Journal of the Portuguese Society of Dermatology and Venereology
Not a member yet
757 research outputs found
Sort by
Determinantes do Tempo de Sobrevivência do Metotrexato na Psoríase: Análise Retrospetiva de 10 Anos do Registo DERMA.PT
Introduction: Methotrexate has been used in the systemic treatment of psoriasis since 1950 and remains a first-line drug. It is important to assess the factors that influence its discontinuation. The aim of the authors was to identify determinants of drug survival of metho- trexate in patients with psoriasis.
Methods: A retrospective analysis was performed concerning patients who started psoriasis treatment with methotrexate between January 2010 and January 2020 and were included in the national registry DERMA.PT by the Centro Hospitalar Universitário São João.
Results: A total of 146 patients with psoriasis treated with methotrexate alone or in combination with phototherapy were identified. Most were male (55%), with a mean age of 51±13 years and 65% had psoriasis for more than 10 years. Psoriasis vulgaris (49%) and psoriatic arthritis (47%) were the most common forms of psoriasis, with a mean initial PASI of 10.7±5.6. The majority of patients were methotrexate-naïve. In total, 66 (45%) patients discontinued treatment, with a mean survival time of 18.0±15.5 months. The most common reasons for discontinuation were ineffectiveness (32%), poor compliance (18%) and gastrointestinal intolerance (11%). Previous treatment with cyclosporine and the presence of psoriatic arthritis had both statistically significant associations with the discontinuation of methotrexate. In most cases, a switch to anti-TNFα monoclonal antibody was performed.
Discussion: In recent years, retrospective studies have been published focusing on the drug survival of methotrexate in psoriasis, ranging from 12 to 21 months. The main reasons for discontinuation were ineffectiveness and adverse effects, namely gastrointestinal. Our study is in line with what has been described but stands out for the high percentage of patients who maintained treatment. The tremendous evolution in the treatment of psoriasis over the 10-year period of the study greatly influenced the results. The main limitation of this analysis results from its re- trospective nature.
Conclusion: The results are in agreement with the published survival characteristics of methotrexate and reinforce its importance and role of this drug in the treatment of this disease.Introdução: O metotrexato é utilizado no tratamento sistémico da psoríase desde 1950, continuando a ser um fármaco de primeira linha. É importante avaliar os fatores que influenciam a sua descontinuação. O objetivo dos autores foi identificar determinantes do tempo de so- brevivência do metotrexato em doentes com psoríase.
Métodos: Foi realizada uma análise retrospetiva dos doentes incluídos no registo nacional DERMA.PT pelo Centro Hospitalar Universitário São João e que iniciaram tratamento para a psoríase com metotrexato entre janeiro de 2010 e janeiro de 2020.
Resultados: Foram identificados 146 doentes com psoríase tratados com metotrexato em monoterapia ou em associação com fototerapia. A maioria era do sexo masculino (55%), com idade média de 51±13 anos e com psoríase há mais de 10 anos. A psoríase vulgar (49%) e a psoríase artropática (47%) foram as formas mais comuns de psoríase, com um PASI inicial médio de 10,7±5,6. A maioria dos doentes era naïve para o tratamento com metotrexato. No total, 66 (45%) doentes descontinuaram o tratamento, com um tempo médio de sobrevivência do fármaco de 18,0±15,5 meses. As razões mais comuns de descontinuação foram ineficácia (32%), má adesão terapêutica (18%) e intolerância gastrointestinal (11%). O tratamento prévio com ciclosporina e a presença de artrite psoriática associaram-se ambos à descontinuação do metotrexato (estatisticamente significativo). Na maioria dos casos, foi realizado switch para anticorpo monoclonal anti-TNFα.
Discussão: Nos últimos anos, foram publicados estudos retrospetivos com enfoque no tempo de sobrevivência do metotrexato na psoríase, que revelaram um tempo médio entre 12 a 21 meses. As principais razões de descontinuação foram a ineficácia e os efeitos adversos, nomeadamente gastrointestinais. O nosso estudo está em linha com o descrito mas destaca-se pela elevada percentagem de doentes que mantiveram o tratamento. A tremenda evolução no tratamento da psoríase ao longo dos 10 anos do estudo influenciou grandemente os resultados. A principal limitação desta análise resulta do facto de ser um estudo retrospetivo.
