Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) Unicamp (Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP),: Sistema Eletrônico de Editoração): Revistas
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    A PRODUÇÃO DA VACINA DA COVID-19: UM OLHAR PARA O DISCURSO DE ANSIEDADE VEICULADO PELAS NOTÍCIAS DE JORNAL

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    O objetivo desse artigo é refletir sobre as notícias que circularam a respeito da produção da vacina para o enfrentamento da Covid-19, dado o contexto pandêmico atual, de modo a compreender os discursos e as redes de sentidos às quais essas materialidades se filiam. Partimos da consideração de que, na atualidade, uma das questões (socio)cientificas em alta é aquela que diz respeito à pandemia ocasionada pela Sars-CoV-2, gerando um fluxo contínuo de notícias veiculadas na mídia sobre seus diferentes aspectos e influenciando na formação de identidades e nos processos de subjetivação dos sujeitos. Nos apoiamos em aportes teórico-metodológicos da Análise de Discurso de vertente franco-brasileira, mais precisamente em Michel Pêcheux e seus colaboradores e em Eni Orlandi. Também refletimos sobre o agenciamento do “medo do medo” enunciada por Courtine (2016), a qual compreendemos enquanto um discurso de ansiedade presente em discursos jornalísticos. Por meio da análise de três recortes de notícias da Folha de São Paulo, observamos que os mecanismos de linguagem utilizados pelo jornal geram efeitos discursivos que se relacionam aos discursos de ansiedade, de modo que as reportagens jornalísticas são escritas para descrever um cenário que dá ênfase às expectativas de uma possível cura, remetendo-se ainda a um discurso bélico de “combate” ao vírus, em que esses aspectos por vezes imperam mais do que a própria busca por informar à população sobre as questões (socio)científicas que se relacionam à pandemia da Covid-19

    A REPETIÇÃO, ELO ENTRE A NORMATIVIDADE E SUBJETIVAÇÃO DO SUJEITO REVELADO PELO EX

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    O presente artigo analisa por meio dos dispositivos da Análise Materialista do Discurso dois títulos de notícias publicados no mesmo dia sobre o ex-presidiário. Discute o papel da repetição materializada na pequena partícula discursiva (ex) e como ela, a repetição, é o ELO entre a normatização e a subjetivação. O esforço está em aproximar os conceitos de Foucault aos de Pêcheux e demonstrar que o discurso sobre o anormal, ou ainda o anormatizado, também são constructos ideológicos e que fazem pensar o banido e o ex-presidiário como resultado de falhas. Centra-se primeiramente em discutir como a repetição cria a materialidade do que o eu deve ser e se repetir em sua existência, depois reclama o papel das cidades como espaços recalcados para subjetivações autorizadas pela ideologia dominante, e por fim discute o processo de banimento dos sujeitos que não devem se repetir no núcleo urbano. O combustível da análise está em deslocar a falsa transparência de sentido do ex, para enfim demonstrar a justificação da expulsão e exposição daqueles que não se devem repetir em si mesmos.

    EXEMPLOS DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA PELA PERSPECTIVA DECOLONIAL

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    Partindo do pressuposto que a divulgação científica tem suas contribuições quanto à comunicar as intencionalidades na produção de conhecimentos científicos, sociais e tecnológicos e, compreendendo que tal processo acontece de forma que seja palpável ao público não-especializado, o presente trabalho tem como objetivo mostrar de que maneira ações de divulgação científica foram desenvolvidas no âmbito das redes sociais (Instagram e Spotify), reafirmando a ideia de que a atividade divulgativa não se resume a mera retextualização da atividade científica e pode ser repensada a partir do enfoque decolonial, a fim de visibilizar saberes ancestrais, latinos e afrodiaspóricos, epistemologias outras que não-eurocêntricas dentro de um processo educativo, democratizando o acesso à este amontoado de informações. Para se concretizar a exemplificação das iniciativas, baseado nas informações dispostas em ambas as plataformas digitais, utilizou-se o corpus latente da internet, metodologia que visa analisar as informações presentes na internet. Assim, os estudos da interação de ambas as redes sociais revelaram ampla difusão do conteúdo, mediante análise das métricas disponibilizadas pelos aplicativos, de mapeamento e compartilhamento. Os números revelaram que a temática ganhou visibilidade a partir da abordagem decolonial adotada, revelando a pertinência da utilização de redes sociais em contextos educativos no Ensino de Ciências, pois o caminho artístico também levanta, juntamente à produções acadêmicas, pautas de discussão referentes à dependência tecnológica, a desconstrução de ideários exóticos de cientista, problematiza, identifica e busca ressignificar relações de poder, caminhando lado a lado com pressupostos da efetivação da divulgação científica

