Publicações do Centro de Humanidades - UFCG (Universidade Federal de Campina Grande)
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LETRAMENTOS CONTEMPORÂNEOS: A ERRÁTICA EXPANSÃO DAS FORMAS DE REPRODUÇÃO E TRANSFORMAÇÃO SOCIAL NA ERA DA GLOBALIZAÇÃO RECENTE
Este trabalho tem como objeto de estudo as práticas contemporâneas de letramentos e seus efeitos sobre a produção do conhecimento e da vida social. Trata-se de uma discussão teórica sobre como a expansão das práticas de letramentos, advindas de diferentes loci de enunciação, pôs em xeque a produção de saberes e subjetividades legitimados pela modernidade. Explorando a literatura recente sobre modos contemporâneos de produção de sentido, constatamos que o uso subversivo das novas tecnologias da informação e da comunicação e as contíguas práticas de letramentos têm fomentado formas de ativismo em que performances identitárias de gênero, classe, raça e sexualidade se entrecruzam. Com base em tal fenômeno, argumentamos que a interseccionalidade perpassa agendas políticas, abrangendo, concomitantemente, demandas singulares e coletivas
DO MANUSCRITO AO FOLHETO DE CORDEL: UMA LITERATURA ESCRITA PARA SER ORALIZADA
Considerações sobre a Literatura de Folhetos / Literatura de Cordel como uma literatura em processo, viva, que tem passado por várias mudanças, desde seu período de formação e produção de folhetos em vários estados do Nordeste. São destacados diferentes exemplos, dentre eles, os épicos manuscritos, colhidos por Euclides da Cunha durante a Guerra de Canudos, escritos para serem oralizados. O estudo centra-se na característica específica de ser uma literatura feita, mais para “os ouvidos” que para os olhos, desde o início, o que seria difícil de provar sem os estudos de vários pesquisadores e da leitura de folhetos existentes na coleção “Cordéis de Mário de Andrade”. Esta coleção integra publicações de outros estados e de alguns países, em que se faz uso da mesma “fórmula editorial”, identificada pelo tipo de edição em brochura, com capa de papel na cor branca ou colorido e miolo em papel jornal, mas contendo uma produção bem diferente do que se conhece como literatura de cordel. A coleção de Mário de Andrade também foi uma fonte fundamental para estudar a variação de denominações utilizadas pelos poetas populares nordestinos e, ainda, por fornecer o material que foi ponto de partida para dois ensaios de Mário de Andrade. Outra questão aqui desenvolvida diz respeito ao público tradicional constituído por leitores/ouvintes ou ouvintes/leitores, encontrados em pesquisas de campo, que trazem em sua memória uma ou mais histórias, publicadas em folhetos, decoradas, quando ainda eram crianças, mas que afloram sempre que surge uma oportunidade para “dizer” os versos ou cantá-los
O INTERACIONISMO SÓCIO-DISCURSIVO E O ENSINO DE ESCRITA: ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE OS GÊNEROS ESCOLARES E NÃO ESCOLARES
Neste artigo, apresentamos algumas reflexões sobre o ensino da escrita a partir das contribuições do Interacionismo Sócio-discursivo. Em um primeiro momento, abordamos o conceito de gênero de texto apresentado por Schneuwly (2004). Em seguida, tecemos considerações sobre o ensino da escrita, destacando o conceito de sequência didática desenvolvido por Dolz, Noverraz e Schneuwly (2004), bem como a recepção do ISD em algumas pesquisas desenvolvidas no Brasil. Argumentamos que as contribuições do ISD para o ensino da escrita introduzidas no nosso país parecem negar a escola como lugar específico de comunicação. Assim, as sequências didáticas aplicadas em nosso contexto muitas vezes procuram conduzir os discentes a produzir gêneros que tipicamente não circulam na escola
PARTIR, QUERENDO FICAR: MIGRAÇÕES E IDENTIDADES NA LITERATURA DE CORDEL
