Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida
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Ir a jogo com as emoções: regulação emocional e diferenças individuais entre atletas de desporto tradicional e e-sports, e não-desportistas
Dissertação de Mestrado realizada
sob a orientação do Professor Doutor Filipe
Loureiro, apresentada no Ispa –
Instituto Universitário para obtenção
de grau de Mestre na especialidade
de Psicologia Social e das
Organizações.O presente estudo foi realizado com o objetivo de comparar populações de atletas
de desporto tradicional e E-sports e a população não desportista, nas suas dificuldades de
regulação emocional e em outras diferenças individuais referentes a: personalidade,
cronótipo e tomada de decisão.
A amostra foi constituída por 212 participantes, onde 106 praticam desporto
tradicional, 21 E-sports e 85 não desportistas. As idades variaram entre os 16 anos e os
62 anos (M = 30.33, DP = 13.92), adicionalmente 129 são do género feminino, 81 do
género masculino, 1 pessoa preferiu não dizer e 1 pessoa não-binária.
O estudo foi conduzido através de um questionário online, onde foram utilizados
como instrumentos para medir cada variável: a Escala de Dificuldades de Regulação
Emocional (Coutinho et al., 2010), para avaliar as dificuldades emocionais; o Big Five
Inventory – versão de 10 itens (Bártolo-Ribeiro, 2017), para avaliar a personalidade; o
item único baseado no rMEQ-5 para medir o cronótipo (Loureiro & Garcia-Marques,
2015); e o Cognitive Reflection Test (CRT; Sequeira et al., 2014), para avaliar a tomada
de decisão.
Os principais resultados sugerem que os atletas de E-sports apresentam
dificuldades marginalmente superiores de regulação emocional comparativamente aos
atletas de desporto tradicional. Verificou-se também uma tendência para o género
feminino apresentar maiores dificuldades de regulação emocional que o género
masculino. Atletas de E-sports evidenciaram respostas mais racionais que atletas de
desporto tradicional. Finalmente, dificuldades de regulação emocional correlacionaram se positivamente com maior vespertinidade cronotípica e com o traço de personalidade
de Neuroticismo e negativamente com o traço Extroversão.ABSTRACT: The present study sought to understand how difficulties in emotion regulation
differ in athletes from tradicional sports, E-sports and non-athletes. Additionally,
individual differences in these groups were explored through personality, chronotype and
decision making.
This study’s sample was composed of 212 participants, where 106 practice
traditional sports, 21 practice E-sports and 85 non-athletes. Participants age ranged from
16 years and 62 years old (M = 30.33, DP = 13.92), while 129 were female, 81 males, 1
chose not to say and 1 non-binary.
To measure the variables in question the following instruments were used: to
evaluate emotion regulation difficulties, the Difficulties in Emotion Regulation Scale
(Coutinho et al., 2010); to assess personality, the Big Five Inventory – 10 – PT (Bártolo Ribeiro, 2017); to assess chronotype, the rMEQ-5 (Loureiro & Garcia-Marques, 2015);
to evaluate decision making, the Cognitive Reflection Test (Sequeira et al., 2014).
The main results of this study suggest that E-sports athletes have marginally more
difficulties in emotion regulation that traditional sport athletes and that females also had
this tendency comparative to male participants. Neuroticism was also positively
correlated with worse emotion regulation, while Extroversion with better regulation.