    OS DISPOSITIVOS TECNOLÓGICOS COMO FERRAMENTA DE COMBATE AO NOVO CORONAVÍRUS E SEUS DESDOBRAMENTOS NA PANDEMMIA DE COVID-19

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    Este artigo parte de uma inquietação em relação ao uso massivo de dispositivos tecnológicos como ferramenta de combate ao novo coronavírus, o SARS-CoV-2, durante a pandemia de COVID-19. Com a paralisação em diversas partes do mundo, rotinas, hábitos e especialmente as formas de se relacionar com os outros foram se alterando, assim como com a saúde, com a educação, com o trabalho, com a ciência e a tecnologia etc., emitindo reflexos dessa transformação tanto na esfera política quanto econômica. Ao traçar um breve panorama sobre as medidas adotadas por governos e empresas durante este momento pandêmico, este trabalho propõe um debate sobre as práticas de vigilância, com base em revisão bibliográfica, com o intuito de aguçar a reflexão sobre a questão específica: a pandemia intensificou métodos de vigilância ou apenas evidenciou modos já existentes? Para isso, se dedica às discussões sobre a consolidação de mecanismos e práticas de vigilância no contexto atual. Espera-se que este projeto contribua para as discussões que permeiam o campo da vigilância digital e também para os estudos em divulgação científica e cultural

    A QUEDA DO FIM DO MUNDO

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    O breve ensaio que segue foi primeiramente pensado como uma fala provocada pela questão: “medo coletivo e possibilidades de futuro: há como superar o fim do mundo?” - título de uma mesa redonda realizada no sétimo Encontro de Divulgação de Ciência e Cultura (EDICC7). Sem oferecer uma resposta, o texto problematiza brevemente a questão a partir de um sentimento difuso de “fim de festa” em que mesmo as perspectivas mais otimistas e propositivas estão convencidas de que temos pela frente um árduo caminho de luta e de reconstrução das relações dos humanos entre si e com o ambiente. Embora o sentimento de saturação, de fim de mundo, seja marca de nossos dias, não podemos dizer que ele é novo ou inédito. Parte dos problemas que estamos vivendo foram pressentidos e descritos pelo pensamento social e pelas artes. Uma maneira de traduzir tal sentimento se dá pela metáfora da queda. Estamos todos em queda livre, sendo atraídos por uma força irresistível que faz com que saibamos de antemão qual é nosso destino, nos resta apenas adiá-lo

