Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais (Portal de Publicações da ANPUR)
Not a member yet
    812 research outputs found

    Territórios periféricos e as geografias da reprodução social crítica: heterogeneidade de práticas na urbanização periférica

    Full text link
    Based on ethnographic research carried out in a metropolitan periphery of Belo Horizonte, this text investigates the geographies of critical social reproduction produced by peripheral subjects to guarantee their survival amid the crisis. It explores the diversity of practices based on stories from the area studied, paying attention to the strategies of social reproduction and the spatialities produced. These are strategies for surviving the adversities accumulated in the context of the contemporary crisis. The argument is based on the diagnosis of a profound transformation in peripheral territories. It seeks to highlight the complexity of the social practices involved in the dynamics of peripheral urbanisation, highlighting the heterogeneity of this reality.A partir de pesquisa de natureza etnográfica realizada em uma periferia metropolitana de Belo Horizonte, este texto investiga as geografias da reprodução social crítica produzidas por sujeitos periféricos de modo a garantir sua sobrevivência em meio à crise. Explora-se a diversidade de práticas a partir de relatos de histórias da área estudada, atentando-se para as estratégias de reprodução social e as espacialidades produzidas. Trata-se de estratégias para sobreviver nas adversidades acumuladas no contexto da crise contemporânea. O argumento baseia-se no diagnóstico de uma profunda transformação nos territórios periféricos e busca evidenciar a complexidade das práticas sociais que estão envolvidas na dinâmica da urbanização periférica, evidenciando a heterogeneidade desta realidade

    Periferias como lugares de (re)existência das mulheres: do corpo à cidade

    Full text link
    The article examines how women living in impoverished peripheries with limited access to public support services for care work develop their daily (re)existences in response to the processes of dispossession imposed on their bodies by socioeconomic vulnerability and housing public policies. The research emphasizes the intersection of gender, race, and class in access to the right to the city and the construction of urban space, highlighting the ways in which these women act to mitigate the effects of precarious work, the deprivation of basic rights, the overload of care work, and housing in socio-spatially segregated areas. The article explores the paradoxical role of public housing policies, which function both as a means of access to housing and as a mechanism of control over women's bodies in these territories, restricting their autonomy and mobility within the city. The study adopts an ethnographic approach, employing participant observation, neighborhood walks, women's discussion circles, and field journals as methodological procedures to better understand the everyday forms of (re)existence and city-making practiced by the residents of the Viver Bem Residential Complex, located in the southern periphery of Santa Cruz do Sul/RS. The analysis explores how these women build mutual aid networks as a survival strategy, challenging the state's disciplinary logic. The discussion is framed through feminist and decolonial perspectives on cities and urban space, offering a critique of the universalist notion of the right to the city and advocating for the recognition of plural ways of inhabiting urban territories. The article reflects on how cities should be conceptualized based on the materiality of bodies in the territories they inhabit, incorporating knowledge derived from their concrete experiences and overcoming normative approaches that perpetuate inequalities.O artigo trata de como mulheres moradoras das periferias empobrecidas e menos providas de serviços públicos de apoio ao trabalho de cuidado desenvolvem suas (re)existências cotidianas diante dos processos de espoliação impostos aos seus corpos pela vulnerabilidade socioeconômica e pela política pública habitacional. A pesquisa enfatiza a intersecção entre gênero, raça e classe no acesso ao direito à cidade e na construção do espaço urbano, destacando as formas como essas mulheres atuam para atenuar os efeitos do trabalho precarizado, da subtração de direitos básicos, da sobrecarga do trabalho de cuidados e da habitação em lugares segregados socioespacialmente. É abordado o modo paradoxal de como a política pública habitacional se comporta como meio de acesso à moradia e, ao mesmo tempo, como mais um mecanismo de controle dos corpos femininos nos territórios, restringindo sua autonomia e mobilidade nas cidades. O estudo se aproxima da abordagem etnográfica, contando com a observação participante, as caminhadas pelo bairro, a roda de conversa entre mulheres e os cadernos de campo como procedimentos metodológicos para melhor compreender as formas cotidianas de (re)existir e fazer a cidade das moradoras do Residencial Viver Bem, na periferia sul de Santa Cruz do Sul (RS). São abordadas, ainda, as maneiras como essas mulheres constroem redes de ajuda entre si como estratégia de sobrevivência, desafiando a lógica disciplinadora do Estado. A análise se dá sob perspectivas feministas e decoloniais sobre as cidades e o espaço urbano, trazendo uma crítica à noção universalista do direito à cidade, defendendo a importância de reconhecer os modos plurais de habitar. O artigo leva à reflexão sobre como as cidades devem ser pensadas a partir da materialidade dos corpos nos territórios em que habitam, por meio do conhecimento das suas experiências concretas, superando abordagens normativas que perpetuam desigualdades

