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A Direita Cristã e a política externa norteamericana: a construção discursiva da aliança entre Estados Unidos e Israel com base na ideologia evangélico-protestante
Contrariando a expectativa de perda de infl uência com o avanço da odernidade, a religião tem se mostrado cada vez importante no entendimento de diversas questões atuais das relações internacionais. Dentre elas, destacamos a recentecontrovérsia sobre a infl uência do lobby de Israel na política externa norte-americana na manutenção do apoio quase irrestrito dos Estados Unidos a Israel. O objetivo deste artigo é oferecer uma explicação alternativa sobre a popularidade dessa aliança, que atribuímos mais à forma como o debate público é moldado pela Direita Cristã norte-americana do que a infl uência do lobby junto aos formuladores de política externa. Nosso objetivo é problematizar a relação entre religião, discurso e formulação de política externa, apontando como signifi cados e representações particulares da ideologia evangélico-protestante constroem, racionalizam e legitimam discursivamente o apoio à aliança entre os Estados Unidos e Israel no debate público
Os anos Uribe na Colômbia: Segurança interna e aliança estratégica com EUA na construção do Estado-nação
Álvaro Uribe representou um projeto conservador de reconstrução do Estado colombiano, cuja debilidade resulta da ação contínua de fatores desgastantes como a corrupção, o narcotráfico, a exclusão social e um conflito que já se estende por mais de quatro décadas no país. Os índices de aprovação de Uribe obtidos em seu primeiro mandato ilustram a percepção positiva da população colombiana com relação à disposição do presidente eleito em trabalhar com dedicação a fim de resolver os problemas do país, principalmente o problema da violência. Sua reeleição em 2006, por sua vez, simboliza o respaldo amplo da população às medidas de segurança empreendidas por Uribe, ainda que esta seja aplicada em detrimento do respeito às liberdades civis dos colombianos e dos direitos humanos. Mais do que isso, ambos os resultados eleitorais - 2002 e 2006, com maior ênfase em 2006 – significaram uma opção dos eleitores colombianos em aceitar as propostas de segurança apresentadas por Uribe às propostas relativas ao aprofundamento da democracia no país
The Inter-American Security System: Changes and Challenges
Beginning in the mid to late 1980’s, democracy took root in most countries in the Western hemisphere. This development in conjunction with the end of the Cold War led to a revival of the OAS and the initiation of new regional securityinstitutions. The strategic framework of the Cold War had consisted in the perception of a threat outside the hemisphere and the monopoly of the U.S. government in defi ning and identifying the enemy. As these structures lost relevance, a new security agenda came to the fore, encompassing both traditional security threats like territorial disputes and nontraditional security threats, such as terrorism and drug-traffi cking. Additionally, security was increasingly defi ned as the establishment of improved civil-military relations and the collective defense of democracy. However, the war against terrorism initiated by the U.S. after September 11, 2001 led to a revitalization of strategic framework of the Cold War. Hence, the paper analyzes how the regional security system in the Americas has changed since the early 1990s. It traces the major innovations with respect to its legal and institutional framework, the impact of the hegemonic position of the United States in the hemisphere and the challenges posed by the emergence of sub-regional organizations
Leading the disenfranchised or joining the establishment? India, Brazil, and the UN Security Council
This paper compares Brazil’s and India’s strategy to obtain a permanent seat on the UN Security Council and the implications this has for both countries’ identities. On the one hand, Brazil and India align with developing nations and jointly press for more inclusive global governance. On the other hand, critics have pointed out that Brazil’s attempt to enter the UN Security Council as a permanent member is not entirely about democratizing the UN, but rather about creating an “expanded oligarchy”. This article seeks to better understand the nature of this dilemma, comparing how both countries deal with this transition
Eleições diretas no Parlamento Andino: a percepção popular sobre a integração regional
O objetivo deste trabalho é discutir os efeitos das eleições diretas para o Parlamento Andino (Parlandino) na percepção da população em relação à integração. No âmbito da integração andina, o Parlandino, criado em 1984, procurou inserir elementos de legitimidade democrática ao projeto sub-regional, especialmente a partir de 1996, com a realização de eleições diretas, em uma tentativa de aproximar a população dos representantes andinos por meio do voto e da participação popular. Partindo do pressuposto de que a inclusão de representatividade direta ao parlamento não supriu as demandas dos atores sociais, o argumento desta análise é de que a democratização da integração exige uma institucionalidade mais autônoma, o que não se verifica no caso do Parlandino. Este artigo usa como ponto de partida dados do Latinobarômetro para identificar as expectativas na população em relação a essa questão, complementando a análise com informações de meio de comunicações locais e de materiais bibliográficos especializados que tratam do assunto
