Revista Leia Escola
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A LITERATURA NO DESENVOLVIMENTO DAS CRIANÇAS DE ZERO A TRÊS ANOS NA PERSPECTIVA DA LUDICIDADE
Esta pesquisa visa refletir sobre como a literatura, quando mediada por atividades lúdicas, pode potencializar o desenvolvimento integral das crianças na primeira infância. Fundamentada em teóricos como Fortuna (2000), Azevedo, Girotto e Souza (2024), Santos (2008), Caldín (2003), Abramovich (1993) e Vygotsky (1998), além de trazer as diretrizes educacionais, como a BNCC, (2018) e a LDB, a pesquisa foi conduzida em uma creche pública em Codó, MA. O objetivo foi investigar de que forma essas práticas enriquecem a experiência literária e contribuem para o desenvolvimento das crianças. As fontes da pesquisa foram obtidas através do caderno de registro das observações em sala e através de entrevistas com 03 (três) educadores. Os educadores destacaram o brincar como essencial para o desenvolvimento cognitivo, social e emocional, e apontaram a contação de histórias como um recurso fundamental para aproximar as crianças da literatura
A LITERATURA INDÍGENA E A FORMAÇÃO CONTINUADA DOS PEDAGOGOS
Este artigo objetiva compreender os saberes que os docentes julgam relevantes para a mediação da literatura indígena na sala de aula. Trata-se de um recorte de uma pesquisa de doutorado, na qual foi oferecido um curso de formação continuada para pedagogos, com o intuito de formar mediadores da literatura indígena. A fundamentação teórica apoia-se nos estudos de Tardif (2014), Nóvoa (2022) e Imbernón (2010) sobre a formação continuada de professores; Amarilha (2021) e Saldanha e Amarilha (2018) acerca da formação do pedagogo para mediar textos literários; e em Thiel (2012) e Dorrico (2018) sobre a literatura indígena. Os resultados revelaram a ausência de conhecimentos teóricos e metodológicos sobre a formação de leitores e, consequentemente, sobre a literatura indígena. Também evidenciaram a importância dos pedagogos conhecerem as obras de autoria indígena para constituir seu repertório. Além disso, ressaltaram a necessidade dos professores conhecerem as discussões sobre as práticas culturais indígenas e os desafios desses povos na contemporaneidade. 
ITINERÁRIOS INTERSECCIONAIS PARA O ENSINO DE LITERATURA: DESAFIOS E PERSPECTIVAS DECOLONIAIS E TRANSVIADAS NA EDUCAÇÃO BÁSICA
Este artigo propõe uma abordagem crítica para o ensino de literatura na educação básica, articulando os debates de gênero, sexualidade e raça sob uma perspectiva interseccional (Collins; Bilge, 2020). Fundamentado em autoras e autores como Butler (2003, 2024), Bento (2017), Preciado (2019) e Street (1995), o estudo defende que a prática pedagógica literária não pode se afastar das discussões que atravessam os corpos e as subjetividades dissidentes (Amorim et al, 2022; Dias, 2023; Santiago, 2024). Ao reconhecer que a escola, muitas vezes, reproduz discursos normativos que silenciam infâncias negras, transviadas e fora do padrão, o artigo propõe caminhos para uma educação que enfrente tais opressões. A análise de obras como Ovelha Colorida (Portella, 2019), Julián é uma Sereia (Love, 2018) e Amoras (Emicida, 2018) revela como a literatura infantojuvenil pode abrir espaço para a expressão da diferença e experiências marginalizadas pelo status quo. Ao visibilizar infâncias em dissidência e racializadas, a proposta aqui defendida busca desconstruir lógicas excludentes, valorizando literaturas decoloniais e transviadas. Assim, o ensino de literatura torna-se um campo de disputa política e sensível, capaz de contribuir para práticas pedagógicas inclusivas, que respeitem a diversidade e rompam com a manutenção das violências simbólicas que atravessam a infância
O QUE PODE A LITERATURA: A IMPORTÂNCIA DA LEITURA LITERÁRIA DE CLÁSSICOS NA ESCOLA PARA A FORMAÇÃO DA PESSOA SOB A PERSPECTIVA DOS PROFESSORES
