Portal de Periódicos da UENP (Universidade Estadual do Norte do Paraná)
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A DESOBEDIÊNCIA CIVIL COMO DIREITO DE DEFESA DA CONSTITUIÇÃO
O artigo pretende analisar o instituto da desobediência civil como um direito de defesa da Constituição. Dessarte, serão utilizados alguns referenciais teóricos liberais da modernidade, com o fim de identificar os limites postos ao Estado e, via de consequência, opor resistência a atuação desse, diante do excesso no exercício dos poderes que foram delegados pelo povo. Defende-se a tese de que a desobediência civil é um direito passível de ser exercido pelo povo, com o propósito de preservar a Constituição e proteger o Estado Constitucional Democrático de Direito. A metodologia utilizada será de caráter dedutivo, a partir de pesquisa bibliográfica
O VÍDEO FEEDBACK NO FORTALECIMENTO DA COMUNICAÇÃO EM SAÚDE
Com o objetivo de identificar a aplicabilidade do vídeo feedbackna facilitação grupal como técnica para qualificar a comunicação por meio da autoavaliação, foi realizado um estudo exploratório, à luz do Interacionismo Simbólico, com 11 profissionais da saúde do município de São Paulo. Os dados foram produzidos dentro de grupos educativos em dois Momentos (1 e 2) compostos por etapas de filmagem do profissional, exibição da filmagem, entrevista semiestruturada e qualificação da comunicação, sendo a última realizada apenas no Momento 1. Os dados das entrevistas foram analisados por meio da Análise de Conteúdo Temática. Das falas dos Momentos 1 e 2 emergiram as mesmas categorias, mas com perspectivas diferentes. Enquanto no momento 1 os profissionais percorreram o reconhecimento ou não de sua comunicação, trazendo suas dificuldades e potencialidades, no Momento 2 alguns evidenciaram a comunicação consciente como fator preponderante de sua melhoria. A técnica de vídeo feedbackfoi considerada aplicável na rotina de trabalho desses profissionais, mas com necessidade de adequações de acordo com o contexto. A técnica parece ser promissora para a Educação Permanente em Saúde, resultando no fortalecimento de seus princípios em consonância com os propósitos da Atenção Primária à Saúde, sobretudo quando se trata de grupos educativos
ARGUIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL 54: UMA ANÁLISE À LUZ DA FENOMENOLOGIA HERMENÊUTICA E DO ATIVISMO JUDICIAL
Comunica os resultados de pesquisa do projeto “Jurisdição Constitucional e Democracia: uma análise hermenêutica da ADPF à luz do ativismo judicial”. Questiona ‘qual é o perfil teórico epistemológico da ADPF no 54 à luz do ativismo judicial e da hermenêutica fenomenológica?’ e pressupõe que foi de teor ativista. Articula conceitos de ativismo judicial, autocontenção, supremacia constitucional, discurso, dasein, desvelamento e temporalidade, voltados para a significação das liberdades da mulher. Justifica-se pelo potencial da ADPF como instrumento superior da salvaguarda dos direitos mais preciosos às sociedade e mulheres
O COELHO SABIDO COMO APOIO À ALFABETIZAÇÃO: RELATO DE EXPERIÊNCIA
O presente trabalho teve como principal finalidade contribuir com o aprendizado da leitura e da escrita de alunos de uma Escola Municipal de Ensino Fundamental na cidade de Itapetininga/SP, por meio da utilização do software educacional O Coelho Sabido, atuando como complemento das aulas ministradas pela professora titular. O projeto compreendeu a análise da contribuição deste softwarecomo ferramenta pedagógica para crianças com idade entre 9 e 13 anos, que estavam em defasagem escolar. Como relato de experiência, apresenta a vivência na Escola e traz reflexões sobre o ensino via tecnologia digital. Essa experiência ajudou a compreender a necessidade de adequação do cenário atual da educação aos seus alunos, que nasceram na era digital. Constatou-se que o uso das Tecnologias Digitais como ferramentas educacionais contribui para a potencialização dos processos de ensino e de aprendizagem, e que novos softwares como O Coelho Sabido podem ser desenvolvidos, dado sua contribuição na educação
O ENSINO DE CIÊNCIAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL: POSSIBILIDADES E DESDOBRAMENTOS
