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A Conferência de Punta del Este cinquenta anos depois: um estudo da VIII Reunião de Consulta de Ministros das Relações Exteriores das Américas (1962)
O artigo explora os prolegômenos e alguns desdobramentos derivados das resoluções da VIII Reuniãode chanceleres americanos, evento realizado na cidade uruguaia de Punta del Este, em janeiro de 1962.Vale lembrar que a conferência em questão se erigiu em importante episodio das relações hemisféricase da própria história da Guerra Fria, particularmente no que diz respeito à tentativa de isolar o regimerevolucionário cubano. Ao mesmo tempo, cumpre destacar que o trabalho é resultado de pesquisa comfontes primárias consultadas no Arquivo Histórico das Relações Exteriores do Brasil. De forma geral, tratasede documentação gerada pela chancelaria e pelas representações brasileiras lotadas em diferentescapitais do continente, particularmente em Washington, Havana, e Buenos Aires. Também se utilizadocumentação secundária publicada no Brasil e no exterior sobre o assunto – com destaque para ostrabalhos de Luiz Alberto Moniz Bandeira, Hélio Franchini Neto, Paulo Vizentini, e Amado Luiz Cervo.Outrossim, em termos teórico-metodológicos procura-se compreender – e eventualmente discutir – alógica dos principais atores envolvidos na questão. Finalmente, são analisadas as resoluções do conclavee seus desdobramentos imediatos
Excepcionalismo americano e as violações de direitos humanos no pós-11 de setembro
A noção de nação norte-americana tem sua pedra de toque na atuação dos pais fundadores e nomodo como estes pensaram o país segundo sua base valorativa. Segundo esse assim chamado “credoamericano”, a sociedade norte-americana seria dissociada e superior às demais pelo fato de ter sidoconstruída por aqueles que desejavam se apartar das condições contrárias aos ideais cristãos da sociedadeeuropeia para constituir um “farol entre os povos.” Tal particularismo cultural, apontando para o que sãoos EUA e o ser norte-americano, está presente em diversos âmbitos da sociedade, como por exemplo, naconstrução da ordem constitucional, nos significados dos direitos humanos e na postura e aplicação dapolítica externa. A realidade do 11 de setembro demonstrou, entretanto, violações de direitos humanoscometidas pela administração federal, seja pela promulgação de leis, seja pela atuação de suas agências.O presente trabalho, dessa forma, pretende compreender a política externa norte-americana para osdireitos humanos do ponto de vista do excepcionalismo e tendo como pergunta central qual tipo derelação – de consonância ou de contradição – existente entre as violações aos direitos humanos ocorridasno âmbito do combate ao terror no pós-11/09 e esse excepcionalismo
Os BRICS na Visão dos Principais Think Tanks Norte-Americanos
Importantes atores no sistema político norte-americano, os think tanks deixaram de ser fenômenoexclusivo do mundo anglo-saxão, tornando-se modelo de policy institute mundo afora. Este trabalhoinvestiga a categoria Brics, como área de estudo, na Brookings Institution, Council on Foreign Relationse Center for American Progress. Os TTs selecionados têm-se mantido com alta visibilidade no governoBarack Obama, sugerindo que o espaço dado por esses TTs a um determinado assunto seja um indicativovalioso da agenda recente de política externa norte-americana. Nessa investigação, a autora mapeará aprodução dos referidos TTs na primeira metade da gestão Obama (2009-10)
Sobre o Sistema de Segurança Coletiva e a legitimidade das Operações de Paz da ONU
O objetivo desse artigo é apresentar uma discussão atualizada acerca de aspectos chave das operações depaz da ONU (PKO), contemporaneizando o debate acerca do sistema de segurança coletiva da organização,a efetividade e legitimidade das PKO e as abordagens possíveis de interpretação de conceitos comosoberania e a vontade política da ONU e dos membros do seu Conselho de Segurança. É um trabalhoatualizado para prover tanto acadêmicos quanto práticos das PKO sobre seu histórico, status atual epossíveis caminhos para soluções de questões práticas
