Portal de Periódicos da UENP (Universidade Estadual do Norte do Paraná)
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O CORPO-OBJETO DA MULHER: REIFICAÇÃO DA LÓGICA OPRESSORA DAS RELAÇÕES DE GÊNERO NO CRIME DE IMPORTUNAÇÃO SEXUAL
O presente artigo realiza uma análise crítica da tipificação da importunação sexual como crime pela Lei 13.718/2018 com intuito de verificar sua eficácia para o combate da violência de gênero. Para tanto analisa as reais causas que colocam a mulher em uma condição inferior na sociedade, ou seja, supera análises meramente naturalizantes ou culturais da construção do gênero, do sexo e da sexualidade para se ativar na análise de construção dos sujeitos de acordo com a lógica das relações de poder em determinado contexto sócio-histórico. Essa perspectiva analítica denuncia o caráter performativo dessas categorias de análise, ou seja, são compulsoriamente constituídos a partir de um processo complexo de reiteração de normas que mascaram o conteúdo opressor da heterossexualização e do falocentrismo. Compreendida a subordinação das mulheres nas relações de gênero a partir da própria lógica falocêntrica e heterossexual que constitui os seres corporais, desvela-se de que modo essa lógica opressiva é reificada por meio do Direito, a exemplo da tipificação da importunação sexual
O CONTROLE DE CONVENCIONALIDADE NO BRASIL: UM BREVE ENSAIO SOBRE O TEMA NA PERSPECTIVA DA PROTEÇÃO GLOBAL DOS DIREITOS HUMANOS
O controle de convencionalidade, nas suas várias formas, adquiriu especial relevo no mundo jurídico latino-americano e também no Brasil. Construído por meio dos tratados internacionais de direitos, o controle é visto como um instrumento importante de efetividade para a concretização da dignidade do ser humano das Américas. O controle de convencionalidade no Sistema Interamericano é um instrumento residual de acesso à Justiça Internacional e efetivação dos direitos humanos, quando houver falhas nas apreciações nacionais, inserindo-se na perspectiva da proteção global dos direitos humanos. O controle inicialmente tinha como base o Pacto de San José, mas sofreu ampliações importantes alcançando os tratados da ONU
ASPECTOS RELEVANTES NA CONSTRUÇÃO DE PRODUTOS EDUCACIONAIS NO CONTEXTO DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA
A literatura concernente à construção de produtos educacionais ainda é escassa na educação nacional. No contexto da educação profissional e tecnológica, esta escassez se mostra ainda mais elevada. O presente estudo tem por objetivo descrever seis aspectos relevantes atinentes à construção de produtos educacionais. A metodologia adotada para a realização do constructo foi o bibliográfico conceitual, o qual é embasado no estado da arte disponível em bases de dados previamente consultadas. Os resultados apontam que os aspectos a serem considerados por pesquisadores e cientistas na elaboração de produtos educacionais são: a) atender as necessidades do ambiente, b) responder a uma pergunta de pesquisa, c) possuir dimensão científica, d) ter dimensão tecnológica, e) submeter o protótipo a testes de desempenho e f) divulgar a versão final do produto. A conclusão mostra que, através da adequada aplicação das etapas evidenciadas no presente estudo, as instituições de educação profissional e tecnológica poderão se tornar mais aptas a responder de forma consistente e consentânea aos desafios e demandas inerentes ao seu ambiente de atuação
A PROTEÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS PARA ALÉM DO ESTADO A PARTIR DO DIREITO COSMOPOLITA: PELA GARANTIA DE DIREITOS AOS REFUGIADOS
O presente artigo tem como escopo aclarar a situação de proteção e concretização dos direitos humanos na esfera internacional. Para tanto, parte-se da perspectiva da condição de tais direitos do e para além dos limites do Estado, a partir do que se constrói como direito cosmopolita, tendo-se como exemplo privilegiado da problemática que envolve os direitos humanos nessas circunstâncias a questão dos refugiados, no que tange à garantia desses direitos
A PROVA NO SISTEMA INFRACIONAL – MÁCULAS A UM ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO E O OLHAR DE UMA MULHER ALÉM DO SEU TEMPO.
