Portal das Publicações Periódicas do ISPA-Instituto Universitário (- Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida)
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Síndrome de Burnout e Valores Humanos em Professores da Rede Pública Estadual da Cidade de João Pessoa: Um estudo correlacional
A síndrome de burnout é uma reação ao estresse crônico vivenciado no trabalho. Apresenta três dimensões: Exaustão Emocional, Despersonalização e Realização Profissional. Valores são categorias de orientação consideradas como desejáveis, baseadas nas necessidades humanas, variando quanto a sua magnitude e seus elementos definidores. A pesquisa teve como objetivo verificar a relação entre as dimensões da síndrome de burnout e os valores humanos dos professores da rede pública estadual da cidade de João Pessoa – PB. Participaram 220 professores que responderam a escala de Maslach Burnout Inventory – MBI (versão ED), o Questionário de Valores Humanos e uma Ficha Sociodemográfica. Os dados foram lançados no programa Statistical Package for Social Science e foram realizadas análises estatísticas descritivas e correlações de Pearson. Os indicadores de burnout apresentaram correlações com os valores das subfunções Normativa, Suprapessoal, Interacional e Experimentação, não ocorrendo correlações com as subfunções Realização e Existência. Os valores não apenas orientam e motivam os indivíduos, mas também auxiliam no controle dos impulsos, garantindo estabilidade e boa convivência. Com isso as relações pessoais e familiares ganham espaço na discussão do adoecimento no ambiente de trabalho, podendo auxiliar novas discussões quanto às condições de trabalho em uma perspectiva psicossocial
Resposta Coletiva Compassiva: Impacto de Estrutura e Missão Organizacional
A capacidade coletiva compassiva tem claras implicações no desempenho e no bem-estar dos indivíduos no contexto organizacional (Lilius, Worline, Maitlis, Kanov, Dutton, & Frost, 2008). O presente estudo tem como objetivo descrever a forma como o efeito combinado de práticas e características de flexibilização de estrutura organizacional contribuem para o aumento de respostas coletivas compassivas em organizações com missão pró-social, quando comparadas com organizações cuja missão é focada na produtividade. Este objetivo tem como pressuposto que todas as organizações, independentemente da sua missão (pró-social vs. produtiva), têm capacidade de se auto-organizar de forma compassiva para minimizar o sofrimento dos colaboradores, embora o possam fazer através de mecanismos diferentes
Espiritualidade: Contributos para uma clarificação do conceito
Os estudos sobre espiritualidade têm proliferado, nestes últimos anos, no campo científico. Os investigadores tentam perceber em que medida é que ela afeta o comportamento humano, quer individual, quer coletivamente. A controvérsia reside, no entanto, em torno do constructo da espiritualidade e se este é ou não (in) dissociável de dois outros que remontam às suas origens conceptuais: os constructos da religião e da religiosidade. Com este artigo, pretendemos contribuir para uma clarificação daquele conceito, apontando os caminhos geradores de possíveis consensus capazes de abarcar distintas sensibilidades e ultrapassar a dispersão das definições que grassam os estudos, por forma a tornar os constructos mais consistentes, em prol da cientificidade das investigações nesta área
Entre os sentidos atribuídos à colaboração e a possibilidade de mudança
Dada a importância fundamental das representações na vida dos indivíduos e, particularmente, na profissão docente, enquanto influenciadoras da sua ação didática, desenvolveu-se um estudo no âmbito da formação inicial deste grupo profissional. A finalidade era a de compreender as dinâmicas de influência entre as representações, a possibilidade de mudança e a adoção de trabalho colaborativo. Participaram dois grupos de estudantes de uma unidade curricular de um mestrado profissionalizante em Educação Pré-escolar e Ensino no 1º Ciclo do Ensino Básico de uma universidade portuguesa, no ano letivo de 2010/2011. Disponibilizou-se um questionário online no início do estudo e, no fim, deste os estudantes conceberam uma reflexão escrita individual sobre a vivência numa unidade curricular em que se promovia a colaboração. Neste artigo pretendemos apresentar e discutir as representações destas duas fases do estudo. Os resultados apontam para a influência das representações sobre colaboração na adoção dessa modalidade de trabalho e a dificuldade de mudança, ainda que essa possibilidade fique em aberto, como veremos. Daqui emergiram algumas sugestões pedagógico-didáticas com vista à promoção de práticas inovadoras no Ensino Superior, centradas na aprendizagem dos estudantes e no desenvolvimento da colaboração, particularmente na formação inicial de professores
Adaptação da Escala de Empatia com Animais (EEA) para a população portuguesa
O interesse pelo estudo das relações entre humanos e animais tem vindo a crescer nos últimos anos, mas a empatia para com animais é um tema ainda recente na literatura, levando a uma maior necessidade de desenvolver instrumentos adequados para a medir. A Escala de Empatia para com Animais (EEA, Paul, 2000) é o instrumento mais utilizado, tendo por isso sido escolhido para o presente estudo. Através de uma análise exploratória e confirmatória obteve-se um modelo estrutural com dois componentes, denominados de Desvinculação Emocional (DE) e Preocupação Empática com os Animais (PEA). A estrutura final reporta um modelo bem ajustado, com um bom nível de consistência interna, tanto da escala global, como das suas subescalas. Foi encontrada uma correlação positiva entre a EEA e outra escala de empatia traço dirigida a humanos (IRI), o que veio reforçar a validade de construto deste instrumento para a sua utilização no panorama nacional
Desenvolvimento da Escala de Regulação da Satisfação de Necessidades Psicológicas de Proximidade e Autonomia: Relação com o bem-estar e mal-estar psicológicos
