Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) Unicamp (Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP),: Sistema Eletrônico de Editoração): Revistas
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    Cesura e música nas odes sáficas de Horácio

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    Notoriamente, a estrofe sáfica é composta pela justaposição de três hendecassílabos sáficos, sendo o último arrematado por um adoneu. Na composição da estrofe sáfica, Horácio assume preferências prosódicas mais estritas do que seu modelo eólio – do qual nos restam fragmentos de Safo e Alceu. Segundo defende Luigi Rossi: 2009, os quatro livros de odes de Horácio parecem ter sido elaborados para a leitura, e nisso se diferenciam dos modelos arcaicos, compostos para a execução musical. O ponto fulcral da teoria do estudioso é a análise estatística da incidência de cesuras ao longo de três fases – quinquenais – da produção do poeta. Levanto aqui alguns aspectos das cesuras na estrofe sáfica horaciana que podem alterar algo da percepção dessa teoria

    Engajamento literário: perspectiva de Noel, personagem-escritor de Caminhos Cruzados

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    Este trabalho analisa o personagem-escritor Noel, de Caminhos Cruzados, buscando mostrar como suas reflexões e diálogos com outros personagens contribuem para a discussão acerca do engajamento literário. Para isso, uma breve contextualização dessa problemática foi feita. No entanto, o foco maior foi o estabelecimento de uma relação entre a discussão da função social da literatura dentro da própria forma literária e o contexto de produção da obra Caminhos Cruzados, já que no Brasil dos anos 30 – cenário de forte polarização política e ideológica – era exigida dos escritores uma literatura engajada que fosse assumidamente partidária. Diante desse contexto, averiguou-se como a defesa de uma literatura não panfletária mas ao mesmo tempo social por parte de Erico Verissimo refletiu-se na elaboração de Caminhos Cruzados e na construção do personagem-escritor Noel

    Leitura, escrita e escola: Mares muito pouco navegados para além da taprobana...

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    Todas las voces: o rádio mediando saberes da América Latina

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    Foz do Iguaçu se situa na fronteira entre o Brasil, o Paraguai e a Argentina, países que compartilham realidades socioeconômicas semelhantes. A fronteira configura-se, entretanto, como território de confluências e intercâmbios de culturas e idealismos da América Latina e Caribe. Essas confluências e intercâmbios circulam na Unila, Universidade Federal da Integração Latino-Americana, por meio de alunos e professores vindos de todo o continente. A jovem instituição ainda não tem meios de comunicação consolidados, mas busca reafirmar laços comunitários locais. Considerando nossa experiência com rádios comunitárias e educativas, elaboramos, em 2015, o projeto Todas las Voces, a fim de capacitar jovens para a produção de uma rádio-revista sociocultural bilíngue, para veicular atualidades e divulgar ações de extensão da universidade. Enquanto os sistemas de comunicação hegemônicos buscam consolidar comportamentos padronizados, faz-se urgente articular boas iniciativas nesse campo, para que vozes dissonantes encontrem outras formas de serem ouvidas. Segundo Deliberator (informação verbal), os projetos de extensão “funcionam como uma via de mão dupla com trânsito assegurado à comunidade acadêmica, que encontrará, na sociedade, a oportunidade de elaboração da práxis de um conhecimento acadêmico”. Este trabalho busca analisar esses aspectos, entre outros: a forma como os participantes iniciaram na rádio a abordagem dos temas que pesquisam e com os quais trabalham e se identificam; a metodologia utilizada; as particularidades da produção digital; a pesquisa de sonoridades latinas. Dos resultados alcançados, ressaltamos o diálogo efetivo de saberes por meio da prática, da mediação e da transmissão e, sobretudo, por meio da interação entre os participantes e a comunidade, da parceria com uma web-rádio jovem, do estímulo à reflexão e à valorização do papel do comunicador como ator e promotor de cidadania. A equipe formada deseja prosseguir com o projeto, e já se articula para servir de multiplicadora junto a jovens interessados em atuar na rádio

