Portal das Publicações Periódicas do ISPA-Instituto Universitário (- Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida)
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    A psicologia como neurociência cognitiva: Implicações para a compreensão dos processos básicos e suas aplicações

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    O presente artigo procura ilustrar o modo como os desenvolvimentos das neurociências cognitivas poderão ajudar a compreender alguns dos processos psicológicos básicos e, simultaneamente, ser traduzidos para importantes domínios da psicologia aplicada, particularmente no domínio clínico. Exemplificaremos a partir de algumas linhas de investigação programática em curso nas diferentes subsecções do Laboratório de Neuropsicofisiologia da Escola de Psicologia da Universidade do Minho. As potencialidades metodológicas proporcionadas pela neurofisiologia, neuroimagiologia, neuromodelação, psicofisiologia, neurobioquímica e neurogenética serão exemplificadas nas suas aplicações à linguagem (e suas implicações para a compreensão da esquizofrenia), funcionamento sócio-cognitivo (e implicações para a compreensão das perturbações do neurodesenvolvimento), funcionamento executivo (com implicações para a compreensão das perturbações do espectro obsessivo), empatia (e implicações para a compreensão da psicoterapia), mecanismos de stress (com implicações para a compreensão das perturbações de ansiedade), e, finalmente, comportamento animal (com implicações para o conhecimento dos sistemas sensoriais e perceptuais)

    Counterfactual thinking: Study of the focus effect of scenarios and blame ascriptions to victim and perpetrator

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    In two different studies we examined the focus effect of a scenario (i.e., the fact that a given character is the protagonist of a story) on two interconnected domains: the generation of counterfactual thoughts and the ascription of blame. It was hypothesised that being the focal agent of a story would not only lead to more counterfactuals centred on him or her, but also to greater ascriptions of blame as it would be easier to imagine how that actor could have behaved differently had he chosen or wanted to, and thus avoided a deleterious outcome. Different negatively-valenced scenarios depicting a certain misfortune such as a mugging were created in which victim, perpetrator or both characters were the centre of the story. Results showed that placing either victim or perpetrator as the protagonist of a scenario increases the number of counterfactual thoughts centred on that character, but does not necessarily increase the blame attributed to him or her as the perpetrator was always ascribed more blame than the victim, irrespective of who was the protagonist. Study 2’s findings replicate those of Study 1 even with a different experimental design, modified materials, and various counterbalancing measures, hence suggesting that being the protagonist enables one to easily consider counterfactual alternatives involving that actor, but does not prevent one from identifying who is rightfully to blame for a given misfortune. The results and their implications were interpreted according to different theoretical perspectives and possible future avenues of research are discussed

    Estilos parentais e relações de vinculação

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    A qualidade dos cuidados parentais, no contexto das relações precoces, tem sido apontada como fundamental para o desenvolvimento das crianças. No presente artigo abordamos a tipologia dos estilos educativos parentais proposta por Baumrind, e o impacto dos estilos parentais no desenvolvimento infantil. Seguidamente, são explicitados conceitos como o de relação de vinculação, base-segura e sensibilidade parental, com referência também à investigação que se debruça sobre o impacto das relações de vinculação no desenvolvimento. Finalmente, destacam-se os pontos em comum entre estes dois domínios da parentalidade, os estudos encontrados e uma reflexão sobre o futuro da investigação neste camp

    Comportamentos extra-diádicos nas relações de namoro: Diferenças de sexo na prevalência e correlatos

