Portal das Publicações Periódicas do ISPA-Instituto Universitário (- Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida)
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Aspetos psicofisiológicos da interação mãe/pai-bebé
Apesar de se conhecer a importância da qualidade dos comportamentos na interação mãe-bebé e pai-bebé, pouco se conhece sobre os aspetos fisiológicos que lhes estão subjacentes. Objectivo: descrever a resposta fisiológica de mães e pais durante a interação com os filhos. Para o efeito registou-se a frequência cardíaca, a arritmia sinusal respiratória e a condutância da pele de 24 mães e 13 pais durante a interacção com o bebé de acordo com o protocolo Face-to-Face Still-Face (FFSF). Resultados: Verifica-se um aumento da frequência cardíaca durante o episódio face-a-face, uma diminuição no episódio still-face e novo aumento no episódio de recuperação. Verifica-se uma diminuição da arritmia sinusal respiratória durante o episódio face-a-face, um aumento no episódio still-face e nova diminuição no episódio de recuperação. No que diz respeito à condutância da pele, as respostas de mães e pais seguem padrões diferentes: nas mulheres verifica-se um aumento durante o episódio face-a-face, uma diminuição no episódio still-face e novo aumento no episódio de recuperação enquanto que nos homens verifica-se aumento consecutivo da condutância da pele ao longo do procedimento FFSF. Conclusão: Este estudo contribui para a compreensão das respostas fisiológicas de mães e pais durante a interação com os seus bebés
A experiência do bebé na creche: Perceções de mães e de educadoras no período de transição do contexto familiar para a creche
Este estudo visa contribuir para a compreensão da experiência do bebé no período de transição do ambiente familiar para a creche, analisando a perceção das mães e das educadoras acerca do estado emocional do bebé, da manutenção das rotinas e da comunicação família-creche nesse período. Mães e educadoras de 90 bebés da Grande Área Metropolitana do Porto responderam ao Questionário de Experiência na Creche na primeira e quarta semana de frequência da creche. A perceção das mães e educadoras acerca do estado emocional dos bebés, da manutenção das rotinas e comunicação família-creche foi positiva, verificando-se perceções mais positivas das educadoras relativamente ao estado emocional e à comunicação família-creche. Da primeira para a quarta semana registou-se (a) estado emocional mais positivo, percebido pelas mães e educadoras; (b) diminuição da frequência da comunicação e aumento da manutenção das rotinas, percebidas pelas mães. O estado emocional dos bebés parece estar associado à perceção da manutenção das rotinas (mães e das educadoras) e, adicionalmente, à comunicação família-creche no caso das educadoras. Este estudo parece assinalar o cuidado das famílias e educadores na transição dos bebés para a creche e destacar a importância do envolvimento das famílias e educadores para um melhor ajustamento do bebé
O relacionamento e a auto-definição de acordo com a perspectiva de Sidney Blatt: Conceptualização e implicações clínicas
Este trabalho de natureza teórica pretende apresentar o modelo de Sidney Blatt e discutir em torno de algumas das suas implicações clínicas. O artigo está organizado em diferentes secções. Começamos por abordar a conceptualização do autor sobre a depressão, de seguida descrevemos a sua proposta sobre o desenvolvimento da personalidade e os dois estilos de personalidade que concebeu, anaclítico e introjectivo. De seguida referimo-nos às estruturas ou esquemas cognitivo-afectivos e às duas configurações psicopatológicas descritas por Blatt. Continuamos discutindo em torno das relações existentes entre essas duas configurações psicopatológicas e fazemos depois uma síntese / reflexão sobre o modelo. O artigo termina com uma discussão sobre as implicações clínicas do modelo
Risco e regulação emocional em idade pré-escolar: a qualidade das interações dos educadores de infância como potencial moderador
