importância do uso criativo e adaptativo das línguas em diferentes contextos (Rocha; Megale, 2023), de modo a apresentar-se como um alinhamento temporário que se manifesta na e pela prática. Os resultados indicam que, com incidência menor ou maior, práticas de translinguagem ocorrem independentemente do tipo de atividade proposta em sala de aula (seja mais regrada seja mais livre), reverberando um cenário marcado pelo intenso fluxo de vidas em movimento (tanto geográfico quanto linguístico) que caracteriza a contemporaneidade

    AMPLIAÇÕES, IDENTIDADES E NOVAS REPRESENTAÇÕES: A LITERATURA INFANTIL E JUVENIL DE MAIORIAS MINORIZADAS

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    Nas últimas décadas, os subsistemas literários infantil e juvenil tiveram uma grande expansão em relação ao número de obras, autores e circulação (Ceccantini, Valente, 2014; Aguiar, Martha, 2014). Novas temáticas, formatos e estruturas consolidaram a qualidade e a quantidade de obras para crianças e jovens. Entre as expansões observadas está a ampliação das representações identitárias presentes nas produções para crianças e jovens. A voz de minorias políticas – ou das maiorias minorizadas – foi durante séculos subjugada e silenciada. Eram praticamente inexistentes representações positivas de minorias em obras infantis/juvenis. Atualmente, novas autorias garantem visibilidades para diferentes identidades, entretanto é fundamental o desenvolvimento de um trabalho crítico para triagem e análise das obras, tanto para selecionar e evidenciar obras que além de aspectos relativos à representações, possuem também qualidades artísticas e estéticas, quanto para ampliar a sua divulgação e circulação. Embora os avanços e conquistas em relação às possibilidades de publicação de obras por autores pertencentes a maiorias minorizadas sejam inegáveis, é crucial que a pesquisa acadêmica e sua articulação com o ensino permaneçam atentas e vigilantes.&nbsp

    CONVERSA COM ALE SANTOS: O ARQUITETO DE UNIVERSOS AFROFUTURISTAS

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    Ale Santos é autor afrofuturista, ativista, podcaster e storyteller quem vem ganhando muita projeção no cenário cultural brasileiro nos últimos anos, sendo inclusive reconhecido pela Science Fiction Research Association (SFRA) como o autor afrofuturista mais popular da nova geração. Assim, o jovem autor pode ser considerado como uma voz crucial na cena literária afrofuturista, especialmente em relação ao endereçamento de obras para crianças e jovens. Sua especialidade tem sido fusionar com sucesso a ficção científica com a cultura afro-brasileira, explorando temas como ancestralidade e resistência. Foi finalista do Prêmio Jabuti por duas vezes e do CCXP Awards. Algumas de suas obras que merecem destaque são A Malta Indomável e O Último Ancestral, pois apresentam características capazes de gerar engajamento de leitura por parte de jovens leitores

    DISCURSOS ALARMISTAS E SOLUÇÕES VERTICAIS: O HÁBITO DE LEITURA E OUTROS MODOS DE DESENCORAJAR JOVENS LEITORES

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    No espaço público do incentivo à leitura, falas alarmistas antecedem solução simplista e verticalizada: a imposição da leitura como hábito, bastante conhecida no Brasil porque repetida à exaustão. Neste estudo, exploramos o tema “hábito da leitura” analisando considerações de diferentes pesquisadores para o debate. A concepção mais recorrente – de que a leitura precisa se tornar um hábito para se fazer assídua na vida dos jovens, tornando-os leitores – é contraposta às visões que questionam a ideia de hábito porque é, ela mesma, avessa à natureza da leitura, principalmente a literária, que exige posturas desviantes as quais não combinam com a passividade e a docilidade que tal noção desperta. Tais visões são trazidas dos estudos de Brito (2015), Perrotti (1999), Montes (2020), Petit (2013), Zilbermam (2009, 2012), Bertrand (2021), Andruetto (2017), entre outros. Das conclusões, destacamos que discursos alarmistas e clichês sobre leitura, quando dirigidos a espaços como a escola e outros lugares de recepção e circulação do texto literário, acabam por distanciar, cada vez mais, os leitores daquilo que as práticas de leitura têm se esforçado em aproximar, isto é, da literatura. A leitura, quando pensada e exigida como hábito, é um eufemismo para o superficial e o oportunista