    CURTA CIÊNCIA: PONTES DE SABERES EM WEBSÉRIES

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    Popularizar o conhecimento científico aproxima a sociedade dos resultados das pesquisas, construindo a presença da ciência no cotidiano das pessoas. O artigo discute a produção da websérie Curta Ciência UFPR frente aos modelos de comunicação pública da ciência e da prática de divulgação científica no cenário digital, apresentando os critérios de produção, as premissas norteadoras e os resultados alcançados. O período de observação participante foi de agosto a dezembro de 2019, integrando equipe formada por alunos de pós-graduação, professores e profissionais do audiovisual da UFPR TV.  Os vídeos dessa websérie divulgam teses e dissertações indicados pelos Programas de Pós-Graduação ao Prêmio Curta Ciência UFPR.  São divulgados no canal do YouTube UFPR TV, compondo uma das muitas playlists ofertadas. Até o momento dessa escrita, possui 15 episódios, sendo que durante a pandemia houve uma reformulação dos processos de trabalho. O episódio inaugural é o mais acessado, com mais de quatro mil visualizações, e aborda sobre o mel de abelhas sem ferrão. Seguido do episódio dois sobre os efeitos do pimentão no câncer de mama, com mais de 500 visualizações, os demais têm em média 280 visualizações, o que indica a necessidade de melhorar os mecanismos algorítmicos de SEO e Web semânticos para ampliar a circulação dos conteúdos. A websérie Curta Ciência é um dos produtos comunicacionais da UFPR, somado a outros, como os da Agência Escola UFPR, produção de lives e podcasts. Todas essas ações visam aproximar a ciência do cotidiano das pessoas estimulando conversações sociais presenciais e online

    INTERVENÇÃO AFROFUTURISTA: EXPERIÊNCIAS EM UM CURSINHO POPULAR NA CIDADE DE ITAQUAQUECETUBA

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    A presente pesquisa visa relatar uma experiência educacional em que se utilizou o movimento de ficção científica Afrofuturismo como um instrumento de reflexão crítica sobre as preconcepções impostas pela estrutura social racista e eurocêntrica (ALMEIDA, 2019; SOUZA; PAIM, 2019), bem como seus reflexos na presença de negros e negras nos âmbitos científicos, acadêmicos e tecnológicos. Com tal prerrogativa, o escopo das intervenções utilizou a temática sob a ótica do escritor brasileiro Fábio Kabral (2018, 2019). Assim, foram realizadas duas intervenções na Associação “Vestibulandos da Cidadania”, um cursinho popular pré-vestibular na cidade de Itaquaquecetuba. Aplicando a metodologia de roda de conversa (MELO; CRUZ, 2014), que emprega o diálogo e as interações como meios para incitar o debate e o pensamento crítico, aproximando os jovens das questões sociais a partir de artefatos culturais e midiáticos (PIASSI et al, 2018). Sendo mais presente, nesse caso, a ficção científica, pois possibilita uma melhor absorção de conceitos (PIASSI, 2015). Considerou-se interessante promover intervenções no contexto do cursinho popular por conta de seu caráter crítico, uma vez que trabalha a problemática das desigualdades no acesso ao ensino superior (PEREIRA; RAIZER; MEIRELLES, 2010). Ao final da pesquisa, os estudantes se demonstraram interessados na proposta e interagiram com questionamentos e dúvidas, debatendo sobre as problemáticas trazidas pelos impactos do eurocentrismo e do racismo estrutural

    O VANGUARDISMO DA ILUSTRADA NA COBERTURA DA VANGUARDA PAULISTA COMO ELEMENTO DE LEITURA

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    Este trabalho propõe compreender o papel de vanguarda na cobertura do Caderno Ilustrada, do jornal Folha de S. Paulo, sobre o movimento artístico da Vanguarda Paulista com o objetivo de identificar a estética vanguardista como elemento de leitura na narrativa jornalística. Este estudo também pretende apresentar a vanguarda artística do início do século XX e suas influências analisando duas peças jornalísticas: a primeira de 1980 e a segunda de 1984, reportagens em imagens de arquivo da Ilustrada avaliando a linguagem utilizada e os recursos visuais e gráficos. O teórico para fundamentar esta análise é Zigmunt Bauman (1998 e 2012), que na era pós-moderna identifica a falta de espaço da vanguarda artística frente à fragmentação da cultura e das artes. No entanto, não é o que se percebe na Ilustrada e na arte contemporânea. Ao avaliar brevemente o conteúdo da Ilustrada identificamos a pluralidade de temas e de colaboradores, da linguagem estética e da diversidade gráfica e editorial. Assim como, a nova estética musical da Vanguarda Paulista, uma efervescência artística e cultural, que ocorreu entre 1979 e 1985. Este estudo aponta a transversalidade dos Estudos Culturais (HALL, 2003) que engloba a globalização, a fragmentação e a mídia na padronização da cultura (HALL, 2006). A metodologia é baseada na Análise de Conteúdo (BARDIN,1977), de forma qualitativa

