Portal das Publicações Periódicas do ISPA-Instituto Universitário (- Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida)
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    Envelhecer no concelho de Oeiras: Estudo numa população institucionalizada

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    Com o aumento da esperança de vida e a diminuição do número de nascimentos é notório o envelhecimento da população portuguesa, que por isso, apresenta uma maior vulnerabilidade à violência. Este artigo constitui a síntese de um estudo exploratório-descritivo realizado em 30 lares de idosos de diferentes freguesias do concelho de Oeiras que teve como objetivos o despiste de quadros de depressão, dependência funcional e tipos de violência. A amostra incluiu 136 idosos, maioritariamente do sexo feminino e com idade superior a 80 anos, a quem foi efetuado um exame breve do estado mental e que não apresentaram défice cognitivo. Os resultados evidenciaram a presença de sintomatologia depressiva (65.4%) e significativa dependência funcional (58.8%). Embora a maioria dos idosos (86.0%) tenha referido gostar de residir na instituição 33.1% descreveram queixas de violência, relatando sobretudo situações de violência financeira (22.8%). Os autores consideram estes dados alarmantes, com enfoque na violência, sublinhando a necessidade de uma resposta multidisciplinar, no sentido de possibilitar a esta população um envelhecimento com segurança e bem-estar bio-psico-social

    A confiança em testemunhas: O papel das diferenças individuais

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    Por vezes, a confiança com que uma testemunha recorda um crime relaciona-se com a exatidão da recordação. A investigação sugere que esta relação é complexa e pode ser influenciada por diferenças individuais. Neste estudo procurou-se perceber qual a influência da autoestima, impulsividade e tipo de tomada de decisão nesta relação. No procedimento apresentou-se um vídeo de um assalto, questões sobre este, e pediu-se a atribuição de julgamentos de confiança sobre as respostas. Os participantes responderam e julgaram também questões de conhecimento geral e responderam a escalas de autoestima (Rosemberg Self-esteem Scale), impulsividade (Barratt Impulsiveness Scale) e tipo de tomada de decisão (Cognitive Reflection Test). Os resultados revelam não haver influência das variáveis estudadas na calibração, sobreconfiança e exatidão das respostas, e também mostram maior subconfiança em questões de conhecimento geral comparativamente com as questões de testemunho. Os resultados indicam também que os participantes que utilizam um processo mais racional nas suas tomadas de decisão (sistema 2) apresentam maior exatidão e confiança do que os participantes que utilizam um processo mais intuitivo (sistema 1)

    Análise fatorial confirmatória do questionário “O Papel do Pai” numa amostra de pais e mães portuguesas

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    O presente estudo visou traduzir para português o questionário “The Father’s Role” e analisar a qualidade do ajustamento do modelo de medida do instrumento para pais e mães, numa amostra de 200 famílias nucleares, com crianças em idade pré-escolar. Os resultados permitem suportar a estrutura uni-fatorial do QPP para as respostas do pai, com índices de ajustamento que sustentam a boa qualidade do modelo. Para as mães apenas um modelo bi-fatorial se mostrou adequado. Os resultados sugerem que as atitudes e crenças sobre a parentalidade de pais e mães portugueses poderão ter estruturas diferentes

    Influência da familiaridade com procedimentos judiciais de interrogatório na sugestionabilidade interrogativa de reclusos reincidentes

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    O presente estudo teve como objetivo examinar se o contacto com procedimentos de inquirição usados pelo sistema de justiça criminal afeta a sugestionabilidade interrogativa, avaliada pela Escala de Sugestionabilidade de Gudjonsson 1 (GSS 1). Foi também analisada a relação entre a sugestionabilidade interrogativa e outras variáveis psicológicas, designadamente a inteligência não-verbal, neuroticismo, desejabilidade social e simulação ou esforço insuficiente. Recrutaram-se dois grupos de indivíduos adultos, sendo um deles constituído por 42 reclusos com várias condenações e o outro por 42 sujeitos que nunca foram submetidos a inquirições judiciais. A ambos os grupos foram administrados, individualmente, além da GSS 1, os seguintes instrumentos: Matrizes Progressivas Estandardizadas de Raven, Inventário dos Cinco Fatores NEO, Escala de Desejabilidade Social de Marlowe-Crowne e Test of Memory Malingering. Os reclusos reincidentes revelaram menor sugestionabilidade interrogativa comparativamente aos sujeitos sem contacto com inquirições judiciais. Foram apenas observadas correlações significativas entre sugestionabilidade interrogativa e inteligência não-verbal e desejabilidade social, apresentando características diferenciadas em ambos os grupos. Estes resultados sugerem que tais variáveis devem ser tidas em consideração no momento da avaliação da credibilidade de depoimentos e confissões