    Estrutura socioespacial e mobilidade residencial na Cidade de Montevidéu

    Full text link
    In the context of metropolitan transformations in Latin American cities, this paper analyzes residential mobility and its relationship with the socio-spatial structure of Montevideo, focusing on the only period with available records of moves between neighborhoods (2006-2011). A quantitative approach is used to examine patterns of residential mobility using data from the Continuous Household Survey of the National Institute of Statistics of Uruguay. The results show that, despite coinciding with a period of economic growth and improvements in poverty and income inequality indicators, residential mobility processes between 2006 and 2011 tend to reinforce the existing polarized socio-spatial structure. However, certain socio-urban transformations are identified in the central and intermediate areas that challenge this general trend.En el marco de las transformaciones metropolitanas en las ciudades latinoamericanas, este trabajo analiza la movilidad residencial y su relación con la estructura socioespacial de Montevideo, centrándose en el único período con registros disponibles sobre mudanzas entre barrios (2006-2011). A través de un enfoque cuantitativo, se examinan los patrones de movilidad residencial utilizando datos de la Encuesta Continua de Hogares del Instituto Nacional de Estadística del Uruguay. Los resultados revelan que, a pesar de coincidir con un periodo de crecimiento económico y mejoras en los indicadores de pobreza y desigualdad de ingresos, los procesos de movilidad residencial entre 2006 y 2011 tienden a reforzar la estructura socioespacial polarizada existente. No obstante, se identifican ciertas transformaciones socio-urbanas en las áreas centrales e intermedias que cuestionan esta tendencia general.No contexto das transformações metropolitanas nas cidades latino-americanas, este trabalho analisa a mobilidade residencial e sua relação com a estrutura socioespacial de Montevidéu, concentrando-se no único período com registros disponíveis sobre mudanças entre bairros (2006-2011). Por meio de uma abordagem quantitativa, examinam-se os padrões de mobilidade residencial utilizando dados da Pesquisa Contínua de Domicílios do Instituto Nacional de Estatística do Uruguai. Os resultados revelam que, apesar de coincidir com um período de crescimento econômico e melhorias nos indicadores de pobreza e desigualdade de renda, os processos de mobilidade residencial entre 2006 e 2011 tendem a reforçar a estrutura socioespacial polarizada existente. No entanto, identificam-se certas transformações socio-urbanas nas áreas centrais e intermediárias que questionam essa tendência geral.

    Transformações no setor de saneamento no Estado do Rio de Janeiro: neoliberalização e mudanças regulatórias

    Full text link
    This article analyzes the reconfiguration of water supply services provided to municipalities across the State of Rio de Janeiro. It seeks to examines how advancements in the neoliberalization of Brazil's basic sanitation sector have contributed to a fragmentation in the provision of services and to the emergence of uneven geographies on a regional scale. This will be conducted through the lens of policy experimentation, particularly after the approval of Law 14.026/2020. The study is based on an approach concerning the commodification of public services within the context of neoliberalism, marked by a complex reformulation of regulatory mechanisms. The methodology combines an analysis of secondary data, documentary research, and thematic mapping. The results reveal that the management of sanitation services is increasingly guided by market logic, with the experimentation of controversial regulatory mechanisms that have exacerbated fragmentation and deepened territorial inequality.Este artigo tem como objetivo analisar a reconfiguração da prestação do serviço de abastecimento de água nos municípios do estado do Rio de Janeiro, buscando identificar como as novas investidas do processo de neoliberalização no setor de saneamento básico no Brasil promovem a fragmentação na oferta dos serviços e a produção de geografias desiguais na escala regional, sob a lógica da experimentação de políticas, sobretudo após a aprovação da Lei nº 14.026/2020. O estudo se fundamenta em uma abordagem sobre a mercantilização dos serviços públicos no contexto de neoliberalização marcado por uma complexa reformulação dos mecanismos regulatórios. A metodologia baseia-se na análise de dados secundários, pesquisa documental e mapeamento temático. Os resultados indicam que a gestão dos serviços de saneamento tem se orientado cada vez mais por uma lógica de mercado, com experimentação de mecanismos regulatórios controversos que reforçam a fragmentação e a desigualdade territorial