A investigação tem demonstrado que as crianças em desvantagem social enfrentam muitos desafios e estão mais vulneráveis a desenvolver dificuldades a nível da regulação emocional, sendo extremamente relevante identificar fatores protetores que moderem esta vulnerabilidade. No presente estudo, foi analisado o papel moderador das interações do educador de infância no desenvolvimento da regulação emocional. Os participantes foram 338 crianças em idade pré-escolar de dois ambiente sociais distintos: em desvantagem social (n = e em situação de não risco. A regulação emocional foi avaliada através de um questionário ao educador, o Emotion Regulation Checklist (ERC, Shields & Cichetti, 1997). A qualidade das interações do educador de infância com as crianças foi observada através de uma escala de observação, o Classroom Assessment Scoring System (CLASS, Pianta, La Paro & Hamre, 2008). Os educadores avaliaram ainda a sua relação com cada criança participante através da Student-Teacher Rating Scale (STRS, Pianta, 2001). Análises multi-grupo multi-nível indicaram que no grupo de crianças de risco nas salas com mais qualidade a nível emocional e na sua organização, as crianças demonstraram competências de regulação emocional mais elevadas, sugerindo o importante papel dos educadores de infância no desenvolvimento da regulação emocional
Estudo de adaptação e validação de uma escala de perceção de liderança ética para líderes portugueses
Os líderes influenciam o comportamento individual e organizacional, incluindo a dimensão ética, sendo igualmente influenciados pela suas expetativas, interpretações e interações com os outros (Glynn & Jamerson, 2006; Kellerman, 2004).Frequentemente intervêm em diferentes contextos éticos, o que torna difícil para as pessoas "boas" tomarem boas decisões em situações más" (Glynn & Jamerson, 2006, p. 154).A liderança ética pode ser considerada como a "demonstração de conduta normativamente adequada através de ações pessoais e das relações interpessoais, assim como a promoção de tal conduta para os liderados através de uma comunicação bidireccional, reforço e tomada de decisão" (Brown, Trevino & Harrison, 2005, 9.120).O estudo aqui apresentado teve como objetivo desenvolver uma escala de liderança ética (Hanges & Dickson, 2004) para líderes portugueses com base na adaptação e validação da escala realizada por De Hoog e Den Hartog (2008).Os resultados obtidos evidenciam qualidades psicométicas adequadas, com um valor elevado de consistência interna. As análises fatoriais exploratórias revelam uma estrutura que aponta para a existência de dois fatores para a escala definidos como Liderança Ètica e Liderança Despótica que integram as respetivas dimensões.Importa, futuramente realizar uma análise da estabilidade das escalas com outra amostra por forma a verificar-se a consistência do s valores obtidos
Coping as a moderator of the influence of economic stressors on psychological health
Since 2008, there has been a decline in the economy of several European countries, including Portugal. In the literature, it is emphasized that periods of economic uncertainty propitiate the appearance of mental health problems and diminish populations’ well-being. The aim of the present study, with 729 Portuguese participants, 33.9% (n = 247) males and 66.1% (n = 482) females with an average age of, approximately, 37 years old (M = 36.99; SD = 12.81), was to examine the relationship between economic hardship, financial threat, and financial well-being (i.e., economic stressors) and stress, anxiety, and depression (i.e., psychological health indicators), as well as to test the moderation effect of coping in the aforementioned relationship. To achieve these goals, a cross-sectional design was implemented and structural equation modeling (SEM) was used to analyze the obtained data. The results showed that coping decreased the influence of economic stressors on psychological health indicators, thus protecting individuals’ psychological health from the negative consequences associated with adverse economic situations.Since 2008, there has been a decline in the economy of several European countries, including Portugal. In the literature, it is emphasized that periods of economic uncertainty propitiate the appearance of mental health problems and diminish populations’ well-being. The aim of the present study, with 729 Portuguese participants, 33.9% (n = 247) males and 66.1% (n = 482) females with an average age of, approximately, 37 years old (M = 36.99; SD = 12.81), was to examine the relationship between economic hardship, financial threat, and financial well-being (i.e., economic stressors) and stress, anxiety, and depression (i.e., psychological health indicators), as well as to test the moderation effect of coping in the aforementioned relationship. To achieve these goals, a cross-sectional design was implemented and structural equation modeling (SEM) was used to analyze the obtained data. The results showed that coping decreased the influence of economic stressors on psychological health indicators, thus protecting individuals’ psychological health from the negative consequences associated with adverse economic situations
Dispositional beliefs regarding “affect as information” determine the perception of persuasive self-efficacy
