Universidade Catolica de Pernambuco: Portal de Periódicos da UNICAP
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“Água fonte de vida”: a Festa da Virgem do Ivaí - PR
Na última década do século XXI, a Festa de Nossa Senhora das Águas no norte do Paraná tem-se tornado uma das celebrações religiosas mais representativas do Es-tado. Justamente pelo fato da dimensão que tal festividade atingiu no município Ivatuba, espaço geográfico circunscrito à cidade, posteriormente, ampliado às pe-quenas urbes que cresceram às margens do rio Ivaí. Para compreendermos a Inven-ção dessa Tradição e como a mesma representa os anseios da comunidade católica local, nos concentraremos nos pressupostos de Hobsbawn (1984) e de Roger Char-tier (2002). O núcleo documental desse artigo reúne dois tipos de fontes: narrati-vas orais (entrevistas e depoimentos) e discursos imagéticos, cujas análises estão embasadas, principalmente, nas proposições de Alessandro Portelli (2004) e Peter Burke (2004). Na segunda parte do artigo, atentaremos para análise do rito “procissão” presente na festividade, observando a dualidade sacra e profana
EXPEDIENTE / MASTHEAD
Paralellus UnicapEditor-GerenteProf. Dr. Luiz Carlos Luz MarquesUniversidade Católica de Pernambuco, UNICAP-PERua Almeida Cunha, 245, Sala C1, 8º andar do Bloco G4CEP: 50050-480, Boa Vista, Recife - PE - Brasil E-mail: [email protected] ADMINISTRAÇÃO SUPERIOR DA UNICAPPresidentePe. Miguel de Oliveira Martins Filho, S.JReitorProf. Dr. Pe. Pedro Rubens Ferreira Oliveira, S.J.Pró-ReitoriasPró-Reitora AcadêmicaProfª. Drª. Aline Maria GregoPró-Reitor AdministrativoProf. Msc. Luciano José Pinheiro BarrosPró-Reitor ComunitárioProf. Dr. Pe. Lúcio Flávio Ribeiro Cirne, S.J.Coordenação Geral de Pós-graduaçãoProfª Drª. Maria Cristina Lopes de Almeida AmazonasCoordenador do Programa em Pós-Graduação em Ciências da Religião da UNICAPProf. Dr. Newton Darwin de Andrade Cabral
RESENHA: GOMES, ÂNGELA DE CASTRO; HANSEN, PATRÍCIA SANTOS. INTELECTUAIS MEDIADORES: PRÁTICAS CULTURAIS E AÇÃO POLÍTICA
O estudo dos intelectuais tem ganhado evidência. “Trata-se de um novo interesse acadêmico por questões relacionadas à propriedade e à eficácia do uso de diferentes mídias e linguagens na comunicação de ideais aos mais variados públicos" (p.7). Ao lado de obras já consagradas sobre o tema, como, por exemplo, "Intelectuais à brasileira" (2001), a obra em tela visa contribuir ainda mais para a interpretação desses atores na construção do tecido social. A obra tem como objetivo propor um novo significado do termo "intelectual”, buscando evidenciar um conceito oposto àquele que popularmente se pode ter de intelectual como sendo alguém que cultiva de forma desinteressada a universalidade do espírito. O que busca, então, mostrar, é que o intelectual deve ser visto de forma mais ampla, isto é, como um ator de comunicação de ideias, direta ou indiretamente ligado a construção de uma ação política
POR UMA TANATOLOGIA RELIGIOSA A PARTIR DAS MÚLTIPLAS PERSPECTIVAS DA MORTE E DO MORRER
Este artigo tem o propósito de destacar as particularidades de três termos usualmente empregados para designar respectivamente, o morrer, a morte e o fim. A tanatologia, a escatologia e a teleologia aristotélica, chamada cósmica, são campos de estudo diferenciados, onde a morte ou o fim, enquanto propósito, é o centro de todas as especulações. Devemos lembrar que neste contexto, quando nos referirmos à morte, estaremos limitando-a apenas ao universo fenomênico religioso, visto sua grande amplitude no universo dos fenômenos. Desta forma, a partir dos esclarecimentos sobre a tanatologia, achamos pertinente e oportuno neste estudo, a introdução de um novo termo que criamos com o intuito de abarcar e expressar todos os aspectos espirituais, religiosos e transcendentais que repousam no processo de morte, a Tanatologia Religiosa. Com base em nosso objetivo central, o percurso metodológico adotado será a análise explicativa, pois que apenas temos o intuíto de esclarecer tais campos de estudo quanto aos seus fundamentos, objetivos e abrangência. Palavras-chave: Morte; Morrer; Tanatologia; Escatologia; Teleologi
ŚRADDHĀ: A FÉ COMO O ÍMPETO A MOVER O PROCESSO RELIGIOSO DENTRO DO HINDUÍSMO DEVOCIONAL
O presente trabalho vem problematizar o conceito de śraddhā, entendido como a fé dentro do Vaiṣṇavismo Gauḍīya de Caitanya Mahāprabhu (1486-1534), baseado em textos como a Bhagavad-gītā e o Bhāgavata Purāṇa, os quais servem de norte para toda Filosofia e Teologia nos Vedas dessa tradição de devoção monoteísta (bhakti), uma das mais proeminentes vertentes religiosas do hinduísmo. Será a fé um recurso desenvolvido por ignorantes em sua infância racional, ou seria um elemento universal sob certa perspectiva comum a todos? Tal elemento, por distinguir e caracterizar a existência entre teístas e ateístas seria concedido a uns e negado para outros de acordo com os caprichos de Deus? Analisaremos o desenvolvimento sistemático e gradual de śraddhā a prema (amor puro) como demonstrado em textos como o Bhāgavata Purāṇa e o Bhakti-rasāmṛta-sindhu de Śrīla Rūpa Gosvāmī com as considerações finais ao problema aberto sendo verificadas no Caitanya-caritāmṛta e por Viśvanātha Cakravartī Ṭhākura de como a divindade se mantém imparcial mas essa segue a vontade de seu devoto.
Os Indígenas Através da Leitura: possibilidades de narrativas sobre o indígena em “Através do Brasil”, de Olavo Bilac e Manoel Bomfim
No decorrer do século XIX, ocorreu uma acirrada discussão sobre o lugar do índio na constituição da sociedade brasileira. Podemos destacar duas vertentes principais de abordagem: a Romântica e outra vertente, à figura de Varnhagen. Assim, o presente trabalho tem por intenção discutir as modificações e permanências desses discursos, a partir de uma análise do livro de leitura “Através do Brasil”, escrito por Olavo Bilac e Manoel Bomfim, publicado pela primeira vez em 1910. Os li-vros de leituras, materiais escolares utilizados no período republicano estipulado, foram de grande importância para a construção de uma determinada memória so-bre os indígenas brasileiros, principalmente a partir da noção de memória coletiva