Portal de Periódicos UEPA (Universidade do Estado do Pará)
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A CANTIGA AFRODESCENDENTE NA LITERATURA AMAZÔNICA MODERNISTA
Este trabalho tem como finalidade analisar a inter-relação entre a Literatura modernista e as cantigas populares da comunidade negra das primeiras décadas do século XX, observando como as mesmas foram aproximadas de obras literárias para a criação de obras artísticas identificadas com a oralidade do negro afroamazônico. As cantigas utilizadas nos textos modernistas Batuque (1931), de Bruno de Menezes, Gostosa Belém de Outrora (1965), de José de Campos Ribeiro, Três casas e um rio (1958) Belém do Grão Pará (1960) e Chão dos Lobos (1976), de Dalcídio Jurandir, foram extraídas de diferentes contextos, mas todas possuem em comum a afirmação identitária da comunidade negra, em que a performance se apresente como mecanismo de memória, de identidade e de aprendizagem.
APOTEOSE SIMBÓLICA ÀS MARGENS DE UM RIO: O ENREDO DA PORTELA EM 2017 PELA PERSPECTIVA DO IMAGINÁRIO
Este texto faz uma discussão dos principais conceitos da teoria do Imaginário, especialmente por Durand (2002) e Bachelard (2016) analisando o enredo da escola de samba Portela no ano de 2017. A partir deste texto cultural, tendo como método a hermenêutica simbólica e, como técnica, a mitocrítica, ressaltamos o rio como principal mitema e a águia como símbolo de pertencimento. A imaginação material está ancorada no elemento água e no rio como metáfora para a própria escola de samba e todo o seu devir.
DRUMMOND, DA POÉTICA PARA A POLÍTICA: INTERRELAÇÕES ENTRE LINGUAGEM E DEMOCRACIA PRESENTES EM "CONSIDERAÇÕES DO POEMA"
No presente texto apresentamos as correlações entre "Considerações do Poema" de Drummond, no que se refere à sua politicidade, e o arcabouço teórico da Filosofia da Desconstrução de Jacques Derrida. As interrelações entre a poética do primeiro e as teorias do segundo se alicerçam sobre o conceito de "diferença" e os processos de inversão da relação entre oralidade e escrita. Sobre esses arcabouços teóricos, o texto busca explicitar a afinidade conceitual da poética de Drummond e da acepção de Democracia como desconstrução
PERAMBULADOR DE CASAS: UMA CARTOGRAFIA DESASSOSSEGADA DAS CASAS-TEATRO EM BELÉM DO PARÁ
Perambulador de casas: uma cartografia desassossegadadas casas-teatro em Belém do Pará assume como princípiocriador arriscar-se por caminhos bifurcados, que a investigaçãodasconvivialidades deste habitat-teatral exige. A pesquisadorasabe que para desbravar caminhos iniciais de uma cartografia,precisa criar um território existencial entre as jornadasanteriores e o presente, para compreender a necessidade ou nãoda existência da casa-útero. Tem, como fundo da investigação,outras casas-sedes aqui reconhecidas como geografiasinteriores onde moradores e abrigos se confundem, convergindomemórias, sentimentos e poéticas, como objeto, sensaçõesdicotômicas existentes e habitantes em ambas as estruturas(viajante e casa). No meio dos caminhos, no entre, a escolha dapesquisadora é ser cartógrafa da alma e dos desassossegos,andarilha e moradora. Ao se lançar no caminho do pensamentopoético, descobre, nos traços dos passos deixados no asfaltofervente, outros pés, então, sabe-se acompanhada por outroscaminhantes em livros: Gaston Bachelard, dizendo do bemmais precioso, o ter e o ser casa; Fernando Pessoa, poetizandoque os descaminhos desassossegados existentes nos planosdas ideias e a vida não passam de um ensaio do poder vir a ser;Lewis Carroll e Alice, como seres que arriscam o novo, o tempotodo; Hilda Hilst, ardendo os desejos;e Ítalo Calvino, presentenas linhas do imaginário, que retrata e reconhece, através dafábula, o próprio habitat. Assumindo o erro e o inacabado comoparte dos caminhos percorridos, ela precipita uma nova jornada
BORDADOS DE UMA TAPEÇARIA - CRÔNICAS DE L. RUAS
