Escola Superior de Teologia, São Leopoldo: Periódicos da Faculdades EST
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Um olhar acerca da atuação do caminho neocatecumenal no Nordeste Brasileiro
O Caminho Neocatecumenal desponta no atual cenário religioso brasileiro como um itinerário de formação cristã que promove, de modo particular, transformações sensíveis na rotina e estética das paróquias onde se reúne na forma de pequenas comunidades. O presente artigo pretende analisar a presença desse movimento no nordeste brasileiro, questionando o processo de transplantação de seu ideário estético e litúrgico particular em detrimento de uma proposta de Igreja pós-Conciliar que enfatizaria a inserção de elementos locais e populares no processo de inculturação litúrgica. Ressaltará a disputa hermenêutica entre as forças conservadoras e progressistas no período pós-conciliar, apontando para o surgimento dos Novos Movimentos Eclesiais como fenômeno marcado pela ambiguidade de grupos que ao mesmo tempo em que se permitem o enquadramento institucional, movem-se com relativa autonomia, desafiando os modelos polarizados de entendimento do processo de recepção e implementação das diretrizes conciliares. Por fim, buscará compreender o papel institucional do grupo no cenário católico brasileiro, cujo ideário de renovação eclesial idealizado pelo Concílio Vaticano II vem sido paulatinamente redirecionado
Os instrumentos na missa: análise da permissividade dos instrumentos musicais
Na música litúrgica pré-conciliar, ou seja, na música anterior ao Concílio Vaticano II, instrumentos populares como violão, bateria, teclado, acordeom e similares não eram admitidos no rito. Após o Concílio Vaticano houve permissão desses instrumentos no rito eucarístico, desde que em consonância com as características e funcionalidades litúrgicas. Este artigo aborda a discussão sobre a utilização dos instrumentos na Santa Missa. Seu objetivo é realizar uma análise e interpretação dos documentos sincrônicos e diacrônicos que fundamentam o acompanhamento instrumental na Liturgia da missa católica. O resultado do presente trabalho mostra que o Concílio Vaticano II trouxe mudanças que transformaram o panorama relacionado ao acompanhamento harmônico no rito eucarístico. Assim, concluímos que o órgão tem primazia, ou seja, ocupa lugar de destaque, mas que instrumentos populares como o violão, a bateria, o teclado e o acordeom podem e devem ser utilizados para apoiar o canto, com função acessória, desde que estejam em conformidade com a dignidade e funcionalidade da Liturgia
RODAS DE FÉ: MANIFESTAÇÕES RELIGIOSAS NA REGIÃO DO SUBMÉDIO SÃO FRANCISCO
Com o objetivo de analisar pontos de interseção de alguns elementos culturais da Região Nordeste, especificamente na área do submédio São Francisco, o presente manuscrito apresenta manifestações místico-religiosas, identificando o hibridismo cultural e a compreensão das territorialidades em suas realizações. Entre elas estão as Rodas de São Gonçalo, do catolicismo popular; as Festas de Santos das religiões de matriz africana, cartografadas pelo NECTAS-OPARÁ (2012) nas cidades de Juazeiro e Petrolina; o Toré dos indígenas aldeados na Ilha da Assunção, em Cabrobó-PE; e as comemorações sincréticas dos Santos Gêmeos Cosme e Damião. A metodologia, baseada em observação, registro fotográfico e análise de textos, possibilitou, através de uma descrição condensada e analisados sob teorias empreendidas por Canclini (2008), Ortiz (2009) e Haesbaert (2010), informações relevantes sobre as práticas religiosas locais e uma compreensão sobre a formação sociocultural da população. Os aspectos aqui defendidos são resultados de compreensão do contexto em que estas manifestações estão inseridas e foram concebidos a partir de revisão bibliográfica e das observações empíricas. Ao fim, foi possível confirmar pressupostos teóricos sobre a ligação entre cultura identitária e territorialidade mística
PONDERAÇÕES CRÍTICAS ACERCA DA COVID-19: CONTRIBUIÇÕES PARA AMPLIAR O ENTENDIMENTO NO CONTEXTO BRASILEIRO
Em tempos de Covid-19, vivemos a condição, nunca experimentada, do isolamento social. Ficar distante para, paradoxalmente, nos protegermos como grupo social. De certa forma, não é equivocado dizer que estar longe é um ato de cuidado e afeto. A pandemia vem nos desafi ando nessa difícil experiência de lidar com o medo e, por extensão, também exacerbando esse inevitável entendimento de que temos que sobreviver a despeito da difícil experiência que vislumbramos à nossa volta. É um tempo que nos obriga a desenvolver uma grande disciplina mental, suscitando novas competências sociais. O objetivo desta abordagem é, pois, contribuir para ampliar o horizonte crítico e compreensivo sobre as possíveis alternativas que possam (de)limitar uma perspectiva de bem comum. Interessa- -nos compreender como a pandemia vem repercutindo no cenário brasileiro a partir de determinados valores religiosos instrumentalizados pelos agentes da governança pública em seus discursos, decisões e liturgias. Afi nal, a Covid-19, inexoravelmente, tem dado espaço a falsos profetas, de modo a contaminar os meandros da ação política, provocando o devaneio e o mal-estar na confi rmação de um de nossos maiores paradoxos: a dolorosa desigualdade social
AFROTEONTOLOGIA: ESTUDO SOBRE DEUS SEGUNDO A COSMOPERCEPÇÃO DAS TRADIÇÕES DE MATRIZ AFRICANA
O presente artigo é fruto de nossos estudos sobre a afroteontologia, ou seja, estudo sobre Deus de acordo com a teologia das tradições de matriz africana, que temos chamado de afroteologia. Utilizamos como método a exunêutica, ou seja, nos valemos de uma epistemologia afrocentrada com interpretação que contempla a vivência nas comunidades tradicionais de terreiro. Este trabalho visa contribuir na construção de uma sistematização do conhecimento afroteológico no intuito de contribuir para a formação dos vivenciadores, subsidiando-os no combate ao racismo religioso, assim como fornecer informações para professores do Ensino Religioso e também para pesquisadores da área de Ciências da Religião e Teologia. Pudemos aqui construir uma visão de Deus nas tradições de matriz africana a partir de um estudo de fontes africanas e afro-brasileiras, além da tradição oral, principal meio de transmissão do conhecimento pelas comunidades tradicionais de terreiro
Violência contra mulher: por que ainda lutamos?
Este artigo discute o modo como o fenômeno da violência contra a mulher foi socialmente construído e permanece sendo socialmente mantido. Evidenciamos o papel dos estudos feministas para os debates atuais sobre o tema. A partir dos caminhos que nos trouxeram ao cenário atual, contextualizamos o panorama da realidade da mulher brasileira e os atuais indicadores da violência contra a mulher no Brasil. A realidade atual acerca da violência contra a mulher ainda indica a importância da continuidade da realização de estudos e da execução de ações nas esferas pública e privada voltadas para essa questão.