O presente trabalho aborda a perspectiva de professores de literatura do Ensino Médio de uma cidade do Vale do Taquari, no Rio Grande do Sul/Brasil, a respeito da importância da leitura literária de clássicos na escola à formação da pessoa. O trabalho se configura numa abordagem qualitativa (Leopardi, 2002), cujos dados foram coletados a partir de entrevistas semiestruturadas com sete professores de literatura do Ensino Médio. O desenvolvimento do trabalho contempla os teóricos literários que versam sobre o assunto e documentos educacionais legais em diálogo com as respostas dos professores entrevistados. “Clássico é um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer” (Calvino, 2023, p. 17), tendo um valor cultural muito grande e sendo importantes porque, ao lê-los, compreende-se melhor a si (Todorov, 2021). A partir dessa perspectiva, o presente trabalho ressalta a importância da escola no acesso ao clássico, dado que ela é um “espaço privilegiado” (Zilberman, 2003, p. 16) responsável por apresentar a cultura da literatura aos estudantes. Ainda, apesar de todos os professores compreenderem a importância do clássico à formação pessoal e trabalharem com ele, há alguns elementos que podem acometer um trabalho efetivo com a literatura, estes expostos nas considerações finais
LITERATURA NA PERSPECTIVA TRANSDISCIPLINAR: O CLÁSSICO E O CONTEMPORÂNEO NA SALA DE AULA
Este artigo é um recorte de uma pesquisa mais abrangente, realizada em duas salas de aula de níveis diferentes – Ensino Fundamental e Ensino Médio –, de sistemas de ensino diversos, público e privado. O principal objetivo desse trabalho é explorar a natureza transdisciplinar da obra literária, observando como ela integra diferentes áreas do conhecimento. Com essa abordagem, analisamos dados coletados em duas salas de aula buscando analisar, tanto o perfil leitor dos alunos, como as consequências da implementação de um trabalho que privilegiou os aspectos intertextuais e transdisciplinares de duas obras literárias, sendo uma clássica e a outra contemporânea. Os livros escolhidos para serem experenciados com os alunos das duas salas de aula foram Dom Casmurro, de Machado de Assis e Ciumento de Carteirinha, de Moacyr Scliar. A coleta de dados foi realizada por intermédio da aplicação de um questionário, com questões abertas e fechadas, que permitiram identificar, além dos hábitos leitores dos alunos, aspectos relativos à recepção estética que fizeram da obra. Assim, evidenciamos a importância de que o trabalho pedagógico voltado para o ensino da Literatura seja realizado em uma perspectiva transdisciplinar, possibilitando que o processo de ensino aprendizagem passe a ser representativo de realidades
REFLEXÕES SOBRE A ABORDAGEM DA POESIA PELO LIVRO DIDÁTICO DO ENSINO MÉDIO
Este trabalho tem por objetivo discutir o espaço e papel da poesia no livro didático (LD) do ensino médio de Língua Portuguesa a partir da análise de um manual aprovado pelo PNLD 2021. O intuito é verificar se o livro, que segue algumas das competências da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) de 2018, apresenta uma diversidade de autores, temáticas e uma abordagem da poesia que seja significativa para a formação de leitores no nível médio. A importância desse estudo reside no fato de, ao longo dos anos, as obras didáticas apresentarem uma série de problemas no que diz respeito ao tratamento da literatura, o que pode influenciar a metodologia do professor na sala de aula, distanciando, ainda mais, o estudante da leitura de poesia, visto que este gênero sempre foi o menos prestigiado nas aulas de Língua Portuguesa ou, quando abordado, torna-se pretexto para o estudo da estrutura e/ou da língua. Desse modo, as reflexões ajudarão a entender se essas problemáticas ainda se encontram presentes no LD em foco. Para elaborar tal análise, utilizamos como aporte teórico as discussões de Pinheiro (2018; 2020; 2022), Rouxel (2013), Colomer (2007) e Marinho e Pinheiro (2012)
LEITURA LITERÁRIA E TECNOLOGIA: INTERSEÇÕES ENTRE LETRAMENTO LITERÁRIO E LETRAMENTO DIGITAL PARA A LITERATURA ELETRÔNICA
Este artigo investiga as interseções entre o letramento literário e o letramento digital, analisando como a tecnologia pode potencializar ou limitar o acesso e a apreciação da literatura. Como a tecnologia influencia o letramento literário? Quais são as oportunidades e os desafios dessa relação à luz das novas perspectivas textuais? A metodologia adotada baseia-se em uma revisão bibliográfica, contemplando conceitos fundamentais do letramento literário (Cosson, 2016, 2020), do letramento digital (Gilster, 1997; Lankshear; Knobel, 2008) e da teoria das mídias (Aarseth, 1997; Hayles, 2005; Kittler, 2016). O estudo também dialoga com perspectivas sobre o impacto das textualidades digitais na leitura e na educação (Simondon, 2020) e com documentos oficiais, como o Complemento à BNCC de 2022, que estabelece diretrizes para a inclusão do ensino tecnológico na educação básica no Brasil. Os resultados indicam que a literatura contemporânea e a leitura literária ocorrem em um contexto de mídias convergentes, no qual a digitalização modifica as práticas de recepção e interação com os textos. Além disso, argumenta-se que uma compreensão mais ampla dos objetos técnicos pode enriquecer o ensino da literatura, promovendo uma abordagem mais integrada entre cultura e tecnologia
