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A Coluna Prestes e as relações Brasil-Argentina na década de 1920
O presente artigo tem como objetivo apontar as influências da Coluna Prestes sobre a política externa brasileira da década de 1920 para a Argentina. Por meio da análise do contexto político, social, econômico e internacional do país, foi possível compreender as condicionalidades impostas à atuação externa do Brasil. A apresentação da configuração do Exército Brasileiro e dos movimentos subversivos que tiveram origem no interior dessa instituição também forneceu elementos importantes para o estabelecimento da relação existente entre a Coluna Prestes e as medidas tomadas pelas chancelarias de Félix Pacheco e, em menor medida, de Otávio Mangabeira. Por meio da correlação de dados e informações levantados foi possível perceber como o Ministério das Relações Exteriores foi utilizado como instrumento de repressão a movimentos que contestaram a ordem oligárquica da República Velha
A Irmandade Muçulmana Egípcia: Aspectos transnacionais e nacionais de sua atuação política
O artigo apresenta um balanço da história da Irmandade Muçulmana e sua relação com os sucessivos governos egípcios desde 1928, ano da criação da Irmandade por Hassan al-Banna. Uma abordagem histórica que vislumbre os caminhos políticos da Irmandade Muçulmana no decorrer das décadas mostra os processos que induziram mudanças significativas na agenda política da organização. Nas primeiras décadas de existência, a Irmandade Muçulmana era uma organização com vocação transnacional e engajada no combate ao colonialismo, ao imperialismo e ao regime egípcio, visto como corrupto e imoral. Para estas contendas, a organização desenvolveu uma ideologia militante e radical que encorajava ações drásticas, e até mesmo violentas. Contudo, desde o governo de Anwar Saddat, a Irmandade Muçulmana vem adotando uma postura diferente em relação à política, na medida em que ganhou legitimação social informal, ainda que não tenha recebido o reconhecimento legal. A partir deste momento, a Irmandade teve uma relação complexa com o regime egípcio, caracterizada por um ciclo de acomodação e coerção por parte do regime. Fatores políticos e sociais são fundamentais para a compreensão da mudança da agenda política da Irmandade Muçulmana de uma organização intransigente engajada nas questões regionais para uma organização que busca a aceitação institucional doméstica
Comunidades epistêmicas e de prática em Defesa na Argentina e no Brasil: entre a organicidade e a plasticidade
Amparado em uma discussão conceitual sobre comunidades epistêmicas e sobre comunidades de prática, é objetivo do texto tratar de analisar a condução política das questões militares e de Defesa na Argentina e no Brasil. Comunidades epistêmicas referem-se grupos de pessoas com conhecimento socialmente legitimado que atuam junto a Estados para produzir políticas, enquanto as comunidades de prática aludem aos saberes e fazeres orientados, em última instância, para a busca de transformações nas estruturas sociais. Apresentados e desenvolvidos os conceitos, voltamo-nos para os casos em tela, discorrendo sobre cada um deles, para então indicar as diferenças de posturas nos dois países. Enquanto na Argentina formou-se uma comunidade epistêmica que influiu sobre os contornos fundamentais da política de defesa no retorno da democracia, no Brasil não surgiu um ator semelhante, ainda que se argumente o surgimento de uma comunidade de prática, uma proto-comunidade epistêmica. Ainda que dissonantes, os dois países vêm produzindo ações e visões compartilhadas que fortalecem mecanismos de cooperação na área
As coalizões de causa em torno das políticas de transferências condicionadas: olhar cruzado Brasil-México
O objetivo deste artigo é fornecer uma análise sobre o lugar e o papel das “ideias” na formulação dos programas de transferências monetárias condicionadas no Brasil e no México. Trata-se de, acrescentando uma dimensão comparativa, destacar os fatores que podem explicar a origem, ascensão e desacordos de ideias que estão por trás desses programas. Esses fatores são explorados à luz das teorias sobre o processo de elaboração de políticas públicas que ressaltam o papel das coalizões de causa. Assim, o instrumento “transferência monetária” parece ser objeto de um consenso. Mas devemos acrescentar que este é um consenso ambíguo, porque os atores envolvidos estão de acordo sobre os meios, e não sobre os objetivos. Embora o objetivo de aumentar o capital humano seja predominante, os programas Bolsa-Família e Oportunidades tornaram-se um grande emaranhado de ideias, sem um acordo sobre os objetivos e princípios