O texto entrelaça duas questões– a importância da voz feminina na ciência, e nesse caso, é traçado o papel da doutrina de AnaMaria Campos Torres que, na vanguarda da constitucionalização do processo penal traçou diretrizes garantísticas à gestão da prova – e o eufemismo do sistema infracional, na responsabilização de adolescentes em conflito com a lei que, fundado na cultura protetiva, afirma-se não incidir garantias penais e processuais ao procedimento. O objetivo, nesse sentido, é homenagear a doutrina sobre gestão da prova da autora referida e problematizar esse conteúdo no sistema infracional, apontando, a partir de pesquisa de análise de conteúdo de sentenças de aplicação de medida socioeducativa de internação, violações a garantias fundamentais de adolescentes
A UTILIZAÇÃO DE RÓTULOS NO ENSINO DE QUÍMICA: UM ESTUDO DA PRODUÇÃO ACADÊMICA DE 2014 A 2019
Por meio deste artigo buscou-se discutir, à luz da literatura consolidada na área do Ensino de Ciências, a utilização de rótulos de cosméticos e produtos de higiene pessoal nos processos de ensino e de aprendizagem em Química. Trata-se de uma pesquisa de caráter qualitativo de cunho bibliográfico, sistematizada por meio da Análise de Conteúdo. Foram selecionadas e analisadas oito publicações, cujo foco temático tratou de uma intervenção pedagógica para o Ensino de Química realizada a partir do uso de rótulos dos produtos aqui de interesse. Percebeu-se que os rótulos desses produtos podem ser inseridos na prática educativa de amplos modos, cabendo ao docente a escolha daquele que melhor se adeque à sua realidade. As oficinas temáticas, a pedagogia de projetos e sequências didáticas foram os métodos predominantes na literatura selecionada. Foram observados conteúdos de Química tais como: geometria molecular, polaridade, solubilidade, interações intermoleculares e funções orgânicas. Conclui-se que o uso de rótulos enquanto estratégia didática pode trazer importantes benefícios aos processos de ensino e de aprendizagem, constituindo-se em um recurso de amplo auxílio pedagógico
Homem, pátria, estado, virtude e guerra: o abismo das compreensões em um diálogo de ‘A Ilíada’ e de ‘Nada de novo no front’
O presente trabalho procede à leitura de dois diálogos: o transcorrido entre Heitor e sua esposa Andrômaca no Canto VI de A Ilíada, e o travado entre os “irmãos de armas” Paul, Albert, Tjaden, Kat, Kröpp e Müller no Capítulo IX de Nada de novo no front. Tais excertos, recortes concisos das referidas obras, pretendem jogar luz nos termos que aqui interessam, a saber: homem, pátria, estado, virtude e guerra, buscando evidenciar sua compreensão nas diferentes épocas e contextos, para o que se fez necessário recorrer à história (McKAY et al, 2015; HANSON, 2015), filosofia (JAEGER, 1991) e sociologia (SCRUTON, 2015). O resultado da pesquisa bibliográfica empreendida, abrangendo esses e outros autores, intenta figurar como uma proposta de leitura comparada de trechos essenciais dos clássicos em questão (CALVINO, 1991) e de vocábulos que resistem a longos intervalos de tempo, como o existente entre as obras analisadas
O americano tranquilo e O prisioneiro: engajamento na literatura
O artigo propõe uma análise dos romances O americano tranquilo (1955), de Graham Greene, e O prisioneiro (1967), de Erico Verissimo. As obras têm como cenário comum guerras de caráter colonial na Indochina e apresentam discussões sobre engajamento político dos personagens. Para definir os termos em que se pensa a questão do engajamento no artigo, utiliza-se como referência teorizações de Jean-Paul Sartre e Theodor Adorno. A partir da análise desta questão como motor dos enredos, percebe-se que as possibilidades de engajamento, em especial opções violentas, são vistas com certo ceticismo e desconfiança nos romances, mas é valorizada a disposição de denúncia dos mecanismos de opressão em um mundo controlado
ALÉM DA LÓGICA DO CASTIGO: ABOLICIONISMO PENAL, JUSTIÇA RESTAURATIVA E OS TRÊS DOGMAS DO PENALISMO
Este estudo tenciona apresentar uma perspectiva criminológica do abolicionismo penal, relacionando-a com os modelos de justiça restaurativa. Inicialmente, problematizou-se a prática de enjaular pessoas, considerando três perguntas fundamentais: quem são os enjaulados? Por que? Para que? A tradição jurídico-penal responde estes questionamentos fundando-se nos dogmas da relação causal entre crime e castigo, da inevitabilidade da pena e da humanização da pena. Ao perscrutar tais dogmas, encontrou-se no abolicionismo penal a possibilidade de afastar as práticas do trato cruel estatal, favorecendo laços sociais solidários, e verificou-se a compatibilidade do modelo de justiça restaurativa com uma cultura jurídica de negação da crueldade