Portal de Periódicos UEPA (Universidade do Estado do Pará)
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A QUESTÃO DO SÓCRATES NA OBRA CREPÊSCULO DOS ÍDOLOS
O personagem Sócrates é uma temática importante dentro da filosofia de Friedrich Nietzsche (1844-1900),fazendo-se presente em várias de suas obras, porém de forma mais direta em três delas, a saber, O Nascimento daTragédia (1872), Crepúsculo dos ídolos (1888) e a obra inacabada Sócrates e a Tragédia. No presente trabalhoiremos nos ater apenas a duas das três obras aqui citadas, tendo como obra de analise central O Crepúsculos dosÍdolos. O objetivo deste trabalho é investigar acerca do personagem Sócrates e o que ele representa no pensamentodo filósofo alemão Friedrich Nietzsche, utilizando como referência o segundo capítulo da obra Crepúsculo dosídolos intitulado "O Problema de Sócrates". Perpassaremos de forma sucinta pela obra O Nascimento da Tragédiapara melhor compreensão do personagem Sócrates enquanto a figura do decadente e como esse socratismo traz emsi a decadência e assim se dá o fim da cultura grega para Nietzsche, além de trazer consigo essa incessante buscapela verdade característica da filosofia dogmática
Entre "Céticos" e "Românticos": um debate sobre as funções das inscrições rúnicas escandinavas
O propósito desse texto é discutir as possíveis funções das inscrições rúnicas escandinavas inseridas no debate sobre suas funções pragmáticas ou mágicas/religiosas/rituais. Este tema, por sinal, tem separado runólogos em dois "partidos", intitulados como "céticos" e "românticos". Neste ínterim, apresento a discussão sumarizada, com foco no século XIX em diante, os problemas propiciados pelos excessos interpretativos para ambas as posturas e seu impacto na contemporaneidade, seja no âmbito acadêmico, seja na esfera popular
O EXISTENCIALISMO E O ABSURDO: UMA ANÁLISE LITERÁRIA E FILOSÓFICA DA OBRA "A METAMORFOSE" DE FRANZ KAFKA.
Esse trabalho traz uma análise crítica e literária da obra fantástica "A Metamorfose" de Franz Kafka, com enfoquenos recursos narrativos utilizados na construção do protagonista - Gregor Samsa -, tendo por objetivoproblematizar, à luz de conceitos do existencialismo, a relação de liberdade e de angústia, debatidos em Sartre(1946). Segundo o filósofo o homem é livre para escolher e responsável pelos resultados de tais escolhas, contudo,tal responsabilidade e liberdade possuem o poder de condená-lo. Em um primeiro momento, analisaremos como essarelação se dá no contexto de Gregor, e como, uma vez metamorfoseado, as consequências de suas decisões e arealidade de sua condição desencadeiam em si a angústia. Em seguida, entramos no segundo momento, quandoprovocaremos uma reflexão acerca do Absurdo teorizado por Albert Camus (1941), para entendê-lo como chaveteórica da relação do homem com o mundo, de modo que a metamorfose do protagonista seja representaçãoficcional desse conceito, o qual aponta para o cansaço existencial ao final dos atos de uma vida mecânica. Na obra,buscamos analisar como as escolhas feitas por Gregor, contribuíram para despertar nele tal cansaço. Por fim,analisamos o teor fantástico da obra pelo viés de Tzvetan Todorov (1970), com o intuito de indicar as relações entrea narrativa fantástica e a filosofia existencialista
NELSON RODRIGUES E O DESEJO MIMÉTICO
A presente comunicação pretende mostrar que Nelson Rodrigues, em várias passagens da coletânea "A vida comoEla É", demonstra um arguto entendimento sobre o desejo amoroso. O banal tema do ciúme, recorrente em seuscontos, revela o seu caráter potencialmente teórico ao demonstrar que o amor e o ciúme estão inevitavelmenteindissociáveis. Logo, a promessa de um outro, rival/amante, real ou imaginária, torna-se indispensável para arealização amorosa das personagens rodriguianas. Para René Girard, filósofo francês, o desejo humano é sempremimético, porque, sempre, necessitamos de um modelo para avaliar nossas escolhas e legitimar nossos desejos.Todavia, a nossa falta de autonomia gera uma perpétua coincidência de desejos, pois, como o clichê rodriguiano dotriângulo amoroso, o sujeito passa a desejar o mesmo objeto que o modelo, o que os leva a uma inevitávelrivalidade. Portanto, o destino do desejo é sempre o fracasso, pois sempre caminha para uma inevitável frustração erivalidade. Ora, Nelson Rodrigues tinha total consciência desse paradoxo do desejo e é por isso que, na obrarodriguiana, para perseverar no amor se faz necessário nunca manter a posse absoluta do objeto. Daí as personagensmais felizes serem aquelas que, agindo como "O eterno marido", de Dostoiévski, sabem dividir seus casos amorososcomo um legítimo casal de três
