Portal das Publicações Periódicas do ISPA-Instituto Universitário (- Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida)
Not a member yet
1006 research outputs found
Sort by
Escala de Avaliação das Estratégias Sociais: Um estudo de validação com crianças em idade pré-escolar
A Escala de Avaliação das Estratégias Sociais (EAES; Aguiar, 2007) destina-se a avaliar as estratégias sociais específicas que as crianças em idade pré-escolar utilizam nas tarefas sociais de entrada no grupo de pares, manutenção do jogo e resolução de conflitos. Neste estudo, avaliamos as características psicométricas dos dados obtidos com a EAES e com o Sistema de Avaliação das Competências Sociais (SSRS; Gresham & Elliott, 1990) em 349 crianças Portuguesas em idade pré-escolar. Internamente consistentes, correlacionadas com uma medida estabelecida de competência social, e com algumas variações em função do sexo e idade das crianças, as estratégias sociais de Manutenção do jogo, Iniciação harmoniosa, Iniciação ativa e Resolução de conflitos poderão relevar-se úteis para a investigação sobre relações entre pares
Contributos da teoria da vinculação para a prática clínica desenvolvimental
Variations in the quality of attachment represent initiation conditions that, in the context of interaction between biological and environmental factors, play a dynamic role in the bio-psycho-social functioning of the individual. This article presents a literature review of the theory and investigation of attachment in childhood and aims to contribute to a developmental perspective in the practice of clinical practice. Binding research has clarified the effects on children of early experiences associated with: a) out-of-home care routines (eg nursery schools); b) separations (e.g., hospitalizations); c) significant disruption of care (eg adoption and foster families); d) the characteristics of children with special needs. In this developmental perspective, the question of the disorders of the bonding relationships, as well as the specificities of this type of relationship in children with certain pathologies is discussed. Clinical guidelines are presented for clinicians since relational aspects are central to the development of children and consequently to intervention.As variações da qualidade da vinculação representam condições de iniciação que, em contexto de interação entre factores biológicos e ambientais, desempenham um papel dinâmico no funcionamento bio-psico-social do indivíduo. Este artigo apresenta uma revisão de literatura da teoria e investigação da vinculação na infância e pretende contribuir para uma perspectiva desenvolvimental no exercício da pratica clinica. A investigação na vinculação tem-nos esclarecido, sobre os efeitos nas crianças de experiências precoces associadas: a) a rotinas de cuidados fora de casa (e.g., infantários); b) separações (e.g., hospitalizações); c) perturbações significativas de prestação de cuidados (e.g., adopção e famílias de acolhimento); d) às características das crianças com necessidades especiais. Nesta perspectiva desenvolvimental, a questão das perturbações das relações de vinculação, assim como as especificidades deste tipo de relação em crianças com determinadas patologias é discutida. São apresentadas orientações clinicas para os clínicos uma vez que os aspectos relacionais são centrais para o desenvolvimento das crianças e consequentemente para a intervenção
O suporte social e a personalidade são significativos para os objetivos de vida de adolescentes de diferentes configurações familiares?
O suporte social tem vindo a ser evidenciado na literatura como uma fonte de relevância no que concerne à planificação e estabelecimento de objetivos de vida de jovens adolescentes. Vivências emocionais adversas no contexto familiar, nomeadamente perdas significativas e transições podem, todavia, condicionar este processo. A presente investigação objetiva analisar o papel do suporte social no desenvolvimento de objetivos de vida de jovens de diferentes configurações familiares (famílias tradicionais e jovens em acolhimento institucional), sendo ainda testado o papel mediador da personalidade na associação anterior. A amostra foi constituída por 350 jovens adolescentes portugueses de ambos os géneros, com idades compreendidas entre 13 e os 18 anos, provenientes de famílias tradicionais e em regime de institucionalização. Para recolha de dados foi utilizado o Social Support Appraisals (SSA), Purpose in Life Test (PIL-R) e o Inventário de Personalidade dos Cinco Fatores (NEO-FFI-20). Foram testados modelos de mediação para as diferentes configurações familiares, sendo que os resultados sugeriram que o suporte social apresenta uma associação positiva significativa com os objetivos de vida, e a personalidade desempenha um efeito mediador na associação anterior. Os resultados foram discutidos à luz da teoria da vinculação, considerando a relevância do suporte social no desenvolvimento da personalidade e construção dos projetos de vida
