Portal das Publicações Periódicas do ISPA-Instituto Universitário (- Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida)
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Feedback, Envolvimento e Identificação Escolares: Propriedades psicométricas de um Questionário sobre Perceção dos Alunos
O presente estudo procura testar as propriedades psicométricas de um questionário que avalia (a) perceção do aluno sobre o feedback do professor; a identificação escolar do aluno; as trajetórias escolares (factos e expectativas) e; a perceção do aluno sobre o seu envolvimento escolar. O questionário foi aplicado a 1089 alunos dos 6º, 7º, 9º e 10º anos de escolaridade (M=13.4, DP=1.7), sendo que 52% são do sexo feminino. A amostra é composta por alunos essencialmente de nacionalidade portuguesa (95.9%). A partir dos resultados da análise factorial e seguindo o racional teórico, chegou-se a uma estrutura composta por oito dimensões principais. O QFITE apresenta bons índices de consistência interna, com sete das oito principais dimensões a obterem valores entre .77 e .89. Assim, as análises psicométricas realizadas revelam valores satisfatórios, concluindo-se que o QFITE é um instrumento útil e adequado para avaliar a identificação escolar dos alunos, o envolvimento comportamental escolar, e as perceções dos alunos sobre o feedback do professor. Palavras-chave: Feedback do Professor, Identificação escolar, Envolvimento escola
A psicologia cognitiva e o estudo do raciocínio dedutivo no último meio século
Para assinalar os 50 anos de ensino da Psicologia em Portugal, ou seja, o nascimento do ISPA, iremos reflectir sobre este meio século de estudos e trabalhos no âmbito da psicologia cognitiva, nomeadamente no domínio do raciocínio dedutivo, revendo as principais tarefas utilizadas para o estudar, bem como as principais teorias psicológicas que o explicam. Na parte final, apresentaremos o nosso contributo mais recente neste domínio
A versão específica da Escala de Medo de Avaliação Negativa – Dimensionalidade e características psicométricas numa amostra de adolescentes
A escala de Medo de Avaliação Negativa (MAN) foi desenvolvida para avaliar a preocupação acerca de poder ser avaliado de forma negativa pelos outros. A utilização da sua versão reduzida constituída por 8 itens cotados de forma direta parece vantajosa para a validade do construto avaliado. Ainda assim, alguns dos seus itens poderão estar a referir-se a um medo de avaliação generalizado e não especificamente negativo, fundamentando a necessidade da sua adaptação. Este trabalho teve como objectivo a dimensionalidade e qualidades psicométricas desta versão específica do instrumento, numa amostra de 518 adolescentes, de ambos os géneros, com idades compreendidas entre os 15 e os 18 anos. Os resultados indicam um ajustamento aceitável do modelo de medida em um factor. O instrumento apresentou um nível excelente de consistência interna, bem como adequada validade convergente com medidas de ansiedade e evitamento em situações sociais. O instrumento apresenta, assim, boas características psicométricas numa amostra da população adolescente portuguesa, constituindo uma mais-valia na avaliação do medo de avaliação negativa nesta fase do desenvolvimento, para fins de investigação ou clínicos
Felicidade Hedónica e Eudaimónica: um estudo com adolescentes portugueses
O presente estudo pretendeu explorar as conceções de felicidade de adolescentes portugueses, os aspetos mais significativos das suas vidas e os fatores que os justificam; perceber os níveis de significado em vários domínios de vida e o impacto destes na felicidade e significado em geral.Foi utilizado o Eudaimonic and Hedonic Happiness Investigation (EHHI; Delle Fave, Brdar, Freire, Vella-Brodrick, & Wissing, 2011) que permite aceder, qualitativa e quantitativamente, aos compo - nentes hedónicos e eudaimónicos da Felicidade. Participaram no estudo 216 adolescentes, com média de idade de 16.6 anos (DP=1.2), sendo 68,5% do sexo feminino e 31,5% do sexo masculino.Os resultados qualitativos mostraram que as definições de felicidade, de significado, bem como os motivos subjacentes à atribuição de significado englobam quer dimensões psicológicas quer aspetos relacionados com domínios de vida, integrando componentes hedónicos e eudaimónicos. Já os resultados quantitativos permitiram perceber que a felicidade e o significado contribuem de forma diferenciada mas complementar para o bem-estar.Estes resultados são discutidos à luz das perspetivas hedónica e eudaimónica, vigentes no estudo do bem-estar, contribuindo para uma compreensão holística dos vários componentes que contribuem e que estão envolvidos na Felicidade de adolescentes
