Portal de Periódicos Eletrônicos do CLAEC (Centro Latino-Americano de Estudos em Cultura)
Not a member yet
1553 research outputs found
Sort by
A memória cultural mukongo em face de colonialidade: decolonialidade com a desobediência epistêmica
O presente trabalho visa abordar a minha memória cultural mukongo em face de colonialidade imposta pela assimilação cultural presente na sociedade do Zaire onde nasci. Tendo nascido fora da cultura latino-americana, dialogarei partindo do biolocal marcado por dois lócus enunciativos (Bessa-Oliveira, 2018, Nolasco (2013,2018). Quero abordar alguns conceitos como nganga, muntu dentro da língua afrikana kikongo, como também a invisibilidade dos rituais religiosos ancestrais contemporaneamente. Objetivo é de narrar e reviver reapropriando-me como nativo, repensar e naturalizar a cultura, escrevendo na perspectiva teórica do eu sujeito muntu, e dos imaginários de lócus e da memória ancestral no corpo e arte Achinté (2009). Será que tenho o imaginário ligado à cultura ritual ancestral? Penso que essa invisibilidade é o resultado da colonialidade, essa colonialidade nos faz esquecer ancestralidade na cultura mukongo. Assim penso na imigração na América latina Brasil, em 2011, conheci um terreiro numa periferia. Lá e agora nascendo à pesquisa refletindo o meu projeto, baseado em Frantz Fanon (2008) em Pele Negra, Máscaras Brancas que inspirou-me a refletir sobre a cultura do colonizador de um lado, e de outro lado, a minha cultura local. Sinto-me exilado da minha espiritualidade e parto da força inspiradora em Ramón Grosfoguel (2009), Nolasco (2019), Hugo Achugar (2006),e Achinté (2009). Pensar e transgredir a epistemologia dentro da minha cultura local e naturalizar os conceitos como o eu sujeito pesquisador. Nos procedimentos metodológicos inspirando-me em estudos descoloniais fronteiriços dos latino-americanos Nolasco (2013, 2019), para estabelecer a re-existência da cultura ancestral dentro do meu biolocal-espiritual na memória simbólica e pela desobediência epistêmica da subalternidade imposta e recusar a colonialidade de modo transdisciplinar para emigrar na perspectiva decolonial. Usar a reflexão metodológica a minha própria experiência nas leituras teóricas da pós-graduação, permite-me fazer essa viagem entre o lócus daqui, para refletir lá, sobretudo, o meu imaginário dos espaços simbólicos silenciados Mignolo (2008, 2003) na decolonialidade e desobediência epistêmica caminho para então pensar e repensar o lugar da cultura Kanda - comunidade no sentido local.
Conhecendo Ciudad del Este: O Outro Lado da Fronteira
O presente trabalho tem como objetivo apresentar ao leitor um relato de experiência, a saber, o das percepções obtidas por alguém que passando pela Ponte da Amizade chegue à Ciudad del Este, no Paraguai. A descrição pretende dar uma ideia aproximada da paisagem esculpida pela sociedade local, em sua articulação com os turistas e os sacoleiros, e como este comércio influenciou na formação, arranjo e desenvolvimento da parte comercial da cidade. Como o texto deixa transparecer, fomos inspirados pelos trabalhos de Geografia Regional de Paul Vidal de La Blache, que ao tentar descrever a paisagem de uma determinada região fazia um quadro vívido do que encontraríamos em tal local. Passamos assim, a descrever a topografia, composição da população, táticas de aquisição de clientes/compradores por parte dos comerciantes, a arquitetura local, o arranjo das vias e dos edifícios, visando a estabelecer o quadro geral mais bem explicado, tendo como limitadores o próprio espaço do texto e sua aplicação à comunidade acadêmica
Invenção da América, colonialidade do poder e pós-colonialismo: reflexões acerca do primitivo Novo Mundo