Conclusão: Os resultados estão de acordo com as caraterísticas de sobrevivência do metotrexato publicadas e reforçam a sua importância e o seu papel no tratamento desta doença.
 
Utilidade da Ecografia Cutânea na Celulite Dissecante: A Propósito de 2 Casos Clínicos
Cellulitis dissecans and folliculitis decalvans may present, in early stages, a similar clinical picture. This article presents the ultrasound findings of dissecting cellulitis that help in the diagnosis and treatment. Ultrasound is not a substitute for observation, trichoscopy and histopathology, but it may help with diagnosis. In the active phase, non-encapsulated ovoid lesions of relatively well-defined edges with hypoechogenic content, which communicate with the dermis through the enlarged bulbs of hair follicles, were observed. It allows distinction from folliculitis decalvans and from a trichilemmal cyst (in case of single or few lesions) and, by allowing the assessment of inflammation when combined with color Doppler, it can monitor inflammation and therapeutic response. The authors share 2 illustrative clinical cases and a review of the literature on the topic.Celulite dissecante e foliculite decalvante podem apresentar, em estágios iniciais, quadro clínico semelhante. Este artigo apresenta os achados ecográficos da celulite dissecante que auxiliam no diagnóstico e na abordagem terapêutica. A ecografia não se substitui à observação, tricoscopia e histopatologia mas pode ajudar ao diagnóstico. Em fase activa, observam-se lesões ovóides de bordos relativamente bem definidos, não encapsuladas, com conteúdo hipoecogénico que comunica com a derme através dos bulbos dilatados de folículos pilosos. Permite distinção com foliculite decalvante, com quisto de triquilema (no caso de lesão única ou poucas lesões) e ao permitir avaliar a inflamação quando combinado com Doppler a cores, poderia servir para monitorizar o controlo da inflamação e a resposta terapêutica. Os autores compartilham 2 casos clínicos ilustrativos, sendo apresentada uma revisão da literatura sobre o tema
Uretrite Masculina Causada por Trichomonas vaginalis
Trichomoniasis is one of the most common sexually transmitted infections worldwide. In women, Trichomonas vaginalis infection may present with vaginitis, cervicitis, or pelvic inflammatory disease, while in men it is mainly asymptomatic or causes mild and transient symptoms of urethritis, epididymitis, or prostatitis. In the past, little importance had been given to the impact of T. vaginalis infection on men’s health, since it was believed to be a self-limited condition without sequelae. However, there is growing evidence it is associated with more serious disorders in both men and women and efforts to diagnose and treat this parasitic infection have increased. Recent advances in testing for sexually transmitted diseases using multiplex molecular assays have increased diagnostic opportunities for T. vaginalis infection, especially in men, as detection of the parasite by traditional methods is much more challenging. We describe an unusual case of male urethritis caused by T. vaginalis observed in our consultation of Sexually Transmitted Infections.A tricomoníase é uma das infeções sexualmente transmissíveis mais comuns em todo o mundo. Nas mulheres, a infeção por Trichomonas vaginalis pode causar vaginite, cervicite e doença inflamatória pélvica, mas nos homens é habitualmente assintomática ou causa apenas sintomas ligeiros e transitórios de uretrite, epididimite ou prostatite. No passado, pouca importância foi dada ao impacto da infeção por T. vaginalis na saúde masculina, uma vez que se acreditava tratar-se de uma condição autolimitada sem sequelas. Contudo, a evidência crescente de que está associada a doenças mais graves, tanto no homem, como na mulher, aumentou os esforços para o diagnóstico e tratamento desta infeção parasitária. Avanços recentes no despiste de doenças sexualmente transmissíveis usando testes moleculares com painéis múltiplos aumentaram as oportunidades de diagnóstico da infeção por T. vaginalis, especialmente em homens. Nestes, a deteção do parasita por métodos tradicionais é mais difícil. Descrevemos um caso de uretrite masculina causada por T. vaginalis observado na nossa consulta de Infeções Sexualmente Transmitidas
The Rejuvenescimento da Mão com Hidroxiapatita de Cálcio Guiado por Ultrassom
