Portal de Periódicos UEPA (Universidade do Estado do Pará)
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O TEMPO POÉTICO E A POÉTICA DO TEMPO
O tempo não se encerra em conceitos ou se limita a algum estudo sistemático, pelo contrário, o tempo extrapola asespeculações e se apresenta ao homem enquanto uma questão desde os tempos mais remotos e até hoje nosquestiona, e nos solicita um exercício de escuta. Desta forma, o tempo que o homem intentou controlar por meio deum relógio contador não pode ser comensurado, uma vez que existe uma concepção de tempo que se estende e se fazpresente nas ações do próprio homem, fugindo assim de qualquer medição ou cálculo. Diante disso, o objetivofulcral deste estudo é pesquisar o entendimento de tempo poético. Assim, Martin Heidegger (2005) nos explica quetempo é presença, o tempo é poético, o tempo é acontecer, e o tempo é destinado a cada ser vivente, neste sentido otempo é vida sendo. Então, toda a história do pensamento sobre o que é o tempo, ainda, não terminou e talvez nuncatermine, visto que há algo no tempo que não pode ser captado pelos ponteiros dos relógios e nem o homem consegueacompanhar o transcorrer constante do tempo, já que o tempo permanece e se faz presente. Para realizar este intento,buscamos especialmente em Martin Heidegger (1889-1976) e Henri Bergson (1859-1941) um diálogo que permitapensar a questão do tempo
Os Frades Menores na Península Ibérica: alguns apontamentos acerca do franciscanismo nas Cantigas de Santa Maria
Este artigo analisará as Cantigas de Santa Maria em que aparecem personagens identificados como frades menores. Não são narrativas uniformes, pois abrangem diferentes situações em que milagres são promovidos pela Virgem Maria com a finalidade de reestruturar a ordem social em um contexto cultural e histórico. Entretanto, o Diabo aparece nessas cantigas como uma antítese da ordem, sendo os frades os responsáveis por combatê-lo. As Cantigas de Santa Maria representam uma obra que teve como patrocinador Alfonso X e o esforço régio para colecionar milagres, traduzi-los, compor poemas e promover as imagens nos códices, chamados de iluminados
A ARTE DE CONTAR HISTÓRIAS: UM (RE) ENCONTRO COM A PALAVRA POÉTICA
Este texto relata a experiência de umacontadora de histórias, que acordou memóriasde um tempo em que a poesia da voz fezmorada definitiva em sua vida. Foram muitaslembranças, emoções, cheiros e afetosdespertados por meio da arte de contarhistórias. A voz que embalou suas lembrançasdesde a infância merece ser partilhada paracompor a grande Ciranda da Vida
O NOVELO DA MEMÓRIA
Este artigo desenrola o novelo da memória deuma contadora de histórias, ofício desenvolvidopor ela há mais de uma década na cidade deBelém. O desenrolar do novelo conta vivênciasda autora como contadora de histórias, o fio dameada da experiência que a levou a narrar. Elapercorre as linhas que teceram o tapete de suavida e apresenta como se deu o processo parase tornar uma contadora histórias: o tapeteprecisou da contribuição de várias outraspessoas para que ser tecido e reconstituído, poisa memória individual se fez pelo encontro demuitas memórias, como discute MauriceHalbwachs (2006)
A FILOSOFIA CONCRETA DE MÁRIO FERREIRA DOS SANTOS E A SUA RELEVÂNCIA PARA O CENÁRIO FILOSÓFICO DO SÉC. XXI.
