Portal de Periódicos da Universidade de Fortaleza
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Pode uma Análise Prescindir do Dinheiro? Considerações sobre o Pagamento na Psicanálise
Este trabalho tem por objetivo discutir a possibilidade de oferecer tratamento psicanalítico para pessoas que não podem pagar monetariamente por uma análise. Para tal, utilizou-se textos de Freud, Lacan e outros autores da psicanálise que discorrem sobre a problemática do dinheiro e do pagamento em uma análise como referencial bibliográfico. Na história do movimento psicanalítico, retoma-se a criação da primeira instituição a oferecer atendimentos gratuitos para pessoas com baixa renda - a Policlínica Psicanalítica de Berlim, fundada por Max Eitingon, engajado pelas ideias de Freud de uma psicanálise aplicada ao social. Focalizando o manejo da questão do pagamento nas instituições psicanalíticas pós-freudianas, discutem-se as normas estabelecidas pela International Psychoanalitic Association (IPA) e pelo Centro Psicanalítico de Consultas e Tratamento (CPCT) em Paris, o qual inicialmente era conduzido pelo psicanalista Hugo Freda, no âmbito da Associação Mundial de Psicanálise (AMP), como um modo de posicionamento da psicanálise de orientação lacaniana diante do movimento pela regulamentação das psicoterapias na França. Além disso, buscou-se, na elaboração deste trabalho, uma reflexão sobre a função do pagamento e suas relações com o sintoma e o gozo na direção de um tratamento psicanalítico. Por fim, verificou-se que a questão do pagamento é uma variável fundamental a ser considerada na aposta sobre a efetividade da psicanálise aplicada às instituições
Pequenos Exercícios Experimentais da Liberdade: Articulações entre Arte, Clínica e Política
O presente trabalho apresenta uma articulação teórica, com um referencial interdisciplinar, que põe em diálogo os campos da arte, da clínica e da política. Tal articulação foi desenvolvida ao longo de uma pesquisa-ação com jovens em favelas cariocas que tinha como mote central a indagação sobre as possibilidades de reinvenção de um espaço urbano fortemente fragmentado e estratificado, demarcado pela segregação socioespacial. A constatação de que a fragmentação urbana característica das grandes cidades no contexto do capitalismo produz diferentes modos de vida e formas de subjetivação, estabelecendo fronteiras de convívio e afetando o estabelecimento de relações de alteridade, nos conduziu a pensar as possibilidades de reconfiguração sensível do mundo comum. Nesse sentido, nossas explorações teórico-práticas deram-se nessa articulação interdisciplinar em torno das temáticas do corpo, da experiência sensível e intercorporal, da alteridade e da criação como invenção e reinvenção da vida, apontando para o entrelaçamento de suas dimensões ética, estética e política. O artigo apresenta, em primeiro plano, o recorte teórico da pesquisa, discutindo uma perspectiva fenomenológica da subjetividade como corporeidade, ancorada no pensamento de Merleau-Ponty, assim como o trabalho clínico inspirado nessa perspectiva, em suas interfaces com o campo da arte e seu caráter de ação política. A partir de um breve olhar para a experiência com os jovens nessa pesquisa-ação, conclui-se considerando que o diálogo da psicologia com a arte tem a potência de ativar a dimensão lúdica, propiciar a criação de uma linguagem comum, permitindo a criação de dispositivos clínico-artísticos que possibilitam a recriação de si e das relações de alteridade na vivência do espaço urbano, atualizando possibilidades de reconfiguração sensível. O corpo teórico de ideias, inseparável de uma ação prática de pesquisar com os jovens, possibilitou criar uma metodologia lúdica de pesquisa e intervenção no espaço urbano
“Corpos encaliçados de prisão”: Mulheres e Subjetividades em Exceção
O artigo objetiva analisar a rede de poderes na prisão e os vetores de sujeição sobre os corpos de mulheres presas em uma penitenciária mista localizada no município de Parnaíba, no Piauí. Por meio das estratégias metodológicas de observação participante e de diálogos com essas mulheres são analisadas suas dimensões da vida, como saúde, sexualidade, trabalho, bem como outros comportamentos. Para isso, utiliza os conceitos de biopolítica, apresentado por Michel Foucault, e necropolítica, proposto por Achille Mbembe, como conceitos-chave de leitura para compreender o sistema prisional brasileiro, mais especificamente o massivo encarceramento feminino. Observa-se o controle biopolítico e necropolítico dos corpos femininos, como a ausência ou insuficiência dos serviços específicos para saúde feminina, a precária alimentação fornecida, a limitação de suas sexualidades, além do abandono ou esquecimento a que muitas são submetidas no cárcere. Constatou-se que o sistema penal opera por meio de práticas machistas, classistas e racistas, prolongamento da estruturação social excludente e discriminatória, concedendo às mulheres presas pesos maiores em suas penalizações. Mas também há resistência, como a organização e solidariedade do grupo, as transgressões de normas e a construção de amizades
Freud, a Alteridade e as Massas: Da Metapsicologia à Ética
