Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) Unicamp (Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP),: Sistema Eletrônico de Editoração): Revistas
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TÁCITO E A DE VITA AGRICOLAE: AS VIRTUDES DE UM GENERAL EXEMPLAR
Pretendemos, neste artigo, observar como Tácito constrói na obra De Vita Agricolae a conduta do general Agrícola, pautada pela manifestação da uirtus. Desse modo, buscamos demonstrar brevemente como compreendemos a uirtus, a saber, designada por um conjunto de outras qualidades, as quais observamos ao longo da descrição da personagem. Nesse sentido, analisamos virtudes tais como a moderatio, prudentia e a temperantia (componentes da uirtus) no retrato de Agrícola, essas referidas por Tácito na construção do caráter da personagem tendo em vista desde sua formação familiar até a militar, para enfim mostrar como a uirtus se manifesta na conduta do general mesmo em tempos avessos a essas. Por fim, intentamos observar a uirtus de Agrícola em contextos em que suas decisões são baseadas no silentium e na inertia, a fim de refletir sobre a moderação das virtudes e das ações como meio de preservação da vida sob os principados de Nero e Domiciano
ASPECTOS INICIAIS DA FONOLOGIA DO MEHINÁKU (LÍNGUA ARAWAK DO ALTO XINGU)
Este trabalho apresenta uma análise inicial dos processos linguísticos de harmonia vocálica, acentuação e também um esboço preliminar do estatuto das aproximantes [w] e [j] na língua Mehináku, da família Arawak, falada por aproximadamente 250 pessoas que habitam as proximidades do rio Kurisevo, no Parque Indígena do Xingu, no estado de Mato Grosso, Brasil. Nesta língua, notamos que tanto as vogais dos prefixos quanto dos sufixos, quando estes estão anexados aos verbos, sofrem processo de harmonização vocálica, a depender da qualidade e natureza da vogal do verbo que os sucede ou precede. Esse mesmo processo também pode ser visto em relação aos nomes, em que a harmonização vocálica se manifesta da mesma forma. Em relação ao acento, notamos que ele é livre para as palavras dissilábicas, mas fixo para as demais. As aproximantes, por sua vez, embora tenham sido tratadas por Awetí (2014) como vogais, são aqui tratadas como consoantes
ENTRE LARARIA E ORATÓRIOS: A REPRESENTAÇÃO DA RELIGIOSIDADE EM PLAUTO E SUASSUNA
RESUMO: Ao subintitular O santo e a porca (1957) como uma “imitação nordestina de Plauto” - referindo-se à comédia Aululária do dramaturgo romano (séc. III-II) - Suassuna abre caminho para que se pense nos pontos de aproximação entre sua peça e a matriz declarada. Diversas pesquisas têm sido feitas nesse sentido e alguns tópicos explorados de modo mais frequente, dentre eles o tema da avareza, as passagens idênticas e a questão dos nomes das personagens, todos aspectos muito importantes para se compreender a relação entre as referidas produções. Acreditamos, porém, que há outros tópicos ainda pouco explorados, como a religiosidade que buscaremos discutir neste estudo. A comparação das personagens divinas, o deus Lar na peça romana e Santo Antônio na nordestina, permite apreciar as escolhas do dramaturgo brasileiro, bem como questões culturais que interferem na recepção da obra clássica no contexto hodierno. Nosso objetivo é analisar de que modo, embora “nordestinizando” sua comédia, Suassuna dialoga com o texto plautino, permitindo a um público conhecedor da matriz textual não apenas perceber que está diante de uma adaptação, como também refletir sobre seus efeitos.
Palavras chave: Plauto. Suassuna. Religiosidade. Recepção. Intertextualidade
Cinnanum tempus y mos maiorum: una nueva lectura.
O Cinnanum Tempus (86-84 a.C.) é o primeiro período de certa normalização após a dinâmica das guerras civis que surgiram após a Guerra Social (91-87 a.C.). Este artigo procura analisar o época para observar a transgressão e consolidação de um novo mos maiorum ou de novos pilares constitucionais, criando uma nova visão desse momento histórico crucial
Descrição zoológica e intertextualidade na poesia didática romana: Virgílio e \u27Cinegéticos\u27
Resumo: Neste artigo, pretendemos refletir sobre como Grattius Faliscus, poeta didático e contemporâneo de Ovídio, descreveu um espécime canino da raça dos metagontes (Cynegeticon 269-278). Além disso, tentamos analisar o jogo intertextual entre os Cynegetica de Nemesiano (vv. 243-250) e Geórgicas III, 75-88, uma vez que ambos os trechos lidam com a anatomia externa de equinos. Assim, sempre considerando os trabalhos desses poetas de caça diante do pano de fundo identificado com o livro III das Geórgicas de Virgílio, será possível observar tendências composicionais de cada autor didático envolvido
O Galo de Propércio no Monobiblos: amizade poética e rivalidade amorosa.