Este artigo apresenta uma leitura sobre o tema da migração na literatura de cordel. Para tanto, foram analisados alguns textos literários em diálogo com estudos sobre as migrações internas no Brasil, considerando o contingente de nordestinos que se deslocaram do Nordeste em direção às grandes capitais do Brasil. Foram problematizadas, ainda, as estratégias de construção identitária e as subjetividades evidenciadas a partir da análise de algumas representações elaboradas nos textos populares, tendo em vista as especificidades históricas e sociais da diáspora nordestina
CULTURA E RELAÇÕES DE RECIPROCIDADE: A LITERATURA DE CORDEL EM DIFERENTES CONTEXTOS
O presente trabalho comenta brevemente as características do cordel brasileiro e de que forma seus elementos se combinam com os elementos da cultura popular. Algumas considerações sobre cultura atuam de forma pertinente na discussão do lugar ocupado pela cultura popular no Brasil não somente junto ao público comum, mas também em face das problematizações acadêmicas. Há ainda rápida exposição a respeito das diferenças entre a literatura de cordel pioneira e contemporânea, o que nos ajuda no entendimento do processo de declínio atravessado por essa produção, por volta dos anos 1950/60 e de sua revitalização, já que segue sendo escrita e lida em diferentes partes do país. Ao contrário do que ocorreu em outros países, os folhetos brasileiros resistiram e resistem ao ostracismo
A FORMAÇÃO DO LEITOR POR MEIO DA LITERATURA DE CORDEL
Este artigo traz uma reflexão sobre o ensino de literatura a partir da leitura e performance do cordel. Para tanto, sugerimos a introdução da cultura popular como parte dos conteúdos significativos que despertam o interesse e a motivação dos leitores em conhecer a diversidade cultural do cordel, além de fomentar o prazer estético e a performance, articulando com a formação crítica do leitor. Metodologicamente, exploramos conceitos de cultura popular e performance, propostos por Hall e Zumthor. Quanto ao ensino de literatura, exploramos os métodos de leitura interdisciplinar e subjetiva defendidas por Cereja e Rouxel. Como proposta de intervenção, propomos vivências de literatura de cordel.
PERCEPÇÃO-PRODUÇÃO DA FRICATIVA INTERDENTAL SURDA DO INGLÊS /θ/ TENDO COMO SUPORTE O DESENVOLVIMENTO DA CONSCIÊNCIA FONOLÓGICA
No ensino de uma segunda língua é importante o reconhecimento de algumas diferenças existentes entre inventário fonêmico da língua materna e da língua-alvo, como também a existência de algumas mudanças na maneira como esses fonemas são estruturados. O não entendimento disto pode comprometer a percepção de determinados segmentos, visto que o aprendiz tem como base para entender a língua-alvo apenas o seu inventário fonêmico da língua materna. Este trabalho tem como objetivo analisar a eficácia do desenvolvimento da consciência fonológica no nível fonêmico no processo de percepção-produção da fricativa interdental surda por falantes brasileiros do inglês como segunda língua
MARIA DAS NEVES BATISTA PIMENTEL: A VOZ POR TRÁS DO VERSO
Em seus folhetos de cordel, publicados na década de 1930, Maria das Neves Batista Pimentel reiterou os valores patriarcais vigentes na sociedade nordestina em que vivia, buscando exaltar, principalmente, a honra e a virtude como as maiores dádivas femininas. Em sua escrita, sob o pseudônimo do marido, Altino Alagoano, não buscou se aproximar do universo feminino, muito menos advogar em favor de uma maior participação feminina na sociedade. Neste artigo pretendemos investigar como a cordelista retratou as mulheres em seu folheto e também por que a autora reafirmou as regras sociais a que esteve submetida durante toda a vida, incorporando os dogmas e valores patriarcais às histórias que compunha em versos
Apresentação do Volume 16, Número 2.
Apresentação do volume 16, n. 2, 2016, da Revista Leia Escola