Portal de Periódicos da Universidade de Fortaleza
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Mal-estar, Subjetividade e Psicose: Reflexões a partir do Sistema Familiar
O presente trabalho tem por objetivo fazer reflexões sobre o malestar inerente à subjetividade psicótica, em especial na sua manifestação familiar, do nuclear ao transgeracional. Serão discutidos os seguintes pressupostos: (a) a subjetividade psicótica é circunscrita ao sentido que a interação familiar lhe atribui; (b) a semiologia do discurso psicótico pode ser mais bem compreendida dentro do padrão comunicacional familiar; (c) as contradições psicóticas (particularmente sua sintomatologia) dizem respeito às contradições familiares, em seus mais difusos aspectos (individual, conjugal, parental, filial, fraterno); assim existem nestas famílias “obstáculos interpostos pelos membros da família ao crescimento de um deles”, sendo a subjetividade do psicótico espelho deste espectro; (d) a simbiose mãe-filho psicótico é engendradora da rede familiar, de que são complementares (e às vezes apenas coadjuvantes) pai, outros filhos e família de origem; (e) a rigidificação do processo interacional familiar é normatizadora do padrão de funcionamento psicótico, seja qual for a sua manifestação; (f) a homeostase familiar se fixa então no doente, traduzindo-se “numa torpe precipitação e no movimento tendente ao fracasso, à tensão e ao drama” (Benoit, 1994, p. 72), sinais definidores do mal-estar recorrente. Palavras-chave: família, homeostase, psicose, simbiose, subjetividad
Mal-Estar e Subjetividade Brasileira
Na minha fala procurarei chegar à questão do que poderia ser considerado como “sintoma social no Brasil” através de um trajeto, um pouco longo, que se inicia com a releitura de dois textos de Freud – O Futuro de uma ilusão e O Mal-estar na cultura. Nesses trabalhos de maturidade, Freud nos oferece uma compreensão das relações entre “natureza” e “cultura” e entre “indivíduo” e “sociedade” que até hoje é difícil de apreender em sua radical novidade. Tentarei demonstrar que nem complementaridade, nem oposição simples, nem oposição dialética dão conta destas relações e que apenas o que Jacques Derrida denominou de lógica da suplementaridade corresponde ao pensamento freudiano e a uma ética psicanalítica em que o “mal-estar”, um estado crônico mas tolerável de desprazer, é intrínseco à constituição do psiquismo e uma condição básica para a procura pelo homem das felicidades possíveis. Será, então, a partir desta lógica da suplementaridade e desta compreensão do “mal-estar” na cultura, que tecerei considerações acerca da Modernidade ocidental e de como o Brasil se insere em sua periferia, gerando sua própria versão, algo caricata, do “mal-estar”. Finalmente, tentarei, com a ajuda de um dos nossos grandes humoristas – Luís Fernando Veríssimo –, sugerir o riso de nós mesmos como uma importante medida analítica e terapêutica. Palavras-chave: cultura, indivíduo, natureza, sintoma social, sociedad