Este artigo discute e tenta compreender o ensino de Ciências na Educação Infantil, sob perspectivas teórico-metodológicas, utilizando de projetos pedagógicos de cunho interdisciplinar, buscando desenvolver, desvelar e descrever o pensamento científico das crianças dessa faixa etária, emergente da concepção de que a curiosidade e o desejo por aprender é inato do ser humano. Um projeto em especial, intitulado “As cores do arco-íris”, é discutido ao longo do texto em prol desta objetivação. Algumas das práticas desenvolvidas são descritas, a fim de contextualizar de que maneira se acredita que as discussões de características da Natureza são relevantes de serem realizadas nesse nível da Educação Básica. Verificou-se, precipuamente, que um projeto de ensino é amplamente favorecido, em sua potencialidade de ganho de significados inteligíveis e significativos, ao emergir de temáticas de interesse coletivo das crianças e relacionáveis a amplas realidades e contextos próximos a elas
Aspectos da ficção histórica para compreensão de Diário da Cadeia, de Eduardo Cunha (pseudônimo)
Eduardo Cunha (pseudônimo), autor ainda não canonizado no meio literário, publicou neste ano de 2017 seu livro Diário da Cadeia – com trechos da obra inédita Impeachment, gerando polêmica não na Crítica Literária, mas no âmbito jurídico. A despeito disso, este trabalho se propõe a analisar como essa obra se constitui como ficção em interface com a história e a política, problematizando o romance em relação ao domínio da ficção histórica, a partir de características específicas desse tipo de literatura. Para tal, percorre o contexto de publicação e recepção do livro, direcionando-se, finalmente, às contribuições da Teoria Literária sobre a ficção história, em suas formas clássicas e contemporâneas. Por fim, apresenta análise de como os domínios do público e do privado se reorganizam na temática e na estrutura desse romance
Cidades discursivas: imagens de vaidade, imagens de pobreza
A partir de uma breve leitura de “Versões da cidade”, capítulo de A cidade vista: mercadorias e cultura urbana (2014), de Beatriz Sarlo, consideramos que as representações de cidades sejam concebidas como diferentes imagens das mesmas. Endossando a proposta imagológica de Pageaux, na qual toda imagem é produto de uma subjetividade em contraste com uma alteridade (heterogeneidade constitutiva), partimos do pressuposto de que toda e qualquer tentativa de dizer a cidade é o resultado de uma experiência de observação, não cabendo, portanto, julgar se elas são ou não “verdadeiras”. Assim, propomos uma leitura imagológica de “Um e Outro”, de Lima Barreto, “Modern girls” e “As mariposas do luxo”, de João do Rio, a fim de analisar quais imagens de cidade se desenham na materialidade discursiva dos textos, uma vez que entre os três textos há uma possibilidade de diálogo produtivo
EDITORIAL
Prezados(as) leitores(as)A REPPE: Revista de Produtos Educacionais e Pesquisa em Ensino, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Ensino da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), acaba de publicar a primeira edição do terceiro volume, contemplando estudos relevantes desenvolvidos em diversos temas na área de Ensino.No primeiro artigo, Morgavi e Robaina apresentam aulas práticas no laboratório de Química, utilizando o espaço como recurso pedagógico importante para auxiliar nos conceitos trabalhados no Ensino Médio. O objetivo principal é favorecer que o aluno apreenda conteúdos que tenham significado e, ao mesmo tempo, que este possa relacionar as teorias normalmente estudadas na sala de aula com os experimentos práticos, o que estimula a aprendizagem e o despertar científico.Na sequência, Santiago-Gregório, Vincha e Cervato-Mancuso identificam a aplicabilidade do vídeo feedback na facilitação grupal como técnica para qualificar a comunicação por meio da auto avaliação. Foi realizado um estudo exploratório, à luz do Interacionismo Simbólico, com 11 profissionais da área de Saúde do município de São Paulo. Os dados foram produzidos dentro de grupos educativos em dois momentos (1 e 2), compostos por etapas de filmagem do profissional, exibição desta, entrevista semiestruturada e qualificação da comunicação.O terceiro artigo, de Moura e Silva, apresentam o Produto Educacional elaborado por meio de uma Sequência de Ensino Investigativo (SEI) com o tema “Empuxo” durante o Mestrado Profissional em Ensino de Física. A construção do produto é baseada na perspectiva do Ensino por Investigação; nos Parâmetros Curriculares Nacionais e na construção do conhecimento por meio do cognitivismo e do desenvolvimento intelectual, que justificam a importância ao realizar atividades em grupo.No quarto artigo, Siqueira, Pereira e Fortunato contribuem com o aprendizado da leitura e da escrita de estudantes de uma Escola Municipal de Ensino