Escola Superior de Teologia, São Leopoldo: Periódicos da Faculdades EST
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O DOM DA VIDA E A DIGNIDADE HUMANA UNIVERSAL: JUSTIFICAÇÃO FILOSÓFICA DOS DIREITOS DA ALTERIDADE
Este ensaio teórico fornece razões para reconhecer os Direitos Humanos como direitos da alteridade. Parte do princípio de que todos os nascidos da espécie humana devem ser respeitados como iguais em dignidade. Argumenta-se que o dever de respeitar todos os outros como iguais em dignidade deriva do fato de que cada um recebeu a vida e suas condições de possibilidade como dádivas da humanidade. A tese é que o dom da vida encerra uma dívida existencial-simbólica à humanidade que, por sua vez, remete ao dever moral em relação a todos os outros. Quanto à concretização dos direitos da alteridade, numa perspectiva solidarista, o texto expõe possibilidades de realização da regra do dom – como resposta adequada à dívida existencial-simbólica – em espaços públicos, com destaque para as práticas associativas, cooperativas e, no interior destas, as de mediação. A reflexão mescla, em termos de metodologia, as abordagens analítica e hermenêutica
REFLEXÕES SOBRE O VALOR DA IGREJA VS EXPANSÃO DO ÊXODO ECLESIAL: CAUSAS, MOTIVAÇÕES E BUSCA POR REVERSÃO
O acentuado contingente dentre os que se declaram evangélicos sem frequentar regularmente uma igreja – porque se sentem desprovidos da atenção dos seus pastores, ou porque manifestam intolerância aos dogmas institucionais, ou porque não estão dispostos a enfrentar o desafio comunitário de ser igreja – já tem se tornado um fenômeno, sobretudo a partir das últimas décadas. Por outro lado, o valor que a Bíblia atribui à igreja como a comunidade dos fiéis, na qual estes são edificados espiritualmente e onde o nome de Deus é adorado, não pode ser questionado nem ignorado, apesar da realidade do êxodo eclesial (evasão dos membros da igreja local). Urge buscar a reversão dessa situação pelo caminho do diálogo, partindo da iniciativa dos pastores, devendo ser isso correspondido pelos que desistiram da pertença eclesial
Religião e alimentação: das leis dietéticas judaicas ao pecado da gula
O artigo apresenta uma discussão sobre a relação entre religião e alimentação, especificamente a cosmovisão judaico-cristã. O objetivo central do trabalho é verificar a relação entre moralidade e comensalidade tanto no Judaísmo, quanto no Cristianismo, ou seja, verificar como estas duas esferas da vida encontram-se relacionadas e como elas organizam os sentidos e a visão de mundo e de corpo dos seus adeptos. Para tanto, foi realizado um estudo teórico-reflexivo, a partir dos enunciados de autores como Mary Douglas, que apresenta uma conhecida análise sobre as restrições alimentares contidas no Levítico (11: 1-47), bem como as reflexões sobre o Pecado da Gula de Agostinho de Hipona, elaborando um paralelo entre ambos
“SERÁ QUE É POR EU SER NEGRA?”: A CARÊNCIA DE UMA TEOLOGIA NEGRA FEMINISTA NA VIVÊNCIA RELIGIOSA DE MULHERES EVANGÉLICAS
Este texto pretende visibilizar a representatividade da mulher negra nos espaços religiosos, em particular na igreja evangélica, abordando as categorias de gênero e etnia ao observar quais são as maiores dificuldades que a mulher negra encontra durante todo o processo de construção de sua própria identidade religiosa. Uma análise de como, grande parte das igrejas evangélicas, incansavelmente, reproduz o racismo, a partir de um processo histórico, ao qual naturaliza o tratamento que é dispensado à mulher negra e perpetua as dinâmicas discriminatórias nas relações hierárquicas dentro das igrejas evangélicas. Evidenciando que a mulher negra permanece estagnada na base desta pirâmide, e de tantas outras pirâmides sociais. Portanto, este trabalho visa demonstrar que apesar de a mulher negra se encontrar em um espaço de incompreensão. A luta desta, por reconhecimento, em se perceber como parte da criação e benção divina, passa pela oportunidade de conhecer uma hermenêutica que a fortaleça dentro das relações eclesiásticas de poder, a saber, o conhecimento acerca da teologia negra feminista surge como alternativa para as transformações que visam equidade no seio das igrejas evangélicas