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    O presente estudo teve como objetivo avaliar as diferenças de sexo nas taxas de prevalência e nos correlatos dos comportamentos extra-diádicos (CED) of line e online, durante o namoro. A amostra foi constituída por 494 participantes (156 homens e 338 mulheres) com uma idade média de 23.38 anos (DP=3.41). O protocolo de avaliação incluíu os seguintes instrumentos de auto-resposta: Inventário de Comportamentos Extra-Diádicos e Medida Global da Satisfação Relacional e Medida Global da Satisfação Sexual. Cerca de 63.5% dos homens e 56.5% das mulheres reportou já se ter envolvido em CED of line e 46.2% dos homens e 39.3% das mulheres já se envolveu em CED online, sendo que esta diferença não foi significativa. Para ambos os sexos, já ter sido infiel a um parceiro e menor satisfação relacional foram preditores importantes do envolvimento em CED of line e online. Para os homens, pertencer à religião Católica e história prévia de infidelidade do pai foram preditores significativos dos CED online. Entre as mulheres, o número de parceiros sexuais nos últimos dois anos associou-se significativamente ao envolvimento extra-diádico of line. Embora homens e mulheres cada vez se aproximem mais no que respeita às taxas de prevalência, os correlatos do envolvimento em CED diferem em função do sexo. Sugestões para investigação futura são apresentadas à luz destes resultados

    Desenhos de investigação A-B-A-B: Uma abordagem experimental para a avaliação de intervenções em contextos naturais

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    Os desenhos de investigação A-B-A-B são um dos desenhos experimentais de sujeito único mais frequentemente utilizados. Estes desenhos permitem averiguar a eficácia de uma determinada intervenção, através de medições contínuas e repetidas de um comportamento específico, ao longo de fases alternadas e rigidamente controladas de linha de base (A) e de intervenção ou tratamento (B). Deste modo, com recurso a um desenho simples, em que o sujeito é utilizado como seu próprio controlo, o investigador pode comparar a informação, dentro de cada condição e entre condições adjacentes, e verificar se o tratamento implementado provoca alteração na resposta do indivíduo. Este artigo tem como objetivo central descrever as principais características destes desenhos, a sua utilidade, os seus pressupostos de aplicação e modo como se procede à análise dos dados obtidos

    Isolamento social e sentimento de solidão em jovens adolescentes

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    Os estudos mostram a importância das relações de pares para um desenvolvimento saudável e harmonioso, principalmente no período da adolescência. Como tal, a problemática do isolamento social torna-se num domínio com redobrado interesse durante esta fase da vida dos jovens. São vários os estudos que associam o retraimento social de crianças e adolescentes a consequências ligadas a perturbações internalizadas, como por exemplo, a solidão. O presente estudo teve como objectivo verificar os sentimentos de solidão expressos por adolescentes isolados-retraídos e isolados-agressivos. Conjuntamente, também se pretendeu verificar se existiam e como se manifestavam as diferenças em função do sexo relativamente a esse sentimento quer para os adolescentes isolados-retraídos, quer para os isolados-agressivos. Participaram neste estudo 900 jovens adolescentes (446 do sexo feminino), com idades compreendidas entre os 12 e 15 anos, provenientes de duas escolas da região da grande Lisboa. Os instrumentos de recolha de dados utilizados foram o ECP (Extended Class Play) e RPQ (Relational Provision Loneliness Questionnaire). A analise multivariada das dimensões do RPQ em função do Grupo (controle, isolados-retraídos e isolados-agressivos) e Sexo revelou efeitos principais multivariados para ambos os factores. Estes resultados evidenciaram um menor nível de Integração com os Pares nos adolescentes isolados-retraídos, comparativamente com os do grupo de controlo. Relativamente a Intimidade com os Pares verificou-se que os jovens isolados-retraídos apresentam níveis significativamente inferiores de intimidade por comparação com os do grupo de controlo. Considerando as diferenças em função do sexo, verificou-se que as raparigas se consideram significativamente mais intimas com os seus pares do que os rapazes

    Regulação emocional em adolescentes e seus pais: Da psicopatologia ao funcionamento ótimo

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    Nas últimas três décadas, verificou-se uma atenção crescente ao estudo da regulação emocional. A adolescência é uma das fases do ciclo de vida de particular importância para o seu estudo. As alterações experienciadas elicitam novas experiências emocionais e contribuem para uma maior necessidade e capacidade de utilização de estratégias de regulação emocional com eficácia (Steinberg, 2005). Os pais constituem-se como importantes agentes de regulação emocional, contribuindo para a promoção do desenvolvimento de adolescentes (Yap, Allen, & Sheeber, 2007). A regulação emocional tem sido estudada associada à psicopatologia (Silk, Steinberg, & Morris, 2003) e ao funcionamento óptimo (Freire & Tavares, 2011). Assim, o presente artigo tem como objetivo apresentar fundamentação teórica e empírica para o estudo da regulação emocional na adolescência, na perspetiva da promoção do desenvolvimento positivo. Uma melhor compreensão destes processos poderá ajudar a compreender diferenças individuais ao nível da saúde mental e funcionamento ótimo.

