Universidade Catolica de Pernambuco: Portal de Periódicos da UNICAP
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NA BUSCA PELO QUE RESTA: INTERFACES CRÍTICAS ENTRE MEMÓRIA & TESTEMUNHO A PARTIR DO MARTÍRIO DA COMUNIDADE JESUÍTA DE EL SALVADOR
Esse artigo tem como objetivo compreender a narrativa do martírio da comunidade jesuíta da Universidade Centro Americana José Simeon Cañas (UCA) em El Salvador, ocorrido em 1989, a partir de um referencial teórico crítico sobre a “memória cultural”, perguntando-nos pelo que resta desta memória, confrontando-nos com distintos discursos sobre as recordações do martírio e construindo caminhos e estratégias de profanação ante histórias e narrativas colocadas como espaços para contemplação. Os principais referenciais teóricos desse estudo são: Jon Sobrino (1938-), Maurice Halbwachs (1877-1945) e Giorgio Agamben (1942-). O “resto” é a “contração do tempo”, não o que sobra, ou o que permanece para ser transmitido para outras gerações. O “resto” é um entre, o que não pode ser enquadrado, domesticado, um hiato discursivo que se instaura na própria língua em que se testemunha em confronto às classificações do arquivo. Como estrutura, o artigo se organiza da seguinte forma: i) a apresentação da teologia do martírio elaborada por Jon Sobrino, desde o assassinato da comunidade jesuíta da UCA; ii) o levantamento de algumas reflexões sobre memória tomando como referência Maurice Halbwachs e Giorgio Agamben; e iii) a articulação entre a teologia do martírio com o referencial teórico sobre memória construído neste texto.Data de submissão: 25-08-2016. Aprovado em: dezembro de 2016.doi: 10.20426/P.2178-8162.2016v7n16p38
EXPEDIENTE / MASTHEAD
Editor-GerenteProf. Dr. Luiz Carlos Luz MarquesUniversidade Católica de Pernambuco, UNICAP-PERua Almeida Cunha, 245, Sala C1, 8º andar do Bloco G4CEP: 50050-480, Boa Vista, Recife - PE - BrasilE-mail: [email protected] ADMINISTRAÇÃO SUPERIOR DA UNICAPPresidentePe. Miguel de Oliveira Martins Filho, S.JReitorProf. Dr. Pe. Pedro Rubens Ferreira Oliveira, S.J.Pró-ReitoriasPró-Reitora AcadêmicaProfª. Drª. Aline Maria GregoPró-Reitor AdministrativoProf. Msc. Luciano José Pinheiro BarrosPró-Reitor ComunitárioProf. Dr. Pe. Lúcio Flávio Ribeiro Cirne, S.J.Coordenação Geral de Pós-graduaçãoProfª Drª. Maria Cristina Lopes de Almeida AmazonasCoordenador do Programa em Pós-Graduação em Ciências da Religião da UNICAPProf. Dr. Newton Darwin de Andrade Cabraldoi: 10.20426/P.2178-8162.2016v7n1
A INTERDEPENDÊNCIA ENTRE IGREJA E MUNDO: UMA ABORDAGEM A PARTIR DA TEOLOGIA DE JUAN LUIS SEGUNDO
Abordagem da relação entre Igreja e mundo a partir do pensamento eclesiológico do teólogo uruguaio Juan Luis Segundo. O artigo parte da constatação de posições conflitantes no pós-Concílio Vat. II manifestas na forma de aproximação acrítica ao mundo e medo de auto-relativização da Igreja e se propõe destacar da eclesiologia segundiana aspectos iluminadores para a superação da a criticidade e do medo na relação Igreja-mundo, compreendendo a raiz do parêntesis histórico nessa relação e o novo contexto teológico que favorece a quebra do entrave para uma relação dialogal
DEVOÇÕES RELIGIOSAS E MANIFESTAÇÕES CULTURAIS
Apresentação do tema e das contribuições ao Vol. 6, número 1, jan.-jul. 2016 da Revista de Teologia e Ciências da Religião da UNICAPEste número da Revista de Teologia e Ciências da Religião da UNICAP, que tem como foco as Devoções Religiosas e as Manifestações Culturais, apresenta-se com quatorze artigos e duas resenhas. Os dezenove autores e coautores representam doze diferentes Programas de Pós-graduação, em Ciências da Religião, Teologia e História[1].[1] Em ordem alfabética das siglas: EST, FUMEC, PUC-Campinas, PUC-MG, PUC-SP, UERJ, UFAL, UFJS, UFPE, UFRJ, UNICAP e Universidade do Minho
RIFORMA RADICALE E LIBERTÀ RELIGIOSA
L’articolo individua le radici dei concetti di tolleranza, libertà religiosa e libertà di coscienza nella tradizione anabattista nell’ambito della Riforma radicale e ne segue gli sviluppi nei gruppi e nelle chiese nonconformiste in Inghilterra e nella Nuova Inghilterra