Este artigo apresenta a tessitura temática das crônicas Um amigo, Ônibus e Crônica para o amanhã, do livro Linha d’água (1970), de L. Ruas, poeta e cronista amazonense, da geração do Clube da Madrugada. O livro, que possui uma única publicação, contém 49 crônicas sobre crítica de cinema e literária, questões filosóficas e, principalmente, crítica social, construídas com uma linguagem poética direcionada para o público de jornal, com o qual o escritor simula diálogos. A discussão respalda-se no livro L. Ruas: itinerário de uma vocação, de Roberto Mendonça, pesquisador da obra de Ruas. Obras de caráter teórico são trazidas para a discussão no intuito de complementar os argumentos
NÃO INSISTA. A DESPEDIDA É LOGO MAIS, É HOJE, É AGORA: LINDANOR CELINA PRANTEIA DALCÍDIO JURANDIR
Há um novo território sendo percorrido pela literatura em que se desfazem todos os rígidos limites das amarras dos gêneros literários territorializados como "memorialismo", "ficção", "autobiografia", "diário", "poesia", porque a escritura se apropria do tempo como um continuum, uma nova littera: em que se tenta recuperar, sem êxito completo, pelo movimento da escrita, a forma total de um acontecimento vivido. Na verdade, é uma desmemoria feminina (que não necessariamente será feita pela mulher, segundo os ensinamentos de Freud), para registrar, em forma de narrativa ficcional, a descontinuidade do tempo da memória agora estreitamente ligado ao plano da imaginação
LINDANOR FAZ 100 ANOS
Depois da leitura de todos os textos que compõem este número da revista Sentidos da Cultura que presta homenagem à escritora Lindanor Celina, fiquei com vontade de também dizer um pouco sobre a minha relação de leitora e de amizade com Lindanor. A escritora é dona de uma prosa líquida, aquela que escorre sem impedimentos, fluida, sem barreiras de compreensão, fato que levou a ser chamada de contadora de história no sentido pejorativo. O plantão intelectual não suportava seu jeito simples de dizer, seu sofisticado e descontraído jeito de viver, de se vestir e de falar. Era um gosto ouvi-la transportar para voz as muitas histórias que contava na ficção. Tinha uma performance livre das formalidades instituídas, cheias de risos, sempre a vi e a conheci assim
CRÔNICAS INTEMPORAIS
Estas crônicas, nascidas ou renascidas?, d’hoje, d’ontem, d’anteontem, d’amanhã?, cada uma um breve sempre pelas estradas do tempo-foi na esperança do tempo-será, no anelo de suspender o tempo, crônicas intemporais são.Deixemos nosso espírito ser levado, elevado pelo poder criador da literatura. A crônica não é coluna social. O autor educa o leitor, ensina a beleza, sublima as aspirações, mostra os caminhos, exalta o humano e não bajula os instintos de facilidade e vulgaridade
CAPA, FOLHA DE EXPEDIENTE E SUMÁRIO
Sentidos da Cultura é um periódico semestral do Núcleo de Pesquisa Culturas e Memórias Amazônicas (CUMA), que publica artigos, relatos de experiência, entrevistas, resenhas, no campo referente às linhas de pesquisa do Núcleo, ligadas às áreas de letras, linguística, artes, ciências humanas e sociais, incluindo educação/ensino, com contribuições de autores brasileiros e estrangeiros."Cada número será dividido em duas partes: a primeira uma espécie de dossiê temático, e a outra de tema livre, relacionado às áreas de abrangência do periódico.A nomeação da revista Sentidos da Cultura é uma escolha originária de projetos do Núcleo, que objetivam promover espaços de disseminação de estudos, pesquisa e reflexão sobre a cultura, trocas de experiência e estímulo à produção intelectual. Cultura, eixo temático, é entendida como amálgama de elementos materiais ou imaginários construídos ou modificados por homens e mulheres que dão forma às sociedades. No CUMA, tentamos visibilizar essa pluralidade cultural na organização das linhas de pesquisa, composta de Audiovisual, Diversidade Linguística, Memória e História, Música, Ludicidade, Poéticas, Contadores de Histórias e ainda aberto para novas possibilidades."Na capa, a cada edição, trará um brinquedo de miriti, que representa a cultura ribeirinha materializada em forma de brinquedo, que tem como matéria prima o braço da palmeira do miritizeiro, cujo nome científico é Mauritia Flexuosa. São canoas, barcos, pássaros, borboletas, cobras, elementos da fauna e da flora amazônica, cenas do cotidiano ribeirinho, que ganham forma nas mãos dos artesãos