Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais (Portal de Publicações da ANPUR)
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Tendências e desafios no fomento à pesquisa na área de Planejamento Urbano e Regional: uma análise a partir do CNPq (2000-2012)
Esta é uma abordagem inicial, de trabalho, que busca estabelecer alguns parâmetros para a compreensão da conjuntura e do processo de financiamento à pesquisa da área de Planejamento Urbano e Regional no Brasil, através da análise da ação do CNPq, no período recente. Adotamos, primeiro, como recorte a grande área de Ciências Sociais Aplicadas e Educação do CNPq, para construirmos uma referência para a análise do fomento à pesquisa na área de Planejamento Urbano e Regional, tanto pelo fato dessa área congregar majoritariamente as áreas de conhecimento com proximidade ao planejamento, quanto pela forma de agregação de dados adotada pelo CNPq para disponibilização de suas informações. Na segunda parte do texto, avaliamos especificamente os dados do comitê assessor de Sociais Aplicadas, o CA-SA, que contém a área de Planejamento Urbano e Regional, Arquitetura e Urbanismo, Geografia, Demografia e Turismo. Ao final, fazemos um breve balanço e apontamos algumas linhas de ação para o futuro, uma vez que a articulação ao território do processo de formação acadêmica e de criação em ciência e tecnologia é um dos grandes desafios colocados ao Brasil hoje.
O campo do Planejamento Urbano e Regional: da multidisciplinaridade à transdisciplinaridade
É comum em textos e debates acadêmicos sobre o planejamento urbano e regional realçar-se que ele exige abordagens multi ou inter e/ou transdisciplinar, sem que sejam esclarecidos os respectivos significados desses termos. Diante dessa lacuna, o presente ensaio tem a pretensão de mostrar o caráter multidimensional dessa área do conhecimento, sob a perspectiva desses três tipos de análise. Para tanto, (i) explicita-se que esse caráter recomenda adotar-se a noção de campo do conhecimento; (ii) relembra-se a ascensão e o declínio do cientificismo – aqui entendido como a presunção da existência deum paradigma único, na construção da ciência –, percorrendo alguns eventos científicos, que questionaram os seus postulados e evidenciaram a necessidade de novos paradigmas analíticos; e (iii) detalham-se as características de cada um desses três tipos de abordagem, enfatizando a importância de um processo de atualização dos saberes e práticas, inerentes a esse campo do conhecimento, pari passu às mudanças responsáveis por um mundo cada vez socialmente mais complexo.
O tema do desenvolvimento no contexto da Anpur: uma reflexão crítica preliminar
A expressiva produção acadêmica e científica no campo dos estudos urbanos e regionais de mais de cinquenta centros de pós-graduação e pesquisa filiados e associados à Anpur – Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional – publicada e difundida nos últimos trinta anos, voltada para o tema do desenvolvimento, é o objeto de reflexão do presente ensaio. Trata-se aqui de proceder a um mapeamento e apreciação crítica das temáticas próprias da área do Planejamento e das Pesquisas Urbanas e Regionais em articulação com o tema do Desenvolvimento, tal como discutidas nesses trinta anos de existência da Anpur. A natureza do tratamento, as abordagens privilegiadas e as temáticas que ganharam maior evidência e importância no atual milênio são tratadas com maior ênfase. Objetivou-se, também, mostrar a evolução do tratamento dado à questão do desenvolvimento, desde suas adjetivações e adaptações aos temas contemporâneos, até sua importância crescente nos aspectos socioespaciais e ambientais, além dos questionamentos do próprio conceito, tomados como questões que têm marcado os dias atuais.
O papel dos mestrados profissionais na área de Planejamento Urbano e Regional
O presente artigo tem por objetivo apresentar os desafios e as contribuições da consolidação dos mestrados profissionais na pós-graduação brasileira. Apesar dessa modalidade estar prevista desde a idealização da pós-graduação na década de 1950, a implementação de mestrados para a formação profissional no Brasil sofreu críticas ao longo de sua implantação. A pesquisa analisa as normas da CAPES relacionadas ao reconhecimento dos mestrados profissionais e dos dados de sua evolução a partir de 2000, particularmente, da área de Planejamento Urbano e Regional. À guisa de conclusão são tecidas considerações gerais e específicas quanto à importância dos mestrados profissionais no âmbito da pós-graduação nacional, formando profissionais qualificados para realizar uma leitura adequada e propor medidas positivas para a construção de uma sociedade justa e igualitária para as presentes e futuras gerações.
