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A Construção da Paz no Cenário Internacional: Do Peacekeeping Tradicional às Críticas ao Peacebuilding Liberal
O presente artigo tem por objetivo fazer uma contextualização geral a respeito das operações de paz das Nações Unidas. Primeiramente, enfatiza-se a possível relação entre o desenvolvimento histórico dessas operações e os distintos contextos internacionais no qual se inserem. Um maior destaque é dado às operações de paz contemporâneas, especialmente as de peacebuilding. São investigados os pressupostos normativos subjacentes ao modelo de atuação dessas, suas características centrais e as principais críticas que recebem em suaconfiguração atual. Com base em uma metodologia essencialmente qualitativa, com ampla revisão bibliográfica acerca do tema, foi possível constatar que o modo de atuação assumido pelas operações de paz é responsivo às tendências e agendas assumidas em um contexto internacional mais amplo. No caso das operações de peacebuilding, verifica-se que assimilam em suas diretrizes os princípios da “paz liberal” dominantes no cenário internacional pós-Guerra Fria, buscando disseminar democracias liberais orientadas para o livre mercado como estratégia ideal para a construção da paz em cenários pós-conflito. Há, porém, uma série de críticas à forma de atuação das operações de paz nesses cenários, desde algumas de caráter procedimental até aquelas estruturais que questionam os próprios pressupostos normativos da paz liberal e sua incidência junto às populações locais
Las Reformas Económicas de China y la Geopolítica del Petróleo: un análisis de política exterior a la luz de la cuestión energética
El objetivo de este artículo es, a partir de la evolución de la estructura energética de China, evaluar los distintos delineamientos de su política exterior y las implicaciones geopolíticas de su diplomacia. Después de dilucidar antecedentes históricos, el recorte temporal empleado será enfático a partir de 1993 – cuando el país asiático se convierte en importador neto de petróleo – hasta años recientes, mostrando los impactos y desdoblamientos de décadas de reformas de apertura, modernización económica y transformaciones productivas. La hipótesis operada en este trabajo es que la sinergia entre la evolución de los lazos bilaterales chinos y su respectiva política para el sector energético (específicamente el petrolero) se encuentra correlacionada en parte al empleo estratégico de su poderío económico para mitigar vulnerabilidades externas a su ascenso . Como objetos de consulta para validación analítica empírica y sustantiva, haré uso de informes de agencias de energía y de las propias firmas petroleras, y también datos secundarios. La conclusión encontrada es que la expansión económica china en continentes como América Latina, África y Oriente Medio posee un fuerte condicionante directo en su dependencia por recursos naturales, con la energía, en particular, dictando el tono para una diplomacia más asertiva
Percepções Identitárias no Reino Unido: Antes e depois do referendo Britânico
No referendo de 23 de junho de 2016, 52% da população do Reino Unido optaram pela saída da União Europeia. Em maio do mesmo ano, o país apresentou o maior percentual de identificação nacionalista entre os membros do bloco comunitário. Apesar da correlação observada, uma notável mudança ocorreu em novembro de 2016, com um aumento significativo, de aproximadamente catorze pontos percentuais, da identificação tanto como britânico quanto como europeu no país. Considerando que, em alguma proporção, a percepção identitária da população auxilia na compreensão das posições e das atitudes do governo britânico no seu relacionamento com a União Europeia, este artigo propõe uma análise sobre as percepções identitárias britânicas antes e depois do referendo de 2016. Por meio de uma análise diacrônica e comparativa dos dados das pesquisas de opinião do Eurobarometer, evidencia-se que o fraco sentimento de pertença ao bloco e o elevado sentimento nacionalista podem, em alguma medida, explicar o resultado do referendo britânico. Conclui-se que a identidade europeia funciona como um mecanismo de unificação na integração regional, e sua ausência ou a fragilidade tende a enfraquecer a relação entre o país e o bloco, como é o caso do Reino Unido
Paradiplomacia como Política Externa e Política Pública: modelo de análise aplicado ao caso da cidade do Rio de Janeiro
O presente artigo argumenta que estudos de paradiplomacia devem se aproximar dos estudos de política externa quando investigada como política pública. Essa seria uma estratégia para análise das práticas e estratégias das cidades nas relações internacionais. Os rendimentos analíticos dessa estratégia podem ser observados por meio de um modelo dimensional de análise de paradiplomacia como política externa e política pública. Esse modelo é propostoneste artigo e aplicado ao estudo empírico da cidade do Rio de Janeiro, no período de 1993 até 2016. O modelo sugere cinco dimensões explicativas nas análises da paradiplomacia: gestão política; mercado; institucional; internacional; e epistêmica. A aplicação desse modelo à cidade do Rio de Janeiro permitiu identificar as dimensões mais relevantes no caso específico da cidade — as dimensões política e de mercado —, enquanto que a variável partidária,defendida por outros pesquisadores do campo como de alta capacidade explicativa, pouco interferiu nos resultados observados durante a pesquisa
La cooperación de China en América Latina: ¿hacia una Nueva Economía Estructural?