    As potências do prosear com o público de museu de ciências

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    Este artigo apresenta o resultado parcial de uma investigação de mestrado que traz diálogos da literatura, relativa especificamente à pesquisa acadêmica na área de museus de ciência, envolvendo os desafios postos para estes no século XXI em sua relação com o público. Abordamos questionamentos sobre as pesquisas acadêmicas na perspectiva da interatividade em museus de ciências, promovendo provocações sobre a nova tendência de se pesquisar o público por meio do diálogo e de autonarrativas como importantes instrumentos de investigação, no intuito de revelar características desse relacionamento para além do que já está notório nas pesquisas acadêmicas

    Descobrindo a alma das ruas: passeios pelo Rio de Janeiro da Belle Époque

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    No início do século XX, o Rio de Janeiro, então capital do Brasil, passava por uma série de reformas estruturais e estéticas, principalmente durante a gestão de Pereira Passos. Tais reformas, inspiradas, sobretudo, em modelos parisienses, foram parte importante daquilo que chamamos de Belle Époque carioca, um período em que as aspirações de civilização baseadas nos moldes europeus foram intensamente cultivadas. A literatura não deixou de retratar toda a afetação da elite carioca, todo o luxo que chegava ao país, mas retratou também como se dava a dinâmica social entre aqueles que não desfrutavam dos benefícios trazidos pela época. Este trabalho intenta, então, a partir da obra A alma encantadora das ruas, de João do Rio, realizar uma reflexão sobre a sociedade da época, seguindo, para isso, a busca pela alma das ruas empreendida pelo autor

    Tradução anotada da introdução (M 1. 1-40) do Contra os Professores (M 1-6) de Sexto Empírico: argumentação geral contra a existência do ensino.

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    Tradução anotada da introdução (M 1. 1-40) - ou parte inicial - do Contra os Professores, incluída no primeiro livro: Contra os Gramáticos, escrito pelo filósofo cético Sexto Empírico (II d.C). O filósofo expõe, nesse momento, um ataque geral contra as disciplinas por meio do que lhes é comum, i.e., os elementos essenciais do ensino: conteúdo, método, aluno e professor (os dois últimos atacados em conjunto). As aporias aqui direcionadas de forma generalizada às disciplinas do ciclo (enkuklia mathemata) valem-se de paradoxos comuns desde a Primeira Sofística, e foram em outras obras sextianas (M 11. 170ss; PH 3. 239ss) desenvolvidas contra o ensino da ‘arte de viver’ (tekhne peri ton bion) dos estoicos. As notas da tradução buscam esclarecer questões subjacentes ao argumento sextiano, justificar nossas escolhas tradutórias e disponibilizar informações que viabilizem traçar paralelos entre a passagem em questão e outras obras do autor ou do período

    Mercúrio rouba a voz e o lugar de Apolo no carm. 1. 10 de Horácio

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    Neste artigo, propomos que Horácio, ao tomar como modelo para a disposição das Odes a edição helenística de Alceu, que se iniciava por um hino a Apolo (fr. 307a V.), cria a expectativa de louvor a um deus. O primeiro hino nas Odes, porém, é a Mercúrio (carm. 1. 10), o inventor da lira, que assim ‘rouba’ a posição de destaque dada a Apolo na edição-modelo. Numa leitura metapoética, entendemos que o roubo, característica ressaltada ao longo do poema, não só é das vacas e da aljava, mas também da própria voz de Febo. Além disso, a habilidade em enganar de Mercúrio parece incidir no engano que se tem ao considerar a ode como fim do livro. Ao criar ainda a expectativa de conclusão, ao deslocar o hino para a final da primeira parte do livro, o carm. 1. 10 mostra-se um falso fim na continuidade da leitura. Esse jocoso Mercúrio, como jocosa é a lírica de Horácio (carm. 3. 3. 69), parece disputar ainda a posição com Apolo em outros lugares estratégicos de Odes 1

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