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FOCAC: estratégia econômica e política de cooperação Sul-Sul Sino-Africana
O FOCAC se constitui como a principal plataforma ao diálogo e coordenação China-África no século XXI. A China se compromete com grandes investimentos e outros benefícios aos países africanos em troca da concessão na exploração do petróleo e outras matérias-primas – estratégia oil for infrastructure. O artigo tem como objetivo analisar como o FOCAC tornou-se um mecanismo institucional para a consolidação política-econômica chinesa na África. A nossa hipótese é de que o FOCAC tornou-se uma plataforma multilateral que facilita e fortalece a relação bilateral da RPC com os países africanos frente aos objetivos chineses de garantir a sua segurança em relação aos recursos naturais, abrir a economia para novos mercados e para oportunidades de investimentos. No âmbito político, o Fórum assumiu papel relevante ao reforçar o comprometimento dos países africanos junto à China nas Organizações Internacionais, principalmente na Organização das Nações Unidas (ONU)
A América do Sul como Espaço Geopolítico e Geoeconômico: o Brasil, os Estados Unidos e a China
As transformações recentes do equilíbrio de poder mundial, que indicam a ascensão dos países emergentes e o declínio relativo dos poderes ocidentais tradicionais como os Estados Unidos e a União Europeia detêm impactos na agenda global e na regional da América do Sul. Neste contexto, observa-se o avanço dos projetos de integração liderados pelo Brasil, o aumento da presença da China e as reações norte-americanas a estas mudanças estratégicas, políticas e econômicas. Com isso, o objetivo do artigo é analisar a dinâmica geopolítica e geoeconômica da América do Sul no século XXI a partir das interações de Brasil, Estados Unidos e China
China in Brazil: The quest for economic power meets Brazilian strategizing
China’s economic growth and the expansion of its companies have led to many questions about the country’s global objectives. Leaders in Beijing cultivate economic power to maximize the country’s global influence. Brazil, as one of China’s largest trading partners and top destinations for outward Chinese investment, has attracted much attention. This paper presents field research and scholarly analysis to demonstrate that China’s governmental institutions are supporting economic expansion into Brazil as part of a broader strategy to shore up global economic power. However, the Brazilian government has successfully limited Chinese investment in certain sectors, like agriculture, to protect its own economic interests
Política Externa Brasileira: 1964-1985
O texto faz considerações sobre a política externa brasileira conduzida pelo regime militar. Procura destacar as políticas formuladas durante os diversos governos, considerando as alternâncias dos grupos no poder e as mudanças na conjuntura tanto doméstica quanto internacional. O que se observa, portanto, é que cada governante implementou sua política de acordo com os interesses do grupo que naquele momento se encontrava no controle do Estado. Um dos objetivos do texto é discutir as nomenclaturas utilizadas para designar cada período: “alinhamento automático”, “diplomacia da prosperidade”, “diplomacia do interesse nacional” “pragmatismo responsável” e “pragmatismo ecumênico”. Essas terminologias não fazem jus, nem correspondem à realidade das políticas implementadas naqueles momentos, uma vez que todas as políticas públicas, nessas incluindo a política externa e as de defesa e segurança, são motivadas pela necessidade de se atender princípios básicos comuns a todos os governos, como a soberania e o desenvolvimento nacionais
FOLs: as novas formas da operacionalização da presença militar estadunidense na América do Sul
Parte das estratégias que vem desenvolvendo globalmente os Estados Unidos relacionadas com a capacidade de mobilização de forças, com a definição de alvos prioritários e com novas formas de atuação que combinam presença militar e envolvimento com as populações locais em tarefas humanitária, também se aplicam a América do Sul. O argumento deste artigo é que essas formas de operacionalização de forças militares refletem elementos pontuais (específicos a América do Sul), mas também são parte da estratégia hemisférica que visa se adequar às percepções de ameaças não territoriais. Nesse sentido, a alocação de novas bases militares ou Forward Operation Locations (FOLS) é a parte operacional dessa estratégia a América do Sul. Além disso, o artigo explora motivações não tradicionais na alocação de FOLs em Sul-américa , para além de motivações geopolíticas, assim como mostra quais são os problemas políticos gerados pelas FOLs