    A RÁDIO ESCOLAR COMO DISPOSITIVO PARA A FORMAÇÃO INICIAL DE PROFESSORES E ENSINO DE GÊNEROS ORAIS

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    O presente trabalho traz um relato de experiência sobre a utilização da Rádio Escolar para o desenvolvimento de expressão oral de estudantes da educação básica, bem como a formação inicial de graduandos de Letras da Universidade Federal do Agreste de Pernambuco. A Rádio Escolar constitui-se como um espaço genuíno de mídia escolar, permitindo que os estudantes possam realizar práticas de linguagem situadas que lhes possibilitem o uso da linguagem oral e escrita (Baltar, 2012). Ademais, Dolz e Messias destacam que a Rádio Escolar promove o protagonismo e o exercício da cidadania dos estudantes. O projeto aconteceu numa escola estadual na cidade de Garanhuns, onde implementarmos, por meio da sequência didática (Dolz, Noverraz e Schnewly, 2004), atividades da Rádio Escolar, em 04 turmas de Ensino Médio, com foco em gêneros radiofônicos. Os resultados do projeto mostram um verdadeiro engajamento dos estudantes da educação básica em práticas de linguagem oral e uma ótima oportunidade de articulação de saberes docentes na formação inicial de professores

    LIVROS E LEITORES, QUEM DEVORA O QUÊ? BREVES OBSERVAÇÕES SOBRE PREMIAR LIVROS IMAGINANDO LEITORES JUVENIS

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    Este trabalho de cariz teórico-reflexivo começa por percorrer e recensear os regulamentos dos prémios atribuídos à literatura juvenil portuguesa constantes na base de dados da Direção Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas (DGLAB). A partir da síntese conclusiva dessa análise dos conteúdos que os júris deverão ter em conta na sua seleção, traçamos o perfil que pode contribuir para a definição de uma literariedade que a ―instituição-prémio‖ condiciona. E daremos a nossa opinião sobre a importância que é atribuída a essas características premiadas, da perspetiva de quem pretende formar mediadores de leitura: autónomos, atualizados e empenhados em prolongar o seu gosto literário para contagiar outros. No fundo, o que poderemos vir a considerar uma ―escola de leitores literários‖. Daremos o exemplo do caso de Afonso Cruz e Os livros que devoraram o meu pai, a partir da nossa experiência enquanto membro de um júri no ano de 2009

    ENTREVISTA COM ALEXANDRE RAMPAZO: UM DIÁLOGO QUE FAZ TODA DIFERENÇA

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    Nascido em abril de 1971, em São Paulo capital, onde reside ainda hoje, AlexandreRampazo é ilustrador e autor de livros endereçados preferencialmente ao públicoinfantil. Formado em Design pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo, em 2001, atuou alguns anos como diretor de arte e designer, desenvolvendo, projetos gráficos e editoriais. A partir de 2008, passou a se dedicar integralmente à literatura infantil, área essa em que já conta com quinze livros escritos e ilustrados, além de mais de cinquenta trabalhos como ilustrador em obras de outros reconhecidos escritores. Sua obra, pelo jogo de cores, formatossurpreendentes, linguagens dinâmicas, principalmente pela junção entre texto verbal e imagético, entre outros recursos, apresenta significativa qualidade estética. Justamente por isto, obteve reconhecimento no campoliterário, configurado em premiações diversas1, tais como o Selo Cátedra Unesco de Leitura PUC-Rio, pela autoria e ilustração de A cor de Coraline (Rocco, 2017), Aqui bem perto (Moderna, 2018) e Se eu abrir esta porta agora... (SESI-SP, 2018), e pela ilustração de livros como Coração de inverno, coração de verão (Zit, 2018) e O Passeio (Gato Leitor, 2017).&nbsp

    ORALIDADE NA PERSPECTIVA DO ENSINO DE LÍNGUAS

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    Nos últimos anos, os estudos sobre oralidade têm se diversificado, apresentando abordagens inovadoras e práticas pedagógicas que destacam sua relevância no ambiente escolar. Um exemplo disso é a criação do eixo "Oralidade" na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) (Brasil, 2018). Contudo, como afirmam Leal, Brandão e Lima (2012, p. 19), "conceber a oralidade como um eixo autônomo de ensino não elimina a possibilidade de enxergarmos suas relações com os outros eixos do trabalho com a língua". Reunindo contribuições de pesquisadores de diferentes instituições brasileiras, como a Universidade Federal de Santa Catarina, Universidade Estadual da Paraíba, Universidade Federal do Agreste Pernambucano, Universidade Estadual do Maranhão, Universidade de Brasília, Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, Universidade do Estado da Bahia, Universidade Federal de Alagoas, Universidade Federal de Sergipe, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, entre outras, o presente dossiê, intitulado Oralidade na Perspectiva do Ensino de Línguas, propõe reflexões e discussões sobre o papel da oralidade no ensino linguístico, explorando suas múltiplas dimensões teóricas e práticas. Estruturado em cinco seções temáticas que abrangem desde fundamentos teóricos até estudos empíricos e relatos de experiência, promove um diálogo interdisciplinar e abrangente sobre a temática levantada

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