O Brasil na Ação Coletiva Sul-Sul para o Desenvolvimento Social
O objetivo do artigo é explicar a cooperação do Brasil com países do eixo Sul-Sul em prol do desenvolvimentosocial. A primeira parte do estudo enfatiza a rationale estratégica da cooperação internacional brasileira,situando-a sob a ótica das teorias da ação coletiva global (Jervis, 1978; Hardin, 1982; Moe, 1988; Sandler,2004). A segunda parte do artigo apresenta dados quantitativos sobre as atividades de cooperaçãointernacional desenvolvidas pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS),acompanhada de uma análise qualitativa de entrevistas realizadas com gestores do ministério. A pesquisarealizada permite corroborar a ideia de que o Brasil exerce um papel relevante e inovador na ação coletivaSul-Sul para o desenvolvimento social, motivado não apenas pela obtenção de ganhos coletivos absolutos,mas também pela possibilidade de obtenção de ganhos políticos relativos, notadamente uma maiorinfluência sistêmica, acesso a novos mercados e estabilidade na América do Sul e na África Subsaariana
BRICS e Questão Nuclear: Contestações e Rearfirmações diante dos Mecanismos de Governança Global
Neste artigo, avançamos uma discussão sobre a relação entre os países BRICS e o regime de nãoproliferação nuclear, interrogando em que medida esse grupo e os países que o compõe favorecem areprodução, a reforma, o fortalecimento ou a desestruturação desse mecanismo de governança global.Começamos com uma breve discussão sobre a posição do grupo BRICS quanto à agenda de segurançainternacional, passando, em seguida, a uma ‑avaliação dos processos de transformação do regime denão proliferação nuclear no pós Guerra Fria. Finalmente, analisamos a posição do grupo BRICS e de cadapaís separadamente face tanto ao regime quanto a questões nucleares de forma mais geral. Concluímosque os países BRICS defendem o status quo em termos do conjunto dos mecanismos de governança quepossibilitam e limitam o comportamento dos atores na esfera internacional, ao mesmo tempo em quebuscam seu reposicionamento nas relações de poder que constituem tais mecanismos
Os economistas e a crise
O artigo parte da conjuntura da crise que começou em 2008, e das medidas anti-cíclcias tomadas pelos governos de quase todas as grandes potencias capitalistas, para discutir a opinião dominante dos economistas ortodoxos e keynesianos sobre a origem e dos desdobramentos prováveis desta nova turbulencia financeira do novo sistema monetário e financeiro internacional que se construiu depois do fim do Sistema de Bretton Woods. Em seguida o artigo propõe uma leitura dos acontecimentos que privilegia as relações virtuosos do estados e dos capitais financeiros norte-americanos durante o ciclo expansivo da última “bolha financeira”, para entender porque que els se defenderão em conjunto, ultrapassando mais esta turbulencia sem que isto signifique o fim do poder americano, e muito menos, do capitalismo.Palavras-chave: crise econômica, ordem financeira, capitalismo
Globalização e novos atores internacionais: potencialidades de um processo contra-hegemônico
O artigo proposto, elaborado a título introdutório, pretende justificar, a partir do contexto da globalização, um espaço para a presença de novos atores nas relações internacionais contemporâneas.Com este foco principal, o texto sugere a relevância do exercício intelectual orientado para a definição de uma estratégia de gestão que seja capaz de aproveitar, ao máximo grau possível, os benefícios de um processo claramente irreversível e potencialmente contra-hegemônico.Palavras-chave: globalização, estratégia de administração, novos atores
A esperança e o poder
Nesta segunda metade de janeiro de 2009, é difícil contemplar a cena internacional sem dedicar atenção à mudança na presidência dos Estados Unidos. O país mais poderoso do mundo substitui George Bush, geralmente apontado como um dos piores mandatários da sua história, por Barack Obama, primeiro presidente americano negro e que, pelo seu carisma e por sua mensagem, desperta enormes esperanças na sua própria nação e no mundo