Durante la primera década del siglo XXI, América Latina fortaleció sus relaciones con China, hasta convertirse en un socio estratégico para el comercio, la inversión y la cooperación de este país asiático. Se trata de una asociación estratégica que, comprendida bajo la teoría de la Nueva Economía Estructural, se aleja de los esquemas tradicionales de ayuda para revestir a la cooperación al desarrollo de dialogo político, acuerdos comerciales, inversiones y préstamos no-concesionados en infraestructura, buscando reequilibrar las relaciones económicas internacionales. Por tal motivo, el objetivo de este trabajo es dar cuenta de la cooperación al desarrollo que China realiza en los marcos de una posible transformación estructural en la región latinoamericana
Argentina e Brasil na visão dos think tanks dos Estados Unidos
No decorrer dos anos 2000, Argentina e Brasil chamaram atenção dos think tanks dos Estados Unidos dedicados à América Latina e aos países emergentes, por conta da eleição de governantes progressistas e do maior protagonismo externo desses países, expresso em iniciativas como a liderança da MINUSTAH, a criação de novos mecanismos de concertação regional e na adoção de posições críticas ao sistema liderado pelos EUA, embora não necessariamente identificadas com o bolivarianismo. Esse papel suscitou considerável produção de “experts” a respeito dos dois países no sentido de decifrar essa nova realidadee de orientar a política dos Estados Unidos para a região. O presente estudo analisa como a produção ideacional dos think tanks dos EUA abordou o ciclo de maior protagonismo externo da Argentina e do Brasil, as crises domésticas e os novos governos que chegaram ao poder em 2015 e 2016. São escrutinadas as temáticas dominantes e enfatizados, na análise, os aspectos securitários e estratégicos considerados pelos think tanks como mais relevantes para os Estados Unidos, assim como as recomendações políticas feitas por tais organizações
Os interesses e as regras: a Convenção de Minamata nas perspectivas do Realismo Neoclássico e Construtivismo
A Convenção de Minamata regula a questão dos efeitos do mercúrio no meio ambiente. Essa inciativa global inclui a participação de grandes potências como os EUA e a China, além de outros países em desenvolvimento e que possuem parte de sua produção voltada à mineração. A partir das perspectivas teóricas do realismo neoclássico e do construtivismo, o artigo cria um diálogo entre as duas correntes, apontando a importância tanto da questão do poder quanto da participação de importantes atores globais, quanto no papel das ideias, crenças e das normas na construção de um regime de regulação do uso e dos efeitos do mercúrio. A conclusão aponta que, além do alto custo do constrangimento pela não participação de um regime normativo do meio ambiente, o sucesso da Convenção de Minamata está na participação de Pequim e Washington. Esses países levam à participação de outros atores. Por fim, estimula-se a aproximação dos estudos de meio ambiente com os das teorias de relações internacionais
Não-alinhamento, cooperação internacional e desenvolvimento no contexto da Guerra Fria: o caso egípcio (1955-1967)
O objetivo deste artigo é discutir o papel funcional da política externa do não-alinhamento para as políticas de desenvolvimento econômico e militar de países periféricos durante a Guerra Fria. Para tanto, propõe-se um estudo de caso sobre a política externa do governo egípcio de Gamal Abdel Nasser (1954-1970). Ao longo do texto, argumenta-se que a política externa “não alinhada” aos principais blocos da Guerra Fria representou um poderoso instrumento de barganha internacional por parte do governo egípcio entre os anos de 1955e de 1967. Para respaldar essa afirmação, o texto evidencia a relação existente entre, por um lado, as melhores condições externas para a viabilização dos programas internos de desenvolvimento e, por outro, as relações ambíguas cultivadas pelo governo Nasser com Estados Unidos e União Soviética. Tais relações, por sua vez, somente foram possíveis graças a um permanente jogo de compensações de ordem geopolítica que envolvia a capacidade do governo egípcio de intervir nos interesses regionais das duas superpotências
Jeffrey Sachs e a Ajuda Oficial para o Desenvolvimento: uma releitura da Teoria da Modernização
Desde o pós Segunda Guerra Mundial, a Ajuda Oficial para o Desenvolvimento (AOD) tornou-se uma constante nos projetos de desenvolvimento do mundo capitalista para a periferia. Esse instrumento se manteve presente na agenda de desenvolvimento a despeito das mudanças na economia mundial e das críticas sofridas. Nos anos2000, aAOD se reafirmou política e teoricamente, como meio de implementação dos objetivos de desenvolvimento das Nações Unidas e pela produção acadêmica do economista Jeffrey D. Sachs. Considerando a importância de Sachs na engrenagem da estrutura internacional da AOD, é fundamental um olhar mais atento sobre sua produção intelectual. O objetivo desse artigo é uma análise da perspectiva de Sachs acerca do papel da AOD, apontando para as interseções do seu argumento com a teoria da modernização e a influência dessa linhagem teórica na concepção do autor sobre o papel da ajuda externa no desenvolvimento das sociedades presas na armadilha da pobreza
O Brasil na Guerra Fria: autonomia heterodoxa e a Política Externa Independente
Este artigo oferece um instrumental epistemológico para o debate em torno do conceito de autonomia no contexto da política externa independente (PEI) brasileira, desenvolvida no começo dos anos de 1960. No ínterim da Guerra Fria, o conceito de autonomia possibilita avaliar a participação dos países da América Latina no conflito a partir de uma concepção endógena da historiografia latino-americana, especialmente a argentina (Juan Carlos Puig) e brasileira (Hélio Jaguaribe). O objetivo deste artigo é articular e aplicar o conceito de autonomia a dois casos singulares na PEI: participação parcial na I Conferência de Belgrado (1961) e mediação na crise dos mísseis de Cuba (1962). Conclui-se que o conceito de autonomia heterodoxa de Puig, sob bases das perspectivas de viabilidade nacional e permissividade internacional de Jaguaribe, enquadra-se como lente explicativa para os dois casos