“Os meus pais só me criticam” – Relações entre práticas educativas parentais (perfecionismo e crítica) e a autoestima, o autoconceito académico, a motivação e a utilização de estratégias de self-handicapping
Os trabalhos sobre práticas educativas parentais têm evidenciado a existência de uma relação com o ajustamento académico e social de crianças e adolescentes. Neste estudo pretendemos analisar a relação entre as práticas educativas parentais crítica e perfecionismo, percecionadas pelos estudantes, e a autoestima, o autoconceito, as orientações motivacionais e o uso de estratégias de self-handicapping. Participaram 170 adolescentes do 7º, 8º e 9º ano de um colégio particular da zona da grande Lisboa, que responderam ao Critical Parenting Inventory (Randolph & Dyckman, 1998, adaptada por Miguel,2010), a uma escala multidimensional de perfecionismo (Soares, Gomes, Macedo, & Azevedo, 2003,adaptada por Miguel, 2010), a uma escala de autoconceito e autoestima (Peixoto & Almeida, 1999) a uma escala de orientações motivacionais (Skaalvik, 1997, adaptada por Peixoto, Mata, & Monteiro,2008) e a uma escala de self-handicapping académico (Martin, 1998, adaptada por Borralho, 2005). Os resultados das diversas análises efetuadas permitem mostrar que os alunos que percecionam os seus pais como sendo perfecionistas e críticos relativamente ao seu desempenho académico apresentam autoestima mais baixa, autoconceito mais baixo, motivação mais orientada para a autodefesa, para o evitamento e menos orientada para a tarefa, bem como uma maior tendência a usar estratégias de selfhandicapping, do que os seus colegas que não percecionam os seus pais desta forma
Funcionamento familiar e delinquência juvenil: A mediação do autocontrolo
De acordo com a Teoria Geral do Crime as práticas parentais ineficazes são a principal causa do baixo autocontrolo que, por sua vez, o autocontrolo será o principal responsável pelo desenvolvimento de comportamentos delinquentes. No presente estudo temos como objetivo analisar empiricamente estas afirmações, ou seja, verificar a influência do funcionamento familiar no autocontrolo e seguidamente analisar se o autocontrolo é mediador na relação entre o funcionamento familiar e a delinquência juvenil. Neste estudo participaram 181 adolescentes, com idades compreendidas entre os 12 e os 19 anos de idade e a frequentar escolas da área da Grande Lisboa. Os instrumentos utilizados foram os seguintes: escala de coesão e flexibilidade familiar (FACES IV), escala de autocontrolo e escala de variedade de delinquência. Os resultados demonstraram uma relação positiva entre o funcionamento familiar e o autocontrolo e uma relação negativa entre o autocontrolo e os comportamentos de delinquência. Por sua vez, o autocontrolo mediou totalmente a relação entre o funcionamento familiar e a delinquência dos jovens. As implicações deste estudo são discutidas
A homofobia perspetivada à luz da abordagem da identidade social: Níveis de autodefinição identitária e atitude em relação a pessoas homossexuais
A abordagem da identidade social (cf. Turner & Reynolds, 2004) defende a existência de uma motivação-base para aquisição de uma identidade social positiva, que está na génese das estratégias de diferenciação intergrupal. Quando é contextualmente saliente o nível social da identidade, emergem tais processos grupais, nomeadamente a manifestação de comportamentos discriminatórios face a membros de exogrupos relevantes. É propósito deste estudo testar a relação entre os níveis de autodefinição e a atitude dirigida às pessoas homossexuais. Os 184 participantes responderam a várias medidas: valorização dos níveis pessoal e social de autodefinição (EIPS; Monteiro, Ribeiro, & Serôdio, 2009), medidas de atitudes em relação a pessoas homossexuais e de rejeição à proximidade com pessoas homossexuais (Pereira, Monteiro, & Camino, 2009). Os resultados mostraram que quando à forte valorização do nível pessoal de autodefinição se conjugou um contexto que focaliza na identidade pessoal, emergiram atitudes de diferenciação negativa face a pessoas homossexuais. Verificou-se também que os jovens focalizados na dimensão social da sua identidade reportaram atitudes mais favoráveis em relação a pessoas homossexuais, do que aqueles focalizados na dimensão pessoal, verificando-se padrão inverso entre os adultos. Discutimos em que medida este padrão indicia a emergência de uma norma de não-discriminação das pessoas homossexuais.
