Universidade Catolica de Pernambuco: Portal de Periódicos da UNICAP
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Mercados, guerras e mercês: a mobilidade social no antigo regime através da trajetória e Ambrósio Fernandes Brandão, mercador, cristão-novo nas capitanias do Norte
O Antigo Regime testemunhou transformações de sua ordem social à luz da formação do Sistema-Mundo. Os circuitos estendidos por Judeus Sefardis e Cristãos-novos envolvidos nas trocas de longadistância encontravam-se no bojo desse processo, desenvolvendo uma elite ultramarina capaz de traçar estratégias de mobilidade social através do patrocínio, matrimônios com nobrezas locais e outros meios. A trajetória de Ambrósio Fernandes Brandão é umexemplo desta atividade, permitindo revelar a agência envolvida em adquirir status o suficiente, dentre guerras e favores reais, para manter uma rede mercantil capaz de resistir a perseguição inquisitorial no Império Ultramarino ibérico.
A construção discursiva do conceito de “heresia” no contexto da questão religiosa: uma análise a partir do jornal O Apóstolo (1871-1875)
No Brasil do século XIX, o advento da modernidade política foi marcado por profundas mutações conceituais, que acompanharam as reconfigurações nos nexos entre religião e política, as quais tiveram como etapa crucial os acontecimentos associados à Questão Religiosa (1872-75). Desde então, a Igreja católica caminhou para a separação oficial e abrupta em relação ao Estado e para a conquista de sua identidade institucional, subordinada ao Sumo Pontífice. Na defesa deste projeto, clérigos e leigos ultramontanos fizeram da imprensa católica instrumento eficaz na nomeação de seus inimigos e preservação de sua influência junto à sociedade civil, à medida que diminuía sua participação política direta. Este projeto visa analisar um dos conceitos que, na conjuntura em foco, foi amplamente veiculado pelo discurso ultramontano, assumindo singular importância e capacidade de generalização, ao mesmo tempo em que se revelou profundamente polissêmico. Trata-se do conceito de “heresia”, o qual, na formulação discursiva ultramontana, observou um deslocamento das heresias medievais em direção às tendências associadas à modernidade ocidental, ajudando a modelar o novo sujeito herético, no Brasil da segunda metade do século XIX. A fonte eleita é o jornal ultramontano O Apóstolo, editado na província do Rio de Janeiro entre 1866 e 1901, cuja análise se pauta no instrumental metodológico da História dos Conceitos
"[...] que fossem cristãos e bons vassalos": as representações da alteridade indígena amazônica no Itinerario das Visitas Pastorais de D. José Afonso de Moraes Torres (1845-1848)
O presente artigo tem como objeto as representações da alteridade indígena amazônica construídas pelo bispo Dom José Afonso de Moraes Torres (1805-1865) no Itinerário das Visitas Pastorais, registro de suas viagens pela diocese do Pará entre os anos de 1845 e 1848. Na leitura dele, nota-se um entrelaçamento entre os campos religioso e político, na medida em que despontam concepções e práticas informadas tanto pela ortodoxia ultramontana, quanto das questões formuladas nos debates entre as elites políticas e intelectuais do Segundo Reinado sobre a construção da nação e da nacionalidade brasileiras, sobre os quais, o bispo, como membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), tinha amplo acesso. O desejo maior de D. José Afonso, nas visitas pastorais e no Itinerário, era o de sobrepor um modelo de cristão-vassalo, desejável naquela época à liderança da Igreja e do Estado, à heterogeneidade étnica e cultural indígena. Portanto, cabe-nos indagar sobre o que significava, para o bispo, ser cristão e vassalo
NOMINATA
Lista dos e das colegas que colaboraram na avaliação dos artigos, durante esse ano pandêmico e nos ajudaram na ingente tarefa de escolher os melhores conteúdos. A todas e todos, nosso muito obrigado
“SAIR DO PAPEL PARA A VIDA”: ENTRECRUZAMENTOS ENTRE TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO E FORMAÇÃO DO CAMPO INDIGENISTA NO NORDESTE - ENTREVISTA COM O INDIGENISTA SAULO FERREIRA FEITOSA
Esta entrevista com o indigenista Saulo Ferreira Feitosa foi realizada no início de outubro de 2017, nas dependências do Centro Acadêmico do Agreste/UFPE, em Caruaru, Estado de Pernambuco, no âmbito do projeto Memórias Indigenistas no Nordeste. O projeto desenvolve um conjunto de ações integradas que visam a recuperação, organização, documentação e disponibilização de acervos (fotográfico, hemerográfico, audiovisual e sonoro) construídos durante a atuação do Conselho Indigenista Missionário - Regional Nordeste (Cimi/NE) desde a sua fundação, na década de 1970. A entrevista foi realizada como parte do projeto intitulado “Pesquisando a memória das imagens, contando a história indígena e do indigenismo no Nordeste”, que tem apoio de recursos oriundos do Edital Funcultura 2014, da FUNDARPE-SECULT/PE
A Palavra que é Pão: a Eucaristia no Quarto Evangelho
Estuda-se a “sacramentologia (eucarística) submersa” no Quarto Evangelho, que não traz a Instituição da Eucaristia no relato da Última Ceia, mas apresenta conotações eucarísticas em diversos textos, principalmente no relato da Multiplicação dos Pães. O assim chamado “Discurso Eucarístico”, Jo 6,51-58, é abordado na perspectiva da encarnação e morte de Jesus. Outros textos examinados são o Lava-Pés (13,1-30), à luz da despedida de Jesus (Jo 13–17), o Lado Aberto (Jo 19,33-37) e a refeição depois da Ressurreição (Jo 21,1-14). O “memorial” da morte salvadora de Cristo ultrapassa, em João, o rito da Instituição da Eucaristia e é suprassumido na sua cristologia da Palavra de Deus Encarnada
Eucaristía y Pobres
