Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) Unicamp (Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP),: Sistema Eletrônico de Editoração): Revistas
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    SANTIAGO NAZARIAN: ESCRITA E PERFORMANCES

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    Este artigo pretende discutir o uso da performance autoral como uma das estratégias adotadas pelo escritor Santiago Nazarian para a sua inserção e consolidação no campo literário contemporâneo. Observa-se aqui o período em que foram publicados seus primeiros romances: Olívio (2003), A morte sem nome (2004) e Feriado de mim mesmo (2005). A análise é centrada nessas narrativas, pois elas representam o momento inaugural da carreira do escritor, assim como são nessas obras que a personagem-escritor, Thomas Schimidt, aparece efetivamente. Tal personagem, após a publicação dos romances, acabou sendo considerada uma espécie de alter ego do autor e foi confundida com a figura autoral que ele criou para si. Essa confusão entre a personagem-escritor e o seu autor foi, segundo a ideia defendida nesse trabalho, resultado do jogo performático do qual Nazarian se valeu para a construção de sua figura autoral. Destacando-se entre os elementos utilizados por ele a exploração das semelhanças com a personagem-escritor, a sua forte atuação midiática e a divulgação de peculiares fotografias inseridas em seus livros, assim como de uma biografia bastante incomum para um escritor

    A SUPERAÇÃO FORMAL EM A MAIS-VALIA VAI ACABAR, SEU EDGAR, DE ODUVALDO VIANNA FILHO E O TEATRO POLÍTICO DOS ANOS 1960

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    A concepção do discurso artístico e literário como um recurso simbólico e ideológico de reconstrução da realidade, discutido por Roland Barthes e Terry Eagleton na passagem de uma concepção estruturalista da obra de arte para o pós-estruturalismo, se fez refletir na crise do drama tradicional no início do século XX, quando a teatralidade passou a ser concebida como uma espessura de signos que compõem uma polifonia de informações e o fato teatral a ser pensado em termos cognitivos e não emotivos. Segundo Barthes, o teatro épico de Bertolt Brecht ilustraria o estatuto semântico do teatro já que ele percebe nas formas dramáticas uma responsabilidade política. Segundo Iná Camargo Costa, o teatro brechtiano foi incorporado à dramaturgia nacional a partir da montagem da peça A mais valia vai acabar, Seu Edgar, de Oduvaldo Vianna Filho, em 1960, na Faculdade Nacional de Arquitetura no Rio de Janeiro, fato que só foi possível devido às demandas sociais que se avultavam no contexto brasileiro nos anos que antecederam o golpe militar em 1964. Nesse sentido, o presente artigo tem como objetivo discutir os recursos formais do teatro épico presentes na peça de Vianinha e sua contribuição na configuração de uma estética pautada no teatro de agitação e propaganda no Centro Popular de Cultura

    JOSÉ E SEUS IRMÃOS DE THOMAS MANN: GÊNEROS LITERÁRIOS

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    Analisa-se a tetralogia José e seus irmãos (1933-1943) de Thomas Mann, paródia baseada em Gn:27-50, investigando a questão dos gêneros literários. O romance representa uma história de poder e retrata a condição da Alemanha de sua época: a transição da República de Weimar (1918-1933) para o nazismo. Por meio da paródia como superestrutura e da ironia como infraestrutura, outros gêneros literários são configurados. O primeiro é o romance mitológico, pautado na persistência da estrutura mítica. Há o mito de José como Tammuz, deus egípcio despedaçado e depois ressuscitado. Para a averiguação mitológica, serão utilizados principalmente Mielietinski (1987) e “Freud e o futuro”, do próprio Thomas Mann, no qual o autor conceitua o mito. Em seguida, procura-se examinar o gênero literário do romance histórico e do romance de formação (Bildungsroman). Para tal, são utilizados O cânone mínimo (MAAS, 2000) e O romance histórico (LUKÁCS, 2011). A investigação perpassa a forma de tetralogia, comparada por Eckhard Heftrich como pastiche do Anel do Nibelungo de Wagner (KOOPMANN, 2005, p. 461). Há também o poema épico islandês Edda em prosa (STURLUSON, 2015). Em muitos momentos, José se equipara ao herói Siegfried, da saga A canção dos Nibelungos (ANÔNIMO, 2013). Assim, Thomas Mann – ao escrever no século XX uma narrativa sobre o século XXX a. C. – reflete sobre a condição dos os gêneros literários e de sua história desde então, empregando técnicas e procedimentos que não existiam naquela época para narrar novamente a história sob novas perspectivas. Fruto de uma obra moderna, a tetralogia José e seus irmãos ressignifica os gêneros literários

