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Rumo ao século chinês? A relação Estados Unidos-China pós 11/09
O artigo pretende analisar a crescente e complexa relação entre a República Popular da China (RPC), principalpotência emergente, e os Estados Unidos da América (EUA), especificamente, após os atentados terroristas de 11de setembro de 2001. O objetivo deste artigo é discutir e questionar os principais lineamentos do debate acadêmicoe político em torno da ascensão chinesa, uma realidade apresentada como cooperativa ou conflitiva de acordo àsdiferentes perspectivas teóricas e ideológicas. Desafios, benefícios, cooperação ou ameaça são os termos utilizadospara compreender o fenômeno da rápida ascensão da China na economia política global. Nosso trabalho foca narelação EUA-China como uma relação de cooperação e conflito Norte-Norte, na qual a RPC surge, na última década,como um novo ‘centro’ da economia internacional que, por meio de uma rede de poder global conecta outras regiõesdo planeta numa nova geografia do capitalismo global
Análise da crise política jurídica na Líbia e a situação dos refugiados
O artigo aborda sobre a situação dos refugiados da Líbia, no que concerne a sua dignidade humana e agarantia de seus direitos fundamentais conforme a Convenção Relativa ao Estatuto dos Refugiados de1951. Assenta-se na análise desde a formação do conflito interno, a resistência de Mummar Kadaffi, asinterferências políticas de Instituições e países estrangeiros frente ao conflito e sobre aspectos específicosda migração como as mortes nas travessias de fronteiras, a abertura dos países receptores, a demandaenfrentada pelos países destinatários não só emergencial como em longo prazo e por fim, a (in) segurançajurídica dos refugiados que verificam a relativização estatal de seus direitos frente às crises mundiais
Multilatinas e governos nacionais: estratégias para um novo lugar da América Latina no capitalismo contemporâneo?
Historicamente a internacionalização de empresas, definida sobretudo pelos fluxos de InvestimentoExterno Direto, se davam das economias desenvolvidas para a semiperiferia do capitalismo mundial.Nas duas últimas décadas, no entanto, têm sido crescente os fluxos de IED oriundos dos países emdesenvolvimento, como se vê no caso da China, da Índia, da África do Sul, do México e do Brasil, entre outros.Neste texto pretende-se abordar o caso das multilatinas, multinacionais de origem latino-americanaque têm realizado crescentes fluxos de investimento em países estrangeiros, seja na própria AméricaLatina, seja em outras regiões do mundo. A literatura sobre o tema consagra duas interpretações para ofenômeno: a atuação do Estado, através das reformas orientadas para o mercado, para criar um ambienteeconômico mais favorável ao crescimento destas empresas e as próprias reestruturações internas queelas teriam feito para poder fazer frente à crescente competição com suas concorrentes estrangeiras.O presente texto, sem desconsiderar as duas chaves explicativas, pretende chamar a atenção para umpapel mais ativo do Estado como efetivo fomentador da criação ou do crescimento de corporações latinoamericanasvoltadas a disputar a liderança mundial em seus respectivos setores de atividade
BRICS: de estratégia do mercado financeiro à construção de uma estratégia de política internacional
Quando o acrônimo BRIC foi criado em 2001 por Jim O’Neill refletia a visão do mercado financeiro sobre estes países e como eles deveriam ser considerados na estratégia de investimento dos investidores. A crise internacional promoveu uma aproximação política entre os Brics, que gerou a formação do agrupamento BRICS. Esta institucionalização é uma articulação pela formalização da redistribuição do poder no sistema internacional. Entretanto, há contrastes significativos entre os Brics. Portanto há fortes entraves no processo de transformação dos Brics de uma estratégia de definição do portfólio dos investidores para uma estratégia de política internacional
O Comando do Espaço na Grande Estratégia Chinesa: Implicações para a Ordem Internacional Contemporânea