O objeto deste trabalho é o sistema filosófico formulado pelo filosofo brasileiro Mário Ferreira dos Santos, chamadoFilosofia Concreta. Serão tratados os (1) fundamentos e justificativa deste trabalho,(2) a metodologia da exposição de sua filosofia e (3) as críticas às filosofias negativistas que o autor faz. Estetrabalho tem sua justificativa em três fatos relevantes para a filosofia contemporânea: (i) a crise da filosofia, (ii) anecessidade de uma síntese filosófica e (iii) a importância do sistema e do autor estudado, ainda muito pouco lidos.Serão expostos os (a) fundamentos da Filosofia Concreta, (b) o Ponto Arquimédico de um filosofar apodítico, (c) asvias demonstrativas e a dialética ontológica, que objetivam trazer a filosofia para um patamar cientifico. E por fim,suas críticas ao (i) ceticismo, (ii) niilismo e (iii) agnosticismo filosófico. Sua importância para a filosofia, é que seusistema forma uma síntese relevante de quase todas as filosofias e sistemas já construídos na história e possui umapretensão ousada de fundar toda a filosofia sob um fundamento apodítico; e pela importância do autor, sendo MárioFerreira dos Santos um dos grandes filósofos brasileiros do século passado cuja obra abrange mais de 45 volumes desua Enciclopédia de Ciências Filosóficas e Sociais e somados à uma obra original na história do pensamentofilosófico brasileiro
O DEBATE ENTRE A TEORIA DO CONHECIMENTO CARTESIANA E A TOMISTA
O resumo atual trata de parte da obra "Filosofia moderna y filosofia tomista" de Nícolas O. Derisi, sobre agnosiologia cartesiana e a tomista, comprovando a maior completude da última para seu objetivo. Para tal, Derisidemonstra que a tentativa de inovar a teoria do conhecimento por Descartes não foi bem-sucedida, implicando emum método que ignora parte da natureza ontológica do objeto que pretende-se conhecer. Ora, se o conhecimento éfrustrado por um ato humano, é possível identificar o que leva a este e alterar o caminho, podendo-se compreendercom plenitude a relação entre homem e realidade. O tomismo defende a formação do conhecimento a partir dossentidos, passando pela inteligência passiva, a ativa até o verbo mental, concordando com o "fieri aliud in quantumaliud" e discordando do método que constrói o "cogito ergo sum" cartesiano e seu pressuposto de dúvida universal,pela necessidade do Ser até no duvidar. A escolha destas duas correntes não significa que são as únicas existentes,mas as que parecem ser as principais ainda utilizadas pela complexidade de cada. Com efeito, a pretensão dedemonstrar a completude de uma teoria gnosiológica é para que os debates práticos facilitem-se diante da atualdiscordância moral que, por vezes, impossibilita uma discussão. Desse modo, pode-se auxiliar cada pessoa adescobrir a relação do "eu" com a realidade a partir do entendimento verdadeiro entre esta e aquele
ONTOLOGIA FENOMENOLÓGICA: O PROCEDER FENOMENOLÓGICO COMO POSSIBILIDADE DE RETORNO À QUESTÃO DO SENTIDO DO SER EM GERAL EM HEIDEGGER
Buscar-se-á, neste trabalho, demonstrar como a fenomenologia-hermenêutica do ser-ai é, segundo MartinHeidegger, a possibilidade ontológica de retomar à questão do sentido do ser em geral em Ser e Tempo. Dessaforma, demonstrar-se-á como Heidegger formula o seu método a partir da abordagem fenomenológica empreendidanos étimos gregos: Phainomenon e Lógos, para, assim, romper com o conceito formal de fenomenologia pensadopelo seu professor Edmund Husserl e erigir o seu próprio método de investigação, qual seja, o métodofenomenológico-hermenêutico. Essa diferenciação, portanto, demonstra que a fenomenologia pode ser entendidacomo a "ciência" dos fenômenos; isso acontece por conta de que o procedimento fenomenológico, que estáembasado namáxima: "voltar às coisas elas mesmas", é, antes de mais nada, o princípio de toda e qualquer ciência enquantoâmbito investigativo. Nessa perspectiva, a fenomenologia deve ser o método que explicite - a partir de seuprocedimento - o objeto temático da ontologia, isto é, enquanto método investigativo que deixa e faz ver as coisas apartir de como elas mesmas se mostram, a fenomenologia deve explicitar o ser dos entes, tornando-se, dessa forma,o método que possibilita - não apenas o esclarecimento do objeto ontológico, mas que admita - a recolocação daquestão do sentido do ser em geral em Ser e Tempo
O INDIVÍDUO CONTEMPORÂNEO PERANTE A PERDA DA IDENTIDADE: UM DIÁLOGO ENTRE MARTIN BUBER E GUY DEBORD.