O presente trabalho tem como objetivo discutir a noção de invenção do continente americano (América Latina, mais precisamente) a partir de uma perspectiva eurocentrista do conhecimento. Investigamos, pois, como ocorreu o surgimento da América e o que implicou ela ter sido conceituada tal qual como América. Para tanto, dispomos da noção de colonialidade do poder para compreendermos a amplitude do colonialismo que afligiu o continente americano, como tal poder despojou os povos originários de suas respectivas culturas; como se estruturou, a partir da América, uma noção de mundo no qual o europeu passou a ser referência; e como, a partir do advento da colonização, os povos latino-americanos (e demais povos não-europeus, em escala global) passaram a representar o passado, ou seja, o primitivo. Nossos objetivos, desta maneira, consistem em evidenciar como o poder colonial subjugou os povos da América não só nos sentidos mais recorrentemente tratados, como na exploração do trabalho e das riquezas materiais, mas, também, subjugou os povos da América de suas formulações teórico-epistemológicas, culturais e identitárias, apontando, assim, para a construção de uma concepção global de mundo na qual a modernidade é sinônimo de Europa – e, mesmo o que foi colocado como “Novo Mundo”, ainda traduz-se como arcaico – e propondo uma mais ampla assimilação das identidades, culturas e epistemologias latino-americanas e das estruturas que compõem o sistema capitalista moderno
A Pintura de João Sebastião da Costa: a iconografia no espaço sagrado e profano
João Sebastião da Costa é um artista mato-grossense com uma criatividade ímpar, construiu seu legado e marcou a sua existência no cenário brasileiro, das artes visuais. Suas onças antropomórficas romperam os parâmetros das artes, ao se destacar nos inúmeros Salões de Arte Brasileira. A onça não era apenas o animal, ela precisava ter algo mais que isso, então ele elaborou aquilo, que o marcou, que o consagrou: a figura antropomórfica, mítica, encantada, provocativa, curiosa, que observa na espreita, um ser descrito pela crítica de arte, Aline Figueiredo “homem-bicho-santo”, cujos cenários transcendem os limites do real, os seres encantados, a celebração da natureza, a ambiência composta pela fauna, flora, a religiosidade, a devoção, a magia, na imensidão da espacialidade do cerrado, fez um artista peculiar. Na pintura em estudo o artista nos apresenta a figura do São Sebastião, repousando no interior da barriga da serpente, que nos remete à lenda do Minhocão do Parí, que habita o universo mítico dos ribeirinhos do Rio Cuiabá. O santo posicionado na parte inferior do quadro, devorado pela serpente, cria uma atmosfera singular, nos remetendo ao processo colonial na América Latina, uma vez que, o artista cria um cenário mítico, jocoso, cercado de religiosidade, onde seu lugar de fala sobrepõe aos ditames judaico-cristãos. Os fluxos de informações, que transitaram na América Latina, numa circulação e encontro de objetos e pessoas com suas práticas culturais distintas, que se cruzam e produzem outras práticas culturais inusitadas, como vemos na pintura de João Sebastião da Costa, a representação decolonial dos seus santos
Cultura & Formação Docente: pensando o currículo como uma construção cultural
A questão da cultura e seu papel central nas formas com as quais a sociedade se organiza é uma discussão atual em diversas áreas do conhecimento. Podemos assumir que os elementos da cultura são socialmente construídos e historicamente partilhados, portanto a cultura é uma construção essencialmente humana e social. Ela permite ao homem identificar-se enquanto indivíduo, transformar a natureza e transformar-se a si mesmo. Nesse contexto, entendemos que a formação inicial de professores pode ser caracterizada pela incorporação intencional de certos elementos da cultura, historicamente aceitos, determinados mediante disputas de poder e que representam as necessidades formativas que emergem de um dado contexto social e momento histórico. Esse é um trabalho teórico onde nos propomos a discutir alguns paradigmas de formação para pensar a cultura no contexto da formação de professores. Em uma análise interpretativa, procuramos construir nossa argumentação em torno da prerrogativa da centralidade da cultura no processo da formação docente. Consideramos que cursos de licenciatura se constituem por um processo de interação de seus agentes com os elementos da