Portal de Periódicos da Universidade do Estado de Mato Grosso
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AS HISTÓRIAS DE VIDA DE ESTUDANTES DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: o retorno ao caminho da emancipação
Este estudo analisa as trajetórias de vida de estudantes da Educação de Jovens e Adultos e sua transição da educação básica ao ensino superior. Realizou-se pesquisa qualitativa, utilizando entrevistas semiestruturadas com três discentes da modalidade e três graduandas de Pedagogia, da Universidade do Estado de Mato Grosso, em Sinop, nos segundos semestres de 2023 e 2024. Fundamentado em Paulo Freire e Sérgio Haddad, revelou o poder da educação, a necessidade da participação ativa do estudante e de um processo crítico, dialógico e reflexivo que leve à sua emancipação. A modalidade possibilita o ingresso no ensino superior, reconstrução da cidadania e mobilidade social
ENTRE DESAFIOS E RESSIGNIFICAÇÕES: o uso das TDICs por docentes no ensino remoto durante a pandemia
Esta pesquisa investigou como docentes enfrentaram os desafios da inserção das Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação nas práticas pedagógicas durante a pandemia da COVID-19. Utilizou-se um estudo de caso qualitativo, com aplicação de questionário a três professores do ensino fundamental de uma escola municipal de Sinop, no primeiro semestre de 2024. O referencial teórico baseou-se em Claudia Amorim Francez Niz, José Carlos Libâneo e Vanessa Cristina Sousa Lima. Os resultados indicaram que a principal dificuldade foi a falta de formação específica, exigindo adaptação autodidata. Conclui-se que a pandemia revelou desafios, mas também oportunidades para a inovação pedagógica
ASPECTOS SOBRE OS PROFESSORES INDÍGENAS IKPENG
O presente artigo aborda o processo de formação de professores indígenas Ikpeng. Enfatizando a valorização da cultura, dos saberes tradicionais e das especificidades dessa etnia. Fundamentou-se teoricamente em Elias Renato Marques Januário, Luís Donizete Benzi Grupioni. A pesquisa foi realizada por meio de uma abordagem qualitativa, utilizando entrevista semiestruturadas conduzidas via vídeo chamada, feita com docentes de escola indígena Ikpeng no ano de 2025. Como resultados, identificou-se que a formação docente indígena deve garantir uma educação escolar diferenciada, promovendo o fortalecimento da identidade e da autonomia dos povos Ikpeng. Os professores demonstraram, um esforço constante para integrar os conhecimentos ocidentais a sua prática pedagógica, sem comprometer a identidade cultural e os saberes ancestrais de seu povo
REP\u27s - v. 16, n. 1, jan./jul. 2025 - edição completa, com capa
REP\u27s - v. 16, n. 1, jan./jul. 2025 - edição completa, com capa
EDUCATION IN SCHOOLS: RURAL EDUCATION AND PUBLIC POLICIES - THE EDUCATION WE HAVE AND THE EDUCATION WE WANT
Este artigo investiga a formação e as políticas públicas na Educação do Campo no município de Cáceres-MT, com foco na discrepância entre a educação atual e as aspirações das comunidades camponesas. O objetivo é analisar, sob uma perspectiva crítica e histórica, as experiências dos movimentos sociais e a produção social de conhecimentos que informem políticas públicas que fortaleçam o campo como espaço de construção social, econômica e cultural. A pesquisa revelou um distanciamento significativo entre as políticas públicas existentes e as demandas eminentes das comunidades. A metodologia incluiu pesquisa de campo e investigação documental, com a realização de audiências públicas e debates em distritos e comunidades, visando levantar e sistematizar as necessidades e propostas dos camponeses. Os autores basilares que fundamentaram as discussões foram Arroyo (2004), Freire (1987), Marx (1979), Machado (2021 e 2022) e Zart (2012, 2019 e 2020). Os resultados indicam que a educação atual nas escolas do campo não atende aos anseios locais, que buscam uma formação que valorize a cultura regional e promova a permanência no campo. As audiências públicas destacaram a necessidade de integrar saberes locais e garantir uma vida digna e sustentável. A pesquisa conclui que é