DOS AMORES QUE NÃO OUSAM DIZER O NOME:: PROPOSTA DE ROTEIRO DE AULA COM AGRESTE (MALVA-ROSA), DE NEWTON MORENO
O drama Agreste (Malva-rosa), de Moreno (2004), apresenta a relação entre Etevaldo e Maria, que possuem a sua peripécia quando o primeiro morre e a vizinhança lhe associam ao “ser mulher” ao perceberem a ausência do órgão genital masculino em seu corpo, incinerando o casal. Geralmente, as temáticas apresentadas nessa obra não são trabalhadas na escola, muitas vezes influenciada pelo contexto LGBTQIAPN+fóbico, que acaba desconsiderando a diversidade nos afetos. Assim, entendemos a necessidade de desafiar essa estrutura no contexto escolar, sobretudo pela predominância de literaturas que somente mostram o amor entre pessoas cisgênero. Portanto, objetivamos apresentar um roteiro de aula elaborado com Agreste (Malva-rosa), para promover debates sobre o amor, gênero e diversidade sexual, incentivando a criticidade e o respeito ao longo das aulas. Teoricamente, fundamentamo-nos em Cosson, acerca do letramento literário; Oliveira, Silva e Pinheiro, além de Pascolati, sobre o trabalho com o texto dramático; Dalcastagnè, quanto à literatura contemporânea; Sedgwick, no tocante à sexualidade pública e privada, e outras teorias. Sob o exposto, notamos que este trabalho viabiliza a inserção de um drama que problematiza as rigidezes afetivas e sexuais para a existência do amor, pondo em cena, na sala de aula, um debate decolonial
EXPERIÊNCIAS VIRTUAIS DE ENSINO DE INGLÊS E FORMAÇÃO DOCENTE EM CONTEXTOS DE EXTENSÃO E INTERNACIONALIZAÇÃO UNIVERSITÁRIA
O cenário tecnológico atual é o de intenso e acelerado compartilhamento de informações entre pessoas que não dividem o mesmo espaço físico ou, muitas vezes, a mesma temporalidade. Inseridos nesse contexto social contemporâneo, o ensino e a aprendizagem de inglês e a formação de professores de línguas estrangeiras (LE) não podem se apartar das mudanças nos paradigmas educacionais que vêm se (re)construindo na virtualidade. Neste artigo, buscamos refletir, no papel de professoras colaboradoras da Universidade Estadual Paulista, ligadas aos Centros de Línguas e Desenvolvimento de Professores (CLDP) e ao Programa de Línguas Estrangeiras da Unesp (PLEU), sobre nossas experiências de ensino on-line de inglês e na formação inicial e continuada de professores de LE nos referidos programas. A partir da construção de sentidos sobre as nossas vivências, no recorte temporal do ano de 2024 e do primeiro quadrimestre de 2025, e na análise de dados métricos de nossa atuação nesse período, problematizamos as ações que desenvolvemos no escopo da extensão e da internacionalização da universidade. Reconhecemos que o alcance de nossa atuação se potencializa com a mediação das tecnologias, bem como se relaciona, diretamente, com as demandas de aprimoramento método-tecnológico para professores de LE na contemporaneidade
INGLÊS EM JOGO: TRILHANDO UM PERCURSO DIDÁTICO RUMO À GAMEDUCAÇÃO LINGUÍSTICA
Este artigo analisa a aplicação de um Percurso Didático (Sabota, 2024) em aulas de língua inglesa no ensino básico, a partir de uma proposta fundamentada na educação linguística crítica e na teoria da Gameducação Linguística (Avelar, 2025). Com base em ações colaborativas entre escola e universidade, em uma ação de extensão desenvolvida através de oficinas, o percurso integrou produtos culturais como o filme Free Guy e o game The Legend of Zelda: Majora’s Mask, promovendo reflexões sobre linguagem, identidade, cultura e cibercultura, instigando os alunos a integrar práticas sociais da contemporaneidade nas aulas de línguas. Os resultados indicam ampliação dos repertórios linguísticos e desenvolvimento de letramentos digitais e críticos por parte dos estudantes. A experiência reforça a importância de integrar tecnologias digitais às aulas de línguas de forma crítica, situada e sensível aos contextos escolares