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A atuação da rede transnacional de direitos humanos no México durante os governos Salinas e Zedillo
Durante décadas, prevaleceu no México uma política externa nacionalista, defensiva e legalista, calcada na defesa de princípios do direito internacional como não-intervenção e autodeterminação, correspondendo às necessidades de crescimento de uma economia mista e fechada, e aos requerimentos de legitimidade e estabilidade de um regime político autoritário, presidencialista, de partido dominante e pluralismo limitado (Graves, 1985, Huck Jr., 1997, González, 2005, Chabat, 2006). Com isso, buscava-se não apenas sustentar as demandas protecionistas do modelo de industrialização por substituição de importações, como também isolar a vida política interna de influências externas
O Brasil e o comércio internacional agrícola
O desgaste e a conseqüente crise do modelo de substituição de importações, durante as décadas de 1970 e 1980, levaram o Brasil, desde o início dos anos 1990, a abrir sua economia para o mundo tanto no campo comercial quanto financeiro. Tal abertura buscava uma saída para a crise que o país vivia, com altíssimas taxas de inflação e pífio crescimento econômico. Com a redução das barreiras às importações no Brasil, ocorreu um aumento da concorrência em diversos segmentos da economia brasileira, o que acabou por engendrar a falência de algumas empresas, por um lado, e o fortalecimento de outras tantas, por outro
A política internacional dos leitos oceânicos e o conflito Norte-Sul: 1945-1970
Desde tempos imemoriais os mares desempenham importante papel na manutenção e desenvolvimento de atividades econômicas e de defesa. Pesca, conquista territorial, pirataria e trocas comerciais adquiriram progressivamente papel central na expansão do sistema de Estados e terminaram por desenvolver, já no século XVII, um princípio que orientava o comportamento dos nascentes Estados nacionais em relação aos mares: o princípio de liberdade dos mares. Contudo, desde então, novas formas de uso e apropriação dos recursos marítimos foram desenvolvidas, politizando de maneira crescente o debate sobre a natureza desse espaço. Tal processo foi testemunhado pela recorrência de reivindicações de soberania sobre o mar, que desde o início do século passado animou a política internacional dos oceanos. De fato, o início do século XX desafiou a doutrina clássica da liberdade dos mares tal como estabelecida desde o século XVII quando Hugo Grotius publicou Mare Liberum. O caráter de res nullius sob o qual se assentava o princípio da liberdade dos mares foi sendo minado com os avanços tecnológicos que permitiam sua utilização cada vez mais rentável, uma vez que a conseqüência imediata deste aumento de capacidades era a reivindicação da soberania sobre este espaço. Este artigo discute a demanda por um regime internacional dos leitos oceânicos que emerge na segunda metade do século XX. Mais especificamente, o artigo toma como objeto o conflito distributivo gerado no interior do processo de negociação internacional entre países desenvolvidos e países em desenvolvimento
Crítica da ordem injusta
A reflexão sobre as relações internacionais no Brasil acaba de ser sensivelmente enriquecida com a publicação, pela Fundação Alexandre de Gusmão, de A ordem injusta, a esplêndida tese de Curso de Altos Estudos (Instituto Rio Branco) de Alexandre Parola, um dos grandes valores do pensamento diplomático brasileiro contemporâno e certamente um dos diplomatas com mais sólida formação filosófica hoje no serviço exterior brasileiro
O paradoxo migratório de El Salvador
Denomina-se migração o deslocamento de população que se produz de um lugar de origem a um lugar de destino, acarretando uma mudança de residência habitual. A globalização e a mundialização da economia a partir da década de 1960 em diante, implicaram também na mundialização dos fluxos migratórios e nas mudanças dos principais motivos da migração
Em marcha a ré rumo ao futuro?
A ordem internacional estabelecida ao término da II Guerra Mundial, apesar de proclamar a igualdade jurídica entre os Estados, criou formalmente uma oligarquia, na qual os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança eram colocados praticamente acima da lei, juízes supremos do bem e do mal. A Guerra Fria fez surgir efetivamente uma distribuição ainda mais restrita do poder mundial: a vida internacional passou, essencialmente, a ser função da intercorrência das políticas externas das duas superpotências. Como, porém, cada uma delas buscava ampliar sua projeção mundial sem chegar a um confronto militar direto com a outra, era indispensável respeitar certas práticas de convivência – ou de prudência – para evitar que a rivalidade se convertesse em catástrofe. A principal delas era que, de modo geral, cada superpotência respeitava a área de influência estabelecida da outra, que nela gozava de liberdade de ação quase irrestrita
Formação de conceitos brasileiros de Relações Internacionais
A sistematização dos conceitos brasileiros aplicados à inserção internacional do país é vista, nesse artigo, como contribuição do intelectual à teoria das relações internacionais. Um conjunto de conceitos articulados entre si e com o campo do conhecimento das relações internacionais desempenha, com efeito, duas funções: a explicativa e a valorativa. Essas duas funções são próprias da teoria das relações internacionais e estão presentes na evolução da disciplina desde seu aparecimento nos meios acadêmicos
Paz no Médio Oriente: ilusão ou possibilidade?
A recente presidência portuguesa da União Européia proporcionou-me participar num número significativo de missões e reuniões relacionadas com o processo de paz. Estive por diversas vezes em Israel, na Palestina (incluindo Gaza), no Egito, na Jordânia, no Líbano, na Síria e na Arábia Saudita. Tive o privilégio de acompanhar o Ministro português dos Negócios Estrangeiros, ou de o representar, em reuniões em Lisboa e em muitas outras capitais européias (incluindo nas várias instituições em Bruxelas), bem como nos Estados Unidos, nomeadamente na Conferência de Annapolis
La geopolítica de Colombia en el siglo XXI: un centro estratégico americano
Tan pronto como la dirigencia estadounidense terminó por definir sus fronteras terrestres en su actual territorio, poco antes de concluir el siglo XIX, su siguiente estrategia a seguir sería la de ampliar su radio de acción geopolítica a todo lo largo y ancho del continente como en algún momento lo habían hecho los propios españoles en toda América, con su modelo en cruz que le permitió maniobrar hacia los cuatro puntos cardinales