As Necessidades Psicológicas têm sido cruciais no estudo do Bem-estar Psicológico. O Modelo da Complementaridade Paradigmática propôs que este Bem-estar resulta da regulação da satisfação de sete pares de Necessidades dialécticas, através de um processo contínuo de negociação e balanceamento entre polaridades. Pretendeu-se criar a Escala de Regulação de Satisfação de Necessidades – Proximidade/Autonomia, ERSN-P/A, que avaliasse o grau de regulação destas necessidades e compreender a sua relação com o Bem-estar e Mal-estar Psicológicos, a pelo Inventário de Saúde Mental (ISM). Ambos os instrumentos foram aplicados a 237 participantes através de uma plataforma digital online. Os resultados, em linha com as conclusões, revelam uma boa consistência interna da ERSN-P/A. Outrossim, verifica-se uma relação positiva e significativa entre o Bem-estar Psicológico e as regulações de Proximidade e Autonomia. Para estas necessidades, o Mal-estar Psicológico apresenta relações negativas e significativas. Na comparação de quatro grupos com regulação de necessidades distintas, registam-se diferenças significativas em termos de Bem-estar e Mal-estar Psicológicos. Discutem-se as limitações do estudo, as suas implicações para a prática clínica e propostas para investigações futura
O conhecimento e acesso ao script de base segura e a percepção de suporte social em mães com crianças em idade pré-escolar
O presente estudo analisou a relação entre o conhecimento e acesso ao script de base de mães e pais e a percepção da qualidade do suporte social recebido. Participaram 37 mães com crianças em idade pré-escolar. De modo a aceder às representações de vinculação utilizou-se as Narrativas de Representação da Vinculação em Adultos; tendo a competência verbal sido controlada com o recurso ao Índice de Compreensão Verbal (W). O Suporte Social percebido foi avaliado com base na Escala de Satisfação com o Suporte Social. Os resultados indicam associações entre a segurança e dimensões do suporte social. Os resultados são discutidos no contexto da teoria da vinculação de Bowlby e Ainsworth, e do Suporte Social Percebido
Parceria família-creche na transição do bebé para a creche
Este estudo apresenta atitudes e comportamentos de parceria família-creche, relatados por mães e educadoras, durante o período de entrada de bebés na creche. Mães e educadoras de 90 bebés responderam à Escala de Parceria Educadores-Pais (Ware, Rusher, Barfoot & Owen, 1995). Os resultados indicam uma grande valorização, por parte das mães e educadoras, da parceria família-creche para dar resposta às necessidadesdas crianças, bem como uma elevada probabilidade, relatada, de se envolverem em comportamentos de parceria. Os relatos das mães são relativamente mais positivos, quer no que se refere às atitudes, quer no que se refere aos comportamentos de parceria. Verificaram-se também associações positivas entre os relatos das mães e das educadoras. Encontraram-se ainda outras associações, no sentido esperado, com variáveis do ambiente familiar e de creche
Preditores da qualidade de vida numa amostra de mulheres com cancro da mama
ResumoObjetivos: Caracterizar as variáveis alexitimia, espiritualidade (dimensão crenças espirituais/religiosas e dimensão esperança/otimismo), assertividade e qualidade de vida de mulheres com cancro de mama.Método: A amostra é composta por 85 mulheres com cancro de mama de um Hospital do Grande Porto, com uma média de 47 anos e maioritariamente casadas. As doentes foram avaliadas através de 6 instrumentos de autopreenchimento: Questionário Sociodemográfico e Clínico; Hospital Anxiety and Depression Scale (HADS); Escala de Alexitimia de Toronto (TAS-20); Escala de Avaliação da Espiritualidade; Escala de Assertividade de Rathus e The European Organization for Research and Treatment of Cancer Quality of Life Questionnaire (EORTC QLQC-30, v.3.0). Resultados: Os resultados indicam que a alexitimia se correlaciona de forma negativa com a dimensão esperança/otimismo e com a assertividade e que estas três variáveis têm influência na qualidade de vida. Mostram ainda a existência de uma correlação positiva entre a idade e a qualidade de vida global, bem como uma correlação negativa do número de anos de escolaridade com a alexitimia e com a dimensão crenças. O modelo preditor da qualidade de vida obtido exclui a influência da assertividade e mostra o impacto negativo da alexitimia e a influência positiva da dimensão esperança/otimismo na qualidade de vida de mulheres com cancro de mama, mesmo depois de controladas as variáveis ansiedade e depressão
Avaliação Psicológica de Jovens com Comportamentos Desviantes
A avaliação psicológica constitui sempre um processo complexo e que deve atender às especificidades inerentes ao indivíduo, ao grupo ou à comunidade. Assim, não se verificam exceções no que respeita às populações com exteriorização de condutas desviantes e, dentro deste grupo muito alargado, devem ainda ser consideradas as especificidades subjacentes ao tipo de comportamento e ao contexto da sua manifestação. Propomos um plano/roteiro de avaliação voltado para jovens com comportamentos desviantes, com maior ou menor flexibilidade no seguimento dos procedimentos aconselhados, sempre em função das características do alvo de avaliação. Tendo por base a revisão da literatura e a experiência adquirida no âmbito do trabalho desenvolvido pelo Grupo de Consumos e Delinquências (GCD), da Clínica Pedagógica de Psicologia (CPP) da Universidade Fernando Pessoa (UFP), delineámos um protocolo de avaliação, com o objetivo de nortear o conjunto de procedimentos, aquando da avaliação de jovens com sinalização de problemas comportamentais. Trata-se de uma proposta que procura abarcar uma vertente mais impressionista, em que se analisam aspetos mais subjetivos, apelando a técnicas como a observação e a entrevista, não deixando escapar os aspetos mais objetivos, através do recurso a técnicas e a instrumentos mais estruturados.