“To learn, or to be the best?”: Achievement goal profiles in pre-adolescents
This study aimed to examine the achievement goal orientation profiles of 5th and 7th grade students and the profile differences in academic achievement and anxiety. Participants were 1652 Portuguese students who responded to the Achievement Goals Scale and the Achievement Emotions Questionnaire. Based on a person-centered approach, a cluster analysis identified six groups of students with distinct motivational profiles: task oriented, ego oriented, success oriented, disengaged, self-defeating oriented and diffuse. Diffuse oriented students was the group with higher number of participants. Concerning the gender composition of clusters, differences arise in the groups of disengaged and self-defeating orientations, with boys predominating in the former and girls in the second group. Regarding age, the success oriented students group was overrepresented by younger students and older students were more likely to adopt disengaged orientations. Clusters also presented different composition when retention was taken into account, with students who have been retained being more represented in the disengaged and diffuse groups. Moreover results showed that goal orientation profiles had effects on academic achievement and anxiety. Success oriented students had the higher grades and profiles including predominantly ego orientations are more related to class and test anxiety
Efeitos individuais e familiares em crimes: Abuso sexual, violência conjugal e homicídio
Entre as diversas explicações sobre a carreira delinquente a família ocupa um lugar de eleição (Born, 2005). Apesar da literatura nos indicar que a família assume um papel crucial, existem outros autores (e.g. Mayer & Salovey, 1997), que evidenciam que a falta de aprendizagem de um repertório emocional adequado, nomeadamente a inteligência emocional, pode, por vezes, estar associada à origem do comportamento delinquente. A Teoria Geral do Crime (Gottfredson & Hirschi, 1990), pretende explicar que o autocontrolo é a variável central do comportamento delinquente. Este trabalho tem como objetivo analisar a relação entre o funcionamento familiar (rácio total, coesão e flexibilidade), o autocontrolo e a inteligência emocional em sujeitos condenados pelos crimes de abuso sexual, violência doméstica e homicídio. Participaram 92 sujeitos, reclusos, do sexo masculino, com idades compreendidas entre os 20 e os 73 anos de idade. Mediante os resultados constatamos que os participantes têm uma percepção semelhante da forma como se organizam as suas famílias, excepto na comunicação, onde os abusadores sexuais apresentam indicadores comunicativos inferiores. Ao nível da expressão emocional e da capacidade para lidar com as emoções também, foram encontradas diferenças significativas, sendo os abusadores sexuais a apresentarem maiores défices emocionais. No autocontrolo, foram igualmente os abusadores sexuais a apresentarem maiores níveis de autocontrolo. Limitações e implicações práticas e teóricas deste estudo são discutidas com base na literatura.
Adaptação da Escala de Pensamentos Automáticos Negativos Pós-Parto para a população portuguesa: Estudos psicométricos
Os pensamentos automáticos negativos têm um papel relevante na sintomatologia depressiva, que também se reflete no período do pós-parto. O presente estudo teve como objetivo a validação para a população portuguesa da Escala de Pensamentos Automáticos Negativos Pós-Parto (EPANP), que foi desenvolvida para avaliar a frequência de pensamentos negativos no período pós-parto. A amostra foi constituída por 387 mulheres no pós-parto que responderam a um protocolo de avaliação, num único momento de avaliação. A análise fatorial confirmatória suporta a estrutura bidimensional da versão portuguesa da EPANP: 1) Avaliação de Cognições, Emoções e Situações e, 2) Pensamentos Negativos Relacionados com o Bebé e com a Maternidade. A EPANP apresenta bons indicadores de validade convergente, validade de grupos conhecidos e de fidelidade. De forma geral, a EPANP apresenta boas qualidades psicométricas, validando assim a sua utilização na população portuguesa, sendo evidente a sua utilidade no contexto clínico e de avaliação
Percepções dos portugueses sobre os imigrantes: indispensabilidade, acção colectiva e distância social