cultura historicamente construídos e sistematizados na graduação. Esta dimensão do processo formativo se estabelece não apenas pela natureza da relação que os indivíduos estabelecem com o currículo, mas também pelas concepções explícitas e/ou implícitas nele impressas. O currículo, assim, é uma questão da cultura como qualquer outra construção humana. Deste modo, o currículo é também uma atividade política porque de uma forma particular organiza a cultura e consequentemente as relações de poder e sua influência na identidade do professor em formação. Portanto, consideramos que formar-se professor é incorporar elementos culturais específicos do fazer docente. E a identidade docente se elabora na medida da interação com o currículo enquanto ferramenta cultural, nos processos de representação social que são estabelecidos ao longo da formação docente
Discursos visuais que o grafite revela na/da cultura contemporânea
Este texto objetiva levantar uma discussão acerca do caráter de significação de aspectos vinculados a visualidades na arte do grafite e subjetivações socioculturais. Especialmente nas duas primeiras décadas do atual século, constatar o grafite em diferentes cidades do mundo chama atenção pelo significado presente em sua ação que dialoga entre o popular e o erudito quando este ganha o espaço de galerias e salões de artes. Tal reconhecimento e diálogo antes negados ao grafite é contextualizado nessa oportunidade como referência de análise social e experiência cultural vividas pela contemporaneidade, utilizando para isso, paradigmas da imagem existentes no grafite e que caracterizam aspectos de uma realidade cultural. O que essa técnica pode revelar sobre a contemporaneidade e em que medida sua existência reterritorializada pode descrever um discurso sobre a sociedade e a cultura contemporâneas é o objetivo desse momento. A experiência estética que a apreciação do grafite proporciona é uma permissão para continuar em uma rotina diária sem paradas e tempo para fruições do belo e do gosto, porque ela acontece por onde se passa e se renova atualizando informações e comunicações de acordo com a experiência individual sensível de vida, para sua recepção instantânea
Imigrantes italianos no interior de São Paulo (1895-1925): uma história de socialização e adaptação em novos padrões culturais e identitários do Brasil do início do século XX
O presente trabalho se propõe a refletir de forma interdisciplinar a respeito da vinda dos imigrantes italianos ao interior de São Paulo, e nesse propósito, pensar como ajudaram a construir uma nova raça e identidade nacional brasileira. Este texto analisa através de elementos históricos e tenciona compreender os elementos estruturais sócio-políticos que condicionaram e incentivaram os processos imigratórios. Assim sendo, ao considerar os imigrantes como atores sociais que estabelecem práticas culturais em seu espaço praticado e seu envolvimento com outros espaços culturais, parte-se a pensar sobre a profusão de configurações identitárias que se moldam ao tempo e espaço praticado. A metodologia utilizada aproveitou obras e conceitos das diversas áreas do saber, visando um englobamento mais proveitoso para a pesquisa. Assim, tem-se por objetivo trazer a questão imigratória como enfoque central da discussão envolvendo, articulando então a massa imigratória do início do século XX com a configuração e condição econômica, social e cultural
Conectivivências: (im)possibilidades no contexto pandêmico e no que está por vir
O ano de 2020 foi totalmente atípico na educação e na convivência social no Brasil e no mundo. Transformações profundas na vivência da humanidade em meio à necessidade de isolamento social foi um grande desafio para o desenvolvimento educacional em todo o planeta nesse período. Plataformas digitais, redes sociais e diversos meios de atividades remotas passaram a fazer parte da realidade das tentativas de interações entre estudantes e professores. Por isso, nesse trabalho temos como objetivo discutir as possibilidades e impossibilidades no contexto da educação pública na cidade do Rio de Janeiro durante a Pandemia do COVID-19. Para tanto, iremos refletir sobre algumas ações adotadas pela Secretaria Estadual de Educação (SEEDUC) e pela Secretaria Municipal de Educação (SME) bem como a dificuldade de acesso aos meios disponibilizados por parte de estudantes e professores