Moreover, E-sports athletes showed more rational responses than traditional sports
athletes, suggesting differences in cognitive function in these populations. Lastly,
eveningness and Neuroticism were positively correlated with more difficulties in emotion
regulation, while Extroversion was negatively correlated
Diferenciação Pedagógica: Conceções dos Professores a Lecionar na Escolaridade Obrigatória
Dissertação de Mestrado realizada sob a orientação do
Professor Doutor Sérgio Gaitas, apresentada no Ispa – Instituto
Universitário para obtenção de grau de Mestre na
especialidade de Psicologia da Educação.Nos dias de hoje, debate-se cada vez mais a heterogeneidade e a diversidade presente nas salas
de aula, surgindo uma preocupação de como responder às necessidades de cada aluno. É neste
sentido que surge o conceito de diferenciação pedagógica, como abordagem pedagógica que
atende as características individuais de cada aluno numa sala heterogénea. No entanto, a
literatura tem demonstrado que existem diversas definições de diferenciação pedagógica,
resultando em conceções confusas, pouco claras e contraditórias. Desta forma, o presente
estudo pretendeu caracterizar as conceções de diferenciação pedagógica de professores a
lecionar na escolaridade obrigatória em Portugal. Para tal, o estudo contou com a participação
de 81 professores, com idades compreendidas entre os 27 e 67 anos (M=51,54; DP=9,48). Os
participantes responderam a um questionário de tipo q-sort sobre diferenciação pedagógica,
com 34 afirmações, construído especificamente para a presente investigação. As respostas
foram recolhidas remotamente, através da plataforma Qsoftware. Através dos resultados do Q sort foram identificados quatro grupos de professores com conceções distintas: 1) diferenciação
adversa às características individuais; 2) diferenciação focada na operacionalização; 3)
diferenciação para os desempenhos extremos; 4) diferenciação como adaptação a salas de aulas
diversificadas. Destaca-se ainda que os quatro grupos não se distinguem significativamente no
que diz respeito a duas variáveis: ciclo de ensino e tempo de serviço de docência. Porém,
existem conclusões interessantes e importantes a destacar. Essas conclusões são desenvolvidas
na última parte do trabalho. Assim, a presente investigação vem alertar para a importância de
uma base conceptual bem definida na implementação de práticas de diferenciação pedagógica,
contribuindo para o conhecimento científico relativamente ao modo como esta abordagem pode
ser promovida em sala de aula, fornecendo um conjunto concreto de práticas que os professores
podem mobilizar na implementação de diferenciação pedagógica. Ainda, o presente estudo
reforça a necessidade de um investimento em formações sobre a temática, tanto na formação
inicial para professores, como no âmbito de uma formação contínua para os mesmos.ABSTRACT: Nowadays, the heterogeneity and diversity present in classrooms is increasingly discussed, and
a concern arises over how to meet the needs of each student. It is in this sense that the concept
of differentiation emerges, as a pedagogical approach that addresses the individual
characteristics of each student in a heterogeneous classroom. However, the literature has shown
that there are several definitions of pedagogical differentiation, resulting in confusing and
erroneous conceptions. Thus, this study aimed to characterize the conceptions of differentiation
instruction of teachers teaching from the first to the twelve grades in Portugal. To this end, the
study had the participation of 81 teachers, ages between 27 and 67 years (M=51.54; SD=9.48).
The participants answered a q-sort questionnaire about differentiation instruction, with 34
statements, built specifically for this research. The answers were collected remotely, through
the Qsoftware platform. The results of the Q-sort identified four groups of teachers with distinct
conceptions: 1) differentiation adverse to individual characteristics; 2) differentiation focused
on operationalization; 3) differentiation for extreme performances; 4) differentiation as
adaptation to diversified classrooms. It is also noteworthy that the four groups did not differ
significantly in two variables: grade level and years of experience. However, there are
interesting and important conclusions to highlight. These conclusions are developed in the last
part of the paper. Thus, this research highlights the importance of a well-defined conceptual
basis for the implementation of differentiation instruction practices, contributing to the
scientific knowledge about how this approach can be promoted in the classroom, providing a
concrete set of practices that teachers can mobilize in the implementation of differentiation
instruction. Furthermore, this study reinforces the need for investment in training on the subject,
both in initial training for teachers and in continuous training for teachers
Dark Triad e Intenções de Saída: o Papel Mediador da Insegurança Laboral
Dissertação de Mestrado realizada sob a
orientação de Professora Doutora Ana
Sabino, apresentada no Ispa – Instituto
Universitário para obtenção de grau de
Mestre na especialidade de Psicologia
Social e das Organizações.A liderança é considerada extremamente importante no meio laboral. Nas últimas
décadas a vertente negra da personalidade tem vindo a ganhar destaque, nomeadamente a Dark
Triad que engloba os traços de Maquiavelismo, Narcisismo e Psicopatia. Com isto, torna-se
importante o estudo da liderança negra em contexto de trabalho, assim como perceber os
outcomes que advêm das mesmas.