O presente estudo visa relacionar as obras A sociedade do espetáculo de Guy Debord (1931-1994) e Eu e Tu MartinBuber (1878-1965) para discorrer sobre a perda da identidade do indivíduo contemporâneo imerso em situações decrises; A obra de Buber apresenta dois conceitos: o Eu-Tu e o Eu-Isso como palavras-princípios. O Eu-Tu comouma relação dialógica, encontro entre dois parceiros mutualmente e o Eu-Isso como um relacionamento monológico,experiência e utilização ou uso. O mundo do ISSO se invadir o mundo do homem leva este a perdição, pois invade oseu próprio EU perdendo assim sua atualidade, ou seja, torna-se um ser nem "fora" nem "dentro", unicamente, ele seperde em seu interior porque o homem não pode viver só com o ISSO posto que se assim for ele não será maishomem. Já Debord nos apresenta a sociedade do espetáculo, cuja marca é afirmação da aparência de toda asociedade, repleto de trivialidades e cuja visão de mundo é objetivada, objetivando assim os indivíduos inseridosnela, pois separa o ser humano de si mesmo, originando um esmagamento do eu, o individuo na sociedade doespetáculo é despossuído de si, na linguagem de Buber, o individuo passa a ser o Eu-Isso, pois perde-se do seuEu-Tu, assim como na linguagem de Debord, o espetáculo significa - entre suas milhões de faces -que o mundo doEu-Isso é a realidade do individuo que o leva a sucumbir pois ele está perdido dentro do seu próprio eu
SOBRE AS CARACTERÍSTICAS LOCUCIONÁRIAS NA TEORIA DOS ATOS DE FALA DE J. L. AUSTIN
O objetivo deste artigo é tratar da distinção entre características locucionárias, ilocucionárias e perlocucionárias noâmbito da Teoria dos Atos de Fala (TAF) elaborada por J. L. Austin (1911-1960). Na primeira parte, farei um brevepanorama histórico da filosofia da linguagem, no qual situarei o estudo da pragmática ressaltando a sua importânciapara este ramo da filosofia. Também ressaltarei a importância de Austin como um dos principais filósofosresponsáveis pelo seu desenvolvimento como um ramo sólido da filosofia da linguagem contemporânea. Na segundasecção, introduzirei os principais conceitos da TAF de Austin formulados na sua obra How to do things with words(1962). Primeiramente, tratarei da distinção de caráter propedêutico entre atos constatativos e performativos,importante para o objetivo central deste trabalho. Em seguida, discutirei as características locucionárias,ilocucionárias e perlocucionárias dos atos de fala e algumas de suas peculiaridades. A última seção do artigo éreservada à discussão de três objeções TAF e seus desdobramentos, nomeadamente, 1) o problema de Cohen, 2) ocarácter historicista da TAF e 3) possíveis desvios de convenções relacionados à TAF
A ORIGEM DO MAL E A LIBERDADE EM KANT
A presente pesquisa busca evidenciar a relevância da origem do conceito de mal radical para a construção doconceito de liberdade na teoria prática kantiana. Para tal feito, a investigação partirá da interpretação da escriturabíblica de Gênesis (2-6) feita por Kant e exposta no opúsculo Começo conjetural da História Humana (1786). Apartir da escritura sagrada, o filosofo nos apresenta uma leitura moral da saída do homem do estado de tutela danatureza para o estado de liberdade, demonstrando que a história da natureza inicia com o bom (Estado deinocência), pois é obra de Deus, e a história da liberdade inicia com o mau (Pecado original), pois é obra do homem.No segundo momento, relacionaremos o exposto com a obra A Religião nos Limites da Simples Razão (1793) ondeKant interpreta a doutrina do pecado original como o mal radical na humanidade, este agindo como um pendor inatoe inclinação que, nas máximas que guiam a nossa ação, nos impele a desviar-nos da lei moral. É exatamente nestesentido que sustentamos que a leitura bíblica que Kant faz nos textos, ainda que de modo conjectural, acaba porfundamentar o conceito principal de sua razão prática assim como é sua principal exigência: a liberdade, pois,emancipa o homem dos braços maternos da natureza o lançando no plano da maioridade como ser autônomo que fazuso de sua própria razão e faz suas próprias leis