    O “novo” marco legal e a universalização do saneamento básico no espaço rural

    Full text link
    Basic sanitation is a fundamental cornerstone of both development and ensuring numerous related fundamental rights. However, the widespread deficiencies in current sanitation services result in the denial of these rights for countless individuals. Analyzing the new institutional framework established by Law No. 14.026/2020, we have questioned its ability to promote the effective universalization of basic sanitation in rural areas, within the legally established timeframe. We undertook a descriptive, explanatory study, with a predominantly qualitative approach, based on the specialized literature and official documents, whose data was interpreted using the content analysis technique. Given the different ruralities that exist and the characteristics of the deficit in basic sanitation services in rural areas, we have concluded that the legislative changes to Law 11.445/2007, in the form in which they have been drafted and proposed, on their own, will be unable to achieve the desired universal coverage.O saneamento básico é um componente de suma importância para o desenvolvimento e para a garantia de inúmeros direitos fundamentais correlatos, direitos que são negados diante das significativas deficiências dos serviços atualmente verificadas. Analisando o novo modelo institucional estabelecido pela Lei n. 14.026/2020, problematizamos sua capacidade em promover a efetiva universalização do saneamento básico no meio rural, dentro da meta temporal legalmente estabelecida. Empreendeu-se um estudo descritivo e explicativo, de abordagem predominantemente qualitativa, apoiada em bibliografia especializada e documentos oficiais, cujos dados foram interpretados a partir da técnica de análise de conteúdo. Dadas as diversas ruralidades existentes, o déficit dos serviços e as características do saneamento básico no meio rural, concluímos que as alterações legislativas promovidas, na forma como foram elaboradas e propostas, não serão capazes, por si só, de concretizar a pretendida universalização da cobertura

    Sobre capital e arquitetura: o capital arquitetônico na constituição da sociedade

    Full text link
    Reflecting on society and the diverse assets at our disposal through which we shape our place within it signifies comprehending the multiple dimensions that constitute it.  For Pierre Bourdieu, it is crucial to understand the various types of capital (resources, means and capacities) that we mobilize in order to meet our needs, and that characterize who we are. By incorporating architecture into the constitution of society, based on the space syntax theory, we argue that the way we organize ourselves – bodies in space and time – and the way we organize places constitutes a social macrostructure, into which architectural capital is inserted, which is the ability of a subject to mobilize architecture for his or her purposes. This capital entails possibilities or restrictions regarding how we occupy places and move within them, as well as the conditions that determine the visibility of others. It consists of both spatial capital and building capital, the former referring to open spaces with unrestricted access, and the latter to closed spaces with restricted access. This article aims to present the theoretical framework used to formulate the concept of architectural capital.Reflecting on society and the diverse assets at our disposal through which we shape our place within it signifies comprehending the multiple dimensions that constitute it.  For Pierre Bourdieu, it is crucial to understand the various types of capital (resources, means and capacities) that we mobilize in order to meet our needs, and that characterize who we are. By incorporating architecture into the constitution of society, based on the space syntax theory, we argue that the way we organize ourselves – bodies in space and time – and the way we organize places constitutes a social macrostructure, into which architectural capital is inserted, which is the ability of a subject to mobilize architecture for his or her purposes. This capital entails possibilities or restrictions regarding how we occupy places and move within them, as well as the conditions that determine the visibility of others. It consists of both spatial capital and building capital, the former referring to open spaces with unrestricted access, and the latter to closed spaces with restricted access. This article aims to present the theoretical framework used to formulate the concept of architectural capital.Pensar na sociedade e nos diversos ativos dos quais dispomos e pelos quais nos inserimos nela significa compreender as diversas dimensões que a constituem. Para Pierre Bourdieu, carece entender os vários tipos de capital (recursos, meios e capacidades) que mobilizamos para atender nossas necessidades e que caracterizam quem somos. Ao incluirmos a arquitetura na constituição da sociedade, com base na Teoria da Sintaxe Espacial, defendemos que a forma como nos organizamos – corpos no espaço e no tempo – e a forma como organizamos os lugares constituem uma macroestrutura social, na qual se insere o capital arquitetônico, que é a capacidade do sujeito de mobilizar a arquitetura para seus fins. Esse capital implica possibilidades ou restrições em relação à maneira como estamos nos lugares e nos movemos neles e às condições de visibilidade do outro; ele é composto pelo capital espacial e pelo capital edilício, o primeiro referente aos espaços abertos, de acesso irrestrito, e o segundo, aos espaços fechados, de acesso restrito. Este artigo tem o objetivo de apresentar o arcabouço teórico utilizado para a construção do conceito de capital arquitetônico

