Escola Superior de Teologia, São Leopoldo: Periódicos da Faculdades EST
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A antropogênese entre a teologia e a ontologia: dispositivo ontológico e forma-de-vida
Os escritos do filósofo Giorgio Agamben dialogam com as mais diversas áreas do conhecimento e, dentro do campo filosófico, com as mais diversas escolas. Neste trabalho apresentamos um ponto de articulação entre a obra de Agamben e de Hegel a partir da noção de antropogênese, o processo de engendramento dos conceitos de humano e de vida na ontologia e teologia ocidentais. A compreensão daquilo que Agamben chama “dispositivo ontológico” nos leva ao redimensionamento do papel do pensador, filósofo ou teólogo, na sociedade contemporânea. A ontologia, a teologia, a práxis e a política, formam no Ocidente um único feixe de relações que cabe ser desarticulado para liberar-nos para uma nova forma-de-vida
Religião como oferta de sentido em casos de violência
Atualmente, em diversos locais e espaços sociais, a violência agride, fere, desonra, humilha, ultraja, maltrata, muda, transforma de modo direto ou indireto a vida de indivíduos, famílias e povos inteiros, conduzindo todos compulsoriamente a enfrentar o desafi o imposto pela adversidade, dor e sofrimento, ao mesmo tempo em que o imponderável pode lhes possibilitar novas e inesperadas aberturas para buscar “um sentido da vida”: vida individual, vida coletiva. Esta pesquisa, de natureza biográfica, compreende a análise teórico-empírica da história de vida de uma mulher que sofreu e ainda se encontra em contexto de violência. Objetivou-se, por meio de entrevista com questionário semiestruturado e recorrendo a categorias como violência, religião e sentido, identificar que sentido de vida o sujeito A construiu no seu cotidiano e se a religião se apresenta a ela como fator que contribui para sua construção naquele contexto. De modo qualitativo, avaliou-se que o sujeito A fundamenta sua mística religiosa na busca de sentido às suas situações de violência, de modo a sustentar suas atitudes positivas no curso da vida, marcada por injustiças e silêncio social
Violência letal, a falta de ressonância e o desafio do perdão no Brasil
Conforme levantamentos recentes, temos no Brasil um crescimento de violência letal, bem como indícios de uma brutalidade crescente dos crimes. Tais dados apontam para a existência de uma ampla percepção da impunidade e de uma aparente naturalidade do ato de matar. Autojustiça, linchamentos, desprezo a reais e supostos infratores, a busca de vingança e do exercício de poder sobre outros encontram, assim parece, suporte num tipo de justiça retributiva num ambiente onde as relações entre pessoas são regidas por uma plausibilidade de violência que impede a ressonância e o sentimento de autoeficácia. O objetivo deste ensaio é analisar a situação no Brasil, recorrendo a aclamados intérpretes como o historiador Sérgio Buarque de Holanda, ponderando razões da violência recorrendo à teoria da ressonância de Hartmut Rosa, bem como refletir sobre uma teologia da justiça que, antes de promover vingança, enfatize transformação, perdão e reconciliação, retomando reflexões de Hannah Arendt. Referindo-se a Jürgen Moltmann, o artigo procura mostrar como uma teologia pública pode contribuir para tal transformação
Martyrdom, violence, and dignity
This article reconsiders historically based arguments for Christian martyrdom, subjecting the tradition to an analysis suited to liberation of the marginalized. It begins with a description of the historical development of scholarship on martyrdom. From there, the essay analyzes Moss’s arguments regarding the discursive use of the image of the martyr, alongside Recla’s arguments regarding the Christian martyr as autothanatos, one who enacts self-death. Moss and Recla demonstrate the simultaneous fabrication and erasure of violence from the narratives of martyrdom. The article reconciles these opposing conclusions by applying the contextual lens of honor/shame to the analysis of martyrdom. Doing so reveals that, more than attempts to emphasize violence and/or suffering, martyrs, as culturally marginalized persons, represent for early Christians, the ideal Christian life--attitude of the marginalized, which is that of making radical claims of and to human dignity
“O que é lugar de fala?”
Resenha de: RIBEIRO, Djamila. O que é lugar de fala? Belo Horizonte: Letramento; Justificando, 2017.
Empoderamento como representatividade das mulheres na sociedade
Na sociedade, as perspectivas para conquista e reafirmação do espaço social na contemporaneidade, com o termo empoderamento feminino, tem como base a consciência expressa por ações que fortalecem e desenvolvem a equidade, sendo diferente do feminismo, embora interligados. A metodologia adotada caracteriza-se como revisão bibliográfica, na qual a fundamentação é das Teorias Feministas e Empoderamento. O presente estudo tem como objetivo fazer uma breve contextualização histórica da trajetória do movimento feminista no mundo a partir de seus pontos significativos, como a luta das mulheres por direitos iguais, para garantir a cidadania e atuação na sociedade, de forma que tenham as mesmas oportunidades e, acima de tudo, respeito. No segundo momento, o estudo parte para as questões voltadas para a relação histórica do Feminismo e o Empoderamento das mulheres
Estratégias para a autonomia das mulheres desde os Movimentos Feministas
A autonomia das mulheres é um assunto recorrente na sociedade contemporânea. Se de um lado, através da organização coletiva, em movimentos feministas, elas conquistaram muitos direitos humanos e espaços importantes na vida pública, por outro lado, não cessam as tentativas de devolvê-las ao espaço privado, numa manifestação evidente de que a ideologia patriarcal segue presente no cenário contemporâneo. Diante disso, através de um estudo hipotético dedutivo, a pesquisa busca compreender quais as estratégias usadas, desde os movimentos feministas, para a afirmação da autonomia das mulheres e para seus direitos humanos. O estudo denota que a autonomia das mulheres é a chave para sua emancipação e para o acesso e efetivação de direitos humanos, papel esse cunhado pelos movimentos feministas que, através de sua filosofia política denunciam a falta de autonomia, mas ao mesmo tempo apontam alternativas de (des)construção de identidades e posicionamentos frente as relações humanas. Dentro das estratégias para a autonomia das mulheres, além da desconstrução de alguns códigos de conduta, se encontra a construção de acordos sociais e reaprender o amor, desaprendendo a habilidade de servir, que estão calcadas nos códigos de amor e hospitalidade, fazendo com que essa seja uma tarefa de todas as pessoas
Diaconia e teologia da libertação: aportes para a construção de uma metodologia diaconal libertadora
O artigo busca explorar a relação histórica e conceitual entre diaconia e Teologia da Libertação. Estabelece um diálogo objetivando identificar possibilidades de contribuições que a Teologia da Libertação pode oferecer para a construção de uma metodologia diaconal libertadora, que dialogue com os desafios contextuais colocados pela América Latina à diaconia. A pesquisa demonstra reais possibilidades de contribuição da TdL a partir de seus dois conceitos medulares. Enquanto o conceito de opção pelos pobres determina o ponto de partida de uma metodologia diaconal libertadora, afirmando os destinatários como sujeitos protagonistas, o conceito de pecado estrutural determina o horizonte desta metodologia