Portal das Publicações Periódicas do ISPA-Instituto Universitário (- Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida)
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O desenvolvimento da socialização e o papel da família
O estudo apresentado procurou analisar o papel da família no desenvolvimento da socialização em crianças e adolescentes, nomeadamente no que concerne ao papel da estrutura familiar e das relações pais-filhos. Assim, foi nosso objectivo verificar, por um lado, se a estrutura familiar seria por si só uma variável significativa para o desenvolvimento dos comportamentos sociais ou se, por outro lado, as relações pais filhos seriam melhores preditores da socialização dos filhos. Para o efeito, auscultaram-se 182 crianças e adolescentes a frequentarem o ensino básico, do 6º ao 9º ano de escolaridade, através de três questionários de auto-resposta que avaliaram aspectos sócio-demográficos, variáveis de socialização e relações pais-filhos. De um modo geral, os resultados obtidos permitem assumir que, mais do que a estrutura familiar por si só, será o modo como os elementos da família se relacionam que influenciará o desenvolvimento da socialização dos filhos. Acreditamos que tal conclusão poderá trazer importantes e úteis implicações no que ao desenvolvimento dos comportamentos sociais de crianças e adolescentes diz respeito, não apenas para a família, como para todas as instituições e profissionais que com ela lidam
Preditores da dependência nicotínica e do comportamento planeado para deixar de fumar
Este estudo avaliou os preditores da dependência tabágica e o modo como as representações do tabaco contribuem para as variáveis socio-cognitivas na cessação tabágica. Participaram no estudo 224 fumadores. Os resultados revelaram que ter menos idade, ser do sexo masculino, ter doença respiratória, fumar mais cigarros por dia, ter um parceiro que fuma, menor qualidade de vida mental e mais morbilidade psicológica foram preditores de maior dependência tabágica. Por sua vez, mais idade, menor compreensão, representações emocionais mais ameaçadoras e parceiro não fumar revelaram-se preditores da intenção; menor compreensão, representações cognitivas mais ameaçadora e parceiro não fumar previram as atitudes face ao comportamento deixar de fumar; mais idade, representações emocionais e cognitivas mais ameaçadoras e parceiro não fumar previram as crenças de comportamento em relação a deixar de fumar; representações emocionais mais ameaçadoras e parceiro não fumar previram as normas subjetivas; representações cognitivas menos ameaçadoras e parceiro não fumar previram o controlo comportamental percebido; mais idade, parceiro não fumar e representações emocionais mais ameaçadoras previram as crenças normativas/controlo. As representações emocionais e cognitivas mais ameaçadoras e ser do sexo masculino, foram os preditores do planeamento do coping/ação. Este estudo enfatiza a importância das representações do tabaco nos programas de cessação tabágica
A disfunção sexual em homossexuais masculinos: Potencialidades e desafios
Neste artigo efectuou-se uma revisão da literatura sobre a etiologia, a prevalência, o diagnóstico e o tratamento das disfunções sexuais em homossexuais masculinos, destacando as principais fragilidades, os desafios e as lacunas que revestem esta temática. A síntese e integração dos principais desenvolvimentos teóricos e empíricos da literatura científica, nacional e internacional, sublinha que os estudos que abordam esta temática são escassos e apresentam resultados pouco consistentes e por vezes contraditórios. A literatura revela, ainda, a inexistência de critérios clínicos específicos, de programa de reabilitação ou de modelos de actuação para a disfunção sexual no campo da homossexualidade, pois estes centram-se no referencial teórico e prático dos heteros - sexuais e renegam para segundo plano as necessidades e especificidades da população homossexual. Por fim, e de modo a potenciar o desenvolvimento de mais pesquisas nesta área, são ainda dadas algumas sugestões para ulteriores trabalhos
Tornar-se Psicólogo para além das aulas: Grupo de desenvolvimento com estudantes de Psicologia
O Desenvolvimento Profissional (DP) tem vindo a ser revelado como um elemento crítico na formação e desempenho profissional do Psicólogo. Tendo por base os fundamentos teóricos acerca do DP e da construção da identidade profissional, e com carácter exploratório, construiu-se, implementou-se e avaliou-se a eficácia de um programa de intervenção. O principal objectivo desta é, num contexto seguro à exploração, promover o DP de estudantes de Psicologia, em duas componentes (intrapessoal e interpessoal/social). Constituíram-se dois grupos (um de 10 e outro de cinco participantes), avaliados formalmente no início e no fim do programa, através de uma medida construída para o efeito – Questionário de Desenvolvimento de Estudantes de Psicologia. Os resultados apoiam a eficácia da intervenção e indicam mudanças ao nível do autoconhecimento, da representação de DP, do conhecimento do papel de Psicólogo, dos recursos para a transição entre papéis e contextos, da coerência e riqueza narrativa e das competências relacionais básicas. Não obstante as reformulações necessárias identificadas na avaliação informal, o programa promove o DP e a construção da identidade profissional dos estudantes de Psicologia, tendo os participantes demonstrado a sua satisfação com a mesma
Práticas atuais e ideais em intervenção precoce no Alentejo: Perceções dos profissionais