fundamental fortalecer a organização comunitária e adotar uma abordagem participativa na formulação de políticas públicas, visando uma educação do campo que reflita as necessidades e desejos dos(as) camponeses(as).This article investigates the training and public policies in Rural Education in the municipality of Cáceres-MT, focusing on the discrepancy between current education and the aspirations of peasant communities. The objective is to analyze, from a critical and historical perspective, the experiences of social movements and the social production of knowledge that inform public policies that strengthen the countryside as a space for social, economic and cultural construction. The research revealed a significant gap between existing public policies and the eminent demands of the communities. The methodology included field research and documentary investigation, with the holding of public hearings and debates in districts and communities, aiming to raise and systematize the needs and proposals of peasants. The fundamental authors who supported the discussions were Arroyo (2004), Freire (1987), Marx (1979), Machado (2021 and 2022) and Zart (2012, 2019 and 2020). The results indicate that current education in rural schools does not meet local needs, which seek education that values regional culture and promotes permanence in the countryside. The public hearings highlighted the need to integrate local knowledge and ensure a dignified and sustainable life. The research concludes that it is essential to strengthen community organization and adopt a participatory approach in the formulation of public policies, aiming for rural education that reflects the needs and desires of peasants
STAR TREK SUBURBANA: VÁRIO DO ANDARAÍ E O DIÁRIO DE BORDO DE SUA ENTERPRISE, A VIATURA 055
Na análise de textos literários ambientados no presente, mas que incluem questões vinculadas a algum tipo de tecnologia, muitos estudos recorrem a comparações com obras ou autores do passado, que tratam de situações anteriores que estas mesmas ferramentas modificaram. Apesar da evidente riqueza dessa perspectiva, o presente artigo propõe o acréscimo de outro olhar, que se volta para a extrapolação imaginária de tais tecnologias produzida pela ficção científica. Assim, para pensar a obra de Vário do Andaraí – taxista que, para relatar as experiências que acumula ao guiar seu carro pelas ruas do Rio de Janeiro, criou um blog literário e posteriormente publicou o livro A máquina de revelar destinos não cumpridos – far-se-á um paralelo com as narrativas futuristas da saga Star Trek, que também têm veículos como elementos centrais: as naves da Frota Estelar. O trabalho também será ancorado nos textos de Baudelaire a respeito do flâneur e nas reflexões de Walter Benjamin sobre as diferenças entre limiares e fronteiras. Buscar-se-á, com o auxílio de autores como Marshall McLuhan, refletir sobre a estreita relação entre esses dois últimos conceitos e a experiência da flânerie, considerando de que modo ambos são influenciados pelas transformações tecnológicas e pelo ritmo acelerado da modernidade
O TEATRO DO OPRIMIDO NO CONTEXTO ESCOLAR: POSSIBILIDADES PEDAGÓGICAS, ARTÍSTICAS E DE TRANSFORMAÇÃO SOCIAL
O presente artigo traz concepções teóricas sobre Augusto Boal e a criação do Teatro do Oprimido, cuja estética mantém relações estreitas com a história, a ética e a filosofia. O nosso intuito com a discussão em torno da estética do oprimido é apresentar uma proposta pedagógica que corrobore o trabalho de docentes da área de Linguagens e de Humanas na perspectiva de promover humanização, resistência e transformação social da comunidade escolar de nível fundamental ou médio. O nosso objetivo é trazer o método de Boal para a sala de aula por meio de atividades pedagógicas, com o objetivo principal de instigar os/as estudantes a pensarem e a agirem de maneira mais politizada para que encontrem estratégias de resistência no contato com a arte teatral, ao contar e encenar as suas próprias histórias de opressão em oficinas de teatro realizadas na escola. Para fundamentar a nossa proposta, trazemos as concepções teóricas de Boal (2013 [1975], 1991, 2008); Cândido (2011); Freire (2018); Pavis (1996, 2008); Razuk (2019); e Berger (2012). Esperamos que a articulação entre o experimento teatral e a educação básica ofereça questionamentos e fomente investigações futuras sobre essas formas de transformação social no ensino básico