Imperialismo e Luteranismo: o embate entre missionários alemães e americanos pelas comunidades luteranas no Brasil (1899-1938)
O objetivo do presente artigo é apresentar os resultados de um estudo sobre um confronto, ocorrido no período de 1899 a 1938, entre dois grupos de missionários luteranos atuantes no Brasil, um alemão, ligado à Igreja Evangélica da Prússia, muito nacionalista, e outro, americano, ligado à Igreja Luterana – Sínodo de Missouri, e que atuava no Sul do Brasil. Além disso, o Sínodo de Missouri era relativamente indiferente às questões étnicas, tão presentes no discurso político nas primeiras décadas do século XX, pois as considerava uma questão do Estado ou de outras instituições, mas não tarefa de igrejas. O confronto referido, refletiu não apenas visões teológico-dogmáticas distintas dentro do luteranismo, mas também se relacionava com a questão da identidade étnica germânica e da preservação da língua alemã (defendida por pastores alemães) e a adoção do português e a integração dos imigrantes alemães na sociedade brasileira, defendidos por um e outro grupo. O embate estudado foi também uma reverberação da crescente hegemonia do imperialismo americano sobre a América do Sul, decidida a eliminar possíveis focos de influência alemã no continente durante o período relacionado com as duas guerras mundiais As fontes utilizadas para a elaboração do estudo são documentos eclesiásticos do período, jornais, boletins, literatura evangelística, atas, assim como fontes secundárias relacionadas com luteranismo, imigração e política internacional no período estudado.
As relações Brasil-Venezuela e o empresariado nacional (2002-2012)
O presente artigo discute os impactos, sobre alguns segmentos do empresariado nacional brasileiro, decorrentes do aprofundamento das relações diplomáticas e comerciais entre Brasil e Venezuela no período compreendido entre os anos de 2002 e 2012. Faz um breve arrazoado histórico das relações entre os dois países e especula sobre a correlação entre uma política externa de aumento da zona de influência do Brasil na América do Sul e as estratégias de internacionalização de alguns grupos empresariais nacionais
O Brasil e a governança climática global (2020-2024): entre o conservadorismo e o reformismo de vanguarda
Este artigo analisa o contexto económico e energético de uma das grandes potências climáticas, o Brasil, bem como o seu posicionamento nas arenas internacionais de discussão do clima global. Através da realização de um exercício prospetivo, descortina-se um conjunto de possibilidades para a evolução do país e a sua presença na cena política internacional entre 2020 e 2024
A China, os BRICS e os países em desenvolvimento
O objetivo desse artigo é evidenciar as principais etapas da construção histórica e política das relações chinesas com os países em desenvolvimento, o que poderá tornar mais legível o tipo de inserção que a China está construindo atualmente no Sul do mundo junto aos outros membros do BRICS. A análise parte da hipótese de que a aproximação chinesa com o mundo em desenvolvimento não é algo recente: ela se enraizaria em relações políticas e históricas já consolidadas que justificariam a percepção positiva da maioria dos países em desenvolvimento acerca da crescente inserção junto a essa parte do mundo. Na primeira parte do artigo, serão evidenciadas as características principais do grupo do BRICS. Na segunda parte do trabalho, a pesquisa se concentrará na evolução histórica das relações chinesas com os países em desenvolvimento a partir da proclamação da República Popular da China até os dias atuais.
Ser ou Não Ser? Ucrânia, Rússia e os dilemas da Política Externa Alemã
A crise política na Ucrânia provocou intenso debate na Alemanha, que se intensificou a partir do momento em que a Rússia passou a apoiar abertamente o movimento separatista na Crimeia. De maneira geral, a atitude tolerante de grande parte do público alemão face ao comportamento da Rússia no processo foi explicada com base em fatores econômicos, culturais e históricos: a experiência traumática da Segunda Guerra Mundial. O presente artigo afasta-se dessas análises, ao abordar a questão pelo ângulo da política externa alemã. Detendo-se, primeiramente, no debate sobre a identidade internacional da Alemanha, que vem se desenvolvendo desde a reunificação do país, em 1990, o artigo discute a resposta à crise presente à luz do papel atribuído à Rússia na política externa alemã, ao longo desse período