Associação Brasileira de Relações Internacionais

Carta Internacional
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    Instruções editoriais aos autores

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    Diretrizes aos autores que desejam publicar na Carta Internaciona

    O histórico da segurança humana e o (des)encontro das agendas de desenvolvimento e segurança

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    O presente artigo busca reconstruir a trajetória da segurança humana no Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH) do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD) de 1994 e no Relatório da Comissão Internacional sobre Intervenção e Soberania Estatal (CIISE) de 2001. Pretendemos com isso demonstrar que existe pouco diálogo e contribuição do primeiro com o segundo. Para tanto, traçaremos o histórico do conceito de segurança humana, focando nos relatórios mencionados, a fim de evidenciar a forma pela qual as agendas de desenvolvimento e de segurança possuem baixo nível de debate, diálogo e contribuição entre si. Nossa metodologia inclui revisão bibliográfica e entrevistas, além de análise de documentos e relatórios do sistema ONU e do CIISE para construção de process tracing

    O conceito de Ataque Global Imediato: premissas equivocadas, consequências perigosas

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    O artigo analisa criticamente o conceito estadunidense de Ataque Convencional Global Imediato (Conventional Prompt Global Strike – CPGS), bem como suas implicações para a segurança internacional. Trata-se de iniciativas que buscam desenvolver a capacidade de atacar – de forma convencional, precisa e sem depender de bases avançadas – alvos localizados a longas distâncias (pelo menos 1.500 km) em um curto período de tempo (velocidades acima de Mach 5). O conceito tem duas premissas equivocadas. A primeira corresponde ao que Patrick Porter (2015) chamou de “globalismo” tático, ou seja, a crença de que ataques convencionais em escala global não seriam mais constrangidos pela distância. A segunda é o que James Acton (2013) chamou de “mito da bala de prata”, a busca por uma inovação capaz, por si só, de reverter tendências estratégicas e realidades políticas. Os projetos ligados ao conceito CPGS enfrentam dificuldades técnicas, orçamentárias e políticas. Caso sejam bem-sucedidos, suas consequências são perigosas. Em primeiro lugar, estimulam a competição e a emulação de soluções preemptivas com tempo operacional acelerado. Em segundo lugar, como o CPGS ameaça a capacidade de segundo ataque (retaliação) nuclear das outras grandes potências, sua implementação aumenta a instabilidade política mundial e os riscos de ultrapassagem não acidental do limiar nuclear.

    As três tendências da guerra cibernética: novo domínio, arma combinada e arma estratégica

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    O presente trabalho analisa como a guerra cibernética impacta a conduta da guerra hodierna. Partindo da teoria da guerra de Clausewitz e dos debates sobre revolução dos assuntos militares e poder aéreo, postulam-se três tendências com distintos níveis de modificação das formas de beligerância advindos do ciberespaço. A primeira delas se refere à criação de um novo domínio, o cibernético. A segunda vislumbra a incorporação do ciberespaço à guerra enquanto arma combinada, ou seja, incorporando-a aos instrumentos de força convencionais para a produção de efeitos cinéticos. A terceira tendência estipula o uso da guerra cibernética como uma arma estratégica, em moldes pareios aos da estratégia de dissuasão nuclear. Em termos metodológicos, a pesquisa se baseia, em primeiro plano, na revisão bibliográfica da literatura de segurança internacional e guerra cibernética e, secundariamente, na análise histórica dos seguintes acontecimentos recentes: Rússia-Estônia (2007), Rússia-Geórgia (2008), Stuxnet (2010) e Rússia-Ucrânia (2014). Objetiva-se assim construir um quadro de análise para melhor compreender como o fenômeno da guerra cibernética afeta a conduta da guerra do século XXI

    Barack Obama e o Oriente Médio: Um Panorama Crítico (2009/2017)

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    O objetivo deste artigo é apresentar um panorama crítico da gestão de Barack Obama de 2009 a 2017 em relação ao Oriente Médio, analisando os cenários estratégicos da região e as implicações para a Eurásia das ações estadunidenses. Para sustentar sua análise, o texto apresenta a trajetória do governo democrata, tendo como base um estudo sobre o legado de seu antecessor, George W. Bush, entre 2001 e 2009. Os principais temas abordados referem-se aos impactos dos atentados terroristas de 11/09/2001, com foco nas guerras do Afeganistão (2001/2014) e do Iraque (2003/2011), o processo de paz Israel-Palestina, as relações com o Irã, a Primavera Árabe, as crises na Síria e Líbia e a ascensão do Estado Islâmico. Observa-se a continuidade de um padrão de instabilidade regional e ambiguidade da estratégia dos Estados Unidos, assim como variações táticas entre as administrações republicana e democrata para a projeção de poder nesse espaço geopolítico e geoeconômico, que permanece essencial para os interesses do país

    A geopolítica das terras raras

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    Variações de oferta e dificuldades de acesso a determinados produtos estratégicos podem provocar mudanças na geopolítica internacional. Os choques do petróleo ocorridos na década de 1970 são, talvez, os exemplos mais conhecidos de como a reconfiguração do poder entre os países pode ser redesenhada em função de quem detém determinado produto estratégico. Um conjunto de 17 metais, conhecidos como terras raras, que possui propriedades químicas únicas, está no centro de uma tensão comercial internacional desde que a China, que exporta cerca de 95% do mercado mundial de terras raras, passou a restringir suas exportações a partir de meados de 2000. Este artigo investiga as motivações políticas e econômicas que estiveram por trás do embate na Organização Mundial do Comércio (OMC) entre a China, de um lado, e os Estados Unidos, a União Europeia e o Japão, de outro, que denunciaram a China em 2012 por impor restrições à exportação de terras raras, e analisa como o Brasil poderia aproveitar o seu potencial como produtor de terras raras para fortalecer sua posição no cenário internacional. Conclui-se que o diferendo na OMC foi apenas o primeiro capítulo de uma história de tensões internacionais que estão por vir no cenário internacional