Assim, o presente estudo tem como objetivo entender se a percecção de traços dark nos
chefes pelos colaboradores influencia positivamente a sua intenção de saída. Além disso,
pretende compreender se a insegurança laboral medeia a relação destes dois construtos.
A amostra da presente investigação é composta por 184 participantes que se
voluntariaram a responder a um questionário para avaliar a perceção que os mesmos tinham dos
traços dark nos chefes, a intenção de saída e a insegurança laboral.
Os resultados encontrados demonstraram que a perceção dos três traços dark nos chefes
influenciam positivamente a intenção de saída dos colaboradores e que a insegurança laboral
medeia, de forma parcial, a relação entre os dois construtos.
Com esta investigação conclui-se a urgência de adotar estratégias que minimizem o
impacto das atitudes e comportamentos destes chefes, de modo a que os colaboradores tenham
menores intenções de saída e que sintam menos insegurança no seu local de trabalho.ABSTRACT: Leadership is considered extremely important in the workplace. In recent decades the
dark side of personality has been gaining prominence, namely the Dark Triad which
encompasses the traits of Machiavellianism, Narcissism and Psychopathy. With this, it becomes
important to study dark leadership in the work context and understand the outcomes that come
from these leaderships.
Thus, the present study aims to understand whether employees' perceptions of dark traits
in bosses positively influence their turnover intention. Furthermore, it aims to understand
whether job insecurity mediates the relationship of these two constructs.
The sample for this research consists of 184 participants who volunteered to answer a
questionnaire that assessed their perception of dark boss traits, their turnover intentions, and
their job insecurity.
The results found showed that the perception of the three dark traits in bosses positively
influence employees' intention to leave and that job insecurity partially mediates the
relationship between the two constructs.
With this research we conclude the urgency of adopting strategies that minimize the
impact of the attitudes and behaviors of these bosses, so that employees have lower intentions
to leave and feel less insecure in their workplace
Adição às Redes Sociais, Solidão e Solitude
Dissertação de Mestrado realizada sob
a orientação do Professor Doutor Rui Miguel
Costa, apresentada no Ispa – Instituto
Universitário para obtenção de grau de
Mestre na especialidade de Psicologia
Clínica.Com o desenvolvimento das redes sociais, estas tornaram-se parte do nosso dia-a-dia. O
presente estudo tem como objetivo averiguar se a adição às redes sociais, a solidão e a
solitude se correlacionam entre si e estabelecer um modelo preditor da solidão. A amostra
deste estudo foi constituída por 319 participantes (258 mulheres, 60 homens e 1 não
respondeu), com idades compreendidas entre os 18 e os 77 (M=29,59; DP=13,29). Utilizou-se
um questionário sociodemográfico, a tradução do Positive Solitude Scale, o University of
California Loneliness Scale (UCLA), uma escala de satisfação com os relacionamentos
pessoais e o Internet Addiction Test (IAT) adaptado às redes sociais. Os resultados mostraram
uma correlação significativa e positiva entre a solidão e a adição às redes sociais (r = 0,34, p <
0,001), correlações não significativa entre solidão e solitude (r = 0,00; p = 0,994) e entre
adição às redes sociais e a solitude (r = -0,02, p = 0,687). O modelo preditor da solidão
mostrou que esta última é predita independentemente pela adição às redes sociais, ser homem,
ser mais velho e insatisfação com os amigos, com a família e com a vida sexual. Para além
disso, a relação entre a solidão e a adição às redes sociais é mediada pela insatisfação com as
relações com os amigos, família e vida sexual, mas não pela solitude. Para concluir, este
estudo corrobora a correlação significativa entre a solidão às redes sociais, evidenciada pela
literatura.ABSTRACT: Social media platforms pervade our daily lives. The main goal of this study is to examine the
intercorrelations between social media addiction, loneliness, and solitude, as well as
establishing a predictive model for loneliness. The study sample consisted of 319 participants
(258 women, 60 men, and 1 participant who did not answer), aged between 18 and 77 years
(M = 29.59; SD = 13.29). A sociodemographic questionnaire, the translated version of the
Positive Solitude Scale, the University of California Loneliness Scale (UCLA), singe-item
measures of satisfaction with personal relationships, and the Internet Addiction Test (IAT)