    Representações de Vinculação e Qualidade do brincar interativo em Crianças em Idade Pré-Escolar

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    Durante o período pré-escolar as relações que a criança estabelece com os principais cuidadores e com os pares são de importância fundamental para o seu desenvolvimento socioemocional. Contudo, são poucos os estudos acerca da relação entre a vinculação das crianças aos pais e a forma como brincam com os pares. Pretende-se com este estudo investigar a associação entre as representações de vinculação de crianças pré-escolares e diferentes dimensões do jogo interativo das mesmas. Participaram 66 crianças, entre os 4 e os 5 anos de idade, e respetivos educadores, de duas escolas distintas. A qualidade das representações de vinculação foi acedida através do Attachment Story Completion Task (ASCT), cujas histórias foram codificadas por três investigadores “cegos”. Obteve-se um acordo interjuízes entre 0.81 e 0.85. Os comportamentos de jogo interativo em contexto pré-escolar foram reportados pelos educadores através da Penn Interactive Peer Play Scale (PIPPS). Obtiveram-se resultados psicométricos satisfatórios nesta escala e as análises revelaram três dimensões fiáveis: Interação Positiva com os Pares, Disrupção, e Desconexão. Detetou-se  uma associação positiva estatisticamente significativa entre a Segurança das representações de vinculação e a Interação Positiva com os Pares (r = 0.28; p < 0.05), e associações significativas negativas entre a Segurança e a Disrupção (r = -0.32; p < 0.05) e a Segurança e a Desconexão (r = -0.43; p = 0.001). Os nossos resultados evidenciam a associação entre relações seguras de vinculação e o modo como as crianças interagem ludicamente com os pares e, portanto, na sua competência socia

    Teoria da mente e pensamento contrafactual em crianças de baixo nível socioeconómico

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    O nosso trabalho propõe explorar a compreensão das crianças de baixo nível socioeconómico acerca das razões que os outros têm para as acções, ou seja, pretendemos explorar o efeito do conhecimento sobre as razões para as acções, aquando de raciocínios contrafactuais e de falsas crenças, ampliando-o ao desenvolvimento das crianças. Trabalhos anteriores mostraram que as pessoas tendem a pensar sobre as acções de forma diferente quando têm conhecimentos sobre as razões para uma acção. Um passo importante para a compreensão das acções de outras pessoas é o raciocínio sobre as suas intenções (Juhos, Quelhas, & Byrne, 2015; Walsh & Byrne, 2007).Crianças de 6 e 8 anos foram testadas com uma nova tarefa: a tarefa de mudanças de intenções, a qual analisou cenários onde um actor tem uma razão inicial (desejo ou obrigação) para uma acção, que é posteriormente alterada. Os resultados mostraram que as crianças de 6 anos cometem mais erros nas inferências de falsas crenças do que nas inferências contrafactuais, uma vez que estas crianças tendem a centrar-se mais nos desejos aquando de inferências de falsas crenças. Estes resultados contribuem para a discussão aberta sobre a relação entre o pensamento contrafactual e a teoria da mente, como também traz alguma luz sobre como as crianças pensam as diferentes razões para as acções