Fundamental na cidade de Itapetininga, Estado de São Paulo. Foi utilizado o software educacional “O Coelho Sabido” como complemento das aulas ministradas pela professora titular. O projeto compreendeu a análise da contribuição deste software como ferramenta pedagógica para crianças com idade entre 9 e 13 anos, que estavam em defasagem escolar.Altoé e Freitas, no quinto artigo, apresentam o Produto Educacional intitulado “Formulação de Problemas: multiplicação e divisão”, resultante de uma pesquisa de Mestrado em Educação em Ciências e Matemática, composto pelas propostas desenvolvidas no decorrer da pesquisa. Este tem o objetivo de contribuir para os estudos de multiplicação e divisão no Campo Conceitual Multiplicativo de Vergnaud.No artigo sexto, Teixeira et al. relatam que trabalhar os temas relacionados à Educação Sexual, apesar de toda a formação oferecida atualmente, ainda tem sido um problema nas escolas de Educação Básica. Desta forma, segundo os autores, os programas de extensão das universidades têm sido de grande valia, pois socializam muitas orientações aos professores e, por conseguinte, aos alunos, além de contribuírem com a formação dos futuros professores, atuais licenciandos.Na sequência, no sétimo artigo, Rosa, Rosa e Uzeda apresentam uma pesquisa de revisão realizada com artigos publicados em periódicos nacionais no campo da Educação em Ciências e vinculados ao tema Alfabetização Científica. O objetivo deste estudo foi identificar na literatura nacional estudos associados a intervenções didáticas voltadas a promover a alfabetização e o letramento científico, identificando suas características.Finalmente, no oitavo e último artigo, Pereira et al. apresentam resultados de um estudo comparativo realizado a partir das respostas de 45 alunos do 5° ano do Ensino Fundamental I, entre 9 e 10 anos, da cidade de Ponta Grossa, Estado do Paraná. A avaliação foi realizada em sala de aula, utilizando-se da Prova Brasil de 2015, no que diz respeito à compreensão leitora de problemas matemáticos no Eixo “Grandezas e Medidas”.Assim, diante dessa gama de proposições, desejamos que este número da REPPE promova inquietações e reflexões acerca dos diversificados temas apresentados. Boa leitura! Cornélio Procópio (PR), 20 de agosto de 2019
Resenha - A nova segregação - Michelle Alexander
O entendimento de uma obra por muitas vezes demanda o conhecimento do seu autor; por outras vezes, necessita de uma compreensão do próprio título, que muito diz sobre o objeto a ser estudado. Michelle Alexander é uma advogada de direitos humanos e defensora de grupos afrodescendentes nos Estados Unidos. Também é professora das Universidades de Stanford e Ohio.A obra The New Jim Crow foi traduzida para o castelhano e para o português com denominações distintas. Na língua espanhola, recebeu o livro da Michelle Alexander a denominação de El color de la justicia; já no Brasil, pela Editora Boitempo (2018), de A Nova Segregação. A razão de diversos títulos para o mesmo livro vem da denominação, própria da cultura estadunidense, que se refere às leis racistas e segregacionistas Jim Crow, que por sua vez levam este nome em referência a um personagem negro e bobo da cultura norteamericana. Seria difícil, nestes processos de tradução, trazer tal figura caricata que não se reporta à nossa cultura, razão pela qual optou-se pelo uso de outros termos que pretendem dizer o mesmo.Consistiam as leis Jim Crow em um conjunto de leis que se mantiveram ativas até 1965, com origem nos Estados Confederados da Guerra da Secessão, e que pretendiam promover a divisão igual entre sociedade branca e negra, ou seja, segregação. Em determinados lugares, separavam-se os assentos de ônibus e banheiros, avançando ao apartheid educacional e à proibição do direito ao voto. É no crepúsculo destas leis – e talvez em razão disto – que os movimentos de direitos civis, como os de Martin Luther King e Malcom X, e demandas judiciais, como Brown v. Board of Education, visavam o combate destes segregacionismos.O objeto da obra é o fenômeno supermax, ou seja, o encarceramento em massa, principalmente decorrente da famigerada Guerra às Drogas. A Jim Crow Law deu lugar às leis de tolerância zero e à guerra às drogas. Por isso, fala-se em The New Jim, que no Brasil é denominado de nova segregação racial. Quando se fala em encarceramento em massa, estamos falando de encarceramento em massa dos negros. Nos Estados Unidos, integram os negros e latinos; já no Brasil, os pretos e pardos, denominados negros