Cinco referências a Galo ocorrem no Monobiblos de Propércio, nas elegias 5, 10, 13, 20 e 21. A fortuna crítica muito discutiu a fim de encontrar nessas construções poéticas referências concretas da vida romana histórica. Nesse sentido, Goold (1990, 476), por exemplo, as apresentou como: a) um aristocrata, amigo de Propércio; b) um parente de Propércio, morto na Guerra da Perúgia em 41 a.C.; c) um filho de Árria e d) o poeta Cornélio Galo, mesmo que nem todas essas ocorram no primeiro livro. Tais possibilidades, ainda que pudessem estar decalcadas em estudos bem fundamentados, partiam de um princípio equivocado: o de supor, como necessidade obrigatória, a existência concreta de pessoas equivalentes aos nomes próprios apontados pelo poeta.Parece-me que todas essas indicações nominais se resumem a uma única: Cornélio Galo, como indubitavelmente é apresentado em 2B.34.91. Defendo que Galo, em Propércio, ora está a serviço da demarcação do gênero elegíaco e suas características; ora opera a figuração de um rival na narrativa amorosa do livro; ora estrutura parte do projeto editorial do Monobiblos. Devemos sempre ter em mente que o Galo assim evocado não é histórico, mas persona ficta, cujo ἦθος é construído de acordo com o programa poético de Propércio e cuja fides ocorre por contiguidade com poeta elegíaco homônimo, poeta-amante, cuja amada é Licóride, sua scripta puella. Assim, ainda que tais personagens possam ser reais, elas passam ainda pelo filtro do gênero poético.Esta minha hipótese encontra amparo nos trabalhos de Skutsch (1906, pp. 144 ss.), Alfonsi (1943, pp. 46-56), Ross (1975, p. 67, n. 66), Thomas (1979, pp. 203 ss.), King (1980, pp. 212-4), Cairns (1983, pp. 84-95), (2006a, pp. 70-103) e (2006b, pp. 69-96), Keith (1999, p. 54, n.43) e Heyworth (2007, p. 99), bem como na similaridade de ocorrência do nome “Galo” na 6a e 10a Écloga de Virgílio, cujo registro nominal descortina, a meu ver, a elegia contida em gêneros hexamétricos (ἔπος), a serviço da sua confinidade genérica e também a favor de uma estrutura editorial daquele livro.Assim, este artigo visa, observando os poemas a Galo em Propércio no Monobiblos, buscar elementos que justifiquem a posição da persona Galo como um representante da poesia elegíaca, tanto na perspectiva amorosa e poética, como na posição de elemento funcional na confinidade genérica e na estrutura do Monobiblos
A Divulgação Científica e a Inclusão Social
Este trabalho objetiva analisar a divulgação científica a partir de sua dimensão inclusiva, com o intuito de estimular reflexões acerca de seu potencial enquanto instrumento de transformação social. A relevância desse tema justifica-se em virtude do importante papel que a divulgação científica pode desempenhar na atenuação de um dos mais estruturais aspectos da desigualdade social: a democratização do acesso à cultura e à educação de qualidade. Dado o exposto, nossa pesquisa parte da questão: como a divulgação científica pode contribuir, efetivamente, para a inclusão social? Serão desenvolvidas análises e reflexões teóricas acerca do tema, ilustradas por exemplos e fundamentadas por algumas de suas principais referências bibliográficas na atualidade. A partir das pesquisas desenvolvidas neste trabalho, indicamos, como resultados parciais de nossa análise teórica, as seguintes considerações: o potencial educativo e inclusivo da divulgação científica, em sentido amplo – isto é, para além da educação formal – é evidente e, praticamente, consensual. Sua efetividade em larga escala, porém, depende de sua institucionalização, que viabilizaria o necessário apoio a iniciativas dessa natureza. A ausência de políticas públicas relativas à área, bem como a extinção da Secretaria de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social – a partir da fusão do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação com o Ministério das Comunicações, em 2016 –, por exemplo, no entanto, tendem a comprometer a oferta de oportunidades e a realização de ações de modo sistemático, regular e abrangente