O presente trabalho objetiva debater a noção de alteridade em Freud e suas implicações. Para tanto, partiu de uma pesquisa de cunho teórico que privilegiou um texto em particular. Trata-se de Psicologia das Massas e Análise do Eu, o qual, pela via de conceitos metapsicológicos, como os de libido e identificação, traça uma linha de raciocínio sobre a diferença que transita de maneira fluida entre terrenos aparentemente tão díspares quanto aqueles do individual e do coletivo. Em termos de resultados, destaca o quanto a perspectiva freudiana aponta para um eu que se constitui não pela via de algum solipsismo ingênuo e potencialmente deletério, mas a partir das interações que ele inevitavelmente estabelece com outro que se apresenta em uma míriade de imagos bastante variadas. À guisa de conclusão, reafirma tanto a abrangência quanto a importância do deslocamento promovido por Freud em seu trato com a questão da alteridade na medida em que este fornece uma perspectiva suplementar em relação aos discursos correntes, desvelando, assim, níveis mais complexos de sensibilidade acerca da diferença para além da mera referencialidade no interior de teias de sentido predeterminadas
A Norma do Falo e a Abjeção da Mulher na Psicanálise
Neste artigo, a autora analisa o lugar que “a mulher”, formação discursiva e essencializada, ocupa em alguns extratos das obras de Freud e Lacan. A partir do modelo do sexo único, tal como concebido por Thomas Laqueur, ensaia-se demonstrar que, em muitos momentos, a psicanálise operou em um paradigma de um só sexo, apesar da aparente centralidade do conceito de diferença sexual em suas teorias. Fundamentando-se em textos centrais de Freud e Lacan, notadamente aqueles que versam sobre uma suposta diferença sexual, a autora conclui existir uma norma do falo em suas teorias. Propõe-se que a importância conferida ao elemento fálico impede a psicanálise de pensar outras formas de subjetivação, em que o falo (anatômico ou simbólico) não seja tão central. Considerando tal norma do falo, as contribuições de Julia Kristeva e Judith Butler sobre a abjeção são utilizadas para pensar a fabricação do gênero feminino enquanto abjeto na teoria psicanalítica. Entende-se que uma leitura acrítica de Freud e Lacan produz e reforça uma divisão entre sujeitos e abjetos sob a norma fálica. Sustenta-se que uma subjetivação pensada pela falta do falo mantém “a mulher” em um lugar de inexistência e, mesmo, de abjeção
Cartografias e Percursos de Mulheres Artesãs que Aprendem, Ensinam e Trabalham
O presente artigo trata de uma pesquisa-intervenção que ocorreu atrelada ao estágio supervisionado do curso de Psicologia, nos meses de abril a setembro de 2019, tendo como foco uma imersão territorial no bairro das Rocas, da cidade de Natal/RN. As intervenções tiveram como foco o Centro de Convivência e Cultura (CECCO) das Rocas, dispositivo de saúde mental que integra a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). Imersas no cotidiano do dispositivo, as intervenções buscaram fortalecer um dos grupos que compõe o CECCO, voltado para as oficinas de artesanato com mulheres com diagnóstico de transtorno mental. Para tanto, apoiaram-se nos valores da economia solidária, fomentando a geração de renda para as suas integrantes. Com a ação orientada pela cartografia e pelo referencial teórico-metodológico da análise institucional, buscou-se compreender como a produção de saúde, articulada à arte e ao trabalho, influencia na condição de mulher artesã e de um coletivo heterogêneo
Avaliação do uso da Profilaxia Pré-Exposição ao HIV: coorte retrospectiva
Objetivo: Identificar o perfil da população que buscou a Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP) no Paraná e, entre os usuários da PrEP, avaliar modificações nos comportamentos de risco de adquirir infecções sexualmente transmissíveis (IST’s), além de alterações nos exames laboratoriais de monitoramento. Métodos: Coorte retrospectiva com dados secundários obtidos do Sistema de Controle Logístico de Medicamentos acessados em 2018 e 2019. Investigou-se o perfil sociodemográfico da população que buscou a PrEP, de forma a correlacioná-lo aos segmentos prioritários para o uso do medicamento profilático. Entre os usuários, avaliaram-se dados comportamentais, testes diagnósticos para IST’s, funções renal e hepática referentes a diferentes momentos no decorrer do uso. Os resultados comparados deram-se por meio dos testes Wilcoxon e Exato de Fisher. Resultados: 255 pessoas buscaram a PrEP. Predominaram-se o sexo masculino (92,28%), homossexuais (78,04%), de 20 a 39 anos (83,53%), brancos (71,76%), com 12 ou mais anos de estudo (74,90%). Para uso da PrEP elegeram-se 188 pessoas. Entre estas, durante o uso, observou-se aumento de práticas sexuais sem preservativo (p=0,012), diminuição no número de parceiros e do consumo de álcool (p=0,001), aumento da atividade de enzimas hepáticas ALT/AST (p=0,018), sem diferença no diagnóstico do HIV e outras IST’s. Conclusão: Homens que fazem sexo com homens predominaram na busca pela profilaxia. Entre os usuários da PrEP, apesar do aumento de práticas sexuais desprotegidas, não houve aumento do diagnóstico de IST’s no período do estudo. O medicamento da PrEP demonstrou bom perfil de segurança nos exames laboratoriais de seguimento
La propagación de la COVID-19 en España y Brasil según tiempo y clima
Los datos que se aportan se encuentran en un estudio (a partir de ahora llamado Jingyuan Wang) que estima el intervalo de serie de COVID-19 a partir de 105 pares del portador del virus y los infectados, calculando la reproducción efectiva diaria para cada una de las 100 ciudades chinas con más de cuarenta casos.
