Portal de Periódicos Eletrônicos do CLAEC (Centro Latino-Americano de Estudos em Cultura)
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Cultura afetiva: a construção do ser brincante no contexto urbano externo
A transformação dos espaços em lugares de afeto é uma possibilidade que advêm das relações em divertimento e brincadeiras. Essa relação pode proporcionar uma reflexão sobre o comportamento humano e gerar novos caminhos para a participação social. São utilizados os estudos que buscam apreciar as crianças a partir da sua realidade social, da cultura afetiva que estão inseridas e que, também, são capazes de construir. Busca-se analisar a realidade afetiva vivenciada por crianças, no ambiente sociocultural. Como objeto de estudo foi utilizado os registros em eventos de brincadeiras infantis em parques e ambientes públicos, na capital mineira. O Programa “Escola Livre de Artes Arena da Cultura em Belo Horizonte” executa o projeto “Brinquedos e Brincadeiras”. Este projeto está contribuindo no fortalecimento de relações sociais com o ambiente em diversos espaços públicos, na cidade de Belo Horizonte. De forma gradual, o Programa “BH é da Gente” executa atividades de recreação infantil para a comunidade, valorizando a cultura local. A diversidade geográfica e cultural são instrumentos para a experimentação de novas formas do brincar. Em considerações, pode-se dizer que, a brincadeira é sempre um produto coletivo e inovador. Pois, aquele que brinca é um agente ativo deste processo, contribuindo para a produção de culturas particulares entre os brincantes, em cada ambiente
Afiliação geográfica como possível preditor de comportamentos de multitarefa
A multitarefa, especialmente combinada com o uso de diferentes tipos de meios de comunicação, tornou-se um comportamento comum na nossa vida quotidiana, sendo promovida por constantes desenvolvimentos tecnológicos em equipamentos de uso pessoal. Os comportamentos de multitarefa têm sido frequentemente estudados a partir de perspetivas individuais como a idade e o género. Há, contudo, menos estudos sobre como a origem, a afiliação cultural ou geográfica pode influenciar ou potenciar comportamentos de multitarefa. Este artigo tem como objectivo analisar uma possível ligação entre afiliação geográfica, uso de meios de comunicação e tendência para comportamentos multitarefa de um grupo de dez investigadores, todos do sexo masculino, todos com a mesma profissão e com o mesmo ambiente de trabalho, com diferentes afiliações geográficas, agrupados em diferentes grupos regionais (Europa, Norte de África, Ásia Meridional/Ocidental). Foram registadas diferenças no consumo de meios de comunicação, sendo os valores de consumo semanais do cluster europeu (76.3 horas) bastante abaixo da média, os do cluster norte-africano (104.83 horas) bastante acima da média e os do cluster asiático (83.17 horas) aproximados à média (86.92 horas/semana). Uma tendência semelhante verifica-se nos valores de multitarefa com vários meios de comunicação, apresentando o cluster europeu os valores mais baixos de comportamento multitarefa globalmente, mas também os valores mais baixos em relação a dez dos meios de comunicação. O cluster do Norte de África regista não só o maior índice de comportamento multitarefa dos três clusters, como valores parcelares de multitarefa mais elevados para oito dos meios de comunicação
Os Moradores de Rua como Contrafluxo à Espetacularização das Cidades
Do início da modernidade aos dias atuais as cidades ganharam e ainda ganham formas que visam tornar seus espaços públicos em não-lugares, isto é, locais em que os habitantes não podem ocupá-los, mas apenas transitar por eles. O problema é que a diminuição da participação dos sujeitos provoca o empobrecimento da vida social fazendo desaparecer os benefícios que dela emergem: relações, memórias e identidades. Como contraponto às espetacularizações das cidades, surgiram os movimentos de flanância, deambulação e deriva. Fora deles, há os errantes urbanos, cidadãos que subvertem a produção racionalizada da cidade, em especial os moradores de rua que, ao ocuparem os espaços públicos, resgatam a relação entre o corpo urbano e o corpo do cidadão – uma corpografia
As culturas do medo e da farmácia do consumo em tempos da covid-19 na sociedade líquida
