Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais (Portal de Publicações da ANPUR)
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“Europeanisation” of planning education?: an exploration of the concept, potential merit and issues
Abstract: Different profiles of the planning profession exist across European countries. As a result, models for education in planning differ considerably in comparison and curricula tend to reflect and address national needs. Programme and/or professional accreditation is also closely linked to nationally determined criteria and standards. However, education formats and particularly curricula evolve and over the past two or so decades a host of changes in European planning education have been introduced. Aside from the restructuring to make programmes compliant with the Bologna cycles in higher education, there have been developments around of integrated mobility opportunities and the emergence of collaborative master degrees delivered jointly by host institutions from different European countries. Increasingly, educators incorporate learning units on European spatial planning, cohesion policy and fiscal instruments, which impact on national, regional and local planning policy and practice. "is paper presents an initial exploration into whether these developments contribute to a “Europeanisation” of planning education and the values and issues associated with these developments.
A nova fábrica é o bairro? O trabalho político e territorial de duas organizações de cooperativas na periferia de Buenos Aires
O artigo discute as mudanças e permanências na ação coletiva de setores dominados na periferia de Buenos Aires na década de 2000, em termos de processos de territorialização e na sua relação com o trabalho. Concentra-se em dois estudos de caso de organizações que se apresentavam como autônomas dos partidos e sindicatos tradicionais, defendiam a criação de relações de trabalhos cooperativas e propunham uma política a partir do bairro. Destaca-se como as suas propostas e ações de trabalho territorial recriam tradições de classe, questionam a divisão entre lutas sociais fora e dentro da fábrica e quebram o senso comum sobre a incapacidade de ação coletiva de pressupostos excluídos sociais.
Empresas recuperadas por trabalhadores no Brasil e na Argentina
Este artigo é resultado de uma tese de doutorado que teve como objetivo identificar inovações no campo da organização do trabalho produzidas pelas experiências de empresas recuperadas por trabalhadores no Brasil e na Argentina. A tese central defendida é a de que as limitações impostas pela hegemonia do modo de produção capitalista não encerram a possibilidade de construção de novas relações sociais de produção. Os cinco estudos de caso realizados e a experiência de levantamentos da totalidade das experiências de empresas recuperadas nos dois países forneceram elementos que permitiram problematizar em vários aspectos a organização capitalista do trabalho e, por meio de uma crítica prática, como sugere Rebón (2007), propiciaram a reflexão sobre a possibilidade de superação do modelo hegemônico, que não passa apenas pela inovação no interior das organizações, mas também da relação dessas empresas com seus territórios.
Economía urbana y economia social. Un reconocimiento pendiente
La economía urbana (EU) surgió de la mano de propuestas espacialistas y economicismos y continúa siendo tallada por estas A pesar de una evidente institucionalización de la economía social y solidaria (ESS) en América Latina, que da cuenta de un creciente pluralismo económico, en la EU perdura la hegemonía del enfoque del sector informal urbano y sus presiones por transformar en capitalistas cada práctica de economía popular. Buscando el reconocimiento de la economía social (ES) en este campo, el artículo ilustra brevemente la institucionalización de la ESS y plantea una provocativa exploración por poner en diálogo a la ES con la teoría de los dos circuitos. Un diálogo como este constituye una deuda pendiente que puede aportar a la disputa del campo así como a encontrar mejores comprensiones y, también, a transformar las economías de nuestros territorios en un sentido progresivo.
Políticas sociais e políticas de cultura: territórios e privatizações cruzadas
O artigo se baseia em pesquisa que apontou para novas formas de captação de recursos por meio da promoção de práticas culturais que se interligam à gestão de serviços públicos de saúde na Zona Leste da Cidade de São Paulo, sob a direção de organizações sociais privadas. O cruzamento entre modos de captação, gestão terceirizada da cultura e equipamentos de saúde aponta para uma intersetorialidade inédita dessas práticas, o que configura o que poderia ser identificado como um planejamento social privado, redesenhando formas de atuação e margens do Estado por meio de um conjunto de relações entre os programas sociais e a população em condições de pobreza na maior cidade brasileira. Os bairros da última periferia Leste da cidade de São Paulo conformam assim um terreno de experimentações dessas práticas cruzadas para além das caracterizações clássicas das zonas periféricas das grandes metrópoles brasileiras que apontavam para a precariedade das condições de vida bem como para o nascedouro de movimentos sociais, suas demandas, sujeitos e linguagens de direitos, tal como foram percebidos e enunciados a partir do final dos anos oitenta do século XX
O planejamento de campi universitários como prática participativa e educativa
Neste trabalho, são discutidas duas experiências de planejamento de campi universitários norte-americanos que tiveram como principal pressuposto a participação ativada comunidade acadêmica: “The Oregon Experiment”, promovido pela Universidade de Oregon na década de 1970, e o projeto do Lewis Center for Environmental Studies no Collegede Oberlin (Ohio), realizado vinte anos depois, em uma década já fortemente marcada pela emergência da questão ambiental. Não obstante as duas experiências tenham se orientado por distintas teorias e princípios de planejamento historicamente situados, no artigo procura-se evidenciar o conteúdo comum a ambas, que remete ao entendimento da participação como práxis e do campus como um laboratório ideal para a sua realização.
Políticas de recuperação de rios urbanos na cidade de São Paulo: possibilidades e desafios
Este artigo pretende discutir como processos políticos atuantes na cidade de São Paulo criam obstáculos à implantação de políticas de recuperação de rios e córregos urbanos, conferindo especial atenção ao programa de parques lineares. Como uma das diretrizes de seu plano diretor, o município formulou uma política inovadora de recuperação de seus rios e córregos urbanos, com potencial de inaugurar um novo paradigma na gestão dos recursos hídricos na cidade. Entretanto, após quase uma década de sua formulação, essa política ainda parece mais avançada do que a capacidade do poder público para implementá-la. Sua efetividade como política pública urbana e ambiental, visando à construção de uma cidade mais sustentável, depende de um intenso esforço de articulação de ações, desde a promoção e garantia de um debate democrático com os diferentes atores sociais envolvidos, até a implementação de programas intersetoriais, impondo um enorme desafio ao poder público local.
Da fragmentação à articulação: a política nacional de saneamento e seu legado histórico
O setor de saneamento no Brasil tem sido palco hegemônico de abordagens tecnocêntricas, restringindo visões globalizantes que vislumbrem a multidimensionalidade do tema e a necessidade de articulações intersetoriais. Parte-se da premissa de que essas dificuldades encontram raízes na história do setor, que impõe seu legado por meio da sua inércia e resiliência. Para desenvolver o argumento, é conceituada a multidimensionalidade do saneamento, como área de conhecimento e setor das políticas públicas. Em seguida, analisa-se o processo de construção da política pública de saneamento do período Lula (2003-2010), buscando uma visão histórica de estruturas e instituições, com base nos processos de negociação relacionados a essa política setorial. Analisa-se o Plano Nacional de Saneamento Básico, como oportunidade para um novo patamar da política setorial, a partir da perspectiva da intersetorialidade. O artigo conclui-se com a tentativa de identificar os principais desafios para uma nova política, em que a intersetorialidade seja seu marco referencial.