Volumizing the dorsal hand is one of the anatomical regions most frequently requested during the last decade. Calcium hydroxyapatite is the material used for this procedure since its beginning, due to its several benefits. However, despite the consensus among doctors of the dermal filler to be applied, there is little consensus on the most adequate injection technique. This variation in methods is due to the divergence between anatomical studies in this region. With the presentation of two cases treated with the calcium hidroxiapatite injection under ultrasonography, and a review of the literature we intend to show the advantages of this injection method with confirmation of the correct plan to inject this material through ultrasound.A volumização do dorso da mão é uma das regiões anatômicas mais frequentemente requisitadas durante a última década. A hidroxiapatita de cálcio é o material consagrado para esse procedimento desde o seu início, devido a seus diversos benefícios. Porém, apesar de consenso entre os médicos do preenchedor dérmico a ser aplicado, o mesmo não ocorre com a técnica a ser escolhida. Essa variação de métodos é devida à divergência entre os estudos anatômicos dessa região. Apresentamos dois casos tratados com hidroxiapatita de cálcio injetado pelo método ...... com controlo ultrassonográfico e, revisamos a literatura a fim de demonstrar o benefício do método de injeção confirmando o plano anatômico correto através de ultrassonografia
Biomarcadores na Urticária Crónica Espontânea
Introduction: At present, the understanding about chronic spontaneous urticarial (CSU) is relatively scarce, particularly with regard to its etiopathogenesis. Due to the lack of data on etiology, the available treatment is only aimed at symptomatic control, with the majority of patients being resistant both to the first and second lines of therapy. Taking into account the impact that CSU may have on the patient and the current difficulties in its control, investigation of biomarkers that predict response to treatment if highly needed.
Methods: A review was conducted on biomarkers that allow guiding the therapeutic escalation of these patients in clinical practice, allowing a more effective and early control of urticaria.
Results: Many biomarkers are being studied to predict response to therapy, but definitive results are still missing. Nevertheless, most studies point out that a high C-reactive protein or D-dimer, as well as autoimmune-based urticaria, are usually linked to a poor response to anti-H1. In which concerns the two subtypes of auto-immunity involved in CSU, if IgG anti-FcεRI or anti-IgE predominates (autoimmunity type IIb), patients usually have a positive autologous serum skin test (ASST), a positive basophil activation test (BAT), basopenia, eosinopenia and low or very-low total serum IgE, and response to omalizumab will be slow and/or poor, but there is tendency to a favourable outcome on cyclosporine. If IgE anti-self predominates (autoimmunity type I or autoallergy), response to cyclosporine will be poor, but positive and rapid to omalizumb, and these patients usually have a normal or high IgE that will increase after omalizumab therapy, whereas the other parameters typical of type IIb are absent. High D-dimer predicts an unfavourable response to the three therapies.
Conclusion: In CSU resistant to second-generation antihistamines, patients who respond favourably to cyclosporine and slowly to omalizumab have mostly underlying type IIb autoimmunity, whereas patients refractory to cyclosporine therapy, but who respond rapidly to omalizumab, have underlying type I or auto-allergic autoimmunity. These subtypes can be indirectly evaluated by total serum IgE, blood cell count, ASST and BAT, but more studies with large cohorts are needed to have more correct predictive data on patients’ response to therapy in CSU.Introdução: Atualmente, a compreensão sobre a etiopatogenia da urticária crónica espontânea é escassa. Devido à carência de dados sobre a sua etiologia, o tratamento disponível tem apenas como objetivo o controlo sintomático, com a maioria dos doentes a serem resistentes à primeira e segunda linha terapêutica (anti-H1 de segunda geração). Tendo em conta o seu impacto no doente e o difícil controlo sintomatológico, surgiu a necessidade de investigar marcadores de resposta ao tratamento da urticária crónica espontânea.
Métodos: Realizou-se uma revisão sobre biomarcadores que permitem guiar na prática clínica a escalada terapêutica destes doentes, permitindo um controlo mais eficaz e precoce da urticária.