Apesar de a República Popular da China ter realizado com sucesso, em janeiro de 2007, um teste de armaanti-satélite (ASAT) contra um de seus satélites metereológicos – Feng Yun (FY-1C), o qual já havia sidodesativado –, isso não quer dizer necessariamente que o programa espacial do país tem objetivos ofensivos.Entretanto, grande parte da literatura especializada passou a utilizar o teste como pilar de sustentaçãopara seus argumentos quanto às prováveis pretensões hegemônicas da China. Na verdade, assim como oteste ASAT, essas análises expõem o seguinte: primeiro, há uma dinamização das capacidades espaciaischinesas; segundo, há uma falta de compreensão da perspectiva asiática das relações internacionais,bem como do comportamento desses Estados na arena internacional. Dessa forma, o presente trabalhose estrutura em torno de três eixos principais: (i) a compreensão teórica sobre o comando do espaço;(ii) a busca por uma explicação sobre o papel do comando do espaço na grande estratégia chinesa e, porfim, (iii) a compreensão sobre a importância do comando do espaço para a segurança da China. A conclusãodo trabalho aponta que o comando do espaço tem a função de apoiar o desenvolvimento da China, aopasso que seus efeitos multiplicadores na arena militar expandem as capacidades do país de defender asua soberania e segurança
Discussão e aprovação do Protocolo de Adesão da Venezuela ao MERCOSUL
Este artigo discute o processo de adesão da Venezuela ao MERCOSUL, com foco para o debate no âmbitoda Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, do Senado Brasileiro. O Protocolo de Adesão,assinado em 04/06/2006 por Nestor Kirchner, Lula, Frutos Nicanor, Tabaré Vázquez e Hugo Chávez está deacordo com as diretrizes da política externa brasileira da década de 1990 e 2000. Pretende-se compreendero processo de discussão do Protocolo no âmbito do Legislativo brasileiro, no intuito de lançar luz sobre osconstrangimentos e oportunidades domésticos para a política regional brasileira. A título de conclusão,será considerada a diplomacia presidencial como uma estratégia importante para a implementação dapolítica regional do Brasil e os entraves que tal estratégia coloca para a atuação mais assertiva do CongressoNacional em assuntos relativos à política externa
Os BRICS, a cooperação para o desenvolvimento e a presença chinesa na África
A partir da crescente visibilidade dos países BRICS na ordem política e econômica internacional, estetrabalho pretende discutir suas relações atuais com a África, continente em que interesses respectivosconvergem de forma mais clara e tendem a gerar maiores atritos. Para tanto, o artigo trata da açãodos países no campo da cooperação internacional para o desenvolvimento e, em particular, na presençachinesa na África. Explora o papel do Fórum de Cooperação China-África (FOCAC) no avanço das relaçõessino-africanas, manifesto na notável expansão do comércio, investimento direto externo e cooperaçãointernacional para o desenvolvimento ocorrida após sua criação no ano 2000. Ao final, questiona osobjetivos e implicações da presença chinesa na África. Conclui que a busca por segurança econômica e umarationale instrumental caracterizam a cooperação internacional chinesa no continente. Argumenta-se quesua intensificação tende a provocar mudanças tanto nas práticas chinesas como nas práticas tradicionaisde ajuda ao desenvolvimento: estas devem voltar a promover o desenvolvimento de infraestruturae combate à pobreza e aquelas deverão sofrer ajuste relativo em relação a padrões internacionais desustentabilidade ambiental
Diplomacia federativa: o Estado brasileiro e a atuação internacional de suas Unidades Constituintes
Desde os anos 1990, o fim do conflito bipolar e a aceleração de fenômenos de transnacionalizaçãoestremecem a ordem internacional centrada no Estado. As relações internacionais exigem novas práticase a recomposição de paradigmas teóricos. Neste contexto, unidades subnacionais buscam com cada vezmais intensidade estabelecer contatos com entes estrangeiros desenvolvendo iniciativas de inserçãointernacional freqüentemente independentes das políticas do Estado. A chancelaria brasileira, diante destecenário, mostra-se preocupada: busca responder aos novos desafios que a cercam e, pela primeira vez,reconhece a necessidade de considerar a dimensão subnacional no processo decisório da política externabrasileira. Este trabalho pretende analisar o processo que culmina, em 1995, na criação da DiplomaciaFederativa, política de Estado concebida para aproximar a chancelaria brasileira de governos subnacionais;incorporar a dimensão subnacional na elaboração e execução da política externa brasileira e permitir acoordenação da atuação internacional de unidades subnacionais brasileiras