Associação Brasileira de Relações Internacionais

Carta Internacional
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    Ideologia explica tudo? O embate no legislativo brasileiro em matérias de política externa

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    De acordo com a literatura especializada, a unidade entre os partidos políticos aumenta a credibilidade da política externa, na medida em que o presidente não fica dependente de ciclos majoritários dentro do parlamento. Essa seria uma estratégia utilizada para afastar o perigo de um oponente estrangeiro explorar as disputas partidárias da arena doméstica em negociações internacionais em situações de crise. No entanto, em algumas circunstâncias, percebe-se momentos de embates que podem ser lidos, majoritariamente, como disputasideológicas, mas também, a partir da clivagem governo versus oposição e dos interesses federativos dos congressistas. Este trabalho foca nas discussões em plenário e nos pareceres contrários — momentos de conflito — no Congresso Nacional brasileiro entre os anos de 1988 e 2014. Utilizou-se o método da análise de conteúdo e da técnica da análise de correspondência para explicar esse cenário

    A cooperação Sul-Sul brasileira em HIV/AIDS: a doação de antirretrovirais como soft power do Brasil no cenário internacional

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    A cooperação Sul-Sul brasileira em saúde pode ser visualizada em vários campos da área, tais como no contexto dos bancos de leite humano, na doação de medicamentos antirretrovirais, nos projetos de combate à epidemia de HIV/AIDS em parceria com vários países e na participação com outros países no desenvolvimento de vacinas e medicamentos. No presente artigo, será analisada a cooperação Sul-Sul brasileira para o combate ao HIV/AIDS como soft power do país, por meio da doação de medicamentos antirretrovirais para países das Américas, África e Ásia entre os anos 2003 e 2016. Fontes de soft power – tais como valores políticos, a personalidade de um líder, as instituições e a política externa do país – foram utilizadas para verificar como o Brasil exerceu poder de atração para outros países no sistema internacional, facilitando, nesse sentido, a demanda dos mesmos por cooperação na área. Conclui-se, ao final, que as fontes de soft power destacadas estiveram presentes na referida cooperação

    Infiltração clandestina: a questão da diferença no pensamento latino-americano

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    Este artigo constitui um esforço de leitura de autores que se engajaram na reativação das margens como espaço de enunciação intelectual na América Latina. Nesse sentido, desenha-se uma reflexão cuja curiosidade seminal se direciona sobre o lugar em que o escritor latinoamericano joga com os signos de outro escritor, o europeu. Buscando analisar como algumas escolas enfrentaram o silenciamento epistemológico da região, o presente trabalho retoma brevemente a literatura produzida pelas teorias da dependência, pelo grupo modernidade/colonialidade e pelos intérpretes da antropofagia. A partir de tal base, argumenta-se pelo espaço de enunciação marginal reativada através de uma epistemologia capaz de estabelecer a diferença como valor crítico. Através dessas lentes, sugere-se que, em cada uma daquelas correntes, verificam-se diferentes visões e graus distintos de resistência diante da figura da Europa ou dos países centrais. Ao fim, configuram-se múltiplas modalidades de infiltraçãoclandestina, mas que compartilham da preocupação com um lócus de fala periférica

    A atuação internacional dos governos subnacionais: construções conceituais, limites e contribuições para o caso brasileiro

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    Este artigo tem por objetivo analisar o debate conceitual sobre a atuação internacional dos governos subnacionais, tendo em vista as dificuldades e limitações dos conceitos de paradiplomacia e protodiplomacia. Parte-se da hipótese de que esses conceitos são insuficientes para a compreensão de determinadas ações dos governos subnacionais que geram tensões com governos centrais. Para isso, a pesquisa se apoia em bibliografia clássica do tema, identificando o histórico desse campo de estudo na ciência política e nas relações internacionais, com destaque para as tipologias propostas pela literatura nas últimas décadas. A partir de tal base, conclui-se que a marginalização desses processos gera uma compreensão limitada da atuação dos atores subnacionais, bem como de seus impactos na política internacional. Tal revisão se faz necessária para auxiliar na identificação de lacunas conceituais e na delimitação de uma agenda de pesquisa para esse campo de estudo no Brasil

    Adensamento institucional e outreach: um breve balanço do BRICS

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    O artigo apresenta uma discussão sobre os processos de institucionalização e expansão do BRICS ao longo de suas nove cúpulas, destacando duas áreas temáticas: (i) economia política internacional – particularmente desenvolvimento internacional; e (ii) segurança internacional. A hipótese é a de que o BRICS vem passando por um processo de adensamento institucional, cuja maior expressão foi a criação do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) e do Arranjo Contingente de Reservas (ACR). Nesse processo, embora os temas de segurança internacional ganhem importância crescente, isso se deve às transformações na geopolítica do capitalismo contemporâneo. Além disso, há também um concomitante processo de outreach do BRICS. Nesse contexto, distintos padrões de adensamento institucional do arranjo podem ser notados. Concluiu-se que tanto o destaque das questões de segurança internacional quanto o processo de outreach com relação a outros países sofre uma influência direta do país que hospeda a cúpula. Ainda assim, o adensamento institucional ocorre em larga medida nas questões associadas à economia política internacional e, em particular, à questão do desenvolvimento internacional – uma espécie de “caminho de menor resistência” – embora não se deva perder de vista os avanços ocorridos nas últimas cúpulas nas questões de segurança internacional