    Os efeitos da Fidelidade Posicional no fenômeno de redução do ditongo [uw] no Português Brasileiro

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    Este é um estudo na área de fonologia e tem como questão o ditongo oral [uw], representado ortograficamente por “ul”, do português. O objetivo deste trabalho foi verificar acusticamente se este ditongo pode ser reduzido a uma vogal simples [u] e se sim, quais razões fonológicas proporcionariam esse fenômeno. Foi feito um estudo experimental e acústico com modelagem na Teoria da Otimalidade usando o programa MaxEnt Grammar Tool. Concluímos ao final, que as razões que proporcionam este fenômeno são principalmente o efeito da fidelidade posicional, que neste caso, a redução tende a ocorrer em sílabas não privilegiadas (átonas e não iniciais) e a característica deste ditongo, que por ser um ditongo raso (sem distinção de altura entre os segmentos), tende a ser reduzido em função da restrição OCP (McCarthy, 1986)

    PARÁFRASES D(A IMAGEM)(D)O CORPO EM PROTESTO: OS SENTIDOS DE FEMINISMO(S) NO FOCO DA RESISTÊNCIA NEGRA

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    A proposta deste artigo é a de analisar a materialidade significante do corpo em cenas de protestos com o engajamento do feminino, pensando, principalmente, na luta também das mulheres negras pelos direitos civis e contra a segregação racial nos Estados Unidos, nos anos 60. Nesse sentido, tomo como base o dispositivo teórico da Análise do Discurso de perspectiva materialista, visando observar como o corpo negro feminino significa em diferentes espaços de luta e de resistência atravessados pelo político e pelo simbólico. Assim, considerando a ideologia como prática que afeta e faz parte do processo de significação do corpo (ORLANDI, 2012) busco lançar um olhar discursivo sobre o corpo segregado, boicotado, sobre o corpo que luta, sobre o corpo que resiste, tendo em vista as imagens do corpo na imbricação entre diferentes materialidades (LAGAZZI, 2012) produzindo determinados efeitos de sentido nos movimentos de resistência do corpo nas fronteiras com o social

    O "hétero" interditado: subversão, censura e deslocamentos em um verbete formal e informal

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    Este artigo objetiva, em um primeiro momento, discutir a atualização do sentido da palavra hétero, que desliza para o pejorativo e para o interdito quando inscrito em formações discursivas do discurso feminista e da militância LGBT. Para tanto, adotamos como referencial teórico a Análise do Discurso de orientação pecheutiana. Em um segundo momento, elaboramos verbetes em que descrevemos as situações de uso da palavra hétero a partir de exemplos da rede social Twitter. A experiência de elaboração de verbetes teve início em sala de aula, no módulo de Lexicologia e Lexicografia ministrado pela profa. Dra. Sheila Elias de Oliveira no primeiro semestre de 2017

    Lavando roupa suja: uma análise da música “meu namorado é mó otário” de MC Carol

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    “Meu namorado é mó otário”, música da cantora de funk MC Carol, é, por diversas vezes, questionada pelo público se trata-se de uma música com viés feminista ou não. Sendo assim, essa análise discursiva se inicia a partir de um efeito de contradição causado, de acordo com comentários do público da cantora retirados das redes sociais Twitter e Facebook, ao apresentar um homem que divide tarefas domésticas (lava as calcinhas da namorada) e é qualificado como mó otário. E como é visto o ato de lavar calcinhas de uma mulher realizado por um homem na memória discursiva? assim, foi recorrido às ferramentas de busca das redes sociais Facebook e Twitter a fim de verificar o funcionamento da palavra-chave “lavar calcinha” e também da palavra-chave “lavar cueca” relacionadas à figura feminina e masculina. Visto que os textos de Pêcheux (2012, 2014) e Courtine (1999, 2014) foram fundamentais para a análise da materialidade discursiva apresentada