    Mudanças nos padrões de segregação das cidades médias de São Paulo entre 2000 e 2010

    No full text
    Brazil underwent political and economic changes that led to a reduction in social inequalities between 2000 and 2010. Studies indicated that during the same period, there was an increase in the level of residential segregation in metropolitan spaces, as opposed to a reduction accompanying the inequalities. This paper contributes to this body of studies, by analyzing residential segregation in medium-sized cities, quantitatively and spatially, during the period between 2000 and 2010. The study aims to quantify the degree of segregation in five medium-sized cities in the state of São Paulo and analyze the evolution of their spatial patterns, via a comparative perspective. The measurement of segregation, using global and local spatial indices, has indicated an increase in residential segregation similar to those identified by studies for metropolitan areas, in which the highest and lowest income groups are markedly the most segregated. However, this was not the case for all cities, an unchanged degree and pattern of segregation were also identified during the same period in one of the cities. These results are discussed within the context of the urban changes that have taken place in medium-sized cities, such as the valorization of real estate in specific sectors of the cities, amidst the continued process of peripheralization of the low-income population.O Brasil passou por mudanças políticas e econômicas que levaram à redução das desigualdades sociais no período entre 2000 e 2010. Estudos apontam que nesse mesmo período o nível de segregação residencial nos espaços metropolitanos aumentou, ao contrário de uma redução acompanhando as desigualdades. Este artigo vem contribuir com essa frente de estudos, analisando a segregação residencial em cidades médias, quantitativamente e espacialmente, no período entre 2000 e 2010, com o objetivo de quantificar o grau de segregação em cinco cidades médias paulistas e analisar a evolução de seus padrões espaciais, por meio de uma perspectiva comparativa. A mensuração da segregação, utilizando índices espaciais globais e locais para as cidades selecionadas, indicou uma tendência de aumento da segregação residencial similar aos identificados por estudos para áreas metropolitanas, no qual os grupos socioeconômicos de altíssima e baixíssima renda se destacam como os mais segregados, mas não para todas as cidades. Também foram identificados grau e padrão de segregação inalterados no mesmo período. Esses resultados são discutidos no contexto das transformações urbanas ocorridas nas cidades médias, incluindo a valorização imobiliária de determinados setores das cidades, enquanto os processos de periferização da população de baixa renda se mantiveram

    “A gente está no centro deles”: mineração e produção de desastres

    Full text link
    This article draws on the history of Mingú, a neighborhood located at the center of the activities of a long-standing mining company in Nova Lima, in the state of Minas Gerais, Brazil, and discusses the interrelation of the production of disasters over time with the formation of a socio-spatial group. The narrative is informed by fragments of everyday life that seek to highlight the trends and patterns of broader processes, and which resonate beyond the particular context presented. Three phases in the history of Mingú are analyzed, revealing the continuity between extractivism and neoextractivism and the notion that disasters are not restricted to natural events, isolated in time and space. In this historical process, the constitution of the group is understood by the way its everyday practices take place within an unstable context, permeated by expropriation and by the difficulty of socio-spatial consciousness and autonomy.O artigo recorre à história do Mingú, bairro situado no centro das atividades de uma longeva empresa de mineração, em Nova Lima, Minas Gerais, para discutir a inter-relação entre a produção dos desastres ao longo do tempo e a formação de um grupo sócio-espacial. A narrativa é informada por fragmentos do cotidiano, buscando evidenciar tendências e conjuntos de processos mais amplos, indo além da singularidade do contexto apresentado. Assim, são analisados três momentos da história do Mingú, revelando a continuidade entre extrativismo e neoextrativismo e a noção de que os desastres não se restringem a eventos naturais, isolados no tempo e no espaço. Nesse processo histórico, a constituição do grupo é entendida pela forma como suas práticas cotidianas se inserem num contexto instável, permeado pela expropriação e pela dificuldade de consciência sócio-espacial e autonomia

    736

    full texts

    812

    metadata records
    Updated in last 30 days.
    Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais (Portal de Publicações da ANPUR)
    Access Repository Dashboard
    Do you manage Open Research Online? Become a CORE Member to access insider analytics, issue reports and manage access to outputs from your repository in the CORE Repository Dashboard! 👇