    BLOG CONSCIÊNCIA ANIMAL: DIVULGANDO COMPORTAMENTO E BEM-ESTAR ANIMAL

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    As pessoas parecem ter um fascínio natural por questões relacionadas à vida e aos seres vivos, algo que a mídia frequentemente explora ao divulgar matérias relacionadas a esses temas. Entretanto, geralmente, a biodiversidade em nosso planeta ainda é pouco compreendida pelas pessoas. O bem-estar animal é uma área da biodiversidade que ainda é recente, que envolve muitas linhas e conceitos diferentes e que ainda tem poucas iniciativas de divulgação científica. Nesse contexto, o blog ConsCIÊNCIA Animal foi criado em 2016 para divulgar conteúdos de comportamento e bem-estar animal visando melhorar a percepção popular e contribuir para a cultura científica da sociedade nessa área. O blog é composto por 10 seções que trazem publicações semanais com conceitos, fatos históricos, fotos e vídeos comentados, mensagens para reflexão, indicações comentadas de artigos científicos e livros, discussões, pontos de vista, comentários de cientistas ou de profissionais da área, além de indicações de matérias jornalísticas. As publicações atingiram 48.132 visualizações e 29.161 visitantes de 60 países em 2020, algo que veio evoluindo ao longo dos anos. Assim, de fato, o blog ConsCIÊNCIA Animal vem contribuindo significativamente para a divulgação científica sobre comportamento e bem-estar animal em nossa sociedade, o que é fundamental para que as pessoas possam ter uma melhor percepção de assuntos na área e tomar decisões relacionadas de forma mais consciente

    DOS CONTEÚDOS DE GENÉTICA NA EDUCAÇÃO FORMAL: QUE DEMANDAS TRAZEM OS ESTUDANTES DE ENSINO MÉDIO?

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    No Brasil, o envolvimento de estudantes de Ensino Médio com a aprendizagem é um desafio, o que pode ser explicado por diversos fatores. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica no país aponta um cenário preocupante para todas as disciplinas, incluindo as Ciências da Natureza. A Genética é uma dessas ciências que têm maior crescimento no mundo, mas seus conteúdos básicos presentes no Ensino Médio são considerados complexos para compreensão. Nesse contexto, investigamos a percepção de estudantes do Ensino Médio sobre conteúdos curriculares de Genética com maior dificuldade para aprendizagem. Durante 2019, foram realizados levantamentos com estudantes do Ensino Médio de escolas públicas que fazem parte da Regional de Ensino da Cidade de Botucatu-SP, compreendendo 32 instituições. Perguntamos aos estudantes se já tinham tido contato com diferentes tópicos de Genética, se esse contato foi por aulas teóricas e/ou práticas, e se aprenderam ou não. Dos 220 questionários distribuídos, 128 estudantes de 30 escolas da regional devolveram preenchidos. Para estudantes do primeiro e segundo anos do Ensino Médio, predominaram tópicos que não foram ministrados em aulas, como alelos, interações gênicas, transcrição, tradução e PCR. Para os mesmos estudantes das duas séries, destacaram-se outros tópicos que tinham sido ministrados, como organização celular, diversidade genética e herança ligada ao sexo. Na terceira série do Ensino Médio, houve considerável aumento no número de tópicos já estudados, com a inclusão de conteúdos como genes, mitose e meiose. Em todas as séries do Ensino Médio, a maior parte das atividades foi realizada de forma teórica. Para estudantes das três séries do Ensino Médio e para todos os tópicos de Genética questionados, a maior frequência de aulas práticas se correlacionou com a maior compreensão dos estudantes. Concluímos que a apropriação efetiva dos conteúdos de Genética, incluindo alguns polêmicos, vai além dos conceitos na escola

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