    “Parentalidade Minimamente Adequada”: Contributos paraaoperacionalização do conceito

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    Apontado na literatura como um conceito de referência nas avaliações da parentalidade, a “parentalidade minimamente adequada” está, contudo, insuficientemente refletida e operacionalizada. Este artigo procura abrir essa discussão, a partir da apresentação e discussão dos resultados de três focus group (FG) de profissionais, das áreas social, judicial e académica, aos quais foi directamente colocada a seguinte questão: o que é e quais são os indicadores de “parentalidade minimamente adequada”? O conteúdo das discussões foi analisado utilizando o software QSRnVivo 8. As categorias de conteúdo apontam para indicadores qualitativos de parentalidade mínima, distribuídos por diferentes níveis ecológicos (indivíduo, microssistema e contexto social). É também referida a impossibilidade de se alcançar uma formulação universal do que constitui uma “parentalidade minimamente adequada” e de se utilizar apenas um tipo de indicadores para a caracterizar. Com base nos contributos deste estudo é proposta uma matriz tridimensional de operacionalização do conceito

    Momentos de inovação em psicoterapia: Das narrativas aos processos dialógicos

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    Partindo da proposta de Frank (1961), de que a mudança psicoterapêutica envolve uma mudança nos significados, sugerimos que os significados se organizam em narrativas cujos autores (I-positions, segundo Hermans) contam de uma forma activa as suas histórias. No sentido de estudar a mudança em psicoterapia, e partindo destas assunções, desenvolvemos o Sistema de Codificação de Momentos de Inovação, que fornece um método fiável e sistemático de identificar as novidades que emergem nas sessões de psicoterapia, que denominamos de Momentos de Inovação (MIs). Estes momentos de inovação emergem na psicoterapia e contribuem para interromper a dominância das auto-narrativas problemáticas responsáveis pelo sofrimento psicológico, permitindo a narração de novas histórias e a emergência de novas posições-do-Eu (I-positions). Após a descrição deste sistema de codificação, apresentamos um modelo de mudança e um modelo de estabilidade terapêutica, fundamentado nos resultados empíricos obtidos até ao momento. Partindo destas premissas, exploramos duas questões centrais relevantes: (1) Quais os processos que bloqueiam o desenvolvimento de momentos de inovação da fase intermédia até à fase final da terapia, particularmente no que respeita à reconceptualização? (2) Por que razão será a reconceptualização central no processo de mudança

    Protótipos de vinculação amorosa: Bem-estar psicológico e psicopatologia em jovens de famílias intactas e divorciadas

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    De acordo com o modelo bidimensional de Bartholomew os indivíduos desenvolvem a sua identidadee constroem a perceção de si e dos outros, de acordo com as representações transmitidas pelas figurassignificativas de afeto. Os protótipos de vinculação amorosa, associam-se ao desenvolvimento dasaúde mental e bem-estar psicológico nos jovens. Numa amostra de 334 jovens entre os 13 e os 25anos, pretende-se analisar em que medida os protótipos de vinculação diferem em função da idade,género, configuração familiar, bem-estar psicológico e psicopatologia. Foram encontradas diferençassignificativas dos protótipos de vinculação face ao género e psicopatologia, contudo não foramobservadas diferenças no que respeita à idade, configuração familiar e bem-estar psicológico. Osresultados serão discutidos à luz da teoria da vinculação tendo em conta as particularidades dosprotótipos de vinculação de Bartolomeu, com o intuito de perceber o seu contributo no bem-estarpsicológico e desenvolvimento de psicopatologia nos jovens

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