Armamentos Nucleares: Dissuasão e Guerra Nuclear Acidental
Aborda-se o problema dos supostos benefícios à segurança internacional que adviria da eventualidade de que aumentasse a quantidade de Estados nuclearmente armados, em função do alegado valor dissuasório que lhes seria intrínseco. A questão é discutida integrando-se as literaturas sobre dissuasão e sobre os riscos de guerras nucleares impremeditadas, articuladas pela discussão das necessidades técnicas e estratégicas de procedimentos e recursos de Comando e Controle (C2), incluindo os aspectos relacionados a alerta antecipado e a capacidade efetiva, segura e garantida de lançar um ataque caso se decida por fazê-lo. Expõem-se os componentes de uma capacidade nuclear plena; as condições necessárias para que possa haver uma dissuasão nuclear mútua e estável em oposição aos incentivos para um primeiro ataque e aos riscos de “lançamento-ao-primeiro-sinal”; e em que medida tais dinâmicas podem ou não contribuir para uma maior estabilidade política. A conclusão geral é que, na ausência de capacidades de C2 e de alerta antecipado robustas, complexas, avançadas e caríssimas, a segurança de um país é na verdade diminuída pela obtenção de armamentos nucleares, e o risco de guerras nucleares impremeditadas aumenta significativamente; além disso, contrariamente à sabedoria convencional, todos esses perigos são ainda maiores para países pequenos ou pobres que para países grandes ou ricos. Armamentos nucleares, por si mesmos, não diminuem a diferença entre ricos e pobres; ao contrário, aumentam-na
As razões de existência do Conselho de Defesa Sul-Americano da UNASUL
Com o desenvolvimento do regionalismo, a presença de ameaças transnacionais, além de problemas e soluções estrategicamente sensíveis às constituições históricas, nasce a necessidade de uma cooperação que una os países de uma determinada região. Nota-se um movimento de medidas interestatais, em que os Estados desejam consolidar novas vias para o progresso cooperativo no campo da defesa, como através do Conselho de Defesa Sul-Americano (CDS), da União de Nações Sul-Americanas. A proposta de formação do primeiro conselho sub-regional de defesa da América do Sul fez-se a partir da justificativa de enriquecimento dos mecanismos de cooperação militar e extensão do nível de confiança mútua a toda à região. O presente artigo objetiva analisar o CDS por meio de seus fatores sistêmicos, institucionais e operacionais. Para tanto, será utilizada a técnica de entrevista, realizada com autoridades e representantes do Conselho, na Argentina e no Brasil. Verificou-se com a pesquisa que o CDS conta com significativos avanços no campo de medidas de confiança e de indústria e tecnologia de defesa, bem como na construção de estruturas permanentes do órgão. Contudo, o Conselho encontra-se em fase de aprimoramento, apresentando dificuldades em relação a consensos e transparência, não compondo ainda uma voz sul-americana única em defesa
Jogos de dois níveis: considerações acerca da política de informática brasileira
O presente artigo propõe uma breve análise acerca tanto dos atores e condicionantes domésticos como internacionais da política de informática brasileira desenvolvida nas décadas finais do século XX. Essa política conformava uma áreamuito sensível para a política exterior brasileira e um importante eixo estratégico para uma política mais autonomista que vinha sendo desenvolvida pelo Brasil e que considerava a necessidade de obter domínio tecnológico e controle da indústria eletrônica digital
Inserção internacional do Brasil no século XXI: conceitos, tendências e resultados
Seis linhas de força da ação externa explicam a ascensão internacional do Brasil no século XXI. A América do Sul passou de prioridade alta a prioridade baixa. A diplomacia malogrou ao colocar sua energia e esforços na obtenção do tratado global de livre comércio no seio da OMC e na adesão ao clube do poder. Três sucessos da ação externa foram a internacionalização da economia, a formação de coalizões emergentes e a promoção de nova estratégia internacional de segurança
A nova face das Políticas de Desenvolvimento do Banco Mundial: do Ajuste Estrutural para a Boa Governança
O artigo propõe discutir a mudança de estratégia do Banco Mundial (BIRD) para a assistência aos países em desenvolvimento. Especificamente, pretende-se saber se, de fato, houve uma evolução cognitiva daquilo que o banco entende por "desenvolvimento" e, por consequência, das práticas adotadas para esse objetivo. O foco da análise incidirá na comparação de dois tipos de marco lógico que orientam as operações para a reforma do estado; a saber, o ajuste estrutural, amplamente utilizado nos anos 80 e 90, e os projetos baseados em resultados, que constituem a inovação do Banco para o apoio à Boa Governança