    A economia da Rússia no século 21: as dinâmicas da ascensão econômica e da relativa estagnação após a crise global de 2008

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    O desempenho da economia da Rússia na primeira década após o esfacelamento político da União Soviética foi marcado por instabilidades macroeconômicas e por uma profunda recessão econômica. Esse cenário reverteu-se a partir do início do século 21 quando o país entrou em um novo ciclo de expansão econômica marcada por uma expressiva aceleração das taxas de crescimento do PIB. Contudo, a partir da década de 2010, a economia russa perdeu dinamismo e o processo de convergência de renda com os países desenvolvidos estagnou-se novamente. O principal objetivo do artigo é fazer uma análise do processo deascensão econômica da Rússia e do atual quadro de relativa estagnação a partir da eclosão da crise global de 2008. Os resultados apontam que o quadro de relativa estagnação da economia da Rússia não está ligado somente a fatores conjunturais, como a queda dos preços das commodities energéticas nos mercados internacionais e o acirramento das tensões geopolíticas com o mundo ocidental, mas refletem também, em grande medida, fragilidades domésticas da economia russa

    Expectativas promissoras: comércio e perspectivas de cooperação bilateral nas relações Brasil–União Soviética (1964-1967)

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    Este artigo busca compreender a dinâmica das relações entre Brasil e União Soviética logo após o golpe civil-militar de 1964. Apesar da retórica anticomunista, das arbitrariedades e perseguições a elementos considerados subversivos e comunistas brasileiros, o regime que se instalou após a tomada de poder em abril de 1964 permanecia interessado na manutenção de boas relações com a superpotência euroasiática. Argumenta-se que o comércio tevepapel relevante nesse período, levando à busca por uma institucionalização das relações interestatais, visando a retomada das conversações acerca de assistência soviética a grandes projetos de infraestrutura no país. Dentro dessa chave de entendimento, a URSS poderia desempenhar um papel relevante na industrialização do Brasil. Em 1967, o Brasil retomava o posto de principal parceiro comercial da URSS na América Latina (excetuando-se Cuba). No entanto, as cifras eram inferiores em comparação às trocas no biênio 1962-63. Este artigo busca evidenciar como esforços de reaproximação foram importantes para moldar ações de cooperação econômica e estratégica posteriores entre os dois países

    Suma Qamaña as a strategy of power: politicizing the Pluriverse

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    The “pluriverse” has recently gained momentum in International Relations among scholars focused on ontological pluralism. Nevertheless, theoretical debates may obscure several political tensions observed in local experience. In this paper, I analyze narratives on Suma Qamaña, which synthesizes Aymara cosmology and is both reproduced and criticized by political actors in Bolivia. I argue that the discourse on Suma Qamaña entails a strategy of power by both Aymara people and the government. The paper is developed in three parts: first, I examine the term`s framing in literature, Suma Qamaña`s risen in Bolivian society and its connection to the reconstruction of Aymara identity. Then, I analyze Suma Qamaña`s insertion into governmental discourse. Finally, I stress power disputes over Suma Qamaña. I suggest that the emphasis attributed by IR academics to its ontological potential without considering this strategic facet might lead them to depoliticize the term, reproducing a similar pattern advanced by other theorists and the government

    Da Indiferença ao Engajamento: a participação da China em operações de paz das Nações Unidas1

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    A China ingressa na Organização das Nações Unidas (ONU) em 1971, mas mantém uma postura de distanciamento e desconfiança praticamente durante toda primeira década como membro oficial. Hoje, os chineses estão entre os principais contribuidores de pessoal para as operações de paz, enviando desde equipes de apoio a batalhões de infantaria, sendo o membro mais ativo nesse sentido entre aqueles com assento permanente no Conselho de Segurança. O que explica tal mudança de comportamento? Quais fatores determinam a participação da China em missões de paz? O objetivo central do presente artigo é apresentar um panorama da literatura sobre o assunto, tendo em conta a variada gama de fatores causais identificados e a possibilidade de agrupá-los em categorias explicativas mais amplas. A metodologia utilizada ainda lança mão de ferramentas de estatística descritiva. Com esse empreendimento, espera-se prestar uma contribuição para os estudos sobre política externa chinesa em geral, com foco específico nas relações China-ONU e no engajamento de Pequim nas operações de paz

    Governança Global da Internet: Um mapa da Economia Política Internacional em torno dos identificadores alfanuméricos da rede

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    Este artigo objetiva analisar a formação do regime internacional privado em torno da “raiz” do Sistema de Nomes de Domínio (DNS) da Internet. O problema que orienta este texto é: qual a relação da constituição desse regime e a emergência de novos mecanismos de governança global? Este artigo objetiva detalhar de forma sintética tal evolução, pontuando a forma pela qual os diferentes arranjos de governança do DNS relacionam-se com a economia política internacional em uma perspectiva mais ampla. Para isso, o texto divide-se em três seções. A primeira seção apresenta e explica o DNS, em sua dimensão técnica e política. A segunda seção empreende uma retrospectiva da governança da Internet até o presente momento. Sintetiza-se essa retrospectiva pela lente interpretativa de uma análise sistêmica de longa duração. Na terceira seção, explica-se de que forma os desdobramentos da transição da autoridade sobre o DNS podem relacionar-se com a conformação de transformações na governança global e aponta-se para os caminhos pretendidos para o aprofundamento do tema. Ao fim, o trabalho procura apontar os aspectos práticos e teóricos que merecem ser considerados na agenda de ensino e pesquisa do campo

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