adapted to social media use, were used to assess the variables under study. The findings
revealed a statistically significant positive correlation between loneliness and social media
addiction (r = .34, p < 0.001). Conversely, no significant correlations were identified between
loneliness and solitude (r = .00, p=.994) and between social media addiction and solitude (r =
-.02; p = .687). The predictive model for loneliness indicated that loneliness is independently
predicted by social media addiction, being male, older age, and dissatisfaction with
friendships, family, and sexual life. Furthermore, dissatisfaction with friendships, family and
sexual life were mediators of the association between loneliness and social media addiction,
unlike solitude. In conclusion, this study confirms the significant correlation between
loneliness and social media addiction, a well-documented relationship in existing literature
Prevelence of adverse childhood experiences in foster and redintial care population
ABSTRACT: Childhood adversity is associated with adverse outcomes, including mental health issues,
among other challenges. Children in out-of-home care, particularly in Residential and Foster
Care, face a heightened risk of Adverse Childhood Experiences. Nonetheless, research has not
thoroughly examined the prevalence of ACEs in this vulnerable population. This systematic
review aims to fill this gap by identifying ACE prevalence among children and youth in these
care settings. It involved a thorough search across 32 electronic databases, resulting in 18
relevant studies. The findings suggest that these children experience a high prevalence of ACEs,
with Neglect, Emotional Abuse, and Physical Abuse being the most common. Moreover, these
prevalence rates surpass those found in the general community, highlighting the unique
challenges these children encounter. In addition, children in Foster Care appear to have higher
risk of Sexual Abuse than the Residential Care population. Tailored interventions and
prevention strategies are urgently needed to address these traumatic experiences and improve
the well-being of these vulnerable children. Further research, especially within diverse cultural
contexts is encouraged.As adversidades na infância estão associadas a problemas de saúde mental, problemas
comportamentais, entre outros desafios. Crianças em acolhimento fora do lar, como
Acolhimento Residencial e Acolhimento Familiar, enfrentam um risco elevado desses
problemas, derivado de experiências traumáticas na infância. Até à data, a investigação não se
focou detalhadamente na prevalência de Experiências Adversas de Infância (EAI) nesta
população vulnerável. Assim, esta revisão sistemática tem como objetivo colmatar esta lacuna,
identificando a prevalência de EAI entre crianças e jovens nestes contextos de acolhimento. Foi
realizada uma pesquisa em 32 bases de dados eletrónicas, resultando em 18 estudos relevantes.
Os resultados sugerem que estas crianças experienciam uma elevada prevalência de EAI, sendo
a Negligência, o Abuso Emocional e o Abuso Físico os mais comuns. Estas taxas de prevalência
ultrapassam as da comunidade em geral, destacando os desafios únicos que estas crianças
enfrentam. Além disso, a população em Acolhimento Familiar apresentou prevalências mais
altas de Abuso Sexual quando comparada com a população em Acolhimento Residencial,
exaltando a necessidade de investigação e intervenção futuras neste tema. Estratégias de apoio
e prevenção personalizadas são urgentemente necessárias para abordar estes problemas e
melhorar o bem-estar desta população vulnerável. Recomenda-se e discute-se a realização de
mais investigação, especialmente em contextos culturais diversos.Dissertação de Mestrado realizada sob a
orientação do Professor Doutor Miguel
Basto Pereira, apresentada no Ispa -
Instituto Universitário, para obtenção do
grau de Mestre em Psicologia Clínica
Sexualidade e expressão sexual em mulheres com experiência de doença mental: uma abordagem de investigação colaborativa
Dissertação de Mestrado realizada sob a orientação
do Professor Doutor José Henrique Pinheiro Ornelas,
apresentada no Ispa – Instituto Universitário para
obtenção de grau de Mestre na especialidade de
Psicologia Clínica.A presente investigação aborda a temática da sexualidade e expressão sexual das
mulheres com experiência de doença mental. O estudo pretende, a partir do método de
investigação colaborativa e da análise temática, obter conhecimento e fornecer uma visão
geral quanto a vivência da sexualidade e expressão sexual deste grupo. A pertinência se
dá pela limitação da bibliografia existente na área no que diz respeito a população
feminina e a métodos qualitativos de pesquisa.