Os índios Xukuru: entre doces, carnes. Faltando frutas e legumes. Conflitos de terras e fome em Pesqueira na década de 1950
Os indígenas Xukuru do Ororubá habitam em sua maioria na Serra do Ororubá (Pesqueira e Poção), no Agreste pernambucano, onde apesar das estiagens periódicas e secas prolongadas, existem áreas úmidas montanhosas e de brejos que foram reconhecidas pelos recursos naturais disponíveis como matas, fontes de água e a riqueza produtiva das terras agrícolas, com o plantio de frutas, legumes e a agricultura de subsistência muito importante para a sobrevivência humana naquela região. As terras habitadas pelos indígenas foram invadidas ao longo dos anos por criadores de gado e o antigo Aldeamento de Cimbres situado na Serra do Ororubá teve a decretada a extinção oficial no último quartel do Século XIX atendendo os interesses dos fazendeiros, restando a alguns indígenas pequenos pedaços de terras e a maioria o trabalho nas fazendas. A partir de uma pesquisa documental e das memórias indígenas, discutimos como as formas de ocupação e uso das terras naquela região com a pecuária e a agroindústria no Século XX, provocaram mudanças nas relações socioambientais e seus impactos sobre a população indígena Xukuru na Década de 1950 como a escassez de alimentos, a fome e a pobreza. Ocorrendo a expulsão dos indígenas de terras onde habitavam, a migração para área urbana da cidade de Pesqueira, o trabalho como operários nas fábricas instaladas na cidade. Situação revertida após muitas mobilizações, conflitos e violências enfrentadas pelos indígenas que retomaram suas terras e conquistaram a demarcação oficial da Terra Indígena Xukuru do Ororubá em 2001
O catolicismo presente no processo de escolarização: colégio interno feminino no planalto norte catarinense
O trabalho se propõe a descrever a criação e a trajetória de um colégio interno católi-co feminino, destacando os ideais da Fé cristã que se internalizaram no processo de formação das educandas. O Colégio Santos Anjos foi instalado no município de Porto União, Estado de Santa Catarina, no ano de 1917, pela Congregação das Irmãs Missionárias Servas do Espírito Santo (MSSpS). Esse texto tem por objetivo analisar as práticas religiosas que a escola católica articu-lava no seu interior e exterior envolvendo as educandas e a comunidade. Justifica-se esse estudo pela relevância e solidez atingida por um colégio confessional católico, destinado à formação fe-minina local e regional, promovendo o interesse de uma boa parte das famílias da elite daquele determinado contexto. A metodologia apresenta-se descritiva, bibliográfica e exploratória com a utilização de fontes devidamente inventariadas e entrevistas a ex-alunas da instituição. Utilizam-se os estudos culturais de Julia (2001) e a história da educação católica no Brasil, de Azzi (2008). Abstract:The study aims to describe the creation and trajectory of a female Catholic boarding school, highlighting the ideals of Christian faith that is internalized in the formation process of the students. The Santos Anjos College was installed in the municipality of Porto União, state of Santa Catarina, in 1917, the Congregation of the Missionary Sisters Servants of the Holy Spirit (MSSPs). This paper aims to analyze religious practices that the Catholic school articulated inside and outside involving the students and the community. This study is justified by the relevance and solidity hit by a Catholic confessional school, for the local and regional women's training, promoting the interest of a good part of the elite families that particular context. The methodology presented is descriptive, bibliographical and exploratory with the use of properly inventoried sources and interviews with former students of the institution
Questões de limite e povoamento: a produção de Orville Derby e Teodoro Sampaio na revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (1895-1901)