In this paper, we approach the relationship between believing that affect informs about the validity of a claim and believing that one persuasive strategy will be more or less efficient in changing one’s own attitude. In one study, participants were asked to select from a set of features of a persuasive context those they perceived to have more persuasive power. Results showed that these selections were clearly clustered in two groups, suggesting that individuals tend to select either more cognitive features or more experiential affective features. Individual measures regarding participants’ need for cognition and faith in intuition did not explain the tendency to select more one type of cluster or another, but this selection was determined by how much people generally believe that affect informs about the validity or goodness of a claim
Avaliação de um programa de promoção de habilidades sociais para idosos
Evidências na literatura apontam a importância da qualidade nos relacionamentos sociais, mas não fornecem dados suficientes que indiquem como auxiliar os idosos a se tornarem socialmente competentes. O presente estudo pretende avaliar a eficácia de um Programa de Promoção de Habilidades Sociais para Idosos (PHSI). A pesquisa contou com a participação de 40 idosos. As habilidades sociais foram avaliadas antes e depois da intervenção por meio de uma medida de autorrelato e o desempenho através de jogos de papéis em sete situações sociais. Os resultados apontaram melhora significativa no desempenho social dos participantes do grupo experimental, em relação ao grupo controle, nos contextos envolvendo conflito de interesses. Análises intragrupos também confirmaram uma melhora na capacidade de lidar com situações interpessoais que demandam a afirmação e defesa de direitos. Esses resultados constatam que o Programa criado promoveu habilidades assertivas, previamente apontadas na literatura como deficitárias na população de idosos
Programas de intervenção para o desenvolvimento de competências socioemocionais: Uma revisão crítica dos enquadramentos SEL e SEAL
Nos últimos anos tem aumento o interesse nos programas de desenvolvimento de competências socioemocional baseadas em escolas, face à perceção incrementadas destas como cruciais para o sucesso na vida e na escola. Este aumento impulsionou a criação de medidas legislativas de suporte e orientação nos Estados Unidos (Social and Emotional Learning - SEL) e em Inglaterra (Social and Emotional Aspects of Learning - SEAL). O presente artigo pretende analisar as semelhanças e as diferenças entre as duas abordagens, comparando vários pontos cruciais como objetivos, âmbito de intervenção, estratégia de implementação, formatos dos programas, implementadores empregues e a adequação da implementação dos programas com o respetivo enquadramento teórico. Adicionalmente será analisada a eficácia e a efetividade de cada abordagem, contemplando questões como a existências de diferenças de género no impacto de programas de desenvolvimento socioemocional, bem como a importância de envolver múltiplos informantes na avaliaçao dos resultados. Em suma, pretendeu-se analisar criticamente estas abordagens de forma a apoiar a implementação de programas eficazes em Portugal, bem como identificar as temáticas que requerem investigação adicional. Pode-se concluir que são necessários estudos adicionais sobre a efetividade, o formato mais adequado e o impacto do género sobre os programas de desenvolvimento socioemocional
Versão Portuguesa da Escala de Perceção da Criança sobre os Conflitos Interparentais – Versão para crianças dos 7 aos 9 anos (EPCCI-C)
As perceções da criança acerca dos conflitos interparentais constituem um importante fator mediador do impacto que estes têm no seu desenvolvimento, pelo que se torna crucial uma adequada avaliação. Neste artigo apresentamos a versão portuguesa da Escala de Perceção da Criança dos Conflitos Interparentais (EPCCI-C), cujo original designado por Children’s Perception of Interparental Conflict Scale for Young Children (CPIC-Y) foi desenvolvido por Grych em 2000. Esta escala de autorrelato tem como objetivo avaliar as perceções produzidas pelas crianças entre os sete aos nove anos de idade acerca dos conflitos entre os pais, tais como as características dos incidentes (frequência, intensidade, resolução), a perceção de ameaça, de culpa e a representação sobre a relação pais-criança. Esta versão foi testada em contexto escolar com uma amostra de crianças do 1º ciclo de ensino básico e revelou boas qualidades psicométricas. Estas propriedades e outros elementos caracterizadores do instrumento são discutidos neste artigo