O instrumento utilizado foi a entrevista semiestruturada, construída em
colaboração com o Grupo de Mulheres da AEIPS (Associação para o Estudo e Integração
Psicossocial), e foram realizadas e analisadas respostas individuais de 10 mulheres
participantes. A análise temática identificou 3 categorias principais baseadas no tema da
Sexualidade (Obstáculos, Características e Orientação para o Futuro), que possibilitaram
melhor entendimento das necessidades não atendidas em relação à sexualidade, expressão
sexual e intimidade desta população.
Os resultados encontrados permitiram reconhecer a mulher com experiência de
doença mental como uma pessoa sexual, com experiências e vivências específicas, porém
com valores e direitos sexuais frequentemente ignorados e incompreendidos. O estudo
encontrou também a influência da construção dos relacionamentos íntimos e românticos
para uma vivência positiva da sexualidade e a importância da questão reprodutiva por trás
da expressão sexual das mulheres com experiência de doença mental.
Foi possível concluir que a expressão sexual tem influência no recovery das
mulheres com experiência de doença mental, e que este grupo demonstra disponibilidade
e interesse em contribuir com conhecimentos que podem vir a possibilitá-las uma
vivência mais digna da própria sexualidade.ABSTRACT: This research addresses the issue of sexuality and sexual expression among
women who have experienced mental illness. Using the collaborative research method
and thematic analysis, the study aims to gain knowledge and provide an overview of this
group's experience of sexuality. Its relevance is due to the limited bibliography in the area
concerning the female population.
The instrument used was a semi-structured interview, conducted in collaboration
with the Women's Group of AEIPS (Association for Psychosocial Study and Integration),
and the individual responses of 10 participating women were analyzed. The thematic
analysis identified 3 main categories based on the theme of Sexuality (Obstacles,
Characteristics and Guidelines for the Future), which enabled a better understanding of
the unmet needs in relation to sexuality and intimacy in this population.
The results made it possible to recognize women with mental illness as sexual
persons, with specific experiences, but with sexual values and rights that are often ignored
and misunderstood. The study also found the influence of building healthy intimate and
loving relationships on the positive experience of sexuality and the importance of the
reproductive issue behind sexual expression.
It was possible to conclude that sexual expression has an influence on the recovery
of women with experience of mental illness, and that this group shows willingness and
interest in contributing knowledge that could enable them to experience their sexuality
with greater dignity
Contributos da organização e dinâmica da rotina para o desenvolvimento da independência e da autonomia das crianças em educação pré-escolar
Relatório da Prática de Ensino Supervisionada realizado
sob a orientação da Professora Doutora Mónica Pereira,
apresentado no Ispa - Instituto Universitário para
obtenção do grau de Mestre em Educação Pré-Escolar.O presente relatório apresenta um estudo em torno das práticas da rotina diária no
desenvolvimento da independência e da autonomia das crianças. A rotina diária significa uma
sequência de acontecimentos, contextualizados nos ensinamentos das crianças, tendo como
função ajudar a que sejam independentes e autónomos. A necessidade de estudar o referido,
aparece da observação e do convívio com as crianças e dos desafios apresentados pela equipa
educativa na sala onde realizei a Prática Profissional Supervisionada.