ESQUEMAS IMAGÉTICOS FANTÁSTICOS: ENCENAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO DA SUBJETIVIDADE NO CONTO “A MENSAGEM”, DE CLARICE LISPECTOR
No presente artigo analisa-se, pela teoria literária em interface com a linguística cognitiva, o uso de esquemas imagéticos para ativar a percepção de elementos estéticos do gênero fantástico na constituição da subjetividade das personagens, no conto “A mensagem”, de Clarice Lispector, publicado em 1971 como parte do livro Felicidade clandestina. Para tanto, busca-se explicar, com Ferrari (2016), o que é a linguística cognitiva e como será empregada aqui. Partindo dos estudos de Lakoff (1987), faz-se então breve contextualização dos esquemas imagéticos, enfatizando os que serão mais utilizados na interpretação proposta. Na sequência, retoma-se o conceito de fantástico, com Todorov (1970, 1975) e Roas (2014), considerando a hipótese de que ele possa ser um operador de leitura que permite refletir sobre questões complexas, como a constituição da subjetividade. Nesse ponto, apresentam-se alguns conceitos de subjetividade da linguística, a partir de Benveniste (1976), e da psicanálise, com Quinet (2012), e inicia-se, de fato, o processo de imersão no conto em si. Por vezes, vale-se de outros estudos teóricos para embasar a análise proposta, isto é, da encenação da subjetividade no conto
DISTOPIAS NO ENSINO MÉDIO: RELATO DE EXPERIÊNCIAS COM CLUBE DE LEITURA E PRODUÇÃO DE ZINES
O presente artigo apresenta o relato de duas experiências pedagógicas realizadas com estudantes do ensino médio, tendo como eixo central o trabalho com o subgênero literário distopia. As iniciativas foram desenvolvidas na Escola SESI Eraldo Giacobbe, em Pelotas-RS, e buscaram promover o hábito da leitura, a reflexão crítica e a produção de escrita criativa, utilizando a literatura como ferramenta para esse processo. O primeiro projeto, intitulado “Apocalípticos e Integrados: um clube de leitura de distopias”, consistiu na criação de um clube do livro com foco na leitura e discussão de obras distópicas clássicas. Realizado de forma online ao longo do ano de 2021, durante a pandemia de COVID-19, o clube promoveu encontros regulares que incentivaram o pensamento crítico, utilizando a literatura distópica para refletir sobre questões sociais importantes. O segundo projeto, “Zine Distópico: instigando reflexões sociais por meio de textos distópicos”, está sendo desenvolvido desde 2023 e busca fomentar a produção artística trabalhando com a temática das distopias. A partir de discussões teóricas sobre obras distópicas, os participantes criam zines nos quais compartilham suas criações literárias e artísticas. O presente artigo relata as metodologias utilizadas, os desafios enfrentados e os resultados alcançados com os projetos, destacando como o trabalho com distopias contribuiu para o desenvolvimento de habilidades de leitura, escrita e pensamento crítico nos estudantes, destacando o papel da literatura como ferramenta pedagógica para conectar os jovens a questões sociais e culturais, promovendo um ensino mais significativo e transformador
ROMANCE DE ASILO, DE ANDRÉ MONTEIRO: ACONTECIMENTO, ACADEMICISMO E REFLEXÕES APORÉTICAS FILOSOFIA E POESIA
Este artigo propõe apresentar o Romance de Asilo (2019), escrito por André Monteiro, no qual o narrador, através dos fragmentados capítulos engendra discussões a respeito do que seria a identidade dentro de um universo “corcunda”, academicista, no qual teorias filosóficas e poéticas são colocadas em um espaço aporético do acontecimento. Objetiva-se atravessar esta narrativa, que está em constante movimento, os encontros e as rupturas em uma pretensa investigação sobre o efeito poroso que o autor busca enxertar nas discussões propostas em sua obra, ao articular aberturas de sentidos