Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais (Portal de Publicações da ANPUR)
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IDH, indicadores sintéticos e suas aplicações em políticas públicas: uma análise crítica
Uma das áreas de pesquisa interdisciplinar nas Ciências Sociais Aplicadas que vem merecendo atenção crescente nas universidades, centros de pesquisa e agências estatísticas é o campo de estudos em Indicadores Sociais e Políticas Públicas, que se revela pela proposição de medidas-resumo – indicadores sintéticos – da realidade social vivenciada pela população brasileira. Neste trabalho, faz-se uma análise crítica dessas medidas, começando pelo Índice de Desenvolvimento Humano Municipal, estendendo-se por diversas outras propostas de indicadores propostos ao longo dos últimos dez anos. Reconhece-se a contribuição desses no que se refere a promover a discussão sobre a pobreza, a exclusão social, para a agenda política nacional, mas apontam-se os problemas de natureza conceitual e metodológica das propostas, assim como, o que é pior, o uso mal informado de indicadores sintéticos como critérios de elegibilidade de municípios para políticas sociais.
Du contre-pouvoir. De la subjectivité contestataire à la construction de contre-pouvoirs
Du contre-pouvoir. De la subjectivité contestataire à la construction de contre-pouvoirsMiguel Benasayag e Diego Sztulwark,La Découverte: Paris, 2000. 167p
Qualidade do espaço residencial e sustentabilidade: (re)discutindo conceitos e (des)construindo padrões
A partir da análise da inserção das condições de habitação na construção de diferentes conjuntos de indicadores de qualidade de vida, o presente trabalho propõe uma leitura crítica desses conceitos, apontando limites e possibilidades de sua utilização enquanto instrumentos de aferição da realidade. Discute os conceitos envolvidos na definição de aspectos de qualificação do espaço residencial e a construção de padrões subjacentes a estes, buscando identificar as múltiplas dimensões – ambiental, social, econômica, política, cultural – implicadas na produção e apropriação desse espaço. A identificação dos componentes que concorrem para a configuração de determinado espaço residencial, e o reconhecimento das relações que a partir daí se estabelecem sugerem a necessidade de uma abordagem diferenciada de avaliação, capaz de permitir a transposição de escalas, de confrontar distintos interesses e de captar a diversidade de lugares de morar na cidade, segundo princípios de sustentabilidade.
O desenvolvimento urbano democrático como utopia
Entrevista com Ermínia Maricato, Secretária Executiva do Ministério das Cidades, concedida a Ana Clara Torres Ribeiro e Henri Acselrad
Atenas, o olimpismo à guisa de urbanismo
Os Jogos Olímpicos de 2004 marcaram o coroamento de uma nova era iniciada na capital grega há mais de um quarto de século. O retorno a uma democracia reforçada, a vinculação à Europa política, a consciência da responsabilidade internacional assumida no Mediterrâneo oriental, nos Bálcãs e no vasto mundo através da marinha grega, confirmam Atenas em seu destino de “cidade global”. Para além da funcionalidade com relação à natureza das provas esportivas ou o desenrolar das festividades, a escolha dos sítios olímpicos respondeu a uma vontade estratégica afirmada sobre a totalidade do espaço da região urbana e a um desejo de reconversão geral das infra-estruturas após os Jogos. O presente texto mostra que, mais do que em Barcelona, onde o direcionamento da cidade para seu porto foi o grande evento dos anos 90, a mutação aqui engajada é mais fundamental, posto que Atenas, capital continental, não foi jamais uma cidade litorânea: desde a Antiguidade, o Pireu e suas bacias contribuintes constituem uma entrada marítima descentrada e a vocação da costa foi sempre mais balneária do que verdadeiramente urbana.
Territórios da política em Caracas: usos e representações do espaço público
Os eventos políticos que tiveram lugar em Caracas desde meados do século XX acarretaram a aparição de formas inovadoras de utilização do espaço público e o desenvolvimento de territorialidades urbanas diferenciadas. A incorporação de grandes multidões à urbe, a luta pelos direitos de cidadania, o surgimento dos partidos políticos e outras formas de organização da sociedade e a transformação dos espaços públicos aos fins do debate político são alguns dos fenômenos que têm caracterizado a modernidade caraquenha. Com a crise do sistema democrático, a politização da vida cotidiana e a reformulação dos esquemas de participação política têm acentuado os processos de segregação espacial e provocado o surgimento de novos mapas de percepção da metrópole. O objetivo principal deste trabalho é examinar desde uma perspectiva histórica a evolução no uso e representação do espaço público utilizado para os fins da participação política, suas implicações para o planejamento urbano e a introdução em tempos recentes de novas cartografias urbanas por efeito de processos de mudança política, programas de descentralização governamental e debates patrimoniais.