Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) Unicamp (Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP),: Sistema Eletrônico de Editoração): Revistas
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Jane Austen e a internet: análise de uma comunidade de fãs
O presente trabalho centra-se no estudo de um fandon – comunidade virtual de fãs de uma determinada obra literária ou autor – da escritora inglesa Jane Austen (1775-1817). Esse domínio dos fãs permite a interação instantânea dos usuários, que trocam opiniões, críticas, reinterpretações e recriações em diferentes formas textuais, apresentando uma nova forma de recepcionar o texto literário. Os objetivos da pesquisa são entender a dinâmica de um fandon, a relação desses fãs com a autora e suas obras, bem como a constante presença de Austen atualmente. Para isso, foi observado os aspectos gerais mais relevantes e expressivos da comunidade de fãs da autora, com enfoque na análise de uma postagem produzida por esses leitores
Jornal do interior, objeto e fonte: o Diário de Notícias
No presente estudo, pretendemos articular o uso metodológico dos jornais impressos enquanto fontes para o conhecimento, assim como objetos de pesquisa nas investigações em comunicação. O objetivo é compreender como essa relação se dá na imprensa interiorana, que tem singularidades que a diferenciam dos veículos de comunicação das grandes metrópoles. A exploração do campo jornalístico parte das análises textuais das mensagens, encaradas como produtoras de significados e intencionalidades, que são parte do processo comunicativo, pensando a imprensa como representação de uma parcela social. Os órgãos de comunicação também são vistos como órgãos de poder, colaborando para afirmar a escolha da imprensa escrita como fonte de estudo das ciências humanas e sociais. O uso da imprensa escrita como fonte de pesquisa teve início no século XX, quebrando a antiga tradição positivista e propondo novos modelos científicos de investigação. A utilização dos impressos como fonte documental – neste caso, análise da imprensa escrita – enuncia discursos e expressões que levam em consideração as subjetividades e que também ressignificam abordagens políticas e culturais. O corpus deste trabalho é o periódico Diário de Notícias, de Ribeirão Preto, interior paulista, em 1960. O matutino era dirigido pela arquidiocese do município, tendo grande circulação na região. A escolha do recorte temporal deve-se às inúmeras discussões políticas do período, que contribuíram para enriquecer a pesquisa. Ao voltarmos nosso olhar para o interior do Brasil, é possível perceber novas culturas e especificidades que também são partes da identidade nacional. Assim, podemos vislumbrar as conjunturas dos comportamentos e as práticas sociais mediadas pelo jornalismo, e colaborar para o diálogo sobre novas perspectivas de estudos científicos na área da comunicação, bem como sobre o emprego da metodologia jornal como objeto e fonte na produção e difusão científica no campo comunicacional
A divulgação científica sobre células-tronco do cordão umbilical e placentário na imprensa e no cotidiano médico-científico de serviços privados
O armazenamento das células-tronco do cordão umbilical e placentário tem produzido um amplo debate nas ciências e na imprensa. Os bancos privados de armazenamento do sangue do cordão umbilical e placentário têm se apresentado às famílias como solução de cura para doenças existentes, patologias que ainda não foram identificadas, e ainda as que possam ser detectadas futuramente. Segurança, mitigação de riscos e esperança na cura de doenças são alguns dos objetivos que fazem mães e pais contratarem os referidos bancos. Segundo o Relatório de Produção 2003-2010 dos Bancos de Sangue do Cordão Umbilical e Placentário para Uso Autólogo (BSCUPA), feito pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), foram armazenadas, no período de sete anos, 45.661 unidades de sangue do cordão para uso autólogo (uso próprio), sendo utilizadas 8 unidades: 3 para transplante autólogo e 5 para uso aparentado. Já a Rede BrasilCord, que aglutina os bancos públicos de armazenamento, tem 19 mil unidades armazenadas desde 2001, e cerca de 175 já foram usadas em transplantes. Como problema de pesquisa, discutimos os regimes de “esperança” e “verdade” (MOREIRA e PALLADINO, 2005) que estão sempre em tensão ou acoplamento, em processos de ordenação e reordenação em torno da eficácia clínica das células-tronco do cordão umbilical que perpassam transversalmente as publicações na mídia. Este trabalho pretende analisar as redes que constituem a divulgação científica dessas pesquisas no contexto da mídia impressa e especializada, e estudar a relação entre profissionais da saúde e usuários nos serviços privados. Os dados abrangem o período de 2002 a 2014, e foram levantados nos sites de quatro jornais nacionais de circulação geral (Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo e Jornal do Brasil) e cinco especializados (Ciência Hoje Online, Revista Pesquisa Fapesp, Agência Fapesp, Agência USP de Notícias e Revista ComCiência)
As vozes da reorganização escolar na cobertura dos portais Uol e Folha de S.Paulo
Este artigo investiga as notícias publicadas pelos portais Uol e Folha de S.Paulo, no período de setembro a dezembro de 2015, sobre o projeto de reorganização escolar proposto pelo Governo do Estado de São Paulo. Ele identifica quais as fontes de informação citadas nas notícias, isto é, governo, especialistas em educação, estudantes secundaristas etc., e quais os principais argumentos indicados para defender ou criticar a reorganização escolar. Partindo da discordância de avaliação sobre os sentidos e efeitos da proposta por parte do governo, de um lado, e de universidades e assessorias em educação, de outro, estas últimas como representantes do conhecimento especializado na área, o estudo dá destaque aos argumentos apresentados por esses dois grupos de atores. Com algumas diferenças entre os dois portais analisados, os dados levantados mostram que as vozes do governo foram as que prevaleceram como fontes nas notícias. As universidades e assessorias educativas e de pesquisa representaram uma parcela muito pequena das fontes. A presença da fala de ambos também se mostrou diferente nos portais, com maior destaque para a fala do governo no portal Folha de S.Paulo e das universidades no portal Uol. A pesquisa sobre as vozes da reorganização escolar que aparecem nas notícias pode se configurar como um dado interessante a ser somado ao debate sobre o papel da divulgação científica das universidades, sobretudo tendo em vista a participação destas no debate público
ἬΕΙΔΕΝ Δ\u27 ὩΣ: Uma cosmogonia órfica nas Argonáuticas?