A MEDICINA SOCIAL COMO BASE PARA UMA BIOPOLÍTICA: LASTRO, EMERGÊNCIA
A temática da vida, dentre tantos outros temas presentes na obra de Michel Foucault, possui profundo destaque,emergindo através de suas análises históricas, em torno da interpretação dos mais variados momentos dahumanidade. É factual que, a partir da década de setenta, Foucault tenha nutrido profundo interesse peloentrelaçamento entre a análise do discurso, ou seja, estruturas de formações discursivas, de formação de enunciados;com questões relativas ao poder e à verdade, no âmbito institucional, e, mais tarde, no macro aspecto da população.Isto deu espaço, assim, para a análise da vida sob os termos conhecidos por biopolítica e biopoder. Apesar destestermos serem desenvolvidos com mais frequência em obras como Histoire de la Sexualité I: la volonté de savoir(1976); ou nos cursos Il faut défendre la société (1975/76); Securité, Territoire, Population (1977/78); Naissance dela biopolitique (1978/79), Foucault já tinha tratado a respeito deles, anteriormente, em 1974, quando de suapassagem pelo Brasil, para divulgar uma série de estudos acerca da história da medicina, na Universidade Estadualdo Rio de Janeiro. Esta ocasião é muito cara a nós, para o objetivo que se tem com esta apresentação que é o deesclarecer os principais pontos do início deste termo (a biopolítica) na obra de Foucault, a fim de averiguarmoscomo a discussão sobre a medicina é um forte viabilizador, "pedra-de-toque", para o lastro de sua obra. Para isto,serão utilizados principalmente os textos iniciais em que dá-se vazão ao termo, qual seja, "Crise da medicina oucrise da antimedicina?" e o famoso "O Nascimento da medicina social"
O PROBLEMA DO DISCURSO IRÔNICO NA OBRA "UTOPIA" DE THOMAS MORE
Este artigo cientifico é resultante de uma pesquisa teórico-bibliográfica e analisa a concepção de Utopia na Obra de"Thomas More, escrita em latim por volta de 1516. O termo "Utopia" foi inventado por More e usado por diversos"pensadores (Em especial: Fernando De Mello Moser (1927-1984) e Ivan Monteiro de Barros Lins (1904-1975)"ambos utilizados como referência neste presente artigo.), nela exemplifica a sua ideia de sociedade perfeita. Embora"essencialmente a palavra tenha significado de civilização ideal, imaginária e irrealizável, a "Utopia" de More"modificou o pensamento político, econômico, social e religioso moderno, assim como conduziu à novas concepções"sobre o termo. No presente artigo é apresentado a Ironia escondida no Livro I da Obra (Discurso do notável Rafael"Hitlodeu sobre a melhor das repúblicas, registrado pelo ilustre Thomas More, cidadão e vice-xerife da gloriosa"cidade de Londres), onde a partir do diálogo dos personagens é possível visualizar uma relação intima do"pensamento de More em Hitlodeu. Ao analisar a Obra de Thomas More a Utopia ganha caráter de fonte"transformadora da realidade, na qual sua ideia impulsionou vários intelectuais, tomando para eles a Utopia como"modelo
O PROBLEMA DA DIGNIDADE E LIBERDADE NA RENASCENÇA EM: PICO DELLA MIRANDOLA
Os estudos a cerca do renascimento não são estudos mortos, mas são cruciais para compreensão da construção dacultura europeia e sua disseminação. A importância de voltar a assuntos passados é para compreender a origem danossa cultura e os grandes problemas da modernidade. "Aqueles que não conseguem lembrar do passado - comoescreveu George Santayana - estão condenados a repeti-los", por isso conhecer sob quais ideais a humanidade seergueu é uma questão fundamental para qualquer tempo. A nossa pesquisa quer abordar o tema da liberdade edignidade em Giovanni Pico Della Mirandola, autor daquilo que foi definido como uma espécie de manifesto dacultura europeia do século XV "o discurso sobre a dignidade humana". É necessário considerar as ideiashumanísticas de liberdade e dignidade humanas como fundamentais e revolucionárias para a Europa. Assim como,salientar a importância destas ideias diante dos acontecimentos do século XX, refletindo especialmente sobrefascismo italiano versus a construção dos ideais iluministas. Pico trata da liberdade e do poder do homem nanatureza e apesar de ter vivido no século XV seu pensamento é muito significativo atualmente, especialmente nocontexto político brasileiro. Pico, trás de volta aos homens à fé em si mesmos. Assim como, o ser humano é capazde ser medíocre, diz ele, também pode ser o mais extraordinário entre todos os seres
O ESCLARECIMENTO COMO DESPERTAR MORAL DO HOMEM: DA MINORIDADE À RAZÃO.