Resultados: Na urticária crónica espontânea (UCE) têm sido investigados muitos biomarcadores, mas são ainda escassos e por vezes contraditórios os resultados sobre a sua capacidade de prever a resposta à terapêutica. A maioria dos estudos é concordante na menor reatividade aos anti-H1 perante níveis de PCR ou D-dímeros elevados e nas formas de UCE autoimunes. Neste último caso, se predominarem anticorpos IgG anti-FcεRI ou anti-IgE (autoimunidade tipo IIb), os doentes habitualmente têm o teste do soro autólogo e o teste de ativação dos basófilos positivos, basopenia, eosinopenia e IgE sérica total baixa ou muito baixa, e a resposta ao omalizumab costuma ser pobre e/ou lenta, mas tendencialmente favorável à ciclosporina. Se predominar a IgE anti-self (autoimundade tipo I ou autoalergia) a IgE sérica total é normal ou elevada, na ausência dos marcadores característicos da autoimunidade IIb, e a resposta à ciclosporina é pobre, mas bastante favorável e rápida ao omalizumb. A elevação dos D-dímeros prediz uma reposta desfavorável aos três fármacos.
Conclusão: Na UCE resistente aos anti-histamínicos de segunda geração, habitualmente com PCR e D-dímeros elevados, os doentes que respondem favoravelmente à ciclosporina e lentamente ao omalizumab têm normalmente uma autoimunidade tipo IIb subjacente e os doentes refratários à terapêutica com ciclosporina e que respondem rapidamente ao omalizumab têm subjacente uma autoimunidade tipo I ou autoalérgica. Estes subtipos podem ser indiretamente avaliados pelos níveis séricos de IgE total, pelos valores de basófilos e eosinófilos circulantes e pelos testes do soro autólogo e de ativação dos basófilos. Contudo, são ainda necessários mais estudos para estabelecer biomarcadores mais precisos que auxiliem na seleção da escalada terapêutica
Influência da Disbiose na Patologia do Couro Cabeludo
Nos últimos anos vários estudos demonstraram a implicação da microbiota intestinal em várias doenças de mediação imune como a diabetes, a colite ulcerosa e a esclerose múltipla. Existem poucos dados sobre o microbioma folicular e o seu papel na patogénese de doenças que afetam o couro cabeludo, sendo uma área de investigação crescente. Alguns estudos mostram influência da disbiose nestas doenças, podendo a manipulação do microbioma representar uma possível opção terapêutica. Este artigo procura rever o conhecimento atual relativo ao impacto da disbiose nas doenças dermatológicas do couro cabeludo, como dermatite seborreica, psoríase, alopécia areata, alopécia androgenética, líquen plano pilar, alopécia fibrosante frontal e foliculite decalvante. Uma compreensão alargada deste tema poderá sugerir tratamentos adicionais além das terapêuticas convencionais.In recent years, several studies have demonstrated the involvement of the intestinal microbiota in immune-mediated diseases such as diabetes, ulcerative colitis, and multiple sclerosis. There are few data on the follicular microbiome and its role in the pathogenesis of scalp diseases. Some studies show influence of dysbiosis on these diseases, and manipulation of the microbiome may represent a possible therapeu- tic option. This article reviews current knowledge regarding the impact of dysbiosis on dermatological diseases of the scalp, such as seborrheic dermatitis, psoriasis, alopecia areata, androgenetic alopecia, lichen planus pilaris, frontal fibrosing alopecia and decalvant folliculitis. A broader understanding of this may suggest additional treatments beyond conventional therapies
Lupus Vulgar: Um Diagnóstico Desafiador
Lupus vulgaris is a clinical variant of cutaneous tuberculosis, a rare subtype of extrapulmonary infection caused by the Mycobacterium tuberculosis complex. A paucibacillary form associated with high degrees of immunity, predominantly in the face, may present several clinical and histopathological differential diagnoses, which makes its diagnosis challenging. We present a case of lupus vulgaris in an immunocompetent patient, whose initial clinical presentation and histopathology did not suggest the condition. The objective is to highlight the relevance of the hypothesis of cutaneous tuberculosis as an important differential diagnosis, especially in endemic areas.Lúpus vulgar é uma variante clínica de tuberculose cutânea, subtipo raro de infecção extrapulmonar causada pelo complexo Mycobacterium tuberculosis. Forma paucibacilar associada a alto grau de imunidade, predominantemente na face, pode apresentar vários diagnósticos diferenciais clínicos e histopatológicos, o que torna seu diagnóstico desafiador. Apresentamos um caso de lúpus vulgar em paciente imunocompetente, cuja apresentação clínica e histopatológica iniciais não sugeriam o diagnóstico. O objetivo é ressaltar a relevância da hipótese de tuberculose cutânea como importante diagnóstico diferencial, principalmente em áreas endémicas