    Economia Política Internacional da Saúde, autonomia estratégica e segurança nacional

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    Partindo do cenário econômico e político internacional da saúde, caracterizado como um ambiente competitivo e conflituoso, mas também concentrado nas mãos de um grupo de Estados e empresas transnacionais, o artigo analisa a importância das relações interestatais e entre Estado e mercado para a autonomia estratégica de Estados periféricos. Em particular, aborda-se a discussão sobre a ampliação da agenda de segurança dos âmbitos estritamente militar e nacional, propondo o conceito de segurança de saúde como fundamental para a segurança nacional, e suas conexões com as seguranças econômica, política, societal e militar. O argumento central sustenta que, diante do cenário internacional de saúde, Estados periféricos devem buscar a construção de um complexo industrial de saúde próprio e conectado ao industrial-militar, para alcançar sua autonomia estratégica e segurança nacional, diminuindo suas vulnerabilidades externas politicas e econômicas. Tal construção passa pela internalização da produção material e não material e da propriedade de empresas. Utilizando o arcabouço da Economia Política Internacional, combinando o estruturalismo econômico com o realismo da política internacional, o artigo se apoia em revisão bibliográfica de conceitos, dados e experiências históricas de países selecionados e de conflitos de interesses no âmbito internacional.

    T-TIP against the wall: feasibility, resistance, and consequences for third countries

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    The objective of the article is to analyze the Transatlantic Trade and Investment Partnership (T-TIP) as a new model of international agreements, the reasons for resistance and the consequences for third countries that are dependent on trade with the United States and the European Union (EU). Special attention is given to the relationship between Brazil and the EU in the context of this new trend of trade partnerships. Using a theoretical approach based on neoliberal institutionalism (KEOHANE, 2005; KEOHANE, NYE, 1989, 2002), the article presents a historical overview of the transatlantic negotiations and a critical analysis of the innovative aspects it brings. Even considering the potential unfeasibility of the T-TIP, it must be understood as part of a new generation of trade and investments (BALDWIN, 2011, 2008). Similar to the Trans-Pacific Partnership, the North American Free Trade Agreement and the Comprehensive Economic and Trade Agreement, the T-TIP aims to introduce a robust regulatory framework that would affect multilateralism. These “big treaties” include commitments that are not covered by the World Trade Organization and mandates that are not traditionally attributed to international institutions. Therefore, they bring to light new elements in international trends that are yet to be fully understood.

    O fenômeno dos “Estados emergentes” na política internacional contemporânea: Contribuições da Economia Política Internacional para um objeto multi-aspectual

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    A discussão do artigo se situa dentro do debate contemporâneo sobre a categorização de potências emergentes no capitalismo global, um fenômeno cada vez mais problematizado acerca da ascensão política e expressivo crescimento econômico dos Estados em desenvolvimento do Sul Global. A despeito da preexistência de um debate dentro de correntes tradicionais de relações internacionais, o resgate e a consolidação desses esforços analíticos no início do século XXI permitiram às teorizações econômicas uma crescente influência nos esforços interpretativos sobre tal aspecto do ambiente internacional. Entende-se que as abordagens interpretativas de relações internacionais que partem da economia política internacional fornecem atributos consistentes e são adequadamente correlacionados para compreender o posicionamento de países com crescente projeção internacional. Os avanços interpretativos possibilitaram novas compreensões sobre os fenômenos, mas a tentativa de dimensionar os Estados segundo sua potencialidade de influenciar na política internacional se torna problemática em função do seu nível de integração à economia capitalista global

    A Diretiva Europeia sobre Aquisições em Segurança e Defesa: Impactos na Logística de Defesa

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    A cadeia de suprimento da logística de defesa tende a ser alvo de forte protecionismo estatal e não faz parte da jurisdição de tratados internacionais. Entretanto, a União Europeia possui uma política única de aquisição em assuntos de segurança e defesa. Ela tem como objetivo, através da diminuição do protecionismo, facilitar o desenvolvimento de um mercado de equipamentos de defesa que iria reduzir a duplicação, aumentar a competição industrial e assim diminuir os preços dos equipamentos dentro do bloco. Todavia, na prática, ocorre a duplicação das capacidades estratégicas dos países. A hipótese do trabalho é que a Diretiva Única 2009/81/EC, relativa a aquisições em segurança e defesa é uma resposta dos países do bloco europeu às pressões de autoajuda do sistema internacional advindas da configuração securitária do pós Guerra Fria. Ela é, portanto, reativa e não ativa às dinâmicas internacionais e é utilizada como instrumento estatal. Todavia, essa característica acaba levando a Diretiva a uma eficiência secundária, pois os países europeus buscam mecanismos para escapar da livre concorrência imposta por ela e para manter certa proteção à capacidade nacional de produção de armamentos sensíveis. O presente trabalho pretende verificar como se estrutura essa política de aquisições na União Europeia - bem como demonstrar os antecedentes que permitiram o seu desenvolvimento

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