Em artigo recente, Karanika (2011) avaliou a representação de Orfeu nas Argonáuticas, de Apolônio de Rodes, chegando a dois aspectos principais de sua atuação que se entrelaçam pelo critério da “ordem”: 1) colonizador e 2) líder religioso. Partindo dessa tipologia, pretendo focar-me no último ponto e analisar a breve cosmogonia narrada por Orfeu (vv. 494-515), comparando-a com outros textos para tentar determinar de que modo Apolônio se insere nessa tradição e se ele faz uso de elementos necessariamente órficos para a composição da passagem em questão
Amor nos tempos de Internet: do correio elegante ao Spotted
Se compararmos as interações sociais que ocorriam há vinte anos com as de hoje, veremos que nos socializamos de maneiras diferentes de outrora, já que, graças às redes sociais, as relações interpessoais e as produções de conteúdos estão sendo mediadas, moldadas, influenciadas e proporcionadas pelas novas tecnologias. Neste artigo, buscaremos descrever e analisar a página Spotted 2.0 – Because true love never dies, criada em julho de 2013 para alunos da Unicamp, através da qual os usuários podem procurar pessoas novas, mas que pertencem a um mesmo contexto geográfico e institucional, para a construção de uma amizade ou de um relacionamento amoroso com base nos interesses em comum. Para isso, partiremos da hipótese de que essa ferramenta se apresenta como uma versão online e melhorada do Correio Elegante
O Rapto das Sabinas: amor e poder em Tito Lívio e Ovídio
No presente estudo, apresentam-se os primeiros resultados de pesquisa sobre os cultos e festas sagradas (ludi) mencionados no primeiro livro da obra historiográfica Ab Vrbe Condita (lit. “Desde a fundação da Cidade”), escrita por Tito Lívio (59 a.C. – 17 d.C.). Aqui, vamos nos concentrar no episódio mitológico do rapto das mulheres sabinas (Liv. I.9.1-16), que trata da miscigenação dos romanos com o povo vizinho, apresentando-a como essencial para a fundação da cidade. Para melhor apreciar as noções envolvidas no discurso do historiógrafo, a narrativa do rapto será comparada à que o poeta Ovídio (43 a.C. – aprox. 17 d.C.), também autor atuante no período augustano, oferece aos leitores de sua Arte de Amar (Ars amatoria ou Ars amandi). Apreciando os excertos analisados, constatamos o quanto Tito Lívio efetivamente retrata tal miscigenação como tendo sido essencial para a fundação da cidade: para tanto, contribuem surpreendentes efeitos estilísticos de sua narrativa historiográfica
Marcial/praeceptor amoris: aproximações intertextuais entre a elegia erotodidática ovidiana e os epigramas 2. 41, 11. 104 e 1.34
O objetivo deste artigo é analisar os epigramas 2. 41, 11. 104 e 1. 34, de Marcial, em relação a seus intertextos pertencentes aos Amores, à Ars amatoria e à Remedia Amoris de Ovídio. Nestes três epigramas, revela-se um ego poético que emula o praeceptor amoris. Todavia, ao estar regido pelo código epigramático, há transformações da matéria elegíaca. Inserida em função do contexto do epigrama escóptico, a puella – objeto de desejo na elegia – torna-se objeto de invectiva e sua figura e comportamento servem para atingir a pointe epigramática. Por meio da análise intertextual dos poemas, procura-se demonstrar que a presença do intertexto ovidiano na obra de Marcial vai além de ecos linguísticos e repetições léxicas verbatim, uma vez que oferece também uma matéria a ser tratada e um modelo para a configuração de seu ego poético como praeceptor
Ítalo Calvino e os clássicos: Lucrécio nas seis propostas para o próximo milênio
Neste artigo, trataremos da presença do poeta romano Tito Lucrécio Caro (c. 99 a.C. – c. 55 a.C.) no capítulo sobre a “Leveza” em Seis Propostas para o próximo milênio, obra póstuma de Ítalo Calvino (1923 – 1985). Nosso objetivo é observar que aspectos da poesia lucreciana contribuem para sua leveza, apontada pelo autor moderno como paradigma para a literatura na era atual. Para tanto, vamos observar as passagens em que Calvino se refere a Lucrécio, e, ao analisar os excertos respectivos da obra latina, apreciaremos algumas de suas características poéticas