Este trabalho objetiva analisar a discursivização do medo em manchetes de notícias veiculadas no site G1 que noticia informações da covid-19. Para isso, dialogou-se com estudos de Bauman (2008, 2011), Hall (2006), Canclini (2008), Eagleton (2011) e Nova (2009). Metodologicamente, a pesquisa se caracteriza como explicativa, apresentando uma abordagem qualitativa, e utiliza a Análise de Conteúdo, pois interpreta enunciados, procurando compreender a construção de efeitos de sentidos manifestos em manchetes de notícias. Como resultado, verificou-se que a análise interpretativa das manchetes leva a entendê-las enquanto mercadoria do espetáculo, que constitui efeitos de sentidos a partir da atenção centrada no número de casos de coronavírus no Brasil e em sua letalidade. Em paralelo ao medo da covid-19, surgem formas de interação social, a saber, as lives. Assim, as manchetes materializam o surgimento das lives como mercadorias de consumo. Numa conjuntura de isolamento social, as lives se configuram elementos do “novo normal”, uma nova forma de encontro com o outro via aparelho digital. Ademais, as lives configuram um novo jeito de alinhar a cultura do medo à cultura do consumo, numa tentativa de substituir o mundo sensível por um conjunto de imagens fabricadas como produto do espetáculo
Experiências e memórias na fronteira relatadas no curso de extensão Español Básico para Niños: o antes e o durante a Pandemia de COVID-19
O objetivo deste texto é apresentar e discutir o desafio das memórias, proposto às crianças participantes do Curso de Extensão Español Básico para Niños, ofertado pela Universidade Federal do Pampa – campus Jaguarão. A intenção do desafio foi resgatar e valorizar experiências e memórias interculturais, da fronteira entre Jaguarão – Brasil e Rio Branco – Uruguay, que fazem parte da vida dos sujeitos envolvidos: as crianças, as alunas do curso, seus familiares e os proponentes do curso. Metodologicamente, os dados foram obtidos através de reunião síncrona, realizada através do Google Meet, e registros efetuados no Grupo de WhatsApp do Curso. A partir da análise realizada, os resultados indicam que, de modo geral, as experiências e memórias que mais emergiram dos participantes estão relacionadas à: a) relação entre os povos em uma zona de fronteira (fronteiriços? Ou brasileiros e uruguaios?); b) curiosidades sobre questões relativas à língua; e c) naturalidade de atravessar a ponte e estar em outro país, em contraste com a burocracia vista no tempo de pandemia
A memória coletiva como contribuição na (re)construção de um perfil do adolescente em conflito com a lei
Objetiva-se compreender como a memória coletiva contribui na construção de uma identidade essencializadora do adolescente em conflito com a lei no campo judicial, especificamente nos processos de execução de medida socioeducativa. Para isso o caminho é o de evidenciar os mecanismos de atuação da memória coletiva na construção de um perfil institucional do adolescente ao ser reavaliado na execução da medida socioeducativa de internação pelos agentes estatais. Como objeto empírico foram utilizados documentos oficiais e processos que iniciaram tramitação na Vara da Infância e Juventude de Foz do Iguaçu em 2012. Espera-se com a pesquisa evidenciar a construção de uma memória coletiva essencializadora pelo aparelho estatal sobre o adolescente em conflito com a lei, que está ligada a pobreza e a marginalização espacial, e que conduzem os adolescentes a um tipo de perfil institucional associado a práticas definidas como “cultura do ilícito”
Da fronteira da invisibilidade para o discurso da legalidade: a Umbanda como patrimônio cultural de natureza imaterial
Embora o Decreto nº 42557 de 2016 tenha estabelecido a Umbanda como patrimônio cultural de natureza imaterial do Rio de Janeiro, e ainda determinado, a criação do cadastro dos terreiros umbandistas, ela é colocada à margem pelo fato de muitos não acreditarem se tratar de uma religião, acarretando, então, uma intolerância religiosa desvendada em, por exemplo, destruição de templos e objetos que compõem as cerimônias, preconceito sofrido pelos praticantes e desrespeito aos rituais. Para tanto, objetiva-se no presente, resgatar memórias da religião umbandista, esquecidas ou reprimidas por valores hegemônicos da Igreja Católica, além de trazer conhecimento/informações face à valorização de expressão religiosa genuinamente brasileira, o que poderá garantir respeito e reconhecimento pela sua história, evitando assim, que essa não seja perdida/esquecida no tempo, devido ao fenecimento dos mais antigos que carregam suas vivências. Nesse contexto, trata-se de um estudo bibliográfico, que guiado por embasamento teórico, proporciona a elaboração de pressupostos variantes da abordagem proposta. Ao considerar a Umbanda como patrimônio cultural de natureza imaterial, o Estado, através do discurso da legalidade, cria condições para o levantamento de todos os terreiros existentes no Rio de Janeiro, e com ele, toda a tradição oral, juntamente com elementos materiais e imateriais que dão vida ao sincretismo experienciado em cada terreiro
Ensino de História e as Memórias da/ na Cidade: Memória e Patrimônio na Educação Básica