Usan valores diarios de propagación del 21 al 23 de enero de 2020 como indicadores de transmisión de antes de confinamiento. Encuentran un marco de regresión lineal para las cien ciudades chinas, concluyendo que la alta temperatura y la alta humedad relativa pueden reducir significativamente la transmisión del COVID-19.
El resultado se basa en el hecho de que la alta temperatura y la alta humedad reducen significativamente transmisión del virus, por lo que la llegada del ascenso de temperaturas y del verano puede reducir efectivamente la transmisión del COVID-19 según condiciones climáticas. Con el estudio buscamos conocer el índice reproductivo de España y Brasil según condiciones climáticas.Objetivo: Este artículo de investigación busca conocer la influencia de la propagación del virus COVID-19 a través de la temperatura y de la humedad en España y Brasil. Métodos: Para el cálculo de la variación mensual del índice de propagación del virus COVID-19 por provincias en España se han utilizado, en primer lugar, las series climáticas de la AEMET de España e INMETRO de Brasil. Se han extraído las medias correspondientes y después se han sometido los datos a un proceso de homogenización, para posteriormente poder calcular el incremento mensual de temperatura y de humedad por provincias y estados. Este proceso metodológico establece una relación directamente proporcional entre el aumento de la temperatura y de la humedad con el índice de propagación del virus COVID-19. Resultados: En España, las condiciones climáticas favorecerán la disminución o aumento del índice reproductivo del virus. En Brasil las condiciones climáticas no favorecerán la disminución del índice reproductivo del virus y, climatológicamente, no existe un periodo óptimo para una desescalada y vuelta a la normalidad. Las variaciones de las condiciones climáticas en Brasil no son significativas, por lo que el clima de Brasil no influye en la disminución de propagacióndel virus. Conclusión: El clima influye en la propagación del virus
A capacidade civil contratual da pessoa com deficiência no Estatuto da Pessoa com Deficiência sob a perspectiva da análise econômica do direito
O artigo visa enfrentar o tema da capacidade civil contratual da pessoa com deficiência, á luz do Estatuto da Pessoa com Deficiência, aplicando, para tanto, o instrumental da análise econômica do direito. O método empregado foi o hipotético dedutivo, com ampla revisão bibliográfica, tendo como principal objetivo promover uma análise crítica do novo regime das capacidades que impactou o Código Civil brasileiro. O trabalho procura demonstrar que o sistema de garantias outrora existente foi superado, o que, de um lado, trouxe para o plano da igualdade formal as pessoas com deficiência, mas de outro pode ter causado um problema ao ampliar o horizonte para a igualdade material no plano contratual, pois aquele sistema de proteção deixou de existir. Assim, a doutrina e a jurisprudência encontrarão novos desafios para analisar o regime das capacidades, em especial quando ela é manifestada na forma de contratos, pois as pessoas com deficiência, especialmente aquelas de natureza cognitiva, poderão ter a formação de sua vontade prejudicada e o contrato viciado. Por isso o artigo utilizada o instrumental da análise econômica do direito, a partir da racionalidade limitada e da assimetria informacional para, ao final, sustentar que, embora o regime dos contratos para as pessoas com deficiência tenha sido alterado, é preciso conferir a essas uma proteção oriunda da sua hipervulnerabilidade, e que o sistema atual elevou os custos de transação associados ao contrato, pois exigirá que os custos sejam apurados no regime ex post
Desafios à tributação indireta na era da Internet das Coisas: o exemplo da geladeira inteligente
O presente artigo objetiva apresentar os desafios à tributação indireta de correntes da revolução tecnológica causada pela Internet das Coisas e avaliar se a modificação do sistema vigente pela introdução de um IVA - Imposto sobre Valor Adicionado- satisfaz a moldagem de princípios constitucionais em nosso (pretendido) Estado Democrático de Direito.
Utiliza-se, como base de análise, o exemplo da geladeira inteligente, que disponibiliza, a seus usuários, funcionalidades tão diversas e inovadoras, capazes de desafiar o próprio conceito tradicional de geladeira, suscitando potenciais conflitos na tributação do consumo entre estados e municípios, ensejadores de ineficiência e insegurança no sistema