A política externa turca no pós-2011: das revoltas árabes à ascensão do Estado Islâmico
Com a eclosão das revoltas árabes a partir de 2011, a Turquia adotou uma nova postura externa, mais assertiva, tornando-se ator de suma importância no Oriente Médio, sobretudo na Síria. Entretanto, o país veio a enfrentar limites à sua projeção, e suas respostas a esses problemas acabaram colocando a Turquia ainda mais no centro de uma série de crises. Esse artigo, portanto, tem como objetivo compreender por que a Turquia realizou tamanha inflexão a partir de 2011 e como sua estratégia internacional evoluiu frente às transformações no Oriente Médio. Argumenta-se que fatores domésticos e choques externos levaram o país a adotar uma estratégia assertiva de liderança regional via apoio a grupos que poderiam adotar seu modelo político. Posteriormente, devido a novos choques externos e mudanças domésticas, a Turquia teve de reposicionar-se e mudar seus objetivos, adotando postura mais cautelosa, de contenção de danos. Passou, então, a utilizar-se de sua centralidade estratégica no conflito sírio e suas crises correlacionadas para barganhar frente às grandes potências, tentando consolidar-se como um ator indispensável, a fim de obter suficiente liberdade de ação para enfrentar aquilo que o governo turco considera como principais ameaças ao país – a expansão curda na Síria e o Estado Islâmic
As políticas industrial e infraestrutural durante o Governo Lula: implicações e desafios da adoção do modelo do Estado Logístico para o Brasil
O artigo concentra-se na análise da política industrial brasileira durante o governo Lula (2003-2010) e dos projetos associados à Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sul-Americana (IIRSA). Em ambas, observa-se um modelo de desenvolvimento, próximo ao que denominamos Estado Logístico - tipo ideal, diferente do conceito de Amado Cervo, que surge da confluência de um alto nível de autonomia inserida com políticas de corte horizontal, as quais buscam reforçar as vantagens comparativas do sistema produtivo nacional e regional. Assim, há uma mútua influência entre as políticas, pois o sucesso da IIRSA promove a integração do mercado sul-americano com o do Pacífico, ampliando a pressão sobre a indústria brasileira, enquanto a política industrial reforça uma estrutura produtiva baseada no setor primário e na indústria tradicional, o que dificulta a integração regional
Governança global do clima: proposta de um marco analítico em construção
O objetivo deste artigo é propor um marco analítico provisório do processo de governança global do clima. Busca-se um instrumento para descrever e analisar uma realidade, em construção, bem como, uma perspectiva que possa contribuir na procura de respostas eficientes, cooperativas, sustentáveis e justas à mudança do clima. Alguns estudiosos têm argumentado a favor de uma perspectiva de análise centrada na noção de governança do clima, ao invés, do conceito de regime internacional para o qual se identificam três limites: o status proeminente do estado-nação, a sua natureza definida como unitária (caixa-preta) e a diferenciação e forte demarcação como duas arenas políticas separadas: a doméstica e a internacional. Não existe, no entanto, uma definição consensual de governança global, tampouco de governança climática. Propõe-se aprofundar a discussão conceitual sobre governança climática, enquanto uma problemática multidimensional, que interliga economia-política, segurança, meio-ambiente e energia e que engloba múltiplas escalas, níveis e atores
Uma questão brasileira em Euclides da Cunha: princípios de Geopolítica de uma região periférica
O objetivo deste ensaio é analisar o pensamento de Euclides da Cunha voltado para política internacional e geopolítica do Brasil e, por extensão, da América do Sul. Embora seja considerado um dos autores que consolidaram o pensamento social brasileiro, Euclides da Cunha não deixou de se interessar por temas internacionais e de poder global, que compreende questões como a do Acre e da necessidade de se consolidar fronteiras