Este trabalho tem por objetivo explicitar as reflexões kantianas a respeito do esclarecimento tomando como base otexto: "O que é o esclarecimento?" de 1783 e refletir as implicações resultantes desta concepção no que tange osprincípios morais e educacionais.Neste texto, Kant esboça seu conceito de esclarecimento baseado no principio daliberdade. e este princípio deve ser entendido como característica apenas do estado civil. Para Kant, a saída dohomem do estado de natureza para a construção social é o eixo que o faz um animal no minimo estranho. Ao seapresentar moralizado, o homem é agora, humano. Um ser detentor de liberdade, de escolha, e que precisa fazê-la sobre os domínios de suaprópria razão. A educação seria então o meio pelo qual o homem se constrói. O meio pelo qual se tona dono da suaprópria razão e se torna, assim, de fato, livre. Mostraremos que, na visão deste filósofo, a moralidade tem principiono esclarecimento. Assim, destacaremos a atualidade desta percepção na proposta de uma "educação para o pensar"que promova o exercício do esclarecimento
Pode a Espiritualidade Tornar Adultos e Idosos Mais Resilientes? Estudo sobre espiritualidade e coping resiliente
A espiritualidade pode funcionar como um mecanismo de proteção, podendo ser considerada como estratégia de adaptação a perdas e situações adversas. As estratégias de coping (resiliente), caraterísticas de pessoas resilientes, funcionam como um pré-requisito fundamental para uma adaptação com sucesso, enquanto variáveis mediadoras dos efeitos do stress. Este estudo tem como objetivos: (1) avaliar a Espiritualidade e o Coping Resiliente na adultez e velhice e (2) analisar a Espiritualidade como fator preditor de resiliência na adultez e velhice. Participaram no estudo 402 indivíduos adultos e idosos. Os instrumentos utilizados foram a Escala de Avaliação de Espiritualidade em contextos de saúde e a Escala Breve de Coping Resiliente. Os resultados do estudo indicaram que a espiritualidade, na sua dimensão Esperança/Otimismo, se apresenta como sendo um preditor moderado do"coping"resiliente na adultez e velhice. Os resultados revelam, assim, a importância que a dimensão da espiritualidade pode desempenhar no processo de adaptação psicológica às mudanças e adversidades que possam ocorrer no processo desenvolvimental
A CENSURA NO DISCURSO: UMA ANÁLISE DOS BENS HUMANOS DO CONHECIMENTO E DA AMIZADE
Abordar-se-á a relação entre a censura e os bens humanos básicos da amizade e do conhecimento, conformeapresentados por John Finnis. O conhecimento é compreendido como a capacidade de identificar a conexão entre asperguntas realizadas e as respostas obtidas, criando diversas possibilidades. Enquanto que a amizade é um conjuntode esforços que vão desde a garantia do necessário à convivência harmoniosa até o desenvolvimento de umaamizade plena. Após conceituá-los, ater-se-á a relação entre aqueles e o discurso, o qual, possui condições pararealizar-se. Estas são: conhecimento, boa vontade e franqueza. O conhecimento constitui-se numa educação sólida eabrangente; a boa vontade significa tratar as partes do discurso com a consideração que se tem com os amigos; e, afranqueza que é compreendida como o ato de adentrar no diálogo de forma humilde, reconhecendo suascontradições sem fingir concordância. Estas condições traduzem-se no respeito ao cnhecimento e a amizade.Entretanto, alguns participantes do diálogo fecham-se em padrões comportamentais e não dispõem-se a criticá-losou abandoná-los. Para Finnis, esta postura deve ser evitada, mas os participantes não devem ser excluídos dodiálogo. Ao contrário, enquanto estiverem dispostos a ouvir, deve-se explicar a eles, pois o valor da amizade ébaseado no reconhecimento mútuo e no respeito aos bens humanos. Logo, a censura prévia não favorece o diálogo e,portanto, viola o bem humano básico da amizade, devendo ser evitada