O estudo foi desenvolvido num colégio, com o grupo dos 3 anos (jardim de infância),
sendo composto por vinte e quatro crianças.
Pretende-se analisar, com este estudo, as conceções e práticas da rotina diária e a
importância das mesmas no desenvolvimento da independência da autonomia da criança.
Foram decididos três tópicos de análise: (1) independência e autonomia; (2) o papel do
educador na promoção da independência e da autonomia; (3) organização do ambiente
educativo.
O estudo adotou uma abordagem qualitativa e as suas conclusões resultam da
articulação de diversas técnicas de recolha de informação: observação, que resultou em notas
de campos e a entrevista à educadora cooperante (e a consulta documental. / tirei esta parte do
texto).
Relativamente às estratégias que o educador utiliza para o desenvolvimento da
independência e da autonomia das crianças, verificou-se que os diversos momentos que
constituem a rotina, quando geridos com intencionalidade educativa, contribuem amplamente
para o potenciar. A intenção de que as crianças consigam antecipar e compreender os diversos
momentos do dia, que sejam capazes de fazer as diversas tarefas sozinhas, que saibam as regras
dos espaços/materiais e que tenham a possibilidade de tomada de decisões e iniciativas,
contribui para o desenvolvimento e aquisição da independência e autonomia das crianças.ABSTRACT: This report presents a study on daily routine practices in the development of children's
independence and autonomy. The daily routine means a sequence of events, contextualized in
the children's teachings, with the function of helping them to be more independent and
autonomous. The need to study this arises from observation and interaction with children and
the challenges presented by the educational team in the room where I carried out Supervised
Professional Practice.
The study was carried out in a school, with a 3-year-old classroom (kindergarten),
consisting of twenty-four children.
The aim of this study is to analyze the conceptions and practices of the daily routine
and their importance in the development of indecency in the child's autonomy. Three topics of
analysis were decided: (1) Independence and Autonomy; (2) The role of the educator in
promoting autonomy dependence; (3) Organization of the educational environment.
The study adopted a qualitative approach and its conclusions come from the
combination of various information-gathering techniques: observation, which resulted in field
notes, and the interview with the cooperating teacher (and document consultation. / I took this
part of the text).
Regarding the strategies that the teacher uses to develop the children's independence
and autonomy, it was found that the various moments that make up the routine, when managed
with educational intent, contribute greatly to fostering them. The intention that children are
able to anticipate and comprehend the different moments of the day, that they are able to do
different tasks alone, that they know the rules of the environments/materials and that they have
the possibility of making decisions and take initiatives, contributes to the development,
acquisition of independence and autonomy of the children
Empatia de crianças e adolescentes com TEA: Uma revisão sistemática
Dissertação de Mestrado realizada sob a
orientação de Professora Doutora Eva Diniz,
apresentada no Ispa – Instituto Universitário para
obtenção de grau de Mestre na especialidade de
Psicologia Clínica.Desde os primórdios da investigação do TEA que esta psicopatologia é caracterizada
por debilidades empáticas. No entanto, novas investigações tendem a desafiar esta ideia ao
avaliarem as dimensões cognitiva e afetiva da empatia. Assim, o objetivo desta revisão foi
contribuir para um avanço no conhecimento relativamente à empatia de crianças e adolescentes
com TEA, sintetizando resultados de estudos que avaliaram a empatia cognitiva e afetiva desta
população. Para isso, foram seguidas as matrizes do PRISMA. Foi realizada uma pesquisa de
literatura em janeiro de 2023 nas plataformas Scopus, APA PsycInfo, APA PsycArticles,
MEDLINE e ERIC. Foram encontrados 419 resultados. Destes, foram incluídos 11 estudos,
todos realizados em países ocidentais, compreendendo 690 participantes com uma média de
13,2 anos, 88,5 % de participantes masculinos e 11,5 % femininos. Os resultados principais
descrevem uma população TEA com debilidades na empatia cognitiva e com uma empatia
afetiva intacta, que confirmam a necessidade de um novo olhar sobre as características
empáticas desta população. Dos 11 estudos, oito avaliaram adicionais psicopatologias, e 10
estudos apresentaram uma amostra com uma média de idades superior a 10 anos (término da
idade infantil). Esta poderá ser uma limitação da revisão, assim como o reduzido número de
estudos incluídos e a sua baixa representação feminina. A presente revisão sistemática atua em
resposta à escassez investigacional do TEA, e contribui para uma renovação da literatura ao
sugerir a existência de uma tendência para a caracterização imprecisa das capacidades
empáticas de pessoas com TEA.ABSTRACT: Since the origins of ASD literature that this psychopathology is characterized by
emphatic deficiencies. However, new investigations have been challenging this idea by
assessing the cognitive and affective dimensions of empathy. Therefore, the objective of this
review was to contribute to progress in the field of empathic capabilities of children and
adolescents with ASD, by summarising the results of multiple studies that measured the
cognitive and affective empathy of this group of people. PRISMA guidelines were followed.