El título encierra una paradoja: La Cena del Señor es sacramento del banquete del Reino destinado a los pobres y a los solidarizados con ellos y sin embargo los pobres sólo tienen acceso a él si en su comunidad hay un no pobre, porque ningún presbítero es pobre. Jesús vive en un mundo cuya religión se caracteriza por la tríada templos-sacerdotes-sacrificios siendo pública y en el fondo política. Esa tríada está ausente en la vida y propuesta de Jesús. Pero por inculturación o aculturación acaba imponiéndose. Esta versión cristiana relega a los pobres a la condición de asistentes e incluso ni eso. La fidelidad a Jesús y a la nueva época exige dejar esa tríada. Sólo si lo hacemos, los pobres volverán a alegrarse al participar de la Cena del Señor. Ya lo empezamos a hacer en la recepción, en este punto creativa, del Vaticano II que llevó a cabo la Iglesia latinoamericana en Medellín y Puebla. Urge retomar el camino de fidelidad en esta nueva época
Para uma abordagem dos hinos do Apocalipse: uma discussão metodológica
Alguns pesquisadores destacam a força retórica da mensagem do livro do Apocalipse de João, como é o caso, por exemplo, de Elisabeth Schüssler Fiorenza, Lewis Snyder e Jean Felipe de Assis. Neste artigo, apresentaremos para discussão o método da análise retórica proposto por Roland Meynet com suas vantagens e limites para uma compreensão dos hinos do Apocalipse. Observam-se algumas especificidades no Apocalipse para o êxito da aplicação de tal método, como, por exemplo, o grego raro do livro com interferências das línguas hebraica e aramaica na estrutura gramatical e o contato com a cultura greco-romana. Serão expostas outras abordagens recentes dos hinos do Apocalipse e as metodologias escolhidas pelos pesquisadores do tema em contraste com a retórica bíblica. Por fim, será verificada a dificuldade de aplicar o método de Meynet aos hinos do Apocalipse e qual seria uma opção metodológica possível
O Domínio da Razão Entre Freud e Platão
No presente artigo, busca-se demonstrar que o domínio da razão sobre a dimensão corpórea, território dos apetites, é um imperativo no projeto ético platônico e freudiano. Com efeito, assim como Platão concebe uma faculdade racional da alma que deve dominar a parte apetitiva, essencialmente ligada ao corpóreo, Freud concebe o psíquico como um aparelho forjado para dominar as pulsões que se originam no organismo e chegam à mente como exigência de trabalho em virtude de sua ligação com o corpo. Ao longo do artigo, será demonstrado que o domínio do corpóreo pela atividade racional é, em certa medida, análogo em Freud e em Platão
PAJÉ, ‘ENCHANTED’ SPIRITS AND PROMISES AMONG THE INDIAN RELIGIOUS PRACTICES UNDERSTANDINGS IN ALAGOAS
O Objetivo desse artigo é expor um sentimento contraditório entre a compreensão genérica dos termos Pajé/Pajelança, associados diretamente ao de Xamã/Xamanismo. A oposição a esses termos foi obtida diretamente por meio de experiências etnográficas entre as etnias indígenas do Alto Sertão Alagoano e por meio de debates estabelecidos em eventos acadêmicos e em outros espaços que reúnem indígenas de outros lugares. Enquanto não foi possível encontrar um estudo teórico sobre o problema aqui apresentado, ambos os termos, Pajé/Pajelança, Xamã/Xamanismo, são colocados, concomitantemente iguais em seu conjunto, pela antropologia e também contrários entre si pelos povos indígenas da região. Debate que, teoricamente, vem sendo diferenciado em seus termos e práticas por indígenas em vários espaços quando suscitado o tema de forma genérica, sem distinção de uso. Já que, para os índios da região, Pajé/Pajelança, Xamã/Xamanismo, não se assemelham entre si. Nesse sentido, procuro expor a noção do entendimento dos termos Pajé/Pajelança a partir de sentidos religiosos representados nos rituais de Promessa aos Encantados. Nesses rituais, as ações do Pajé são configuradas como Pajelança. Para as etnias indígenas em Alagoas, esses termos são acionados enquanto identidade étnica local e se particularizam em cada etnia. Percepção que se opõe aos termos Xamã/Xamanismo, terminologia (práticas) universais que “não dão conta” de explicar a etnicidade latente nas etnias indígenas do Nordeste.The goal of this article is to display the contradictory feeling between the general understandings between Pajé/Pajelança, directly associated to Shaman/Shamanism. The opposition between these terms were directly obtained by ethnographies experiences among the Indians ethnicities of Alto Sertão Alagoano and among the settled down debates at academics events and other fields that suit other Indians from other places. While it was not possible to find a theoretical study about the problem here presented, both terms, Pajé/Pajelança, Shaman/Shamanism, are mutually placed in their assortment by Anthropology as much as opposites among the Indian peoples of the region. A debate that, theoretically, has been distinguished into its terms and practices by Indians in many fields when the theme is abridged in a general manner, without a usage distinction. Whereas Pajé/Pajelança, Shaman/Shamanism, to the Indians in the territory, are not alike. Therefore, I seek to bring to light the understanding notion of the terms Pajé/Pajelança following the religious insight represented by the promises rituals to the ‘Enchanted’ spirits. Towards these rituals, the pajé’s actions are taken for pajelança. To the Indian ethnicity in Alagoas, these terms are set off as the local ethnicity identity and are particularized into each ethnicity. Perception that goes opposite to the terms Shaman/Shamanism, terminology for universal practices that cannot ‘handle’ the explanation of an inherent ethnicity in the Indians ethnicities in Northeast