O presente estudo investigou o impacto de diferentes formas de indispensabilidade grupal na acção colectiva e distância social de um grupo maioritário em relação a diferentes grupos de imigrantes. Mais especificamente, examinámos se a indispensabilidade percebida de diferentes grupos de imigrantes, para a identidade nacional e para o funcionamento da sociedade, a) reduz a distância social e b) aumenta o apoio a acções colectivas que beneficiam os imigrantes, c) através da adopção de diferentes representações grupais (grupo-único, dupla-identidade). 172 Portugueses nativos preencheram um questionário com as medidas de interesse. Os resultados revelaram a mediação esperada. As percepções dos Portugueses acerca da indispensabilidade dos imigrantes estavam associadas a menor distância social e a uma maior participação em acções colectivas, através da adopção de representações identitárias mais inclusivas. Replicando estudos anteriores, estes efeitos positivos devem-se a diferentes tipos de indispensabilidade, para os diferentes grupos de imigrantes, dadas as diferenças nas suas relações históricas com a sociedade de acolhimento
Contributos para a auto-regulação do bebé no Paradigma Face-to-Face Still-Face
Logo após o nascimento o recém-nascido apresenta comportamentos instintivos de auto-regulação, sendo capaz de controlar as suas respostas motoras e vegetativas isolando-se de estímulos perturbadores, organizando-se face ao stress e iniciando ou terminando a interação com os pais. Estes comportamentos evoluem ao longo do primeiro ano de vida. A partir dos 3 meses estes comportamentos parecem organizar-se em estilos comportamentais e ter um peso moderado na qualidade da vinculação mãe-filho(a). No intuito de estudar os processos de auto-regulação do bebé e o papel materno na interação, observámos 98 bebés (46 meninas, 51 primíparos, nascidos com mais de 36 semanas de gestação) e as suas mães, na situação experimental Still-Face aos 3 e aos 9 meses. O comportamento dos bebés foi classificado ou descrito quanto à sua forma de organização comportamental (e.g., capacidade de recuperação após o episódio do Still-Face) e o comportamento materno quanto à qualidade do envolvimento e ao nível de intrusividade. Os resultados indicam diferenças individuais na auto-regulação do bebé, das quais descrevemos e apresentamos 3 padrões de organização de resposta com diferentes estilos comportamentais associados. Estas formas de auto-regulação apresentam uma elevada associação com as respostas maternas, género do bebé e paridade. Os dados deste estudo suportam a tese de que a auto-regulação infantil resulta da capacidade da mobilização dos recursos do bebé e da resposta que recebe para apoiar os seus esforços
Interface trabalho-família, vinculação romântica e parentalidade
Este estudo pretende (a) compreender as associações entre conciliação trabalho-família e a vivência satisfatória e/ou stressante da parentalidade, (b) analisar a variabilidade destas associações em função do sexo da figura parental, e (c) testar se estas associações são afetadas pela qualidade da vinculação romântica. Recolheram-se, transversalmente, dados de 346 participantes (173 homens e 173 mulheres) que responderam a instrumentos de autorrelato, designadamente a Work-Family Enrichment Scale, a Work-Family Conflict Scale, a Experiences in Close Relationship Scale e a Parental Stress Scale. Encontraram-se diferenças, em função do sexo na predição dos efeitos do conflito e enriquecimento trabalho-família sobre as dimensões de satisfação e stress parentais. Foram também encontradas diferenças na satisfação parental, sendo significativamente mais elevada nas mulheres do que nos homens. O papel moderador da vinculação romântica na relação entre enriquecimento/conflito e satisfação/stress parentais não se verificou, embora o evitamento prediga negativamente a satisfação parental nos homens
Práticas de literacia familiar, competências linguísticas e desempenho em leitura no primeiro ano de escolaridade
Pretendemos com este estudo não só analisar de que forma as práticas de literacia familiar e determinadas variáveis linguísticas podem estar relacionadas com o desempenho em leitura como também perceber quais as práticas e/ou variáveis que melhor predizem a sua aprendizagem. Participaram neste estudo 74 crianças a frequentar o 1º ano do Ensino Básico de várias escolas da região de Lisboa. Os dados foram recolhidos no final do 1º período (consciência fonológica, conhecimento das letras, leitura de palavras e Questionário de Práticas de Literacia Familiar) e no final do 3º período (leitura de palavras). Foram analisadas as diferentes práticas de literacia familiar – treino, rotinas e entretenimento – e a sua relação com os resultados de leitura no final do ano. A mesma análise foi realizada para as variáveis linguísticas. Posteriormente, foi realizada uma análise de regressão, tendo como variável dependente a leitura de palavras final e como variáveis independentes as variáveis linguísticas e as práticas de literacia familiar. Os resultados obtidos mostram que as práticas de literacia familiar estão moderadamente relacionadas com a leitura e fortemente relacionadas com as variáveis linguísticas. Os melhores preditores de leitura no final do ano são o conhecimento das letras e a leitura de palavras inicial