Scopus, APA PsycInfo, APA PsycArticles, MEDLINE and ERIC were searched for studies in
January 2023, and 419 results were found. 11 studies, all conducted on western countries,
comprising 690 participants with a mean age of 13,2 years and a percentage of 88,5 % male
participants and 11,5 % female participants, were included in the review. Results showed that
children and adolescents with ASD exhibit deficits in cognitive empathy while maintaining an
intact affective empathy, thus confirming the need of a new look into the empathic capabilities
of these population. Eight of the 11 studies assessed additional psychopathologies, and 10
studies had a sample with a mean age over 10 years (end of childhood). This could be a
limitation of the review, in addition to the low number of included studies and their low female
representation. This systematic review is a reaction to the limited number of TEA investigations
and contributes to a literature renewal by suggesting a tendency to inaccurately characterize the
empathic capabilities of people with ASD
Não monogamias consensuais e infidelidade: desafios para os profissionais de saúde mental
Dissertação de Mestrado realizada sob a
orientação da Professora Doutora Mariana Pires de
Miranda e coorientação da Professora Doutora Luana Cunha
Ferreira, apresentada no Ispa – Instituto
Universitário para obtenção de grau de Mestre
na especialidade de Psicologia Clínica.Nas últimas décadas, o modelo de relação da não monogamia consensual (NMC) tem
ganho mais visibilidade na investigação e na intervenção. Existem evidências de
mononormatividade, em que pessoas que adotam este modelo de relação experienciam
estigma por parte da população geral e de psicólogos. No mesmo sentido, casais com
experiências de infidelidade encontram, muitas vezes, preconceito e discriminação. Neste
estudo experimental manipulou-se, com recurso a vinhetas clínicas, pedidos de terapia de
casal de casais monogâmicos vs. monogamish, onde tinha havido, ou não tinha havido,
um evento prévio de infidelidade. Incluiu-se ainda no design um fator medido,
relacionado com a situação profissional dos participantes: profissionais de saúde mental
vs. estudantes de psicologia. Neste estudo misto, mediu-se a aliança terapêutica
imaginada perante cada vinheta e questionou-se, em perguntas abertas, sobre possíveis
temáticas e ressonâncias. A amostra final foi constituída por 129 participantes (69.3%
profissionais). Nos resultados, não emergem padrões claramente distintos face a casais
monogâmicos ou monogamish, apesar de indicações da existência de um viés positivo
para a monogamia e uma falta de preparação identificada pelos participantes para o
trabalho clínico com NMC. Por outro lado, face à infidelidade verificam-se dados
contraditórios, com posições ora mais favoráveis, ora mais desfavoráveis. Não se
verificou uma diferença entre os estudantes e os profissionais de saúde mental, apesar dos
primeiros terem imaginado uma aliança terapêutica mais elevada e respondido em menor
proporção às questões qualitativas. Discutem-se as implicações clínicas para a formação
psicológica e psicoterapêutica.ABSTRACT: In the last decades, the consensually nonmonogamous (CNM) relationship model has
gained more visibility in investigation and intervention. There is evidence of
mononormativity, in which people that adopt this relationship model experience stigma
from the general population and psychologists. In the same way, couples with infidelity
experience encounter, many times, prejudice and discrimination. In this experimental
study, requests for therapy were manipulated by couples from monogamous vs.