    Attributions of causes for unemployment by unemployed workers

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    This study investigated the assignment of causes for unemployment by unemployed workers, with a view to analyzing the predictive power of sociodemographic variables for the assignment. A scale of causal attribution of unemployment, originally developed by Furnham, was applied to 376 unemployed people. After confirmatory factor analysis (CFA), the scale factors were used in a regression model containing sociodemographic variables as predictors. The CFA results support Furnham’s original three-factor model of unemployment causes (individualistic, societal, and fatalistic; χ2(100) = 261.53, p < 0.001; χ2/gl = 2.61; CFI = 0.91, TLI = 0.90; RMSEA = 0.06). Regression analysis identified significant prediction for only the income variable and individualistic causes factor (β = 0.15, p < 0.01), the income variable and societal causes factor (β = 0.10, p < 0.001), and the educational level variable and societal causes factor (β = -0.15, p < 0.01). Societal causes presented the highest average score, which was significantly (p < 0.001) different than the scores for the other two factors. The study concludes that educational level does not seem to have a linear impact on beliefs regarding the causes for unemployment, nor does gender have a significant influence on these beliefs. Keywords: unemployment; attributing causes; Furnham’s scal

    Casamento, casamentos? Representações sociais do casamento heterossexual e do casamento homossexual

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    Partindo da constatação de que, na actualidade, o poder atractivo do casamento parece diminuir por parte das pessoas heterossexuais enquanto aumenta por parte das pessoas homossexuais, examinaram-se as representações do casamento heterossexual e do casamento homossexual de 240 adultos heterossexuais portugueses, que responderam a um questionário constituído por questões abertas e questões fechadas. Os resultados sugerem que ambas as formas de casamento são consideradas como tendo por finalidade principal cimentar o amor, mas que constituir família será uma melhor justificação para o casamento heterossexual do que para o casamento homossexual. Os discursos acerca das duas formas de casamento apresentam apenas uma dimensão comum, que remete para a partilha e o companheirismo. Enquanto a representação do casamento heterossexual engloba referências à família, às relações amorosas e aos compromissos, a representação do casamento homossexual esvazia-se na problemática dos direitos e dos preconceitos. De acordo com os resultados habitualmente encontrados na literatura, as mulheres e as pessoas com nível de educação mais elevado apresentam uma representação do casamento homossexual mais positiva mas, contrariamente ao esperado, este não é o caso das pessoas mais jovens

    The prevalence of personality disorders in Portuguese male prison inmates: Implications for penitentiary treatment

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    Prison inmates are known to be a population with a high prevalence of mental disorders. Most of these disorders are chronic and difficult to treat, particularly in what concerns Cluster B Personality Disorders, which prevalence in forensic samples  are even higher than in the general population. This study assesses the prevalence of Personality Disorders in a sample of 294 Portuguese male prison inmates, interviewed with the Structured Clinical Interview for DSM-IV Axis II Personality Disorders (SCID-II). The results showed a global prevalence rate of 79.9%, with 42.8% of the participants diagnosed with Antisocial Personality Disorder as the main diagnosis. Paranoid, Passive-Aggressive, Borderline, and Narcissistic Personality Disorders were the most common comorbid diagnosis associated with Antisocial Personality Disorder. These results strongly suggest that Personality Disorders should be taken into account when deciding and planning the intervention inside prison

    Representações Sociais da Velhice

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    O estudo analisa as representações da velhice a partir de uma amostra de idosos/as e de cuidadores formais. Os instrumentos utilizados na recolha dos dados foram o Inquérito por Questionário e o Teste de Associação Livre de Palavras. A hipótese de trabalho que formulámos é a de que a representação da velhice, sendo uma construção social, traduz uma conceptualização negativa induzida pela consciência coletiva da sociedade marcadamente caracterizada por uma ideia negativa da velhice enquanto figuração do fim da vida ativa. Em concordância com a nossa hipótese de trabalho, os resultados revelam a prevalência de estereotipia idadista negativa associando-se a velhice, em ambos os grupos investigados, a atributos de cariz avaliativo negativo nomeadamente solidão, doença e dependência. As representações aferidas não serão alheias ao modelo societário que é maléfico para a velhice, onde se rejeita o que é velho (Bosi, 1983). É, contudo, nossa convicção que as melhorias verificadas na qualidade de vida, a par da nova narrativa discursiva do envelhecimento (produtivo, saudável, bem-sucedido, positivo e ativo), poderão vir a metamorfosear o campo representacional da “velhice” aligeirando a sua carga negativa

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