Com este estudo, pretendeu-se compreender as percecoes que os profissionais das equipas locais de intervencao do Alentejo tem em relacao as suas praticas tipicas e as praticas que consideram ideais. Participaram 167 profissionais de 25 equipas de Portalegre, Evora, Beja e Alentejo Litoral. A recolha de dados foi realizada com base no Questionario aos Profissionais de Intervencao Precoce na Infancia (IPI) e na Escala de Avaliacao de Servicos: Familias em Contextos Naturais (McWilliam, 2000/2008). De acordo com os resultados obtidos, (1) existem diferencas entre as percecoes dos profissionais em relacao as praticas tipicas e as praticas ideais; (2) nao existem diferencas na percecao dos mesmos profissionais em relacao as praticas tipicas e as praticas ideais, em funcao das variaveis idade, tempo de experiencia profissional em IPI, formacao de base e formacao complementar; e (3) existem diferencas entre as percecoes dos profissionais em relacao as praticas tipicas, em funcao das suas percecoes acerca do tipo de funcionamento da equipa, com os profissionais que caracterizam a equipa como transdisciplinar a relatar praticas tipicas mais proximas das praticas recomendadas. Os resultados sugerem a necessidade de promover a transdisciplinaridade das equipas de IPI bem como a qualidade das suas praticas
O impacto dos estilos educativos parentais e do desenvolvimento vocacional no rendimento escolar de adolescentes
Compreender a complexidade da problemática do in/sucesso e/ou do abandono escolar, tem sido uma das preocupações dominantes da investigação nas últimas décadas, sendo não só objeto do interesse geral, como também tem vindo a municiar os discursos críticos em relação à dita escola de massas. Neste sentido, a presente investigação incide na análise dos preditores familiares e individuais do rendimento escolar de adolescentes. Participaram neste estudo 222 adolescentes com idades compreendidas entre os 14 e os 16 anos, que frequentavam o 9º ano de escolaridade. Os dados foram recolhidos em escolas secundárias, através do Questionário de Estilos Educativos Parentais e da Escala de Exploração e Investimento Vocacional. O nível de escolaridade das mães, a monitorização parental e o investimento vocacional revelaram-se preditores do rendimento escolar. Os resultados são discutidos à luz de uma abordagem psicossocial sendo retiradas implicações para a intervenção psicológica
Qual a fiabilidade do alfa de Cronbach? Questões antigas e soluções modernas?
A análise da consistência interna de uma medida psicológica é uma necessidade aceite na comunidade científica. Entre os diferentes métodos que nos fornecem estimativas do grau de consistência de uma medida salienta-se o índice de Cronbach sobre o qual acenta a confiança da maioria dos investigadores. Os utilizadores deste método têm-no sugerido como conservador especialmente para os casos em que os itens da escala são heterogéneos, são dicotómicos ou definem estruturas multi-factoriais: o alfa de Cronbach fornece uma sub-estimativa da verdadeira fiabilidade da medida. Neste artigo apresentamos e discutimos o método de Cronbach, com ênfase na inferência sobre este índice e nas propostas alternativas a este método de estudo da consistência interna. Por último faremos uma breve referência à discussão que emerge no campo no que concerne a interpretação deste índice feita pelas perspectivas psicométrica vs. datamétrica
Estudo da validação das escalas de crenças sobre a natureza da homossexualidade e de preconceito contra homossexuais
O objectivo deste estudo foi realizar a validação factorial de escalas que medem o preconceito contra os homossexuais e as crenças explicativas sobre a natureza da homossexualidade. O preconceito foi avaliado com base numa medida de rejeição de proximidade com homossexuais e numa medida de expressão de emoções positivas e negativas em relação a alvos homossexuais. Participaram 482 estudantes portugueses de diversos cursos universitários na área de Lisboa. Com o objectivo de validar a estrutura factorial das medidas, vários modelos foram testados recorrendo a Análises Factoriais Confirmatórias. Os resultados obtidos confirmam a estrutura factorial da escala de crenças sobre a natureza da homossexualidade, a qual é composta por cinco factores correlacionados: crenças religiosas; crenças ético-morais; crenças psicológicas; crenças biológicas; crenças psicossociais. Os resultados também confirmam que a estrutura factorial da escala de preconceito é formada por três factores correlacionados: expressão de emoções positivas; expressão de emoções negativas; rejeição a relações de proximidade
Normas de associação livre para 200 palavras de diferentes níveis de concreteza
Este artigo apresenta uma base de dados de normas de associação de palavras desenvolvida para investigação experimental em psicologia. Ele contém normas de associação livre para 200 palavras na língua portuguesa variando em termos de concreteza recolhidas com um grupo 108 falantes do português europeu. Aos participantes era pedido que escrevessem para cada palavra alvo a primeira palavra que esta lhes fazia lembrar. A parte principal do artigo contém uma lista de todas as respostas associativas e sua frequência para cada uma das 200 palavras alvo. Estas normas são úteis para investigadores e estudantes em muitos campos da psicologia, especialmente para o estudo da linguagem e da memória, onde o grau de associação entre pares de palavras é muitas vezes uma variável importante
Normas de associação livre de 16 palavras portuguesas para crianças de diferentes faixas etárias
Neste estudo são apresentadas as normas de associação livre de 16 palavras portuguesas para 3 faixas etárias de crianças – 3/4 anos, 7/8 anos e 11/12 anos – e adultos. As comparações efectuadas entre as faixas etárias revelaram uma diferença significativa entre os 3/4 anos e os 7/8 anos ao nível do número de associados obtidos, provavelmente atribuída a um aumento considerável do vocabulário nesta fase do desenvolvimento. Mudanças conceptuais na organização do conhecimento foram também analisadas, verificando-se nos pré-escolares associações que revelam relações funcionais e um predomínio de relações taxonómicas a partir dos 7/8 anos