IDENTIDADE DECOLONIAL E DIÁSPORA: MOSAICOS PARA A CONSTRUÇÃO DE TEOLOGIAS E ESPIRITUALIDADES AFROLATÍNDIAS-CRISTÃS
O objetivo deste artigo é ajudar a construção e consolidação de um pensamento teológico que aqui será chamado de Afrolatíndio. Com isto, me refiro a uma amplitude teológica e de espiritualidade que contemple a a herança brasileira como um lugar de passagem. O Brasil é lugar de passagem da diáspora que espalhou o povo africano pelo mundo, fruto da colonização e do processo de escravização nas Américas. O Brasil também tem o seu lugar no continente cujos povos originários foram praticamente devastados, com sua cultura, com sua religiosidade. Propor e pensar espiritualidades afrolatíndias, é recuperar e se abrir para este (re)encontro teológico que nos permitem pensar como, ao mesmo tempo, uma teologia e uma espiritualidades, se repletas e marcadas pela brasilidade, necessariamente precisam considerar o quanto fomos e estamos marcados pela herança africana, pela herança indígena, por esta religiosidade do sul global. Por isso, no Brasil, a Teologia Negra é Teologia Afrolatíndia
RAÇA E IDENTIDADE NOS ESTUDOS DE RECEPÇÃO EM COMUNICAÇÃO
O presente artigo tem por objetivo analisar pesquisas de recepção com recorte étnico-racial que problematizam questões pertinentes à identidade, tendo como materiais de análise as teses e dissertações desenvolvidas nos Programas de Pós-graduação em Comunicação no período de 2010 a 2015. O referencial teórico para dialogar com os referidos trabalhos prioriza o pensamento de Stuart Hall. O corpus é oriundo dos dados empíricos da pesquisa “Meios e Audiências III: reconfigurações dos estudos de recepção e consumo midiático no Brasil”. Quanto aos procedimentos metodológicos, optou-se pela análise bibliométrica. Entre os resultados, destaca-se o fato de a análise corroborar que a identidade racial é uma construção social, que a mídia é um dos principais campos de ação na produção e transformação das representações identitárias étnico-racial.
RELIGIÃO, LAICIDADE, VIOLÊNCIA E DIREITOS HUMANOS: PERSPECTIVAS, INTERLOCUÇÕES E DIÁLOGOS NUMA SOCIEDADE MARCADA PELOS FUNDAMENTALISMOS
O que orienta esta abordagem é a compreensão da incidência dos fundamentalismos no âmbito da convivência humana em seus desdobramentos na esfera religiosa, nos conflitos políticos, nas demandas culturais, no tocante a laicidade, frente à violência e a intolerância. O fundamentalismo econômico condena à exclusão social uma grande parcela da humanidade. O fundamentalismo científico desqualifica formas compreensivas que não estejam consolidadas pelo método científico. O fundamentalismo político difunde em seu discurso a defesa do “bem”, por vezes, mesclado com o fundamentalismo religioso, o ódio e a violência. Vive-se o paradigma da autossuficiência dogmática na afirmação de determinadas “verdades”. O grande desafio que se impõe é o de deixar de lado extremismos em detrimento da tolerância, do diálogo e do mútuo aprendizado
Ísis e Maria: Redescobrindo o poder das divindades-mulheres em diferentes tradições religiosas
O presente artigo reflete sobre Ísis e Maria. Objetiva redescobrir o poder das duas divindades-mulheres em tradições religiosas diferentes, em tempos e espaços históricos diferentes. Ísis é uma mulher egípcia que teve o seu culto propagado no ápice do império do Antigo Egito, devido os seus poderes de cura, conhecimento da natureza. Ela também é conhecida como Deusa-mãe. Já Maria de Nazaré, mulher cultuada no cristianismo, foi escolhida para ser a mãe de Jesus Cristo e proclamada Mãe de Deus. Ela foi também uma mulher forte, que proclamou, profeticamente, o programa do Reino de Deus. A metodologia empregada é bibliográfica, a partir de uma reflexão teológica feminista e das relações de gênero