Uma corpo-políitica do conhecimento feminino: questionar pelos sentidos, pelos corpos e pelo sul
Este trabalho vai em busca de um diálogo critico entre a escrita autobiográfica da professora, intelectual e escritora Heloísa Buarque de Hollanda e as relações imbricadas nos contextos culturais, sociais e marginais presentes nas regiões (ex)cêntricas do país, na tentativa de reatualizar problemáticas já delineadas no passado, o enfoque se voltara para as teorizações feministas delineadas pela professora ao decorrer de seu projeto intelectual. Pretende-se aqui mostrar como a escrita do eu revela tensões ideológicas, epistêmicas e críticas na vida de quem se propõe a escrever autobiografias, sendo assim, o objeto norteador será a obra Escolhas (2009). Em síntese, a análise se voltará para a condição das mulheres latinas americanas, precisamente no cenário brasileiro contemporâneo, com enfoque na crescente onda de manifestações feministas, na rua e na academi
Longe daqui, aqui mesmo: Tensões sobre o corpo feminino em perspectiva em Ercília Nogueira Cobra e Lina Meruane
Over the decades, some thinkers from Latin American have positioned themselves as powerful voices of a thought favorable to real female emancipation, attracting criticisms to the perspectives they have shown, out of line with society’s value systems both a century ago and now, in which conservative agendas have returned to the top of power in different countries and governments. Observing this phenomenon, this work aims to highlight some of the propositions of Brazilian writer Ercília Nogueira Cobra and Chilean writer Lina Meruane related to feminist issues, to discuss them in relation to the time in which these women are inserted. For this purpose, the works Virgindade anti-higiênica (1924), by Ercília Nogueira Cobra, and Against the kids (2018), by Lina Meruane, will be analyzed.
Keywords: feminism; women; Brazilian literature; Latin American literature; Americas.Al largo de las décadas, algunas pensadoras de origen latinoamericano se han posicionado como potentes voces de pensamientos favorables a la emancipación femenina real, atrayendo críticas mordaces a las perspectivas que presentan, divergentes de los sistemas de valores de la sociedad tanto hace un siglo como ahora, cuando las agendas conservadoras han vuelto al poder en diferentes países y gobiernos. Observando este fenómeno, este trabajo tiene como objetivo resaltar algunas de las proposiciones de la brasileña Ercília Nogueira Cobra y de la chilena Lina Meruane relacionadas con temas feministas, para discutirlas a la luz de la época en la que estas escritoras se insertan. Para eso, se analizarán las obras Virgindade anti-higiênica (1924), de Ercília Nogueira Cobra, y Contra los hijos (2018), de Lina Meruane.
Palabras clave: feminismo; mujeres; literatura brasileña; literatura latino-americana; Américas.Ao longo das décadas, algumas pensadoras de origem latino-americana se posicionaram como vozes potentes de um pensamento favorável a uma real emancipação feminina, recebendo críticas muitas vezes mordazes às perspectivas que evidenciaram, desalinhadas aos sistemas de valores da sociedade tanto um século atrás quanto agora, em que as pautas conservadoras reassumiram o topo do poder em diferentes países e governos. Observando esse fenômeno, este trabalho se propõe a destacar algumas das proposições da brasileira Ercília Nogueira Cobra e da chilena Lina Meruane relacionadas a questões feministas, para debatê-las à luz da época em que essas escritoras estão inseridas. Para isso, serão analisadas as obras Virgindade anti-higiênica (1924), de Ercília Nogueira Cobra, e Contra os filhos (2018), de Lina Meruane.
Palavras-chave: feminismo; mulheres; literatura brasileira; literatura latino-americana; Américas