monogamish couples, where there had been, or had not been, a previous event of
infidelity. It was still included in the design a measured factor, related to the professional
situation of the participants: mental health professionals vs. psychology students. In this
mixed study, the imagined therapeutic alliance was measured towards each vignette, and
it was questioned, in open ended questions, about possible thematic and resonances. The
final sample was consisted of 129 participants (69.3% professionals). In the results, no
clearly distinct patterns emerge in relation to monogamous or monogamish couples,
despite indications of the existence of a positive bias towards monogamy and a lack of
preparation identified by the participants for clinical work with CNM. On the other hand,
facing infidelity, there are contradictory data, with positions that are either more or less
favourable. There was no difference between the students and the mental health
professionals, although the former imagined a higher therapeutic alliance and answered
the qualitative questions to a lesser extent. The clinical implications for psychological and
psychotherapeutic training are discussed
Na perspectiva materna: A relação entre as crenças sobre parentalidade, a autoeficácia parental e a vinculação, durante a primeira infância
Dissertação de Mestrado realizada
sob a orientação de Professora Doutora Eva Diniz,
apresentada no Ispa – Instituto
Universitário para obtenção de grau
de Mestre na especialidade de Psicologia Clínica.As cognições e comportamentos das figuras parentais contribuem significativamente para
o desenvolvimento infantil, seja este social, emocional ou cognitivo. Mas, como é que estas
cognições se relacionam, previamente, com a vinculação que as mães estabelecem com os seus
bebés? As crenças sobre parentalidade são forças geradoras de práticas parentais e, à sua
semelhança, também a autoeficácia parental parece auxiliar na adoção de melhores ou piores
práticas. A autoeficácia materna é definida como as crenças ou julgamentos de uma mãe acerca da
sua própria capacidade para levar a cabo um conjunto de tarefas relacionadas com o cuidar do seu
bebé e postula-se que esta contribui para a vinculação mãe-bebé. O presente estudo teve como
primordial objetivo estudar a relação entre as crenças sobre parentalidade e a autoeficácia parental
e a intensidade da vinculação pós-natal materna. A amostra consiste em 87 mães de bebés até aos
18 meses de idade. Os dados foram recolhidos em formato online, através da plataforma Google
Forms. Os resultados sugerem que as dimensões da autoeficácia parental contribuem para maior
qualidade da vinculação. Contudo, revelam que não existe relação significativa entre as dimensões
das crenças sobre parentalidade e a vinculação. Conclui-se assim que, o facto das mães se sentirem
mais capazes e satisfeitas com o seu papel, contribui positivamente para um maior sentimento de
vinculação com os seus bebés.ABSTRACT: Parents cognitions and behaviors significantly contribute to children's social, emotional
and cognitive development. But how do these cognitions previously relate to a mother’s
attachment to her child? Beliefs about parenting are the generating forces to parental practices and,
in the say manner, self-efficacy seems to help parents in the adoption of best or worst practices.
Maternal self-efficacy is defined as a mother’s beliefs or judgements about her own ability to
perform a specific set of tasks that relate to a baby’s care and, it is postulated that it contributes to
mother-infant attachment. The current study’s main objective was to explore the relation between
beliefs about parenting and parental self-efficacy with the intensity of post-natal maternal
attachment. The sample consists of 87 mothers of babies up to 18 months of age. The data was
collected online, using Google Forms. The results suggest that the self-efficacy dimensions
contribute to more attachment quality. However, they reveal that there is no significant relation
between the dimensions of beliefs about parenting and attachment. It concludes that mothers’
feelings about her competence and satisfaction with her role positively contribute to a more intense
sense of attachment with their babies