Transformações da relação afetiva entre o bebê e a educadora na creche
O presente estudo, conduzido na perspectiva da Rede de Significações (Rossetti-Ferreira et al., 2004), teve como objetivo identificar os momentos referidos por educadoras e mães como apresentando novos significados na forma do bebê e da educadora relacionarem-se nos três primeiros meses de inserção à creche. Os sujeitos focais foram quatro bebês (04-09 meses de idade), suas educadoras e mães. Realizou-se 60 entrevistas, utilizou-se um diário de campo e fotografias. Nas duas primeiras semanas, os adultos relataram que os bebês observavam indiscriminadamente o meio social. Na terceira e quarta semanas, o comportamento de observação do bebê passou a ser interpretado como focalizado para sua educadora. No segundo mês, foram mencionados comportamentos significados como preferenciais ou exclusivos à díade. Os relatos foram construídos sob o critério de o bebê manifestar, ou não, preferência pelos cuidados de uma educadora específica (CAPES).
Modelos internos dinâmicos de vinculação: Uma metáfora conceptual?
É inegável que, no contexto da investigação sobre as implicações desenvolvimentais das relações devinculação, o conceito de Modelos Internos Dinâmicos (MID) tem vindo a assumir uma capacidadeexplicativa crescente e extensiva (ver Bretherton & Munholland, 2008; Thompson, 2008b). Todavia,apesar da centralidade dos MID na Teoria da vinculação, é de referir o “caos calmo” que parece existirna literatura ainda hoje, mais de 50 décadas de estudos depois, à volta da utilização desta metáforaconceptual que, embora apelativa, não corresponde ainda a um constructo teórico solidamente definidoe empiricamente testável (ver Bretherton, 2005; Delius, Bovenschen, & Spangler, 2008; Thompson,2008a). De forma a percebermos melhor o que poderá contribuir para este cenário de “caos calmo”,analisaremos, seguidamente, a evolução histórica do conceito, no âmbito da Teoria da vinculação,partindo das primeiras formulações de Bowlby e integrando contributos posteriores
Insucesso escolar e factores de risco do aluno – Validação de uma nova medida de auto-resposta numa amostra alargada de alunos do 2º e 3º ciclo do ensino básico
O insucesso escolar radica num conjunto vasto de factores de risco, os quais têm vindo a ser incluídos na literatura em três categorias específicas: família, escola e factores individuais. Embora as duas primeiras categorias desempenhem um papel importante no fenómeno do insucesso, são os factores do próprio aluno, isto é, as suas variáveis cognitivas, comportamentais e interpessoais, os que possuem um papel de maior interesse ao nível da intervenção psicológica reabilitativa, por serem factores de risco modificáveis. Para avaliá-los, foi desenvolvida uma medida de auto-relato – Auto-avaliação dos factores de Risco do Aluno, no âmbito do projecto Rede de Mediadores para o Sucesso Escolar (Associação dos Empresários Para a Inclusão Social – EPIS), com base em evidências teóricas e a partir da experiência do terreno neste projecto. Esta investigação tem como objectivo validar essa medida em alunos do 2º e 3º ciclo de escolaridade. Os resultados mostram que a escala avalia 8 dimensões empíricas robustas do ponto de vista psicométrico (que explicam 52.7% da variância total): problemas de comportamento e de autoregulação, rejeição pelos pares, baixo auto-conceito escolar, desvalorização da escola, ansiedade de desempenho, ausência de rotinas de estudo, baixa auto-eficácia escolar, e desconfiança face aos professores. A AFRA revelou ser capaz de discriminar entre alunos com diferentes graus de rendimento, bem como entre alunos com e sem história de reprovação.