Já é sabido que a Consciência Histórica das pessoas não é baseada apenas nos aprendizados do conteúdo do componente de História na escola. Mas, então, como a cidade pode nos educar? Como definir o que é ou não patrimônio? Quais são os sentidos, para além da importância material, que as pessoas dão para os espaços de memória de um local? Essas são algumas das perguntas que serão discutidas neste texto. Como proposta pedagógica para ensinar a História de Jaguarão, há a organização de uma exposição “Memórias em Jaguarão: O passado no presente”, na qual a população participou enviando fotografias e relatos através das redes sociais. A sugestão é uma, dentre várias, possibilidade de recurso didático a partir dessa exposição, que pode ser trabalhada junto a turmas de 5º anos e serve como instrumento para construção de uma prática pedagógica para aproximar a experiência das pessoas e da cultural local com a vida das e dos estudantes
Os limites no apreço pela cosmovisão: sentidos sobre os conceitos de mito e beleza em Oxum e Afrodite
O presente estudo tem como objetivo traçar uma crítica ao sentido de apreço pela cosmovisão ocidental, através de reflexões acerca de cosmogonia, semântica cultural da beleza e do mito e da relação desses a partir da análise dos mitos de Oxum, divindade iorubana, também cultuada no Brasil, e Afrodite, divindade grega, que costuma compor os currículos escolares como referência ao mundo antigo, ou a sociedades politeístas, as quais são um tabu no atual mundo cristão ou cristianizado. Concluímos, portanto, no sentido de apresentar o processo estruturalmente racista de tentativa de apagamento das culturas africanas no contexto brasileiro, tendo como inferiores divindades negras-africanas e supervalorizando a cultura ocidental, inclusive suas divindades brancas, haja vista a valorização da visão no ocidente e a valorização do holístico
Racismo, cultura e identidade nacional
The purpose of this text is to reflect on the construction of the brazilian national identity as a racist and genocidal project that, therefore, needs to be relaxed in order to be overcome. For the presentation that follows, there is an urgent need to understand the need for the decolonization of life and the denaturalization of the social relations that comprise it. Among other things, decolonizing life means denaturalizing historical elements and phenomena considered socially natural. Racism and national identity are examples of products of culture that, in Brazil, have reached a level of sacralization that makes most brazilians believe that they are innate in society and essences of “brazilianness”. To decolonize life, radical pedagogical, that is, decolonial, action is urgent, which can contribute to an understanding of the world beyond the hegemonic vision, beyond the naturalization of social relations.El propósito de este texto/conferencia es reflexionar sobre la construcción de la identidad nacional brasileña como un proyecto racista y genocida que, por lo tanto, necesita ser desconstruido para ser superado. Para la presentación que sigue, es urgente comprender la necesidad de la descolonización de la vida y la desnaturalización de las relaciones sociales que la componen. Entre otras cosas, descolonizar la vida significa desnaturalizar elementos y fenómenos históricos considerados socialmente naturales. El racismo y la identidad nacional son ejemplos de productos de la cultura que, en Brasil, han alcanzado un nivel de sacralización que hace creer a la mayoría de los brasileños que son innatos en la sociedad y esencias de la “brasileña”. Para descolonizar la vida es urgente un enfoque pedagógico radical, pedagógico o descolonial, que pueda contribuir a una comprensión del mundo más allá de la visión hegemónica, más allá de la naturalización de las relaciones sociales.O objetivo deste texto/palestra é refletir sobre a construção da identidade nacional brasileira como projeto racista e genocida que, portanto, necessita ser descontruído para ser superado. Para a apresentação que se segue é urgente o entendimento sobre necessidade da descolonização da vida e a desnaturalização das relações sociais que a compõe. Entre outras coisas, descolonizar a vida significa desnaturalizar elementos e fenômenos históricos tidos socialmente como naturais. O racismo e a identidade nacional são exemplos de produtos da cultura que, no Brasil, alcançaram um demasiado nível de sacralização que faz com que a maioria dos brasileiros acredite que são inatos da sociedade e essências da “brasilidade”. Para descolonizar a vida, é premente um fazer pedagógico radical, ou seja, decolonial, que possa contribuir para um entendimento do mundo para além da visão hegemônica, para além da naturalização das relações sociais