    O CORAL OS QUERUBINS DE SÃO GABRIEL: UMA PEDAGOGIA MUSICAL PARA A EDUCAÇÃO CULTURAL

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    Este texto faz parte da construção de um capítulo da tese intitulada “Pelos sons do Arcanjo menestrel: Cultura Popular e Educação na cantoria de São Gabriel”. Nele trazemos um recorte da história de um grupo de crianças que formam o coral Os Querubins de São Gabriel. O grupo é regido e coordenado pelo músico educador Reginaldo Manso que desenvolve um trabalho relevante de ensino de canto e outros saberes a partir da música. O coral tem 17 anos de existência e resistência dentro do sertão do Território de Identidades de Irecê, congregando crianças entre 6 até 12 anos de idade, vindas da comunidade e das escolas. Para essa trajetória fizemos a observação de alguns ensaios, conversamos com o regente e fizemos uma breve análise de três músicas gravadas pelas crianças no CD Cantigas da gente. As idas para observação em campo foram realizadas num total de cinco visitas a esse espaço embaixo das quixabeiras. Todos os encontros foram bem receptivos por parte, principalmente, das mães das crianças. Chegamos à conclusão de que esse trabalho do menestrel Reginaldo promove a formação de valores nas crianças, bem como a relação entre os saberes das culturas populares com os saberes da escola formal. Palavras chave: Cultura Popular. Coral. Cantigas. Educaçã

    O TRATAMENTO ESTÉTICO DO TEXTO (AUTO)BIOGRÁFICO: UMA PERSPECTIVA DIALÓGICA

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    o objetivo deste artigo é apresentar uma abordagem inicial sobre o tratamento estético do texto (auto)biográfico que trabalhamos em nossa tese em andamento. Fundamentados na perspectiva dialógica, estudamos enunciados retirados de nosso corpus formado por uma biografia escrita e cinco documentários a respeito de Mercedes Sosa (1935-2009). Os textos suporte dos enunciados estudados (a biografia escrita e os documentários) agrupam uma mistura de gêneros de uma esfera de atividade que temos denominado “esfera do eu” (que englobaria o relato pessoal, a entrevista, a coletiva de imprensa, por exemplo). O recorte que realizamos neste artigo privilegia enunciados que remetam tematicamente à resistência de Mercedes Sosa à ditadura e aparecem em três dos objetos de análise, os documentários “Cómo um pájaro libre”, de 1983, “Algo más que una canción”, de 1985, e “Cantora, un viaje íntimo”, de 2009. O artigo apresenta uma seção teórica em que refletimos sobre a noção de transgrediência formulada por M. Bakhtin; na seção seguinte, esboçamos uma análise ancorada nessa noção para exemplificar o tratamento estético que pretendemos dar ao texto (auto)biográfico na tese em construção

    EXPLORANDO UM MODELO COMPUTACIONAL DA AQUISIÇÃO LEXICAL

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    O problema lógico da aquisição lexical pode ser descrito da seguinte maneira: como a criança pode aprender a associação arbitrária entre som e significado dado que os adultos à sua volta podem estar falando sobre qualquer assunto, usando as palavras que lhes convier? Em outras palavras, que mecanismos cognitivos estão disponíveis para a criança intuir o que está sendo dito e a partir disso adquirir um léxico? Neste trabalho, apresentamos uma revisão crítica do modelo computacional da aquisição lexical proposto por Siskind (1996), acompanhado de uma breve revisão da teoria que o sustenta e das análises alternativas propostas por dois outros modelos. A modelagem computacional constitui uma importante forma de verificar a viabilidade de conceitos provenientes das descrições de crianças em idade de aquisição bem como dos estudos psicolinguísticos. Para que possam ser incorporados a um modelo da cognição, tais conceitos devem ser especificados formalmente, o que pode levar a uma maior compreensão da sua instanciação no cérebro, plausibilidade e consequências. O modelo em questão põe à prova o conceito de aprendizagem transituacional — a noção de que as crianças adquirem as palavras observando o que há em comum entre as suas diversas ocorrências, considerando os contextos linguístico e extralinguístico — em uma simulação da tarefa da aquisição lexical que leva em consideração obstáculos como a incerteza referencial, o ruído e a homonímia. Veremos ainda que apesar de lançar luz sobre muitas questões da aquisição lexical, o modelo discutido ainda deixa aberta muitas portas para investigação

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