Escola Superior de Teologia, São Leopoldo: Periódicos da Faculdades EST
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Resenha Livro Família: Modos de Usar
Como em uma conversa informal, a obra é um convite à troca de ideias sobre diversas questões que envolvem a família na contemporaneidade, enfatizando que o debate sobre a educação está intrinsecamente relacionado às questões familiares. O mundo contemporâneo tem gerado pais e mães preocupados sobre seus reais papéis no processo educativo, cuja maioria está em busca de receitas prontas, mas de fato o que existem são pais e mães ansiosos por respostas e orientações e filhos e filhas superprotegidos que ironicamente tornam adultos abandonados
Bela, Recatada e do Lar
O trinômio “bela, recatada e do lar” resume o condicionamento de gênero para as mulheres. Quando elas não se enquadram neste molde, sofrem violência e, não poucas vezes, são mortas. O que parece ser um chavão corriqueiro – ser bonita, ter modéstia e dedicar-se ao cuidado da casa e da família – resume o estereótipo de feminilidade que é incutido nas meninas desde a sua infância. Neste contexto, contos de fada servem como entretenimento, mas também como mecanismos de formação. Quando histórias infantis são retratadas em produções cinematográficas, como o faz a companhia Disney, o potencial destas narrativas no imaginário cultural é amplificado. Este artigo averigua o papel legitimador do entretenimento nas construções socioculturais de gênero e pergunta pela intersecionalidade entre gênero, classe e raça em filmes voltados ao público infantil, produzidos pela companhia Disney
Agora que são elas: a liderança do pastorado feminino
O ambiente eclesial muitas vezes impõe um modelo hierárquico, tido como ideal, que é o modelo patriarcal. Nele as lideranças masculinas detém a liderança e o poder. Sendo assim, não há muito espaço para as lideranças femininas, ou seja, para as mulheres que exercem o pastorado. Gênero é um assunto que vem sendo discutido em muitos âmbitos da sociedade. Nesse trabalho vamos ressaltar sua ocorrência no espaço eclesial. As relações de gênero perpassam os espaços público e privado, por isso também devem ser abordadas nas Igrejas. O presente artigo apresenta dados de uma pesquisa de campo realizada no mestrado em Ciências da Religião/PUC-Minas. Um dos objetivos foi investigar como se organiza a liderança e o poder das Igrejas fundadas e lideradas por mulheres pastoras. A pesquisa de campo foi realizada no bairro General Carneiro, em Sabará/MG, local no qual mulheres pastoras vêm assumindo cargos de lideranças nas Igrejas fundadas por elas, por meio do que denominam “chamado de Deus”. A pesquisa foi realizada por meio de estudos de casos através de entrevistas com questionários semiestruturados, gravadas e transcritas. Nos dados levantados nas entrevistas feitas com as pastoras, as suas auxiliares e as e os membros, verificou-se que o poder que as mulheres pastoras adquirem para fundarem e liderarem as suas Igrejas não depende de uma determinação da cultura patriarcal. O feminino assume uma liderança no espaço eclesial, lugar que até então era dominado pela cultura do patriarcalismo
Per/vertir las escrituras sagradas: Contribuciones hacia una hermenéutica queer
Este artículo busca —de manera global— entender la preocupación de las teologías queer sobre el lugar de los textos bíblicos en la vida de las comunidades y de la religión en las sociedades modernas, especialmente en vistas al creciente conocimiento científico y su consecuente refutación de estereotipos sobre las personas queer arraigados en la cultura occidental. Por otro lado, analiza y (re)visita algunos de los textos bíblicos usados tradicionalmente para condenar a las personas de la diversidad sexual. Esos textos —comúnmente denominados “textos garrote”— han servido para legitimar la homofobia y negar el lugar que las personas de la diversidad tienen en medio de las comunidades de fe. Debido esto, es prioritario queerificar los modos en que se interpretan las escrituras sagradas. Para ello, el artículo propone pistas hacia la (con)formación de una hermenéutica queer
A EXPERIÊNCIA DO SAGRADO E O ISOLAMENTO EXISTENCIAL NA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