A produção histórica do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo no início do século XX se inseriu em um contexto de mudanças políticas, econômicas, sociais e culturais. Na busca por uma hegemonia política na primeira república, os letrados sócios do Instituto participaram de uma construção histórica que buscou legitimar e justificar essa hegemonia. Ambicionava-se reconstruir a história nacional com fatos e vultos da história local. Neste artigo buscamos entender como e por que a escrita sobre os limites do estado de São Paulo e o povoamento do interior paulista por Orville Derby e Teodoro Sampaio, respectivamente, contribuíram para a escolha dos primeiros temas para a escrita da história em São Paulo no início do século XX. Foram selecionados 8 textos dos dois autores entre 1895 e 1901 para analisar os temas e enunciados presentes nesses estudos. Esses textos seriam de alguma forma complementares entre si, pois enquanto Derby delinearia este espaço, o estado de São Paulo, Sampaio “povoaria” esses limites produzindo um primeiro esboço de uma história que contemplava os temas que guiaram a produção histórica do Instituto posteriormente: a expansão e povoamento do interior do país
O grupo teatral Gente Nossa e a cruzada social contra os mocambos no Recife (1939)
O artigo aborda a relação de intelectuais com o sistema de poder, enfatizando mais uma situação em que se fez a tentativa de solucionar conflitos sociais existentes em determinada conjuntura, recorrendo a estratégias de desmobilização social. A análise tem como cenário o período do Estado Novo, particularizado nas disseminações de sua forma de agir, no caso, focando em Pernambuco, no períododa gestão de Agamenon Magalhães. O ator principal é o Grupo de Teatro Gente Nossa, e a trama envolve a luta contra os mocambos, uma vez que a erradicação daquele tipo de moradia era uma das metas do interventor pernambucano. A análise empreendida ajuda a desvendar a utilização de empreendimentos culturais postos a serviço de um projeto político. O artigo evidencia uma importante vinculação: a que se deu entre o regime então vigente e um dos mais sólidos pilares de sua sustentação – a cultura. E, nesta, a manifestação teatral planejada para ser um eficaz veículo de publicidade objetivando a fomentação de um pensamento hegemônico que, por sua vez, visava a justificar as lutas travadas em favor da edificação de uma sociedade ordenada e obediente a valores pré-estabelecidos. Baseado em pesquisas documental e bibliográfica, o estudo não deixa dúvidas de que a atuação do Grupo de Teatro Gente Nossa foi mais um caso que pressupunha a arte instrumentalizada e posta a serviço da consolidação de um modelo social; portanto, não voltada à produção de embevecimentos e fruições estéticas
Entre o varguismo e o florismo: a atuação da Frente Única Gaúcha no processo de isolamento político de Flores da Cunha
Apresento parte da pesquisa desenvolvida no Programa de Pós Graduação em História na PUCRS em nível de mestrado. Aqui, analisamos o papel da Frente Única Gaúcha (PL e PRR) no processo de isolamento político do governador Flores da Cunha no Rio Grande do Sul (1935-1937). A FUG, uma aliança constituída em função da Revolução de 1930, passou a ser um bloco político oposicionista a partir do momento em que se distanciou de Getúlio Vargas, rompendo por definitivo em função do apoio aos paulistas na Guerra Civil de 1932, esperando contar com o apoio de Flores da Cunha, então interventor, que não ocorre. Desmantelado o movimento, os frenteunistas passaram para o exílio e ostracismo, voltando ao cenário político depois da Lei da Anistia de 1934, agora como bloco de oposição a Getúlio Vargas e Flores da Cunha. No entanto, a partir de 1935, passou a dialogar com ambos, sobretudo na medida em que Getúlio Vargas e Flores da Cunha, de fieis aliados, passaram ao rompimento político e pessoal, com a resistência deste a qualquer movimento em direção a quebra da carta constitucional de 1934. Desta forma, constatamos que a FUG teve papel decisivo para ambos os lados em dissídio, realizando um acordo com Flores da Cunha em 1936 – modus vivendi – mas, a partir de 1937, teve papel preponderante para a queda do governador do Rio Grande do Sul, viabilizando o golpe do Estado Novo, duas semanas depois de sua renúncia. Para isso, dialogaremos com a literatura existente sobre o tema e com alguns arquivos pessoais e hemerotecas, assinaladas ao longo deste texto