Editorial
O presente número dá prosseguimento às comemorações dos trinta anos da ANPUR edos quatorze anos da Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais. Traz, assim, uma sériede artigos que procuram realizar um balanço, sob diversos ângulos de abordagem, do campo do planejamento urbano e regional
Em busca do paraíso: algumas considerações sobre o desenvolvimento
No intuito de propor algumas possibilidades de reflexão e de ruptura com noções pré-estabelecidas relativas à ideia do desenvolvimento e a sua retomada no discurso acadêmico contemporâneo, procedemos aqui a um exercício de reflexão critica. Sem pretender esgotar o assunto, considerando a existência de mais de meio século de teorizações, resgatamos alguns elementos da origem, das mudanças e variações da ideia de desenvolvimento, bem como introduzimos alguns pontos para fomentar o debate e a reflexão acadêmica.
Construção social e tecnologias civis (1964 -1986): contribuição para um debate sobre política habitacional no Brasil
O debate sobre habitação que precedeu a criação do Banco Nacional de Habitação (BNH) resultou das propostas inovadoras apresentadas no Seminário de Habitação e Reforma Urbana (1963). O Banco, criado após o golpe de 1964, adota uma política conservadora que não atinge as classes de menor renda e contribui para a expansão urbana periférica de baixa densidade, sem os equipamentos necessários ao desenvolvimento de novos setores residenciais. A crítica ao modelo adotado foi responsável pela elaboração de novas diretrizes da política habitacional, a partir da Constituição de 1988. Por outro lado, as propostas de produção das unidades habitacionais, utilizando tecnologias civis e apresentadas num momento de esperança de sucesso da política habitacional, constituem um conjunto de experiências que não tiveram êxito naquela época e que podem adquirir outro significado no atual cenário de desenvolvimento.
A produção associada autogestionária na construção civil como estratégia para a integração do sistema da economia social na autogestão territorial
Neste trabalho problematiza-se o segmento autogestionário da construção civil como um lugar teórico-prático de transformação socioeconômica para a superação da produção capitalista do espaço. Para tanto, formulam-se críticas à cultura produtiva, em suas formas heterogestionária e autogestionária, estabelecendo-se proposições teórico-práticas para um amplo funcionamento da economia social no setor da construção civil. Essas proposições estão sintetizadas nos conceitos de canteiro-escola para autogestão e redes de construção autogestionária, enfocando-se respectivamente a reprodução sociopolítica do trabalho associado na construção civil e a reprodução socioeconômica da produção associada em autogestão no território. Dessa forma, por meio da atuação integrada de cooperativas de trabalho, produção e consumo nos segmentos imobiliário, infraestrutura e serviços de construção civil, concebe-se um sistema socioprodutivo em economia social como estratégia para a autogestão territorial
Circuitos da economia urbana e economia dos setores populares na fronteira amazônica: o cenário atual no sudeste do Pará
Embora a expansão do mercado trabalho formal seja uma tendência sustentada no Brasil nos últimos anos, a persistência de formas de ocupação ligadas ao circuito inferior da economia é uma realidade ampla e mal compreendida. Isso é particularmente verdade para as diversas fronteiras da Amazônia brasileira, onde a economia informal, popular, solidária e familiar persiste, a despeito dos grandes investimentos destinados ao circuito superior. Esse trabalho investiga a situação vigente no sudeste paraense, onde a economia formal de alguns municípios tem crescido a “taxas chinesas” e ao mesmo tempo há a presença massiva de formas alternativas de inserção econômica da população, particularmente a de baixa renda.Palavras-chave: economia dos setores populares; economia informal; circuito inferior; fronteira amazônica; sudeste paraense.
Território, Estado e políticas públicas espaciais
Território, Estado e políticas públicas espaciaisMarília Steinberger (Org.),Brasília: Ler Editora; CNPq, 2013