Procurou-se construir no presente artigo uma análise sobre a experiência do sagrado a partir estudos do filósofo e historiador das religiões Mircea Eliade (1907-1986), em intersecção às reflexões analíticas de Peter Berger (1929-2017) e Roger Scruton (1944 -), respectivamente, na área de Sociologia do Conhecimento e Fenomenologia. Parte-se do pressuposto de que o fenômeno religioso constitui, essencialmente, em uma experiência do sagrado, a qual permite ao indivíduo inferir um sentido plausível à sua existência. A perda da credibilidade da religião e o consequente declínio do cosmos sagrado e a secularização das instituições não significou, entretanto, o abandono do sagrado. No século XIX e XX, a experiência do sagrado voltou-se sobretudo às ideologias políticas. Desenvolve-se, assim, uma investigação que considera a experiência do sagrado como uma função antropológica básica, com vistas a discutir se na cultura da sociedade contemporânea os indivíduos possuem modos de absorver no próprio ser experiências sagradas. Visou-se, posteriormente, compreender as consequências éticas quando os indivíduos vivem uma existência sem possuir nenhuma experiência sagrada, considerando que tal possibilidade acarretaria, além de um profundo sentimento de angústia, na dificuldade dos indivíduos formarem o senso de responsabilidade interpessoal
Lutero e o Matrimônio: economia e justiça de Deus
O reformador Martim Lutero (1483-1546) impactou a Igreja com seu combate da ética monástica medieval. Influenciada pelo neoplatonismo, a ética monástica medieval concebia o pecado como queda metafísica da alma do âmbito do espírito para o âmbito da matéria. O resultado deste pensamento foi a divisão da sociedade em dois estamentos e a consequente dupla ética, que acentuava a necessidade de libertação da alma da prisão do corpo. A ética monástica, que consistia na idealização do etéreo, e a consequente negação do corpo e seus desejos – jejum, celibato, abstinência sexual, castidade - desvalorizava a vida matrimonial. Lutero concebeu os esforços para a realização do ideal ascético do celibato como afronta à boa criação de Deus. O objetivo deste artigo é analisar a compreensão de Lutero sobre o matrimônio, estamento econômico criado por Deus para produção e reprodução da vida. Para fins de contextualização serão analisadas influências do neoplatonismo na ética monástica medieval e a ressignificação do matrimônio como boa criação de Deus no pensamento de Lutero. Considerando “economia” como produção e reprodução da vida, analisaremos a concepção de Lutero do pecado como germe da morte, afetando as relações ser humano-Deus e ser humano-ser humano/criação. Concluiremos o artigo com a análise do matrimônio como a afirmação do projeto original de Deus, isto é, a vida. Pelo matrimônio homem e mulher são tornados cooperadores para justiça econômica de Deus. O artigo analisará basicamente a Preleção sobre Gênesis de Lutero (1535-1545)
A DICOTOMIA DO ABORTO: RELIGIÃO E DIREITO
Cuida o presente artigo de estudo acerca da dicotomia do aborto: religião e direito, na perspectiva da prática do aborto sob o prisma da religião e do direito, de modo a demonstrar possíveis divergências e fundamentações que justificam a corrente religiosa e jurídica. Busca-se demonstrar os avanços da legislação brasileira, bem como a influência da religião sobre a temática no Congresso Nacional contemporaneamente e no passado, perpassando os direitos e garantias constitucionais atinentes à mulher, ao nascituro e à vida. Procura-se, ainda, evidenciar a perspectiva religiosa, bem como as justificativas da corrente religiosa, quanto ao seu olhar acerca do aborto e, de forma concisa, o entendimento consolidado pelo Conselho Federal de Medicina sobre o tema. Ao final, objetiva-se oferecer uma conclusão sobre o tema sem, contudo, pretender encerrar a discussão e/ou declinar falaciosos estigmas de certo ou errado.
A “morte de Deus”: O aforismo 125 de A Gaia Ciência
Nosso objetivo nesse estudo é abordar o tema da morte de Deus em Nietzsche, a partir do aforismo 125 de “A Gaia Ciência”. A pergunta que se faz é: o que Nietzsche aspirava dizer com esse aforismo? Como podemos entendê-lo e interpretá-lo? Nietzsche está abordando a Europa sem Deus, a concepção cristã que Deus morreu, pois não tinha como mais ser racionalmente percebida e acolhida. Em Nietzsche, trata-se de uma representação de Deus que escravizou o humano e lhe negou a sua transcendência. Ou seja, o Deus da metafísica está morto, não há mais fundamento definitivo e o ser acontece na história. Sendo assim, respectivamente, as metanarrativas teológicas e filosóficas são negadas, as metáforas estão libertas e o ser humano é sempre um ser humano no mundo. A “morte de Deus” revela a morte do autor. Duas vozes se levantam sobre essa morte, a do autor: Foucault e Barthes